País é campeão de juro real
| Renée Pereira |
| O Estado de S. Paulo |
Taxa no Brasil é maior que a de Austrália e Turquia
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa Selic hoje vai pôr o País numa posição isolada no ranking dos maiores juros reais do mundo (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses). Se a alta for de 0,5 ponto porcentual, como a maioria do mercado projeta, a taxa brasileira vai para 6,9% ao ano, superior à da Austrália, de 5,5%; Turquia de 5,3%; Colômbia, de 3,7%; e México, 2,6%.
“O Brasil vai continuar na primeira posição por um bom tempo. A liderança apenas seria perdida se o Banco Central iniciasse um corte dos juros de 1 ponto porcentual. O que não deve ocorrer tão cedo”, destacou o economista da UP Trend, consultoria econômica responsável pelo ranking dos juros reais, Jason Vieira. A posição do País reforça o movimento positivo de entrada de recursos estrangeiros no País e, conseqüentemente, pressiona o câmbio. “O volume de recursos só não tem sido maior porque a bolsa paulista (Bovespa) está um pouco cara”, afirmou Vieira.
Segundo ele, a surpresa deste mês foi a queda da Turquia para a terceira posição e a ascensão da Austrália para o segundo lugar. No caso turco, a taxa foi influenciada pela inflação elevada. A Austrália, que tem juros nominais de 6,9% ao ano, subiu no ranking por causa dos baixos índices de preços.
No caso do Brasil, tanto a inflação projetada quanto a taxa nominal, de 11,75% ao ano, estão altas. Com a decisão de hoje, a Selic atingiria 12,25% ao ano, segundo aposta do mercado. Mas há quem acredite numa alta ainda maior, para 12,5%, por causa do risco inflacionário. A Modal Asset Management, por exemplo, está no grupo dos que apostam numa posição mais agressiva do BC.
Segundo o economista da instituição Alexandre Póvoa, a decisão será difícil, podendo haver até mesmo divisão entre os diretores do BC que participam do Copom. Ele considera que a opção por 0,75 ponto porcentual reforçaria a credibilidade da autoridade monetária em um momento em que as pressões inflacionárias vêm de todos os lados.
“Nossa preocupação sobre a alternativa do 0,5% é que não vemos desaceleração da dinâmica da inflação, mesmo em uma época sazonalmente favorável como o segundo trimestre. Se nos próximos 45 dias as más notícias continuarem, pode prevalecer a impressão de que o BC ficou atrás da curva”, destacou o economista.
