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Milhares de trabalhadores, sindicalistas e integrantes de movimentos sociais ocuparam, na manhã deste domingo (30), o vão livre do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), na Avenida Paulista, em defesa da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.
A mobilização em São Paulo fez parte de uma série de atos realizados simultaneamente em capitais de todas as regiões do país. As manifestações aconteceram às vésperas de uma semana considerada decisiva para a tramitação, no Senado Federal, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da redução da jornada de trabalho.Além da capital paulista, trabalhadores foram às ruas em Salvador, Curitiba, Fortaleza, Natal, Aracaju, Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Luís, Belém e Goiânia, em uma mobilização nacional convocada pelas centrais sindicais, movimentos sociais e organizações populares.
“A luta faz a lei”
Presidente da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres destacou o caráter histórico da mobilização e a importância da unidade entre trabalhadores, centrais sindicais e movimentos sociais.
“A luta faz a lei. Esse é um dia histórico em todo o território nacional, que é um dia de mobilização nacional pelo fim da escala 6 por 1 e pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais”, afirmou.
Segundo Miguel Torres, a mobilização demonstra a força da unidade do movimento sindical e da organização dos trabalhadores na luta pela aprovação da proposta.
“Em todas as capitais estamos fazendo atos no dia de hoje, na unidade dos trabalhadores e trabalhadoras, das centrais sindicais e dos movimentos sociais, para que a gente consiga, já na semana que vem, dar esse passo importantíssimo para a nossa sociedade e para os trabalhadores e trabalhadoras.”
Semana decisiva no Senado
A mobilização nacional acontece em meio à expectativa pela votação do relatório da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
No sábado (29), durante um ato de campanha em Belo Horizonte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter confiança de que a proposta será aprovada pelo Senado ainda nesta semana.
Segundo Lula, houve um entendimento com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que a PEC avance no Congresso Nacional.
O acordo prevê a inclusão da proposta na pauta da próxima reunião da CCJ, marcada para quarta-feira (2). Caso seja aprovada pela Comissão, a expectativa é de que a proposta seja encaminhada para votação no plenário do Senado.
Para Miguel Torres, a aprovação da proposta dependerá da continuidade da mobilização dos trabalhadores e da pressão sobre os parlamentares.
“Isso está nas nossas mãos, está na nossa mobilização. A nossa mobilização tem que continuar até o final da votação no Senado Federal. É nas redes sociais, é no contato lá em Brasília.”
Miguel informou ainda que as centrais sindicais pretendem reforçar a pressão sobre os senadores nos próximos dias.
“A partir de amanhã, as centrais sindicais estarão em Brasília, fazendo essa corrida entre os gabinetes para que a gente garanta que, até o dia 4, nós tenhamos essa votação no plenário do Senado.”
Uma luta histórica da classe trabalhadora
Durante sua fala no ato do Masp, Miguel Torres também relacionou a luta pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho à longa história de organização e resistência da classe trabalhadora brasileira.
“A luta sempre fez parte da vida do trabalhador e da trabalhadora. Não existe um direito que nós temos que não veio da luta dos trabalhadores, que não veio pelo movimento sindical organizado.”
Segundo ele, as conquistas trabalhistas foram resultado de décadas de mobilização, enfrentando momentos de repressão e perseguição ao movimento sindical.
“Desde 1917, nós temos essa luta constante de avanço e de proteção aos direitos dos trabalhadores. Nada foi de graça, nada caiu do céu. Sempre foi da mobilização, sempre foi da organização.”
Miguel lembrou ainda os períodos de ditadura e perseguição enfrentados pelos trabalhadores e seus representantes ao longo da história.
“Nesses períodos, nós enfrentamos muita coisa: ditaduras, perseguições, prisões, mortes, torturas. E isso faz parte da luta. Essa luta foi construída por nós, trabalhadores e trabalhadoras. Não é uma luta de agora, é uma luta desde a nossa existência de organização dos trabalhadores e trabalhadoras.”
Para o dirigente, a aprovação da redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial, e do fim da escala 6×1 pode representar mais uma importante conquista para a classe trabalhadora.
“Mais um momento desse, um momento importante da nossa história, que nós possamos ganhar mais essa, que é a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, e também o fim da escala 6 por 1.
Com informações: portal Rádio Peão Brasil