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Deputados perdidos em meio às MPs

Marcelo Rocha Correio Braziliense Levantamento da Secretaria Geral da Mesa (SGM) da Câmara revelou que os deputados dedicaram os primeiros 120 dias do ano legislativo somente à votação de medidas provisórias (MPs), matérias de iniciativa do Executivo. No período, o plenário analisou 30 MPs. Somente na semana passada, os parlamentares conseguiram destravar a pauta e apreciar projetos de lei (PLs) em plenário. Dos 14 PLs analisados pelo pleno até o último dia 15, metade foi de iniciativa também do governo federal, reduzindo a sete o número de matérias de autoria do próprio Legislativo. A Mesa Diretora conseguiu, ainda, analisar 30 projetos de decreto legislativo (PDC) que ratificam acordos internacionais assinados pelo Brasil e que precisam do aval do Congresso para entrar em vigor. A interferência do Executivo na pauta do Congresso tem incomodado o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Ele considera fundamental a votação da proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 511/06, que muda o rito de tramitação das MPs, com o conseqüente fim do trancamento da pauta do Congresso. “Isso permitirá que a Câmara e o Senado façam a sua própria pauta.” O petista cita a apreciação de matérias votadas pela Câmara desde que foi destrancada a pauta, como o projeto de lei que prevê a guarda compartilhada dos filhos de pais separados; o PL que estabelece regras para o uso de animais em pesquisas científicas; e a definição de pena de detenção de seis meses a dois anos para quem violar direito ou prerrogativa de advogados. Para Antônio Augusto de Queiroz, analista político e diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), porém, a agenda do Legislativo é “decepcionante” e seus dirigentes erram ao reivindicar as MPs — e também as crises políticas — como justificativas para o baixo desempenho. “Sempre que se tem dificuldade de legislar, busca-se atribuir culpa ao Executivo. Mas esse parece ser um argumento insuficiente”, afirmou o analista político. O raciocínio de Queiroz se baseia nos dados do Relatório de Atividades de 2007 do Senado, que traz um balanço dos PLs e MPs aprovadas pelas duas Casas nos últimos anos (veja quadro). Segundo o estudo, o Congresso aprovou 124 projetos de lei e medidas provisórias no ano passado, produção semelhante à de 2003, ano inaugural do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente Arlindo Chinaglia argumenta ainda que não se mede a eficiência do Legislativo apenas pela produção dos deputados em plenário. É preciso considerar a produção legislativa nas comissões permanentes da Casa, como a de Constituição e Justiça (CCJ), onde parte das matérias analisadas tem tramitação terminativa — ou seja, dispensam o referendo do pleno. No ano passado, por exemplo, foram 553 as matérias aprovadas conclusivamente pelas comissões da Câmara.

Marcelo Rocha
Correio Braziliense

Levantamento da Secretaria Geral da Mesa (SGM) da Câmara revelou que os deputados dedicaram os primeiros 120 dias do ano legislativo somente à votação de medidas provisórias (MPs), matérias de iniciativa do Executivo. No período, o plenário analisou 30 MPs. Somente na semana passada, os parlamentares conseguiram destravar a pauta e apreciar projetos de lei (PLs) em plenário.

Dos 14 PLs analisados pelo pleno até o último dia 15, metade foi de iniciativa também do governo federal, reduzindo a sete o número de matérias de autoria do próprio Legislativo. A Mesa Diretora conseguiu, ainda, analisar 30 projetos de decreto legislativo (PDC) que ratificam acordos internacionais assinados pelo Brasil e que precisam do aval do Congresso para entrar em vigor.

A interferência do Executivo na pauta do Congresso tem incomodado o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Ele considera fundamental a votação da proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 511/06, que muda o rito de tramitação das MPs, com o conseqüente fim do trancamento da pauta do Congresso. “Isso permitirá que a Câmara e o Senado façam a sua própria pauta.”

O petista cita a apreciação de matérias votadas pela Câmara desde que foi destrancada a pauta, como o projeto de lei que prevê a guarda compartilhada dos filhos de pais separados; o PL que estabelece regras para o uso de animais em pesquisas científicas; e a definição de pena de detenção de seis meses a dois anos para quem violar direito ou prerrogativa de advogados.

Para Antônio Augusto de Queiroz, analista político e diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), porém, a agenda do Legislativo é “decepcionante” e seus dirigentes erram ao reivindicar as MPs — e também as crises políticas — como justificativas para o baixo desempenho. “Sempre que se tem dificuldade de legislar, busca-se atribuir culpa ao Executivo. Mas esse parece ser um argumento insuficiente”, afirmou o analista político.

O raciocínio de Queiroz se baseia nos dados do Relatório de Atividades de 2007 do Senado, que traz um balanço dos PLs e MPs aprovadas pelas duas Casas nos últimos anos (veja quadro). Segundo o estudo, o Congresso aprovou 124 projetos de lei e medidas provisórias no ano passado, produção semelhante à de 2003, ano inaugural do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente Arlindo Chinaglia argumenta ainda que não se mede a eficiência do Legislativo apenas pela produção dos deputados em plenário. É preciso considerar a produção legislativa nas comissões permanentes da Casa, como a de Constituição e Justiça (CCJ), onde parte das matérias analisadas tem tramitação terminativa — ou seja, dispensam o referendo do pleno. No ano passado, por exemplo, foram 553 as matérias aprovadas conclusivamente pelas comissões da Câmara.