Fabiana Ribeiro O Globo

Taxa de desocupação cai para 7,9% em maio. Salários, com inflação, recuam 1%

A taxa de desemprego recuou de 8,5% para 7,9% no mês passado, o menor índice para um mês de maio desde 2002, divulgou ontem o IBGE. Foi a terceira queda consecutiva registrada na pesquisa em seis regiões metropolitanas do país. Em maio de 2007, a taxa de desemprego era de 10,1%. A escalada da inflação, no entanto, já provoca estrago nos salários. O rendimento médio real recuou 1% no mês, passando a R$1.208,20 em maio. Os números de emprego do IBGE foram influenciados pelo desempenho da construção civil e por obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os analistas ressalvam também que muitas das novas vagas abertas têm salários menores, o que puxa para baixo o rendimento médio do país. Os metalúrgicos de São Paulo, filiados à Força Sindical, começam hoje a discutir a pauta de reivindicações da campanha deste ano.

Desemprego cai; rendimento do trabalhador, também. Em maio, a taxa de desocupação recuou, pela terceira vez consecutiva, para 7,9% nas seis regiões metropolitanas do país. Em abril, foi de 8,5%. Trata-se do melhor mês de maio desde 2002, quando o IBGE começou a fazer a pesquisa. E só perde para o desempenho de dezembro - típico período de contratações - de 2007. Os salários, no entanto, recuaram 1% de abril para maio, num claro efeito da alta da inflação dos últimos meses.

- Pode haver outras quedas no desemprego ao longo do ano, se as condições atuais se mantiverem, o que levaria 2008 a fechar com queda recorde na taxa. Por outro lado, parte do freio no rendimento se explica pela inflação, que corroeu a renda - disse Cimar Azeredo, gerente da pesquisa do IBGE.

O ganho médio do trabalhador passou de R$1.219,80, em abril, para R$1.208,20 em maio. Queda de 1% de um mês para o outro. Mas, em relação a maio de 2007, houve crescimento de 1,5%.

João Saboia, diretor do Instituto de Economia da UFRJ, confirma que a inflação já corrói os salários, mas também ressalta o fato de, em relação a 2007, o rendimento ainda apresentar ganho. Já para Marcelo de Ávila, economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), essa perda causada pela alta do custo de vida não preocupa:

- Não é um movimento preocupante: a inflação não deve se fortalecer tanto. Para se ter uma idéia, desde junho de 2004, pode-se dizer que o rendimento começou a deslanchar. Até os reajustes para mais de 80% das categorias foram acima da inflação em 2007. O que não deve se repetir este ano - afirma ele. Construção civil contrata mais

Apesar do freio no rendimento mensal em maio, a massa de rendimento real (R$26,2 bilhões) cresceu 7,1% frente a igual período do ano passado. Em relação a abril, está estável, segundo o IBGE.

- Mais gente no mercado de trabalho significa massa salarial maior. Esse avanço é o que contribui para que a economia não sofra com uma desaceleração no comércio, por causa da inflação em alta - disse Júlio Gomes, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Saboia diz que o avanço da massa salarial não alimenta a inflação:

- A pressão de consumo não é suficiente para contribuir para a alta de preços. E a inflação está associada a efeitos externos.

Gomes acrescenta que o setor de construção civil apresentou avanços de 7,3% em relação ao maio de 2007. Ele conta que o segmento também influenciou os rendimentos menores em maio, já que o setor paga, em média, salário 21,1% abaixo da média da população ocupada.

- Com mais gente no mercado de trabalho, há mais iniciantes. E isso puxa o rendimento médio para baixo - acrescentou Azeredo, do IBGE.

Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estima que, até o fim do ano, sejam criados 2,3 milhões de empregos - 5% a 7% mais do que no ano passado.

Para Azeredo, também há avanços em qualidade no emprego, com mais da metade dos trabalhadores na formalidade. E as perspectivas são positivas para o segundo semestre.

- São Paulo, com 43% da força do trabalho, é um termômetro para o país. O que acontece na maior metrópole da América Latina tende a se refletir nas demais regiões, trazendo taxas menores - disse Azeredo, acrescentando que a taxa média de desocupação nos cinco primeiros meses de 2008 é de 8,3% - abaixo do que se viu em 2007 (9,9%) e 2006 (10,1%).

