Gazeta Mercantil

Os funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), em greve desde o dia 1 de julho, reuniram-se ontem com os deputados federais Ricardo Berzoini e Henrique Fontana, do Partido dos Trabalhadores (PT), para tentar abrir um canal de negociação com a Presidência da República. Este recurso foi adotado pela federação da categoria por conta do impasse criado nas negociações entre os trabalhadores e os Correios. "Essa discussão está além da empresa", afirma Robson Luiz Pereira Neves, secretário da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect). A greve dos Correios foi deflagrada pelo não cumprimento do acordo firmado com a empresa em novembro do ano passado. De acordo com Neves, a empresa deixou de pagar o adicional de 30% com o qual havia se comprometido no final de 2007 e decidiu implementar um Plano de Carreira, Cargos e Salários com normas estabelecidas sem a participação dos empregados. A federação quer rever também os pagamentos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Segundo Neves, a ECT mudou os critérios de concessão da PLR e esta alteração fez com que os pagamentos fossem menores no ano, apesar do crescimento do lucro da empresa. Pelas contas da Federação, em 2006, período em que o lucro alcançou R$ 539 milhões, o menor pagamento ficou em R$ 520,00. No ano passado, com lucro de R$ 830 milhões, a remuneração mais baixa do PLR caiu para R$ 150,00. A ECT informou que em uma primeira etapa pagou abono emergencial a 43.988 carteiros e , em junho, transformou esta remuneração em adicionais por atividade de distribuição e coleta, para trabalhos externos, e por atividade em guichê. Com esta alteração, os Correios declaram que 57.951 empregados passaram a receber este benefício que tem um impacto na folha de pagamentos de R$ 390 milhões por ano. A empresa informa também que os reajustes salariais concedidos de 2003 a 2007 acumularam 40,2%, com base do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), enquanto os aumentos das tarifas postais subiram 38% no período. A empresa, a pedido do ministro Rider de Brito, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), realizou um levantamento das unidades que não mantiveram 50% do pessoal em operação. Ontem, a ECT protocolou no TST documento no qual informa que 435 unidades dos Correios não cumpriram a determinação, o que poderá acarretar em multa diária de R$ 30 mil por dia à federação.Em sete dias de paralisação, a carga retida nas agências dos Correios corresponde ao total de 50 milhões de objetos. De acordo com dados da assessoria da ECT, a empresa tem capacidade para movimentar 33 milhões de objetos por dia e levaria uma semana para colocar todas as entregas em dia. Neves afirma que, com a adesão dos funcionários de Mato Grosso, à zero hora do dia 5, a greve conta com a participação de 28 sindicatos em 25 estados. Apenas os carteiros de Mato Grosso do Sul, Roraima e Tocantins estão trabalhando normalmente. Na avaliação da ECT, dos 110 mil funcionários, 20% aderiram à greve. Os sindicatos mantiveram a orientação de prosseguir com o movimento, após a reunião de conciliação realizada no dia 7 no TST. No dia 15 será realizada outra reunião que deverá levar à instauração do dissídio coletivo, diz Neves..

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Funcionários da ECT em greve buscam novo canal de negociação

Publicado: 9/07/2008 | 09:57


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Os funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), em greve desde o dia 1 de julho, reuniram-se ontem com os deputados federais Ricardo Berzoini e Henrique Fontana, do Partido dos Trabalhadores (PT), para tentar abrir um canal de negociação com a Presidência da República. Este recurso foi adotado pela federação da categoria por conta do impasse criado nas negociações entre os trabalhadores e os Correios.
"Essa discussão está além da empresa", afirma Robson Luiz Pereira Neves, secretário da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect). A greve dos Correios foi deflagrada pelo não cumprimento do acordo firmado com a empresa em novembro do ano passado.
De acordo com Neves, a empresa deixou de pagar o adicional de 30% com o qual havia se comprometido no final de 2007 e decidiu implementar um Plano de Carreira, Cargos e Salários com normas estabelecidas sem a participação dos empregados. A federação quer rever também os pagamentos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Segundo Neves, a ECT mudou os critérios de concessão da PLR e esta alteração fez com que os pagamentos fossem menores no ano, apesar do crescimento do lucro da empresa. Pelas contas da Federação, em 2006, período em que o lucro alcançou R$ 539 milhões, o menor pagamento ficou em R$ 520,00. No ano passado, com lucro de R$ 830 milhões, a remuneração mais baixa do PLR caiu para R$ 150,00.
A ECT informou que em uma primeira etapa pagou abono emergencial a 43.988 carteiros e , em junho, transformou esta remuneração em adicionais por atividade de distribuição e coleta, para trabalhos externos, e por atividade em guichê. Com esta alteração, os Correios declaram que 57.951 empregados passaram a receber este benefício que tem um impacto na folha de pagamentos de R$ 390 milhões por ano. A empresa informa também que os reajustes salariais concedidos de 2003 a 2007 acumularam 40,2%, com base do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), enquanto os aumentos das tarifas postais subiram 38% no período.
A empresa, a pedido do ministro Rider de Brito, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), realizou um levantamento das unidades que não mantiveram 50% do pessoal em operação. Ontem, a ECT protocolou no TST documento no qual informa que 435 unidades dos Correios não cumpriram a determinação, o que poderá acarretar em multa diária de R$ 30 mil por dia à federação.Em sete dias de paralisação, a carga retida nas agências dos Correios corresponde ao total de 50 milhões de objetos. De acordo com dados da assessoria da ECT, a empresa tem capacidade para movimentar 33 milhões de objetos por dia e levaria uma semana para colocar todas as entregas em dia.
Neves afirma que, com a adesão dos funcionários de Mato Grosso, à zero hora do dia 5, a greve conta com a participação de 28 sindicatos em 25 estados. Apenas os carteiros de Mato Grosso do Sul, Roraima e Tocantins estão trabalhando normalmente. Na avaliação da ECT, dos 110 mil funcionários, 20% aderiram à greve.
Os sindicatos mantiveram a orientação de prosseguir com o movimento, após a reunião de conciliação realizada no dia 7 no TST. No dia 15 será realizada outra reunião que deverá levar à instauração do dissídio coletivo, diz Neves..