Empresas de servidores têm contratos com União, diz CPI
| Eugênia Lopes |
| O Estado de S. Paulo |
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Um caso é o de Raymundo, que fez compras para hospital em sua loja Sub-relatores da CPI dos Cartões, os deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Índio da Costa (DEM-RJ) divulgaram ontem levantamento de servidores ou ex-servidores que são sócios em empresas que têm contratos com a União e receberam dinheiro de cartões corporativos. Um caso sob suspeita é o de Raimundo Luiz da Silva, funcionário cedido ao Hospital Universitário de Brasília (HUB). Entre abril e setembro de 2006, sacou R$ 17,7 mil com o cartão e disse ao Estado que usou uma parte para comprar produtos na Gilvana Elétrica, empresa que tem em sociedade com sua mulher. “Saquei o dinheiro para comprar produtos para o HUB. Comprei em lojas maiores, mas é claro que também comprei na minha loja.” Ele disse não lembrar quanto gastou na sua loja. “Só sei que a maioria não foi. Tudo tem nota fiscal. Não temo nada.” A Gilvana também fez contratos com a União e de 2003 a 2007 recebeu R$ 113.493,68, dos quais R$ 77.423,64 da Fundação Universidade de Brasília, à qual é ligado o HUB. Mas Raimundo nega ter influenciado a escolha. “Esses contratos foram ganhos por pregão eletrônico. Não tem como ter tráfico de influência. Não tive nenhuma influência.” Outro caso é o da professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Rondônia (Unir) Fátima Aparecida de Souza Maia Queiroga, sócia da Microservice Comércio e Serviços de Informática. A empresa recebeu R$ 391.921,30 de contratos com a União em 2004, dos quais R$ 123.519,90 vieram da Unir. Em 2005, foram R$ 362.231,65 da União e em 2006, R$ 86.834,78. “Todos os contratos que ganhamos foram através de licitação. Não praticamos nenhuma ilegalidade”, afirmou Arionildo Queiroga, marido de Fátima e gerente da Microservice. “Não tem a mínima possibilidade de tráfico de influência.” Em nota a Controladoria-Geral da União (CGU) disse que esses casos não envolvem compra com cartão “e sim contratos entre empresas e universidades” e vai apurá-los “normalmente, como faz com qualquer denúncia”. Argumentou ainda que a existência de empresas que têm ou tiveram sócios servidores, “isoladamente, nada significa, em se tratando da administração pública federal, que tem milhares de repartições por todo o Brasil e mais de 500 mil servidores.” |
