Edson Luiz

Correio Braziliense

Polícia suspeita de irregularidades em entidades no esquema que desviou dinheiro. Escutas revelam preocupação de envolvidos A Polícia Federal suspeita que alguns dos acusados por desvios de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) podem ter envolvimento também com supostas fraudes em entidades sindicais. Escutas da PF mostram conversas em que João Pedro de Moura, ex-assessor do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, demonstra preocupação pela divulgação de que um órgão do Ministério do Trabalho e Emprego teria liberado dinheiro para uma entidade ligada à Força Sindical.

Para policiais que participaram da Operação Santa Tereza, que prendeu 11 pessoas em abril, a apreensão de vários documentos poderá esclarecer outras fraudes praticadas no passado. “Embora o teor das notícias nas reportagens citadas por João Pedro e Mantovani (o empresário Marcos Vieira Mantovani) e também por outros integrantes da organização investigada não tenha relação direta com a investigação em curso, ao menos até o momento, resolvemos anexá-las, pois fazem parte de um conjunto de denúncias graves, de caráter nacional e de grande importância para o Brasil”, observa um relatório da PF.

Os investigadores se referem à uma reportagem mostrando que o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) fez ajustes em convênio para que uma entidade ligada à Força Sindical fosse beneficiada com recursos públicos. Em uma conversa captada em março deste ano entre o empresário e Moura, havia uma demonstração de preocupação do ex-assessor de Paulinho com relação à denúncia. “João Pedro diz que acabou de desembarcar no Rio de Janeiro e manda Mantovani olhar o jornal Folha de S.Paulo. Pelo amor de Deus”, exclama um dos interlocutores, não identificado pela escuta.

Nos diálogos, os dois sugerem uma tentativa de visita a editores do jornal com “ele”, que segundo a Polícia Federal, possivelmente se tratava de Paulinho. O encontro, que estaria sendo arquitetada pelo advogado Ricardo Tosto, também preso na Operação Santa Tereza, não aconteceu. Mas o assunto dos dois ainda era a questão da entidade ligada à Força Sindical, como os policiais observam. “João Pedro fala com Mantovani a respeito da reunião com o BNDES. Possivelmente trataram da liberação de verbas. João volta a falar da reportagem”, diz o relatório da PF.

Na investigação, os policiais assinalam que Moura é um dos mais aflitos com as reportagens. “Destaca-se que João Pedro sempre fica ‘muito preocupado’, demonstrando, no mínimo, que sabe a verdade sobre as referidas notícias. Portanto, este pode esclarecer, no futuro, sobre as denúncias”, diz o relatório. Para os policiais, as apurações feitas durante a Operação Santa Tereza poderão ajudar a esclarecer outros casos.

“Devemos levar em consideração que, em relação a possíveis fatos criminosos do passado dos investigados, poderemos colaborar, com informações atuais, que podem ter como objetivo esclarecer fatos relacionados às denúncias nas reportagens”, acrescenta o documento da PF. O advogado de defesa de Moura, Tales Castelo Branco, informou que seu cliente só irá prestar depoimento em juízo. No fim de semana, o juiz substituto da 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo decidiu remeter o inquérito da Operação Santa Tereza ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que Paulinho da Força é citado várias vezes nas escutas da PF.

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PF apura fraude em centrais sindicais

Publicado: 5/05/2008 | 08:57


 

Edson Luiz

Correio Braziliense

Polícia suspeita de irregularidades em entidades no esquema que desviou dinheiro. Escutas revelam preocupação de envolvidos

A Polícia Federal suspeita que alguns dos acusados por desvios de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) podem ter envolvimento também com supostas fraudes em entidades sindicais. Escutas da PF mostram conversas em que João Pedro de Moura, ex-assessor do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, demonstra preocupação pela divulgação de que um órgão do Ministério do Trabalho e Emprego teria liberado dinheiro para uma entidade ligada à Força Sindical.

Para policiais que participaram da Operação Santa Tereza, que prendeu 11 pessoas em abril, a apreensão de vários documentos poderá esclarecer outras fraudes praticadas no passado. “Embora o teor das notícias nas reportagens citadas por João Pedro e Mantovani (o empresário Marcos Vieira Mantovani) e também por outros integrantes da organização investigada não tenha relação direta com a investigação em curso, ao menos até o momento, resolvemos anexá-las, pois fazem parte de um conjunto de denúncias graves, de caráter nacional e de grande importância para o Brasil”, observa um relatório da PF.

Os investigadores se referem à uma reportagem mostrando que o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) fez ajustes em convênio para que uma entidade ligada à Força Sindical fosse beneficiada com recursos públicos. Em uma conversa captada em março deste ano entre o empresário e Moura, havia uma demonstração de preocupação do ex-assessor de Paulinho com relação à denúncia. “João Pedro diz que acabou de desembarcar no Rio de Janeiro e manda Mantovani olhar o jornal Folha de S.Paulo. Pelo amor de Deus”, exclama um dos interlocutores, não identificado pela escuta.

Nos diálogos, os dois sugerem uma tentativa de visita a editores do jornal com “ele”, que segundo a Polícia Federal, possivelmente se tratava de Paulinho. O encontro, que estaria sendo arquitetada pelo advogado Ricardo Tosto, também preso na Operação Santa Tereza, não aconteceu. Mas o assunto dos dois ainda era a questão da entidade ligada à Força Sindical, como os policiais observam. “João Pedro fala com Mantovani a respeito da reunião com o BNDES. Possivelmente trataram da liberação de verbas. João volta a falar da reportagem”, diz o relatório da PF.

Na investigação, os policiais assinalam que Moura é um dos mais aflitos com as reportagens. “Destaca-se que João Pedro sempre fica ‘muito preocupado’, demonstrando, no mínimo, que sabe a verdade sobre as referidas notícias. Portanto, este pode esclarecer, no futuro, sobre as denúncias”, diz o relatório. Para os policiais, as apurações feitas durante a Operação Santa Tereza poderão ajudar a esclarecer outros casos.

“Devemos levar em consideração que, em relação a possíveis fatos criminosos do passado dos investigados, poderemos colaborar, com informações atuais, que podem ter como objetivo esclarecer fatos relacionados às denúncias nas reportagens”, acrescenta o documento da PF. O advogado de defesa de Moura, Tales Castelo Branco, informou que seu cliente só irá prestar depoimento em juízo. No fim de semana, o juiz substituto da 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo decidiu remeter o inquérito da Operação Santa Tereza ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que Paulinho da Força é citado várias vezes nas escutas da PF.