Palestra Professor João Cezar de Castro Rocha: Guerrilha digital será o vento que soprará forte nas eleições de 2026

Publicado: 29/04/2026 | 20:22




Vivemos uma sociedade com novos perfis de cidadãos, moldados pelas redes sociais e seus algoritmos. Este cenário, no entanto, tem implicação direta na formação de eleitores, sobretudo aqueles alinhados à direita.

Tal espectro foi colocado com bastante atenção na palestra “conjuntura internacional e suas intervenções e consequências para o Brasil”, apresentada pelo pesquisador e pro-cientista do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), professor doutor João Cezar de Castro Rocha.

Nos últimos 10 anos, no raio entre 2016 e 2026, “os ventos ideológicos”, segundo o especialista “mudaram radicalmente de direção”. E dois acontecimentos foram decisivos neste processo: a vitória na primeira eleição do hoje presidente americano em segundo mandato, Donald Trump, e o plebiscito do Brexit onde os britânicos votaram pela saída do Reino Unido da União Europeia.

“Nos dois casos, as redes sociais foram instrumentos preponderantes para a vitória dos interessados, por meio do descobrimento e modulação dos perfis de seus usuários, especialmente os mais jovens da chamada Geração Z, que abraçaram discursos potentes de ódio e radicalismo”, afirma.

Na avaliação do professor, este foi o gatilho que “tirou dos escombros dos parcos” e “deu vida política por meio de discursos inflamados” a personagens como o ex-presidente da república, por exemplo.

Como proposta para conter este movimento, João Cezar indica a criação de um manual de guerrilha urbana digital, inspirada na ideia de Carlos Mariguella. “Há mais de 50 anos, o líder propunha uma criação de uma constituição horizontal em expansão permanente e organizada, tal qual são as redes sociais. Um visionário”. E completa. “Se aplicarmos esta metodologia online num amplo movimento de conhecimento, informação qualificada e propositiva, combateremos com vigor ataques e fake news”.

Nas eleições de outubro deste ano, segundo o professor, haverá uma luta frenética na busca por votos nas ruas, no corpo e corpo, mas, especialmente, nos algoritmos das redes sociais. “Uma guerrilha social será travada entre as partes, onde nossa capacidade de mobilização, com discurso assertivo, será o diferencial para enfrentar o lado oposto”.