Desemprego em alta, renda em queda
O índice de desemprego de 6,2% em março, divulgado pelo IBGE, é o maior para o mês desde 2012, anulando os ganhos dos últimos dois anos. O resultado negativo joga uma ducha de água fria nos números divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado semana passada, que mostrou um saldo positivo na criação de vagas com carteira assinada em março, depois da queda no primeiro bimestre. Um alento que levou o ministro do Trabalho, Manuel Dias, a prognosticar que o pior já havia passado. Os números desta terça-feira, 28, mostram que não.As vagas estão sendo abertas, mas não no ritmo necessário, como mostra outro dado da pesquisa do IBGE. Em março a renda média real caiu 2,8% em relação a fevereiro e diminuiu 3% sobre o mesmo mês do ano anterior. Foi a maior queda na variação mensal desde janeiro de 2003.
O círculo virtuoso que se formou com o aumento da renda real e do emprego, estimulando mais vendas no comércio agora já se inverteu. A queda da renda das famílias reduz as vendas e a produção industrial e provoca mais desemprego. Ao mesmo tempo, o desemprego de um membro da família leva os demais a também partir em busca de emprego, aumentando a procura por um artigo que está ficando escasso. E tudo isso num cenário de inflação superior a 8% ao ano.
