Candidatos aliados assediam Lula no Rio
| Ricardo Miranda |
| Correio Braziliense |
Em evento na capital fluminense, políticos dos partidos da base de sustentação do presidente sobem ao palanque. Só faltou o do PT
Na primeira visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Rio após a homologação do nome do deputado estadual Alessandro Molon como nome do PT à prefeitura da cidade, o candidato petista não apareceu e abriu o palanque do presidente ao assédio dos outros três concorrentes da base aliada. Como sempre, o senador Marcelo Crivella (PRB), tido como o preferido de Lula, foi o que teve melhor trânsito junto do presidente, participando dos dois eventos do dia — as comemorações dos 50 anos do Parque Industrial da Bayer, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e a liberação de verbas para a candidatura do Rio à sede dos Jogos Olímpicos de 2016, no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, Zona Sul. Crivella estava no palanque, no primeiro, e na platéia, no segundo.
Do evento na sede do governo fluminense, participaram ainda dois candidatos homologados por seus partidos no último fim de semana: o ex-deputado tucano Eduardo Paes, hoje no PMDB do governador Sérgio Cabral, e Jandira Feghali, do bloquinho (PCdoB, PDT e PSB). Jandira lamentou que o esforço do presidente Lula em unir a esquerda no primeiro turno tenha sido frustrado, segundo ela por culpa do PT, e reclamou da falta de “reciprocidade” do partido, já que o PCdoB abriu mão de suas candidaturas em São Paulo (Aldo Rebelo) e Recife (o vice-prefeito Luciano Siqueira) em prol de candidaturas petistas (Marta Suplicy e João da Costa, respectivamente).
“O presidente Lula fez de tudo para unir toda a esquerda no Rio. Ele teve uma atitude muito importante. Infelizmente, a atitude do PT não correspondeu a esse apelo e o partido ficou numa atitude isolada. Faltou reciprocidade, até pela nossa atitude em São Paulo e Recife”, criticou Jandira, que tentou sem sucesso um encontro em separado com o presidente. “Quem vai decidir como atuar (nas eleições no Rio) é o presidente. Mas posso dizer que minha vitória é a vitória do presidente Lula”, discursou Jandira, descartando de vez uma frente com o PT no primeiro turno. Se Crivella é o favorito de Lula? “O que vai no coração do presidente, só ele pode responder”, esquivou-se Jandira.
Agenda
A assessoria de Molon informou que ele não se juntou à agenda do presidente por que tinha outros compromissos. A agenda do petista ontem incluía a gravação de programa de TV, um encontro na Pontifícia Universidade Católica (PUC), na Gávea — a apenas meia hora do Palácio Guanabara — e, no fim do dia, um encontro com a Associação de Moradores, em Santa Teresa.
“Eu não vou ficar nesse joguinho de puxa o presidente para cá, puxa o presidente para lá. O presidente tem que ter tempo de governar”, disse Eduardo Paes, que, nas prévias do partido, venceu a disputa contra o deputado Marcelo Itagiba, candidato do grupo do ex-governador Anthony Garotinho. Paes teve 136 votos e Itagiba, 67. Os Democratas ameaçam pedir ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a impugnação da candidatura de Paes por causa da desincompatibilização retroativa do cargo de secretário estadual de Turismo Esporte e Lazer. Cabral rejeita o que chama de “tapetão” político. “O presidente tem a sorte de ter no Rio vários palanques. Isso é bom, mas ele vai ter dificuldade de escolher um palanque, fazer campanha para fulano ou beltrano”, acredita Paes.
Dilma e Marisa vão a missa
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, participou ontem, no início da noite, de missa campal celebrada pelo padre Marcelo Rossi na Esplanada dos Ministérios. Apesar de uma lesão na clavícula, resultado de acidente sofrido no Palácio da Alvorada na última quinta-feira, a primeira-dama, Marisa Letícia, também esteve na cerimônia.
Dilma discursou em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpriu agenda oficial no Rio e em São Paulo. A ministra justificou a ausência de Lula ao afirmar que, embora não estivesse presente, o presidente acompanhou em “espírito” a celebração religiosa.
“O presidente não pode estar aqui com vocês, mas está em espírito pensando em vocês”, afirmou a ministra. Apontada como pré-candidata à Presidência da República em 2010, a chefe da Casa Civil negou que estivesse usando o momento para aumentar sua popularidade.
Ao lado de Dilma no palanque de autoridades, a primeira-dama, Marisa Letícia, exibiu o braço imobilizado em conseqüência de uma queda no Alvorada. A primeira-dama caiu da cama, mas assessores do Palácio do Planalto não informaram detalhes sobre o tombo. De acordo com interlocutores, Marisa Letícia passa bem e não reclama de dores. Por causa da lesão, ela examina a possibilidade de restringir sua participação em cerimônias e eventos públicos.
Além de Dilma, o presidente foi representado na missa pelo seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, por parlamentares e autoridades do governo federal. A missa foi organizada pela TV Canção Nova, que inaugura o canal da emissora em Brasília — e celebrada pelo padre Marcelo Rossi, o arcebispo de Brasília, Dom João Braz de Aviz, e outras autoridades religiosas. Os organizadores estimam que 100 mil pessoas acompanharam o evento na Esplanada dos Ministérios.
