Em resposta a apelo do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o presidente do Senado, José Sarney, informou nesta terça-feira (17) que já comunicou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, as solicitações dos senadores pela apreciação e aprovação dos projetos que tramitam naquela Casa tratando de modificações nos cálculos dos benefícios de aposentados e pensionistas.

 

- Eu já remeti ao presidente da Câmara um expediente no sentido de que ele ouvisse as solicitações dos senadores e, ao mesmo tempo, me solidarizando com as reivindicações dos meus eminentes colegas - disse.

 

Pouco antes, durante a sessão plenária desta terça, Flexa Ribeiro havia pedido que Sarney solicitasse a Michel Temer a inclusão na pauta de votações dessas proposições, que já foram aprovadas pelo Senado. Nos últimos dias, os senadores Paulo Paim (PT-RS) e Mário Couto (PSDB-PA) fizeram a Sarney pedido semelhante.

 

Um dos projetos que os senadores desejam ver votados na Câmara é o PLS 296/03, que extingue o fator previdenciário. Outro, a emenda do Senado ao projeto de lei da Câmara (PLC 42/07) que estende aos benefícios pagos a aposentados e pensionistas a mesma política de reajuste aplicada ao salário mínimo. Há também o PLS 58/03, que promove a recomposição do valor das aposentadorias de modo que os benefícios pagos voltem a valer o mesmo número de salários mínimos que valiam na data de sua concessão.

Fonte: Agência Senado

19-02-2009 | 08:57

O especialista espanhol em gestão pública, Josep-Ramon Morera i Balada, responsável pelo Serviço de Estudos da Administração no governo da Catalunha, Espanha, participa, de 16 a 18.02, de reuniões na Secretaria de Gestão (SEGES), para a elaboração de uma proposta de reorientação da gestão da Carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG).

A vinda do especialista espanhol foi possibilitada pelo projeto de Cooperação Técnica com o Governo espanhol por meio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).

Segundo o secretário de Gestão, Marcelo Viana, o trabalho com o especialista da Espanha faz parte de um grande esforço para a reestruturação da carreira de EPPGG. “Esse processo começou com o mapeamento da documentação existente e seu marco normativo”, disse o secretário. Ele lembrou que o passo seguinte foram as consultas a especialistas nacionais e estrangeiros, com destaque para a contribuição da especialista britânica, Diana Goldsworthy, voltada para o mesmo estudo. A especialista esteve no Ministério do Planejamento em janeiro deste ano. Também estão sendo ouvidos integrantes da carreira e representantes do governo.

Ainda de acordo com o secretário, o marco final do projeto será a realização de uma oficina com diversos especialistas, em meados de março, para a discussão dos aspectos mais relevantes da proposta de redirecionamento da gestão da carreira. “Pretende-se chegar ao mês de abril já com uma proposta consistente a ser encaminhada para avaliação das autoridades do Ministério do Planejamento”, disse Marcelo Viana.

A carreira de EPPGG é composta de servidores com alto grau de especialização, designados para quadros técnicos em áreas prioritárias da administração pública. Atualmente 788 gestores trabalham no Governo Federal e mais 115 novos especialistas, que estão em curso de formação na Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) deverão ingressar no serviço público em 2009.
 

 

 Fonte: Ministério do planejamento

18-02-2009 | 09:51

Brasília, 17/2/2009 - A Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento está avaliando o impacto no âmbito da administração pública federal da decisão do Supremo Tribunal Federal que determina o pagamento da Gratificação de Atividade de Seguridade Social e do Trabalho (GDASST) aos aposentados e pensionistas da área de seguridade social nos mesmos valores pagos aos servidores ativos.

Fonte:Ministério do planejamento

Posteriormente, a Lei 10.971 de 2004 determinou o pagamento  da GDASST nos valores de 60 pontos para os ativos e 30 pontos aos aposentados e pensionistas, critério questionado judicialmente pelos inativos da carreira de seguridade social.

O governo aguarda posição da Advocacia Geral da União sobre eventual recurso e destaca que a decisão do STF alcança apenas os servidores relacionados no processo judicial como autores da ação, não sendo extensiva aos demais aposentados do serviço público federal.

