Greve de carteiros leva Correios ao TST
Folha de S. Paulo
Empresa diz que federação não cumpre ordem de manter mínimo de 50% de empregados em atividade
A direção dos Correios voltou ontem a pressionar carteiros, atendentes e motoristas em greve para que retornem ao trabalho.
A empresa protocolou no TST (Tribunal Superior do Trabalho) reclamação de que a Fentect (Federação Nacional dos Empregados em Correios e Telégrafos) não estaria cumprindo a determinação de manter o contingente mínimo de 50% de empregados nas unidades de trabalho enquanto perdurar a greve.
De acordo com os Correios, das 7.000 unidades de trabalho, entre agências e unidades de carteiros, em 453 delas foi detectado número de trabalhadores inferior ao determinado pelo tribunal.
Essa reclamação e também a alegação apresentada pela empresa sobre a abusividade da greve serão analisadas pelo TST na próxima terça-feira, quando grevistas e a direção dos Correios voltarão a se encontrar.
Em protesto contra "a falta de flexibilidade nas negociações", os grevistas preparam para hoje uma espécie de "acampamento" a ser montado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
Manter movimento
Para a Fentect, os Correios não mostram interesse em negociar. A representação da categoria orienta os funcionários da empresa a manter a greve até que o TST emita julgamento sobre a abusividade ou não do movimento.
Os grevistas reiteram a posição de não negociar a reivindicação do adicional de insalubridade de 30% sobre os salários pelo bônus no valor de R$ 260 que passou a ser pago a partir do mês de junho.
Ontem, no oitavo dia da paralisação, o estoque de correspondências e encomendas atrasadas atingia cerca de 60 milhões de volumes, o equivalente a dois dias de operação dos Correios em todo o país.
Para normalizar as atividades, seriam necessários entre uma semana e dez dias de trabalho extra dos funcionários.
A adesão ontem foi estimada em 34% entre os carteiros com a greve mantida em 20 Estados e no Distrito Federal.
