Greve afetou exportador 492 dias desde 2005
| Ronaldo D"Ercole, Mariana Schreiber e Gustavo Paul |
| O Globo |
Estudo conta as paralisações e as operações-padrão federais até ontem. Perdas anuais são bilionárias, diz Fiesp
As empresas brasileiras que exportam ou dependem de insumos importados enfrentaram, de 2005 até ontem, 492 dias de greves e operações-padrão de funcionários públicos federais da área de comércio exterior, segundo estudo do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave). As paralisações envolveram de fiscais do Ibama e do Ministério da Agricultura a agentes da Marinha Mercante e auditores da Receita Federal. Para o diretor do Departamento de Comércio Exterior e Relações Internacionais da Fiesp (federação das indústrias paulistas), Roberto Gianetti da Fonseca, as perdas com essas greves são de bilhões de reais por ano.
Os auditores, que fazem o controle aduaneiro de fronteiras, portos e aeroportos, são os campeões: 174 dias.
As empresas de áreas como tecnologia da informação, imagem e som e componentes eletroeletrônicos estimam em US$400 milhões o total de insumos importados retidos pela greve dos auditores. Os prejuízos com redução da produção, perda de faturamento e multas por atraso nos contratos, diz a Abinee (associação da indústria eletroeletrônica), podem chegar a US$150 milhões.
- (A greve) é chantagem - afirmou Gianetti.
Ontem, primeiro dia da operação-padrão dos auditores fiscais depois de um mês de greve, havia muitos contêineres parados em portos como Santos. Nos aeroportos, o quadro era parecido. Mas, segundo a Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegários (Abtra), em alguns terminais de Santos, o ritmo de desembaraço voltou ao normal.
A presidente da Unafisco (sindicato dos auditores fiscais) no Rio, Vera Balieiro, disse que a capacidade de armazenamento do Porto do Rio está praticamente esgotada:
- Já há pilhas de até seis contêineres, o máximo que o guindaste é capaz de empilhar. Como os outros portos brasileiros também estão esgotados, as cargas serão levadas para Argentina ou Uruguai.
O governo entrou ontem com recurso contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que impede o corte do ponto dos auditores, mas admitiu que terá de pagar o salário de abril, pois a folha é fechada hoje. Os dias de abril devem ser cortados no pagamento de maio.
A ação, da Procuradoria-Geral da União (PGU), alega já haver decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a greve dos auditores é ilegal, o que permite o corte do ponto. Argumenta ainda que o pedido da Unafisco era "para não fazer o desconto retroativo dos salários". A administração pública, diz o texto, ordenou o corte do ponto apenas a partir do dia 9.
