Pitta e banqueiro dividiram cela na PF
| Rodrigo Pereira |
| O Estado de S. Paulo |
Eles comeram quentinha e dormiram em colchonetes levados por parentes
Na primeira noite sob custódia federal, o banqueiro Daniel Dantas e o ex-prefeito Celso Pitta dividiram a mesma cela - um espaço acanhado do terceiro andar da sede da Polícia Federal de São Paulo, na Lapa. O único conforto permitido foram colchonetes, lençóis, cobertas e toalhas que os parentes entregaram aos carcereiros ainda na tarde de terça-feira, pouco mais de 10 horas depois de deflagrada a Operação Satiagraha.
Até as 20h30, Pitta achou que ficaria isolado na cela de cerca de 6 metros quadrados. Foi quando Dantas, parentes e assessores próximos chegaram algemados do Rio. Diabético, Pitta pôde receber suas medicações, mas lhe foram negadas as barras de cereais que costuma comer para controlar sua taxa de glicemia. Todos os presos tiveram de comer a quentinha da PF.
Os advogados protestaram pela operação ter sido desencadeada na véspera de um feriado estadual - alegaram que ninguém foi ouvido ontem porque só havia plantonista na PF. A instituição diz que dedicou o dia para analisar a documentação apreendida.
“Tudo leva a crer que foi estratégico o dia da operação”, reclamou Paula Sion, advogada de Pitta. Ela ressaltou que, além de ser filmado, seu cliente foi informado de que se tratava de uma busca e apreensão. “Só às 9h30, quando todos os sites já publicavam que ele estava preso, é que a delegada deu voz de prisão.”
Nélio Machado, defensor de Dantas, reclamou das instalações em que o banqueiro ficou, “absolutamente inadequadas”, e chamou de “arbitrária e descomedida” a decisão judicial da prisão do banqueiro. “Foi um linchamento da época medieval.”
O criminalista Adriano Salles Vanni, que defende integrantes do grupo de Naji Nahas, demonstrou indignação. “A acusação é fantasiosa e a prisão, absurda.”
