Correio Braziliense

A alta no preço dos alimentos e o temor de uma escalada no custo de vida preocupam presidentes de bancos centrais de todo o mundo   A turbulência financeira internacional continua, assim como os riscos de queda acentuada do crescimento nas nações ricas. Mas o que deve dominar as conversas em Basiléia, na Suíça, onde se reúnem presidentes de bancos centrais de todo o mundo, a partir de hoje, é o medo da inflação, provocada especialmente pela alta nos preços dos alimentos, assim como das commodities em geral.

“Hoje, se fala mais sobre inflação do que sobre a possibilidade de recessão”, afirmou um presidente de Banco Central, que pediu para não ser identificado. “Existe uma demanda maior de consumo na China, na Índia e inclusive no Brasil”, disse o executivo. “A crise pode afetar o Brasil”, completou.

Números divulgados pelo escritório europeu de estatísticas Eurostat indicam alta da inflação na zona do euro, que chegou a 3,5% em março, novo recorde histórico da série iniciada em 1999. A elevação seria causada, entre outros fatores, pelo aumento no preço do barril de petróleo, que atingiu US$ 110 no mês passado. Em dezembro, a inflação alcançou 3,1%, índice logo superado em janeiro (3,2%) e fevereiro (3,3%) deste ano — sempre acima da meta do Banco Central Europeu (BCE), abaixo de 2%.

Estatísticas recentes dos Estados Unidos ajudam a ampliar o temor de continuidade da alta dos preços. Embora o Federal Reserve (Fed) preveja a estabilização do preço da energia e das matérias-primas, a estagnação ainda não aconteceu. Desde setembro de 2007, quando a instituição deu início à curva de redução da taxa básica de juros — hoje em 5,25% —, o barril de petróleo subiu 39%, enquanto as matérias-primas sofreram reajustes médios de 24%.

Grau de investimento No Brasil, segundo a Fundação Getúlio Vargas, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) registrou em 2008 alta nos meses do quadrimestre janeiro/abril, comparando-se aos indicadores de 2007. No período, mês a mês a inflação subiu 0,50%, 0,27%, 0,34% e 0,04% no ano passado, frente a 1,09%, 0,53%, 0,74% e 0,69% neste ano.

Pela primeira vez, o Brasil participa do evento no Banco de Compensações Internacionais (BIS, conhecido como o banco central dos bancos centrais) na condição de economia com grau de investimento. Na Basiléia, a obtenção do status é um reconhecimento à política monetária e fiscal do país. A aposta dos banqueiros é de que o Brasil, ao lado de China, Rússia, Índia e os demais emergentes, possa compensar a recessão nas economias ricas em 2008 e manter os mercados em expansão.

A obtenção do grau de investimento pelo Brasil, portanto, vem em um momento adequado para que se dêem sinais positivos aos investidores, apontam os especialistas do BIS.    Surpresa na reclassificação A nova classificação de risco do Brasil, avaliado desde a última quarta-feira como grau de investimento pela agência Standard & Poor’s, surpreendeu as autoridades monetárias reunidas na Basiléia, Suíça, para o encontro bimestral do Banco Internacional de Compensações (BIS). A reação, descrita por um presidente de banco central, se deu em razão da mudança de status ter ocorrido em meio à instabilidade econômica internacional e às dúvidas quanto ao grau de confiança das agências de classificação, contestadas por sua atuação diante da crise dos subprimes, iniciada em 2007 nos Estados Unidos.

As ponderações teriam sido feitas durante reuniões informais de presidentes de BCs, que chegaram à Basiléia no fim de semana. O que teria espantado as autoridades monetárias seria o momento da decisão da S&P: um cenário externo hostil, marcado pelo temor de recessão mundial e de inflação.

“O clima geral é de reconhecimento pelo trabalho feito pelo Brasil e de certa surpresa pelo fato de a agência ter feito o movimento neste momento de instabilidade”, disse uma autoridade monetária, que preferiu não se identificar. “A agência assumiu o risco de fazer um upgrade importante em um momento complicado para a economia mundial e para as próprias agências, devido aos ratings dos subprimes. Não se esperava um movimento tão importante”, acrescentou.

A decisão do Banco Central brasileiro de elevar a taxa básica de juros em 0,5% — para 11,75% ao ano — na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi um dos fatores que levou a S&P a elevar a classificação do país.

