Daniel Pereira e Izabelle Torres Correio Braziliense

Presidente critica Denise Abreu e destaca que querem “mostrá-la como heroína”. Paulo Bernardo cobra provas contra a ministra O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é “o nome do PT” para a disputa das eleições presidenciais de 2010. Padrinho da escolha, que enfrenta resistência até entre petistas, Lula ratificou a candidatura da “mãe do PAC” durante almoço, no Palácio do Planalto, com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB); o ministro do Esporte, Orlando Silva; e o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman. Segundo fontes governistas, Cabral está entre os cotados para ocupar o posto de vice numa eventual chapa encabeçada por Dilma.

À mesa, Lula voltou a defender a ministra da acusação de ter pressionado a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a aprovar a compra da Varig pelo fundo norte-americano de investimento Matlin Patterson e três sócios brasileiros. Como em discurso proferido na terça-feira em São Paulo, o presidente desqualificou a ex-diretora da Anac Denise Abreu, autora da denúncia contra a ministra. “Ela era uma pessoa muito criticada num momento difícil”, afirmou Lula, referindo-se ao desempenho do órgão regulador durante o ápice do caos aéreo. “Agora, tentam mostrá-la como heroína”, acrescentou, conforme relato de um dos convidados.

Em público, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, também saiu em defesa da colega. Ele declarou que a versão de Denise Abreu só poderá ser levada a sério se ela apresentar documentos provando a ingerência indevida da Casa Civil no processo. “Acho que não tem documento nenhum que demonstre qualquer ligação da ministra com essas denúncias. Os parlamentares da oposição estão mais preocupados em atingir a ministra do que em apurar o caso”, disse Bernardo. A falta de provas para sustentar a denúncia também foi lembrada, em tom de comemoração, pelo Planalto ao analisar o depoimento de Denise na Comissão de Infra-Estrutura do Senado.

“Por enquanto, é a palavra de uma contra a palavra da outra”, declarou um ministro. A avaliação é de que o caso está sob controle. O jogo de ontem, ou o depoimento de Denise, teria terminado empatado, deixando a ministra em vantagem porque tem a seu favor a presunção da inocência. Desde que a acusação de tráfico de influência veio à tona, o presidente e ministros decidiram blindar a chefe da Casa Civil. Primeiro, porque vêem nas denúncias uma tentativa de reduzir o prestígio político e a chance de ela participar da próxima sucessão presidencial. Segundo, porque Dilma só age com a anuência de Lula. E o próprio presidente prometeu, publicamente, salvar a Varig. “A Dilma não faria nada sem o aval do Lula”, disse um cardeal petista.

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Lula defende Dilma e turbina candidatura

Publicado: 12/06/2008 | 09:11


Daniel Pereira e Izabelle Torres
Correio Braziliense

Presidente critica Denise Abreu e destaca que querem “mostrá-la como heroína”. Paulo Bernardo cobra provas contra a ministra

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é “o nome do PT” para a disputa das eleições presidenciais de 2010. Padrinho da escolha, que enfrenta resistência até entre petistas, Lula ratificou a candidatura da “mãe do PAC” durante almoço, no Palácio do Planalto, com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB); o ministro do Esporte, Orlando Silva; e o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman. Segundo fontes governistas, Cabral está entre os cotados para ocupar o posto de vice numa eventual chapa encabeçada por Dilma.

À mesa, Lula voltou a defender a ministra da acusação de ter pressionado a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a aprovar a compra da Varig pelo fundo norte-americano de investimento Matlin Patterson e três sócios brasileiros. Como em discurso proferido na terça-feira em São Paulo, o presidente desqualificou a ex-diretora da Anac Denise Abreu, autora da denúncia contra a ministra. “Ela era uma pessoa muito criticada num momento difícil”, afirmou Lula, referindo-se ao desempenho do órgão regulador durante o ápice do caos aéreo. “Agora, tentam mostrá-la como heroína”, acrescentou, conforme relato de um dos convidados.

Em público, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, também saiu em defesa da colega. Ele declarou que a versão de Denise Abreu só poderá ser levada a sério se ela apresentar documentos provando a ingerência indevida da Casa Civil no processo. “Acho que não tem documento nenhum que demonstre qualquer ligação da ministra com essas denúncias. Os parlamentares da oposição estão mais preocupados em atingir a ministra do que em apurar o caso”, disse Bernardo. A falta de provas para sustentar a denúncia também foi lembrada, em tom de comemoração, pelo Planalto ao analisar o depoimento de Denise na Comissão de Infra-Estrutura do Senado.

“Por enquanto, é a palavra de uma contra a palavra da outra”, declarou um ministro. A avaliação é de que o caso está sob controle. O jogo de ontem, ou o depoimento de Denise, teria terminado empatado, deixando a ministra em vantagem porque tem a seu favor a presunção da inocência. Desde que a acusação de tráfico de influência veio à tona, o presidente e ministros decidiram blindar a chefe da Casa Civil. Primeiro, porque vêem nas denúncias uma tentativa de reduzir o prestígio político e a chance de ela participar da próxima sucessão presidencial. Segundo, porque Dilma só age com a anuência de Lula. E o próprio presidente prometeu, publicamente, salvar a Varig. “A Dilma não faria nada sem o aval do Lula”, disse um cardeal petista.