Câmara 'vende' folha salarial por R$ 220 mi
| Denise Madueño |
| O Estado de S. Paulo |
Para fazer caixa a fim de tocar obras, a Câmara concluiu ontem a “venda” da folha de pagamento dos funcionários e dos deputados, de R$ 1,8 bilhão por ano, ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal (CEF). Os dois bancos vão pagar R$ 220 milhões para ter a exclusividade de ficar com as contas dos salários da Casa pelos próximos cinco anos. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), pretende usar o dinheiro para fazer obras.
A prioridade é construir um novo prédio de gabinetes para os deputados, ampliar o Anexo 4, também de gabinetes, além de construir um outro anexo, chamado de Complexo Cultural da Câmara, para abrigar a biblioteca, o museu e um auditório.
“São investimentos de longuíssimo prazo que não vão custar nenhum centavo para a Câmara dos Deputados”, ressaltou Chinaglia.
Pela folha, o Banco do Brasil vai pagar R$ 187 milhões e a CEF, R$ 33 milhões. A data prevista para o pagamento é 1º de outubro deste ano. A divisão do valor foi proporcional ao número de contas que cada uma das instituições já detém na Câmara. O Banco do Brasil reúne 16.010 contas de servidores (ativos, aposentados e pensionistas) e de deputados, enquanto a CEF possui 5.387 correntistas da Casa. Resolução do Conselho Monetário Nacional determina, no entanto, que a partir de janeiro de 2012 todos os trabalhadores, inclusive os da Câmara, poderão escolher em que banco vão receber seu salário.
Chinaglia defendeu a venda da folha de pagamento como uma forma de modernizar a administração da Câmara. Ainda de acordo com o presidente da Casa, as duas instituições financeiras foram as que fizeram as melhores propostas. O petista afirmou que teve reuniões com outros bancos e usou os serviços de consultoria de uma universidade pública durante as negociações.
“A relação com o Banco do Brasil e com a Caixa foi de interesse mútuo”, disse Chinaglia. Os dois bancos já contam com agências instaladas em dois prédios da Câmara, além de caixas eletrônicos espalhados pela Casa.
CONTRATO
O presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto, afirmou que a negociação foi técnica e que ter a conta da Câmara é uma grande vitrine para os serviços da instituição.
Lima Neto e a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, assinaram o contrato junto com Chinaglia no gabinete do presidente da Câmara. Entre as exigências, os dois bancos ficaram obrigados a prestar atendimento preferencial e personalizado aos deputados federais.