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BCs discutem inflação

Publicado: 5/05/2008 | 09:01


Correio Braziliense

A alta no preço dos alimentos e o temor de uma escalada no custo de vida preocupam presidentes de bancos centrais de todo o mundo
 
A turbulência financeira internacional continua, assim como os riscos de queda acentuada do crescimento nas nações ricas. Mas o que deve dominar as conversas em Basiléia, na Suíça, onde se reúnem presidentes de bancos centrais de todo o mundo, a partir de hoje, é o medo da inflação, provocada especialmente pela alta nos preços dos alimentos, assim como das commodities em geral.

“Hoje, se fala mais sobre inflação do que sobre a possibilidade de recessão”, afirmou um presidente de Banco Central, que pediu para não ser identificado. “Existe uma demanda maior de consumo na China, na Índia e inclusive no Brasil”, disse o executivo. “A crise pode afetar o Brasil”, completou.

Números divulgados pelo escritório europeu de estatísticas Eurostat indicam alta da inflação na zona do euro, que chegou a 3,5% em março, novo recorde histórico da série iniciada em 1999. A elevação seria causada, entre outros fatores, pelo aumento no preço do barril de petróleo, que atingiu US$ 110 no mês passado. Em dezembro, a inflação alcançou 3,1%, índice logo superado em janeiro (3,2%) e fevereiro (3,3%) deste ano — sempre acima da meta do Banco Central Europeu (BCE), abaixo de 2%.

Estatísticas recentes dos Estados Unidos ajudam a ampliar o temor de continuidade da alta dos preços. Embora o Federal Reserve (Fed) preveja a estabilização do preço da energia e das matérias-primas, a estagnação ainda não aconteceu. Desde setembro de 2007, quando a instituição deu início à curva de redução da taxa básica de juros — hoje em 5,25% —, o barril de petróleo subiu 39%, enquanto as matérias-primas sofreram reajustes médios de 24%.

Grau de investimento
No Brasil, segundo a Fundação Getúlio Vargas, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) registrou em 2008 alta nos meses do quadrimestre janeiro/abril, comparando-se aos indicadores de 2007. No período, mês a mês a inflação subiu 0,50%, 0,27%, 0,34% e 0,04% no ano passado, frente a 1,09%, 0,53%, 0,74% e 0,69% neste ano.

Pela primeira vez, o Brasil participa do evento no Banco de Compensações Internacionais (BIS, conhecido como o banco central dos bancos centrais) na condição de economia com grau de investimento. Na Basiléia, a obtenção do status é um reconhecimento à política monetária e fiscal do país. A aposta dos banqueiros é de que o Brasil, ao lado de China, Rússia, Índia e os demais emergentes, possa compensar a recessão nas economias ricas em 2008 e manter os mercados em expansão.

A obtenção do grau de investimento pelo Brasil, portanto, vem em um momento adequado para que se dêem sinais positivos aos investidores, apontam os especialistas do BIS. 
 
Surpresa na reclassificação
A nova classificação de risco do Brasil, avaliado desde a última quarta-feira como grau de investimento pela agência Standard & Poor’s, surpreendeu as autoridades monetárias reunidas na Basiléia, Suíça, para o encontro bimestral do Banco Internacional de Compensações (BIS). A reação, descrita por um presidente de banco central, se deu em razão da mudança de status ter ocorrido em meio à instabilidade econômica internacional e às dúvidas quanto ao grau de confiança das agências de classificação, contestadas por sua atuação diante da crise dos subprimes, iniciada em 2007 nos Estados Unidos.

As ponderações teriam sido feitas durante reuniões informais de presidentes de BCs, que chegaram à Basiléia no fim de semana. O que teria espantado as autoridades monetárias seria o momento da decisão da S&P: um cenário externo hostil, marcado pelo temor de recessão mundial e de inflação.

“O clima geral é de reconhecimento pelo trabalho feito pelo Brasil e de certa surpresa pelo fato de a agência ter feito o movimento neste momento de instabilidade”, disse uma autoridade monetária, que preferiu não se identificar. “A agência assumiu o risco de fazer um upgrade importante em um momento complicado para a economia mundial e para as próprias agências, devido aos ratings dos subprimes. Não se esperava um movimento tão importante”, acrescentou.

A decisão do Banco Central brasileiro de elevar a taxa básica de juros em 0,5% — para 11,75% ao ano — na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi um dos fatores que levou a S&P a elevar a classificação do país.