Federação dos Funcionários Públicos Municipais do Estado de São Paulo
Notícia

Servidores, prêmios e punições

Folha de S. Paulo Perguntei um dia ao escritor Fernando Morais, então secretário da Educação de São Paulo, se sua secretaria tinha controle de qualidade sobre os professores/ funcionários capaz de saber quais eram os servidores dedicados e quais os relaxados. Não tinha. Nem tem. Suspeito que seja uma das razões, eventualmente a principal, de o serviço público ter imagem muito ruim no Brasil todo -e, de resto, em vários outros países. Se o "chefe" não sabe quem trabalha direito e quem não, não pode aplicar incentivos ou punições. Por isso, é um passo adiante o projeto que o governador José Serra enviou à Assembléia Legislativa prevendo avaliações de desempenho para uma parcela do funcionalismo. Mas é muito pouco: cobre apenas 7% dos 777 mil servidores públicos estaduais. Não consigo ver justificativa para que delegados ou professores fiquem fora do processo, a não ser a de que são setores fortes o suficiente para opor dura resistência de caráter corporativo à avaliação. Então, como é da praxe no Brasil, opta-se pelo mais fácil. Pena. Defender a avaliação seria do interesse dos próprios funcionários competentes e interessados na carreira. É a melhor chance de terem seu mérito reconhecido. É curioso que a iniciativa de Serra seja simultânea a um projeto apresentado pelo governo italiano e que obteve apoio da oposição, fato insólito em um cenário político de polarização radical. O projeto italiano é mais ousado que o paulista ao prever uma ofensiva contra quem trabalha pouco e um monitoramento aperfeiçoado da produtividade. Lá, como cá, vale o que escreveu o jornal econômico "24 Ore": há baixa correlação entre produtividade e prêmio ou falhas e punição. Ou se estabelece uma correlação adequada, ou a má imagem do serviço público se acentuará.

Folha de S. Paulo

Perguntei um dia ao escritor Fernando Morais, então secretário da Educação de São Paulo, se sua secretaria tinha controle de qualidade sobre os professores/ funcionários capaz de saber quais eram os servidores dedicados e quais os relaxados.
Não tinha. Nem tem.
Suspeito que seja uma das razões, eventualmente a principal, de o serviço público ter imagem muito ruim no Brasil todo -e, de resto, em vários outros países. Se o "chefe" não sabe quem trabalha direito e quem não, não pode aplicar incentivos ou punições.
Por isso, é um passo adiante o projeto que o governador José Serra enviou à Assembléia Legislativa prevendo avaliações de desempenho para uma parcela do funcionalismo. Mas é muito pouco: cobre apenas 7% dos 777 mil servidores públicos estaduais.
Não consigo ver justificativa para que delegados ou professores fiquem fora do processo, a não ser a de que são setores fortes o suficiente para opor dura resistência de caráter corporativo à avaliação. Então, como é da praxe no Brasil, opta-se pelo mais fácil.
Pena. Defender a avaliação seria do interesse dos próprios funcionários competentes e interessados na carreira. É a melhor chance de terem seu mérito reconhecido.
É curioso que a iniciativa de Serra seja simultânea a um projeto apresentado pelo governo italiano e que obteve apoio da oposição, fato insólito em um cenário político de polarização radical.
O projeto italiano é mais ousado que o paulista ao prever uma ofensiva contra quem trabalha pouco e um monitoramento aperfeiçoado da produtividade.
Lá, como cá, vale o que escreveu o jornal econômico "24 Ore": há baixa correlação entre produtividade e prêmio ou falhas e punição. Ou se estabelece uma correlação adequada, ou a má imagem do serviço público se acentuará.