18-02-2009 | 09:48

A Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho indeferiu pedido de concessão dos benefícios da justiça gratuita a uma empresa jurídica individual – um microempresário condenado a pagar R$10 mil de custas. Dono de uma serralheria, o comerciante alegou situação financeira precária e apresentou declaração de insuficiência de renda e cópias de outros documentos não autenticados, que não puderam ser considerados.

O empresário argumentou ser firma individual e que poderia receber o benefício, mas, segundo o ministro Emmanoel Pereira, relator do recurso ordinário em agravo regimental, ele “não foi além do campo das alegações, sem comprovar a sua situação de impossibilidade de arcar com as despesas do processo”. A empresa Fausto Paulo – Firma Individual presta serviços de serralheria e de manutenção de bombas de gasolina em domicílio. O comerciante informou que a empresa funciona em sua residência, em Ceilândia (DF), que não tem mais empregados e está com tributos atrasados – e anexou certidões da Receita Federal e de Secretarias do Distrito Federal, entre outros.

O caso teve início em março de 2004, quando um técnico em manutenção de bombas de gasolina, como se denominou o ex-empregado do comerciante, após ser demitido, ajuizou ação reclamatória pleiteando o adicional de periculosidade. Feito o laudo pericial, não foi constatada periculosidade, e a ação foi extinta. O empresário, então, em ajuizou ação declaratória de justa causa, cumulada com ação de reparação de danos patrimoniais e morais, contra o “auxiliar de mecânico” contratado por ele de junho de 2003 a janeiro de 2004. Alegou que sofreu danos devido ao mau atendimento do empregado, como a perda de contrato de serviços de limpeza e regulagem de bicos de bomba de gasolina para um posto de gasolina em Brasília, que lhe custaram um prejuízo mensal de R$ 4.500,00. Ressaltou ainda que o empregado desperdiçava material reiteradamente, era relapso, não cumpria horário de trabalho e era obrigado a repetir serviços mal executados, após reclamações de clientes. Na inicial, pediu perícia técnica e depoimentos testemunhais para apurar danos patrimoniais e morais, e deu à causa o valor de R$ 500 mil.

No dia da audiência, nenhuma das partes apareceu, e o empresário foi condenado a pagar custas de R$10 mil, calculadas sobre R$ 500 mil. Ele então requereu o benefício da justiça gratuita, negado por ser pessoa jurídica. Teve início, então, uma maratona processual que, após embargos declaratórios, passou ao mandado de segurança, agravo regimental e, agora, recurso ordinário no TST. No entanto, ocorreu uma sucessão de erros. A falta de procuração autenticada no mandado de segurança foi uma delas. Além disso, foram juntadas aos autos cópias não autenticadas dos documentos que comprovariam a situação de penúria da empresa individual.

Segundo o ministro Emmanoel Pereira, embora haja algumas decisões recentes, de diversos tribunais, estendendo a justiça gratuita também às pessoas jurídicas, todas condicionam o deferimento à comprovação da situação financeira do requerente, e não à mera declaração da parte. Sem essa comprovação – pois sem autenticação os documentos são considerados inexistentes –, o empresário teve seu recurso rejeitado na SDI-2, por maioria. Ficaram vencidos os ministros Ives Gandra Martins Filho, Renato de Lacerda Paiva e Alberto Bresciani. ( ROAG –399/2004-000-10-00.6)

(Lourdes Tavares)

Fonte: TST

18-02-2009 | 09:40

Qui, 12 de Fevereiro de 2009 21:49

 

Paulo Nogueira Batista Jr*

Começo, leitor, com um pedido de desculpas, extensivo à leitora. O artigo de hoje está sendo redigido às pressas -tenho uma hora e meia para terminá-lo. O trabalho aqui no Fundo está alucinante. Começa no café da manhã, continua o dia inteiro, inclusive almoço, e se estende noite adentro até durante o jantar. Já tem gente baixando hospital (espero não ser o próximo). Uma das assistentes no nosso escritório, que trabalha no Fundo há 25 anos, disse-me que nunca viu a Diretoria Executiva e o corpo técnico sob tanta pressão. Não é surpreendente: o FMI está no olho do furacão da mais grave crise internacional dos últimos 70 anos.

O lado positivo, claro, é que a crise abre possibilidades de reforma e mudança que, em épocas normais, seriam mais limitadas.

