O líder do PSDB, José Aníbal (SP), disse que o recuo era previsível, pois segundo ele o presidente teria assinado o ato sem ler. O deputado também critica a Casa Civil por ter encaminhado um texto que na sua avaliação deveria ter sido mais discutido pela sociedade.
"Talvez isso deixe claro que é necessário conversarmos mais sobre esse tema. A anistia foi um pacto muito importante para a democratização, mas é absolutamente legítimo que as famílias que perderam entes queridos durante o regime militar possam saber onde estão os seus filhos. Nós queremos saber onde eles estão. Isso é absolutamente legítimo, essa verdade precisa ser reconstruída, mas sem nenhum espírito revanchista”, disse Aníbal.
Conhecimento
Já o líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (SP), minimizou as críticas à condução do programa de direitos humanos, que culminaram na decisão de editar um novo decreto. Para Vaccarezza, o fundamental é que todos os brasileiros possam saber o que ocorreu durante o regime militar.
"O governo tem de abrir todos os dados disponíveis sobre o período em que o Brasil viveu sob uma ditadura militar. Sobre a punição de quem se envolveu com tortura, houve a Lei da Anistia, então é um problema da Justiça, não do governo. Quando o plano aborda a punição dos torturadores, é uma manifestação de desejo, porque isso depende de uma decisão judicial, a partir do debate com a sociedade", argumentou.
Apesar da mudança, o novo decreto manterá propostas que desagradam aos militares, como a criação de uma lei proibindo que ruas, praças, monumentos e estádios tenham nomes de autores de crimes na ditadura.
O texto também preservará pontos que causaram polêmica entre representantes do agronegócio e de empresas de comunicação e religiosos, como a defesa do aborto e da união civil entre pessoas do mesmo sexo.
Agência Câmara