Diretor da NCST diz que Brasil tem a maior taxa de juros do mundo

Publicado: 21/06/2023 | 14:15


No ato realizado em frente do Banco Central em São Paulo, na manhã de terça-feira (20), Nailton Francisco de Souza (Porreta), diretor nacional de Relações Sindicais da Nova central Sindical de Trabalhadores (NCST), afirmou que a taxa de juro de 13,75% ao ano, imposta pelo Banco Central (BC), além de ser a maior do mundo, prejudica o Brasil e todos brasileiros.

“Juros altos significa manter 9 milhões de trabalhadores (as) desempregados e 4 milhões de desalentados, além do exército dos subutilizados no mercado de trabalho. A economia tem que estar a serviço do povo e não de banqueiros e especuladores financeiros. O BC está na contramão do projeto escolhido na última eleição que visa reconstruir o Brasil, distribuir renda, gerar empregos de qualidade e tratar a calasse trabalhadora e povo com dignidade”, disse Nailton Porreta.

Na opinião do sindicalista o bem estar da população passa em baixar os juros abusivos do cartão de crédito que está em 320% ao ano, do crediário de 100% e do crédito bancário pessoa física que está em 118%, o que provoca inadimplência. E de que é preciso dialogar de forma simples com a população brasileira e mostrar que se hoje 64 milhões de brasileiros se quer consegue pagar suas dívidas, a culpa é dos juros escorchantes praticados pelo BC.

Nailton Porreta, comentou que todas as vezes que a classe trabalhadora e o povo se mobilizam para acabar com as injustiças, ou quando se unem em uma luta na busca de uma sociedade mais justa e melhores condições de trabalho, os poderosos se sentem ameaçados e colocam todo aparato repressor para combater eventuais avanços, sejam no campo trabalhista como em questões institucionais.

“Temos uma tarefa muito grande para convencer a sociedade e, principalmente, cada trabalhador e trabalhadora nos seus locais de trabalho, de que precisaremos do apoio deles para garantir as mudanças necessárias que possibilite fortalecer a luta contra juros altos. A união nacional da classe trabalhadora devolverá o protagonismo do sindicalismo que desde seu surgimento atua no fortalecimento da democracia e na diminuição da degradação e miséria social, provocada pela ganância dos poderosos”, resaltou. 

Taxa Selic em 13,75% só beneficia os 10% mais ricos

De acordo com o economista e professor Ladislau Dowbor, a questão das taxas de juros, das finanças em geral, é misteriosa para a maioria das pessoas. Mas o resultado é simples: montou-se um grande dreno por meio da taxa Selic, da tolerância da evasão fiscal, das renúncias fiscais, das isenções sobre lucros e dividendos, da lei Kandir, da não aplicação do Imposto Territorial Rural (ITR), e em particular das taxas de juros absurdas cobrados pelos bancos, sobre as famílias e as empresas.

Sendo que elas juntas drenaram as políticas públicas (saúde, educação, infraestruturas), a capacidade de compra das famílias (juros sobre pessoa física) e a capacidade de investimento das empresas (juros sobre pessoa jurídica). E os proveitos vão todos para o mesmo endereço, os bancos e outras corporações financeiras, a chamada Faria Lima.

“O básico é o seguinte: quando rende mais o rentismo financeiro, ou seja, a aplicação em títulos e diversos produtos financeiros, do que abrir uma empresa e realizar um investimento produtivo, o dinheiro flui para onde rende mais: para ganhos improdutivos. Um exemplo: quando o governo eleva a taxa básica de juros (Selic) para 13,75%, este valor será pago pelo governo, aos detentores privados dos títulos da dívida pública, basicamente os 10% mais ricos da sociedade, usando os impostos que pagamos”, afirma o professor.

E que esses impostos, em vez de financiarem educação, saúde ou infraestruturas, vão para os grandes grupos financeiros chamados de mercados. Ladislau esclarece que o Estado não se endividou para construir escolas, por exemplo, ou no Bolsa Família, pois 82% do aumento da dívida pública resultam de juros acumulados.

“Sem nenhuma contribuição produtiva, esses grupos drenam anualmente, só nesta modalidade, cerca de 700 bilhões de reais, ou seja, o equivalente a cerca de 7% do PIB. Esses 7% do PIB podiam se transformar em investimentos produtivos, mas para que um dono de fortuna vai arriscar no mercado real, se pode ganhar 13,75% sem risco e sem esforço? Descontando a inflação, um ganho líquido de 8,5%”, complementa Dowbor.

Fonte: Sec. de Comunicação Estadual da NCST-SP