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Bolsonaro afirma que estuda acabar com a Justiça Trabalhista

Em entrevista ao SBT Brasil, presidente disse que casos têm que ser julgados na Justiça comum

Em entrevista ao SBT Brasil, presidente disse que casos têm que ser julgados na Justiça comum

 O presidente Jair Bolsonaro (PSL), em entrevista ao SBT Brasil, afirmou que estuda acabar com a Justiça do Trabalho e que pretende aprofundar a reforma trabalhista — sem retirar direitos dos trabalhadores.

Bolsonaro respondeu da seguinte maneira à pergunta se ele pretendia enviar uma proposta para acabar com a Justiça Trabalhista: “isso daí, a gente poderia até fazer, está sendo estudado, em havendo clima, nós poderemos discutir essa proposta e mandar pra frente”.

“Qual país do mundo que tem [Justiça do Trabalho]? Tem que ser justiça comum. Tem que ter a sucumbência. Quem entrou na Justiça, perdeu, tem que pagar. Temos mais ações trabalhistas do que o mundo todo junto. Então algo está errado. É o excesso de proteção”, afirmou.

Apesar da declaração do presidente, o dado sobre o número de ações em relação ao resto do mundo não é verificável. Além disso, há Justiça do Trabalho em países como Israel, Alemanha, Inglaterra, Suécia, Noruega e Finlândia.

Sobre a reforma da Previdência, Bolsonaro afirmou que pretende aproveitar o projeto da reforma da Previdência que já está na Câmara dos Deputados. “Vamos rever alguma coisa porque a boa reforma é aquela que passa na Câmara e no Senado e não a que está na minha cabeça ou da equipe econômica”, disse.

Bolsonaro diz que pretende alterar, progressivamente, até 2022, a idade mínima para aposentadoria para 62 anos para homens e 57 anos para mulheres. “E o futuro presidente reavaliaria essa situação e botaria para o próximo governo, de 2023 até 2028, para passar para 63, 64 [anos]. Essa é a ideia”, afirmou.

Perguntado sobre a alíquota de contribuição previdenciária dos servidores públicos, Bolsonaro afirmou que não pretende aumentá-la. “Acredito que não seja necessário fazer isso daí. Onze por cento está de bom tamanho.”

Queiroz, o ex-assessor do filho

Sobre o caso de Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual pelo Rio de Janeiro e senador eleito Flávio Bolsonaro, o presidente afirmou que o ex-funcionário deve responder pelos seus atos.

“Não tenho nada a ver com essa história. Tenho apenas não um cheque, mas 10 cheques de R$ 4 mil. Conheço ele desde 1984, foi meu soldado na brigada paraquedista. Depois foi trabalhar no gabinete do meu filho deputado estadual. Sempre gozou de minha confiança e em mais de uma vez já emprestei dinheiro para ele. Já emprestei para outros funcionários também – eu dou essa liberdade, não vejo nada de mais nisso e não cobro juros”, disse o presidente.

“Ele falou que vendia carros. Eu sei que ele fazia rolo. Agora ele vai ter de responder. Movimentação atípica não quer dizer que seja ilegal. Não são R$ 1,2 milhão, são R$ 600 mil. Se tiver algo errado que pague a conta quem cometeu esse erro”, disse.

Segundo Bolsonaro, o sigilo bancário de Queiroz foi quebrado sem autorização judicial. “E outra: a potencialização dele e em cima do meu filho foi para me atingir. Está mais do que claro. Um absurdo, porque outros servidores vinculados a gabinetes que movimentaram até R$ 20 milhões não sofreram qualquer desgaste junto à mídia. Mas não tem problema, estou acostumado a ser tratado por parte da mídia desta maneira”, afirmou, citando o caso de uma ex-funcionária de seu gabinete que vendia açaí em Angra dos Reis.

Questionado se o ex-funcionário continua a gozar de sua confiança, o presidente disse que não pretende conversar com ele. “Se eu for conversar com ele, vão falar que estou tentando aconselhar de alguma coisa ou outra”, disse.

Fonte: Jota.Info