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Notícia

Um apartamento no caso Paulinho

Tiago Pariz Correio Braziliense Justiça e deputados investigam negócio feito pela ONG Meu Guri envolvendo um imóvel doado pelo ex-assessor do pedetista, acusado de desviar dinheiro público Deputados do Conselho de Ética reuniram-se na semana passada com integrantes do Ministério Público e da Justiça em São Paulo e reforçaram a suspeita de que a ONG Meu Guri foi utilizada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) para receber parte da propina de um esquema que fraudou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A ONG é presidida por Elza Costa Pereira, mulher do parlamentar. A tese do Ministério Público, também defendida pela Polícia Federal, tem como base os R$ 36,5 mil repassados à instituição por João Pedro Moura, apontado como o articulador do desvio. Desde o início das investigações, em dezembro passado, a PF tinha indícios de que o esquema usava ONGs em seus negócios. Em depoimento ao Conselho de Ética, Paulinho deu versões contraditórias sobre o dinheiro repassado por Moura. Na primeira, o deputado alegou que João Pedro Moura havia doado um apartamento à ONG que não foi vendido e acabou acumulando dívidas tributárias e taxas de administração. Por conta disso, Moura decidiu recomprar o imóvel por R$ 37,5 mil. Pela segunda versão, o apartamento jamais foi doado. Na verdade, havia uma procuração em nome de Elza para a venda do apartamento. As dívidas, no entanto, tornaram a negociação impraticável. Segundo a nova versão, João Pedro Moura desistiu da transação e doou os R$ 37,5 mil à Meu Guri. O apartamento é considerado o ponto fraco do deputado do PDT de São Paulo. Sigilo A suspeita ganhou força após os deputados Paulo Piau (PMDB-MG), relator do processo contra Paulinho no Conselho de Ética, e Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) encontrarem-se em São Paulo com a juíza Silvia Rocha, da 2ª Vara Criminal, e com a procuradora da República, Adriana Scordamaglia. Segundo o tucano, a procuradora deu detalhes da utilização da ONG no suposto esquema. A juíza, no entanto, escorou-se no sigilo do processo para não repassar informações aos parlamentares. Preso durante a Operação João de Barro da PF, João Pedro Moura foi conselheiro do BNDES e assessor da Força Sindical, que é presidida por Paulinho. A quadrilha, desmantelada pelos policiais, teria intermediado um empréstimo de R$ 124 milhões à prefeitura de Praia Grande (SP) e em troca recebido propina de R$ 2,6 milhões. A PF suspeita ainda que a antiga relação de João Pedro Moura com Paulinho estendeu-se quando o sindicalista foi eleito deputado federal. Os policiais apreenderam um crachá de assessor parlamentar com Moura. O pedetista nega que o antigo colaborador tenha sido contratado pelo gabinete, atribuiu a identificação a uma tentativa ilegal de se apoiar no prestígio alheio. Em depoimento à Justiça, Moura confirma a tese de Paulinho e nega a participação do deputado no esquema de fraude no BNDES. O ex-assessor foi solto na semana passada pela juíza Silvia Rocha, com outros dois acusados de participar do suposto esquema, por considerar que eles não poderiam interferir na investigação.

Tiago Pariz
Correio Braziliense

Justiça e deputados investigam negócio feito pela ONG Meu Guri envolvendo um imóvel doado pelo ex-assessor do pedetista, acusado de desviar dinheiro público
 
Deputados do Conselho de Ética reuniram-se na semana passada com integrantes do Ministério Público e da Justiça em São Paulo e reforçaram a suspeita de que a ONG Meu Guri foi utilizada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) para receber parte da propina de um esquema que fraudou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A ONG é presidida por Elza Costa Pereira, mulher do parlamentar. A tese do Ministério Público, também defendida pela Polícia Federal, tem como base os R$ 36,5 mil repassados à instituição por João Pedro Moura, apontado como o articulador do desvio. Desde o início das investigações, em dezembro passado, a PF tinha indícios de que o esquema usava ONGs em seus negócios.

Em depoimento ao Conselho de Ética, Paulinho deu versões contraditórias sobre o dinheiro repassado por Moura. Na primeira, o deputado alegou que João Pedro Moura havia doado um apartamento à ONG que não foi vendido e acabou acumulando dívidas tributárias e taxas de administração. Por conta disso, Moura decidiu recomprar o imóvel por R$ 37,5 mil.

Pela segunda versão, o apartamento jamais foi doado. Na verdade, havia uma procuração em nome de Elza para a venda do apartamento. As dívidas, no entanto, tornaram a negociação impraticável. Segundo a nova versão, João Pedro Moura desistiu da transação e doou os R$ 37,5 mil à Meu Guri. O apartamento é considerado o ponto fraco do deputado do PDT de São Paulo.

Sigilo
A suspeita ganhou força após os deputados Paulo Piau (PMDB-MG), relator do processo contra Paulinho no Conselho de Ética, e Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) encontrarem-se em São Paulo com a juíza Silvia Rocha, da 2ª Vara Criminal, e com a procuradora da República, Adriana Scordamaglia. Segundo o tucano, a procuradora deu detalhes da utilização da ONG no suposto esquema. A juíza, no entanto, escorou-se no sigilo do processo para não repassar informações aos parlamentares.

Preso durante a Operação João de Barro da PF, João Pedro Moura foi conselheiro do BNDES e assessor da Força Sindical, que é presidida por Paulinho. A quadrilha, desmantelada pelos policiais, teria intermediado um empréstimo de R$ 124 milhões à prefeitura de Praia Grande (SP) e em troca recebido propina de R$ 2,6 milhões.

A PF suspeita ainda que a antiga relação de João Pedro Moura com Paulinho estendeu-se quando o sindicalista foi eleito deputado federal. Os policiais apreenderam um crachá de assessor parlamentar com Moura. O pedetista nega que o antigo colaborador tenha sido contratado pelo gabinete, atribuiu a identificação a uma tentativa ilegal de se apoiar no prestígio alheio. Em depoimento à Justiça, Moura confirma a tese de Paulinho e nega a participação do deputado no esquema de fraude no BNDES. O ex-assessor foi solto na semana passada pela juíza Silvia Rocha, com outros dois acusados de participar do suposto esquema, por considerar que eles não poderiam interferir na investigação.