Nicola Pamplona O Estado de S. Paulo

Trabalhadores de outras regiões iniciam hoje greve de 48 horas

Após cinco horas de reunião com a Petrobrás, os petroleiros da Bacia de Campos decidiram manter a greve de cinco dias, iniciada na última segunda-feira. A partir de hoje, os trabalhadores ganham o apoio de empregados da estatal em outros Estados, que suspendem, por 48 horas, as trocas de turno em refinarias, terminais e unidades de produção. Os movimentos podem evoluir para uma greve nacional com parada de produção e refino de petróleo a partir de 5 de agosto.

Até agora, o prejuízo da Petrobrás é pequeno, limitado a uma queda de 63 mil barris na produção de petróleo na segunda-feira, quando os grevistas conseguiram parar ou reduzir a atividade em 33 plataformas. A companhia, porém, acionou equipes de contingência e conseguiu retomar as operações ainda na noite daquele dia. A mobilização nacional iniciada hoje não prevê parada de produção, apenas suspensão das trocas de turno.

Os dois movimentos têm origens diferentes: enquanto os petroleiros de Campos reclamam o pagamento, em folgas, dos dias de desembarque das plataformas, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) quer uma maior distribuição de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Mas, segundo a FUP, a greve nacional de 48 horas iniciada hoje também tem como objetivo demonstrar solidariedade aos colegas da maior bacia produtora do País.

"Esta mobilização é um alerta da categoria, que estará avaliando em assembléias na próxima semana o indicativo da FUP de greve nacional com parada de produção a partir de 5 de agosto, se não houver avanços na negociação da PLR", informou, em nota oficial, a FUP. A categoria reclama que a Petrobrás propôs distribuir entre os trabalhadores 13% do valor distribuído aos acionistas, quando a legislação prevê um repasse de até 25%.

Na reunião de ontem, a companhia mostrou que vai endurecer nas negociações. Segundo lideranças presentes, não houve proposta sobre o dia de desembarque, pleito dos trabalhadores de Campos. A Petrobrás, por outro lado, afirmou, em nota enviada no fim da noite, que fez uma contraproposta em relação ao "intervalo mínimo entre as jornadas de trabalho". Porém, não deu detalhes da proposta. "O impasse continua e, portanto, a greve está mantida", disse o diretor da FUP Paulo César Martin.

A greve nas plataformas de Campos foi esvaziada com as equipes de contingência, que garantiram o envio de petróleo e gás ao continente. Mas os petroleiros ameaçam estender a mobilização, prevista para terminar sexta-feira, para forçar uma contraproposta, já que, segundo eles, a operação das equipes de contingência é arriscada.

"Há funções - como a operação de lastro, que garante a estabilidade da plataforma - que vêm sendo cumpridas de forma precária", diz Martin. "As plataformas não tem brigadistas, e algumas operações de manutenção não vêm sendo feitas."

" />

Petroleiros de Campos mantêm paralisação

Publicado: 17/07/2008 | 10:54


Nicola Pamplona
O Estado de S. Paulo

Trabalhadores de outras regiões iniciam hoje greve de 48 horas

Após cinco horas de reunião com a Petrobrás, os petroleiros da Bacia de Campos decidiram manter a greve de cinco dias, iniciada na última segunda-feira. A partir de hoje, os trabalhadores ganham o apoio de empregados da estatal em outros Estados, que suspendem, por 48 horas, as trocas de turno em refinarias, terminais e unidades de produção. Os movimentos podem evoluir para uma greve nacional com parada de produção e refino de petróleo a partir de 5 de agosto.

Até agora, o prejuízo da Petrobrás é pequeno, limitado a uma queda de 63 mil barris na produção de petróleo na segunda-feira, quando os grevistas conseguiram parar ou reduzir a atividade em 33 plataformas. A companhia, porém, acionou equipes de contingência e conseguiu retomar as operações ainda na noite daquele dia. A mobilização nacional iniciada hoje não prevê parada de produção, apenas suspensão das trocas de turno.

Os dois movimentos têm origens diferentes: enquanto os petroleiros de Campos reclamam o pagamento, em folgas, dos dias de desembarque das plataformas, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) quer uma maior distribuição de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Mas, segundo a FUP, a greve nacional de 48 horas iniciada hoje também tem como objetivo demonstrar solidariedade aos colegas da maior bacia produtora do País.

"Esta mobilização é um alerta da categoria, que estará avaliando em assembléias na próxima semana o indicativo da FUP de greve nacional com parada de produção a partir de 5 de agosto, se não houver avanços na negociação da PLR", informou, em nota oficial, a FUP. A categoria reclama que a Petrobrás propôs distribuir entre os trabalhadores 13% do valor distribuído aos acionistas, quando a legislação prevê um repasse de até 25%.

Na reunião de ontem, a companhia mostrou que vai endurecer nas negociações. Segundo lideranças presentes, não houve proposta sobre o dia de desembarque, pleito dos trabalhadores de Campos. A Petrobrás, por outro lado, afirmou, em nota enviada no fim da noite, que fez uma contraproposta em relação ao "intervalo mínimo entre as jornadas de trabalho". Porém, não deu detalhes da proposta. "O impasse continua e, portanto, a greve está mantida", disse o diretor da FUP Paulo César Martin.

A greve nas plataformas de Campos foi esvaziada com as equipes de contingência, que garantiram o envio de petróleo e gás ao continente. Mas os petroleiros ameaçam estender a mobilização, prevista para terminar sexta-feira, para forçar uma contraproposta, já que, segundo eles, a operação das equipes de contingência é arriscada.

"Há funções - como a operação de lastro, que garante a estabilidade da plataforma - que vêm sendo cumpridas de forma precária", diz Martin. "As plataformas não tem brigadistas, e algumas operações de manutenção não vêm sendo feitas."