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Menos desemprego e renda

Publicado: 27/06/2008 | 10:38


Fabiana Ribeiro
O Globo

Taxa de desocupação cai para 7,9% em maio. Salários, com inflação, recuam 1%

A taxa de desemprego recuou de 8,5% para 7,9% no mês passado, o menor índice para um mês de maio desde 2002, divulgou ontem o IBGE. Foi a terceira queda consecutiva registrada na pesquisa em seis regiões metropolitanas do país. Em maio de 2007, a taxa de desemprego era de 10,1%. A escalada da inflação, no entanto, já provoca estrago nos salários. O rendimento médio real recuou 1% no mês, passando a R$1.208,20 em maio. Os números de emprego do IBGE foram influenciados pelo desempenho da construção civil e por obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os analistas ressalvam também que muitas das novas vagas abertas têm salários menores, o que puxa para baixo o rendimento médio do país. Os metalúrgicos de São Paulo, filiados à Força Sindical, começam hoje a discutir a pauta de reivindicações da campanha deste ano.

Desemprego cai; rendimento do trabalhador, também. Em maio, a taxa de desocupação recuou, pela terceira vez consecutiva, para 7,9% nas seis regiões metropolitanas do país. Em abril, foi de 8,5%. Trata-se do melhor mês de maio desde 2002, quando o IBGE começou a fazer a pesquisa. E só perde para o desempenho de dezembro - típico período de contratações - de 2007. Os salários, no entanto, recuaram 1% de abril para maio, num claro efeito da alta da inflação dos últimos meses.

- Pode haver outras quedas no desemprego ao longo do ano, se as condições atuais se mantiverem, o que levaria 2008 a fechar com queda recorde na taxa. Por outro lado, parte do freio no rendimento se explica pela inflação, que corroeu a renda - disse Cimar Azeredo, gerente da pesquisa do IBGE.

O ganho médio do trabalhador passou de R$1.219,80, em abril, para R$1.208,20 em maio. Queda de 1% de um mês para o outro. Mas, em relação a maio de 2007, houve crescimento de 1,5%.

João Saboia, diretor do Instituto de Economia da UFRJ, confirma que a inflação já corrói os salários, mas também ressalta o fato de, em relação a 2007, o rendimento ainda apresentar ganho. Já para Marcelo de Ávila, economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), essa perda causada pela alta do custo de vida não preocupa:

- Não é um movimento preocupante: a inflação não deve se fortalecer tanto. Para se ter uma idéia, desde junho de 2004, pode-se dizer que o rendimento começou a deslanchar. Até os reajustes para mais de 80% das categorias foram acima da inflação em 2007. O que não deve se repetir este ano - afirma ele.

Construção civil contrata mais

Apesar do freio no rendimento mensal em maio, a massa de rendimento real (R$26,2 bilhões) cresceu 7,1% frente a igual período do ano passado. Em relação a abril, está estável, segundo o IBGE.

- Mais gente no mercado de trabalho significa massa salarial maior. Esse avanço é o que contribui para que a economia não sofra com uma desaceleração no comércio, por causa da inflação em alta - disse Júlio Gomes, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Saboia diz que o avanço da massa salarial não alimenta a inflação:

- A pressão de consumo não é suficiente para contribuir para a alta de preços. E a inflação está associada a efeitos externos.

Gomes acrescenta que o setor de construção civil apresentou avanços de 7,3% em relação ao maio de 2007. Ele conta que o segmento também influenciou os rendimentos menores em maio, já que o setor paga, em média, salário 21,1% abaixo da média da população ocupada.

- Com mais gente no mercado de trabalho, há mais iniciantes. E isso puxa o rendimento médio para baixo - acrescentou Azeredo, do IBGE.

Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estima que, até o fim do ano, sejam criados 2,3 milhões de empregos - 5% a 7% mais do que no ano passado.

Para Azeredo, também há avanços em qualidade no emprego, com mais da metade dos trabalhadores na formalidade. E as perspectivas são positivas para o segundo semestre.

- São Paulo, com 43% da força do trabalho, é um termômetro para o país. O que acontece na maior metrópole da América Latina tende a se refletir nas demais regiões, trazendo taxas menores - disse Azeredo, acrescentando que a taxa média de desocupação nos cinco primeiros meses de 2008 é de 8,3% - abaixo do que se viu em 2007 (9,9%) e 2006 (10,1%).