Economia não reage e 22,9 mi sofrem no mercado de trabalho
A economia brasileira não está reagindo como o atual governo previu logo após assumir a direção do país depois de concluído o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Em seus primeiros discursos, a nova economia econômica avaliou que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas produzidas no Brasil) iria inverter a tendência de queda forte neste ano e cresceria mais em 2017. Nessa terça-feira (22), porém, as previsões foram revistas diante de indicadores econômicos que não melhoram, como a taxa de desemprego, a produção industrial e os índices de consumo.O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, atualizou os parâmetros do Orçamento e prevê agora que a economia brasileira sofrerá contração ainda mais forte em 2016. De acordo com as estimativas anunciadas nessa terça-feira (22), o governo piorou a expectativa de queda do PIB neste ano de 3% para 3,5%. Em contrapartida, a estimativa de alta da inflação foi reduzida e o documento do Planejamento prevê Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,8% neste ano ante expectativa anterior de 7,2%. Para o ano que vem, a previsão do avanço do PIB foi reduzida de 1,5% para modestos 1%.
Termômetro importante para a economia, o mercado de trabalho mostra que o país não retomou o rumo do crescimento. Nessa terça-feira (22), o IBGE divulgou que o país tem hoje 22,9 milhões de pessoas desempregadas, subocupadas ou inativas, mas com potencial para trabalhar. O resultado significa que, no terceiro trimestre de 2016, estava faltando trabalho para todo esse contingente de brasileiros. Um volume recorde e nunca antes alcançado. A taxa composta da subutilização da força de trabalho – que contabiliza a taxa de desocupação, taxa de desocupação por insuficiência de horas trabalhadas e da força de trabalho potencial – ficou em 21,2% no terceiro trimestre. No segundo trimestre, o resultado foi de 20,9%, alcançando 22,7 milhões de pessoas. No terceiro trimestre de 2015, a taxa era consideravelmente mais baixa: 18,0%.
A maior taxa composta da subutilização da força de trabalho foi observada no Nordeste, de 31,4%, enquanto a menor foi registrada na região Sul, 13,2%. Bahia (34,1%), Piauí (32,6%) e Maranhão (31,9%) e Sergipe (31,9%) foram os Estados com as maiores taxas de subutilização da força. Os menores resultados foram observados em Santa Catarina (9,7%), Mato Grosso (13,2%) e Paraná (14,2%). Em Minas Gerais foi de 20,6%.
Os dados recentes do mercado de trabalho reforçam o cenário de pessimismo para o emprego até o segundo trimestre de 2017, quando finalmente a taxa de desocupação deve começar a se estabilizar. A avaliação é do pesquisador do Centro de Pesquisa Econômica da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) Tiago Barreira. “Vemos perspectiva de piora do desemprego até o primeiro trimestre do ano que vem. A taxa de desocupação começa a ficar estável no segundo trimestre, e no terceiro trimestre começamos a ter queda no desemprego”, previu Barreira.
