Confusão e correria no concurso da Caixa
| Letícia Nobre |
| Correio Braziliense |
Candidatos reclamam de desorganização e pedem a anulação das provas realizadas ontem.Portões foram fechados antes das 13h
A prova do concurso para técnico bancário da Caixa Econômica Federal, realizada na tarde de ontem, foi marcada por confusão em alguns pontos do Distrito Federal. O concurso teve número recorde de inscritos: 767 mil, sendo 71.120 no DF.
O momento mais tenso ocorreu na entrada. No Uniceub, na Asa Norte, onde 8.842 candidatos fariam prova, a correria tomou conta nos últimos minutos. Os portões foram fechados às 13h05, e um grupo de 15 a 20 pessoas ficou de fora. Conversando com o segurança, eles conseguiram entrar, o que causou indignação nos que chegaram em seguida e encontraram os cadeados trancados. Uma moça que estava grávida, e preferiu não se identificar, passou mal e foi amparada por seu namorado.
Um engarrafamento prendeu a estudante de desing industrial Bianca Starling, de 21 anos, por meia hora na Esplanada e, por isso, ela não conseguiu chegar a tempo. “Teve uma prova de corrida e fiquei presa. Tinha estudado, estava em busca do meu primeiro emprego”, lamenta.
Abaixo-assinado
No UniDF, na 904 Sul, cerca de 80 pessoas não puderam fazer provas. Eles alegaram que os portões foram fechados cinco minutos antes do previsto. “O próprio segurança admitiu que os portões foram fechados antes porque havia tumulto na entrada das salas. Mas esse não foi o único problema. Uma funcionária do UniDF confessou que se atrasou ao tocar o sinal para início da prova”, conta o funcionário público comissionado Hélio Porto, de 36 anos. “A organização se recusou a conversar conosco, estamos indignados.” A Polícia Militar foi chamada e os orientou a procurar a delegacia.
Na Unip, na 913 Sul, a reclamação foi semelhante. “Eu vi deixarem cinco pessoas passarem depois do fechamento dos portões. Praticamente arrombaram o portão”, conta a candidata Daniella Nunziato, de 32 anos. Ela alerta para a falta de informação no local de prova. “Não pude checar meu local de prova, porque não tinha a lista com o nome dos candidatos.”
Frustados e indignados, os candidatos tentaram, em vão, registrar ocorrência na 1º DP. O mesmo aconteceu no Ministério Público do DF e no Ministério Público Federal (MPF). Unidos, 120 deles resolveram fazer um abaixo-assinado que deve ser entregue hoje pela manhã ao MPF pedindo a anulação da prova. “Estudamos, gastamos dinheiro e queríamos fazer a prova, por falta de organização não tivemos a mesma oportunidade que os demais e isso é uma injustiça”, resume Jean Bruno Souza Fonseca, de 25 anos.
Fiscalização
A organização da prova foi motivo de reclamação até para os que não se atrasaram. Segundo Juliana Silva dos Santos, de 18 anos, alguns candidatos usaram lápis e borracha — o que é proibido no edital —, faltaram sacos invioláveis e muitos saíram com o caderno de provas antes do horário permitido. “Achei um absurdo. Não teve fiscalização adequada, o que tira a credibilidade da organizadora”, comentou.
José Leopoldo, de 40 anos, reclamou da falta de detectores de metais e de lugar marcado nas salas de aula. “Perguntaram se tínhamos celular ou algum eletrônico, mas isso não foi conferido. Na sala, era possível sentar em qualquer lugar. Vi amigas sentando juntas, não acho isso correto”, reclamou. A assessoria de imprensa da Fundação Cesgranrio não foi encontrada para comentar as denúncias.
Gabarito sai hoje
De acordo com a previsão do edital, o gabarito preliminar das 60 questões da prova para técnico bancário da Caixa Econômica Federal, realizada ontem, será divulgado hoje, às 9h. Os candidatos que discordarem das respostas oficiais terão dois dias úteis para protocolar o recurso na página da Fundação Cesgranrio na internet, www.cesgranrio.org.br, ou via Sedex para a diretoria de concursos.
Os aprovados e classificados podem ser convocados depois de 23 de agosto, quando termina o prazo de validade do concurso realizado em 2004. Na época, 650 mil se inscreveram para a prova e cerca de 20 mil foram chamados. A atual seleção tem validade de um ano a partir da homologação e é prorrogável por igual período. A Caixa assinou um termo de ajustamento de conduta em que se compromete a substituir 9.229 profissionais tercerizados até 30 de junho de 2009, especialmente na área de tecnologia da informação e atendimento.
O cargo de técnico bancário prevê salário de R$ 1.244 mais auxílio-alimentação (R$ 323,84), auxílio-cesta (R$ 252,36), plano de saúde e previdência complementar opcionais e participação nos lucros e resultados.