Mas é do Brasil que quero falar um pouco hoje, em particular do impacto da crise externa sobre o crescimento e o emprego no país. A ameaça de recessão e desemprego cresce a cada semana, em linha com a deterioração do ambiente mundial. Projeções feitas por analistas de mercado indicam crescimento de apenas 1,7% para o PIB brasileiro em 2009. Com esse ritmo muito modesto de crescimento, um aumento do desemprego é praticamente inevitável -mesmo que o Governo adote, como pretende, medidas para aumentar a elasticidade do emprego em relação ao produto.

O fundamental é tentar conter a retração da demanda, especialmente dos investimentos. O artigo de hoje é uma pequena homenagem a Celso Furtado, nosso maior economista, que publicou, em 1983, um livro com esse título. No início da década de 1980, a luta era a mesma, mas com duas diferenças importantes, uma para pior, outra para melhor. Hoje, a crise externa é mais grave do que naquela época. Em compensação, o estado da economia brasileira é agora mais sólido.

Em parte por isso, o Brasil tem mais espaço para responder à tendência recessiva que vem de fora (os choques externos foram mais eficazes em derrubar a demanda do que o Copom). O Governo tem tomado medidas nessa direção, mas há espaço para fazer mais.

O Banco Central pode, por exemplo, diminuir a taxa básica de juro, que continua a ser a mais alta do mundo em termos reais, mesmo após o corte de um ponto percentual determinado pelo Copom na sua última reunião. O BC também pode diminuir os ainda elevados depósitos compulsórios sobre passivos bancários, o que injetaria liquidez na economia e contribuiria em princípio para reduzir os "spreads" bancários.

Os bancos públicos podem ser mobilizados para compensar, pelo menos em parte, a retração da oferta de crédito internacional e dos bancos privados no Brasil. Além disso, há espaço para um estímulo fiscal. O superávit primário do setor público pode diminuir. O déficit fiscal total ou nominal é relativamente pequeno (1,5% do PIB em 2008, o menor resultado anual desde o início da série estatística, em 1991).

O estímulo fiscal tende a derrubar o superávit primário e, portanto, a aumentar o déficit nominal (que corresponde, por definição, à diferença entre a carga de juros e o superávit primário). Mas esse efeito é compensado pela diminuição da taxa básica de juro. A depreciação cambial também ajuda as contas governamentais, pois o setor público se tornou nos anos recentes credor líquido em moeda estrangeira.

Fonte:Diap

O Governo precisa agir rapidamente para impedir que se instale uma espiral recessiva.

18-02-2009 | 09:39

Qui, 12 de Fevereiro de 2009 21:49

 

Paulo Nogueira Batista Jr*

Começo, leitor, com um pedido de desculpas, extensivo à leitora. O artigo de hoje está sendo redigido às pressas -tenho uma hora e meia para terminá-lo. O trabalho aqui no Fundo está alucinante. Começa no café da manhã, continua o dia inteiro, inclusive almoço, e se estende noite adentro até durante o jantar. Já tem gente baixando hospital (espero não ser o próximo). Uma das assistentes no nosso escritório, que trabalha no Fundo há 25 anos, disse-me que nunca viu a Diretoria Executiva e o corpo técnico sob tanta pressão. Não é surpreendente: o FMI está no olho do furacão da mais grave crise internacional dos últimos 70 anos.

O lado positivo, claro, é que a crise abre possibilidades de reforma e mudança que, em épocas normais, seriam mais limitadas.

Mas é do Brasil que quero falar um pouco hoje, em particular do impacto da crise externa sobre o crescimento e o emprego no país. A ameaça de recessão e desemprego cresce a cada semana, em linha com a deterioração do ambiente mundial. Projeções feitas por analistas de mercado indicam crescimento de apenas 1,7% para o PIB brasileiro em 2009. Com esse ritmo muito modesto de crescimento, um aumento do desemprego é praticamente inevitável -mesmo que o Governo adote, como pretende, medidas para aumentar a elasticidade do emprego em relação ao produto.

O fundamental é tentar conter a retração da demanda, especialmente dos investimentos. O artigo de hoje é uma pequena homenagem a Celso Furtado, nosso maior economista, que publicou, em 1983, um livro com esse título. No início da década de 1980, a luta era a mesma, mas com duas diferenças importantes, uma para pior, outra para melhor. Hoje, a crise externa é mais grave do que naquela época. Em compensação, o estado da economia brasileira é agora mais sólido.

Em parte por isso, o Brasil tem mais espaço para responder à tendência recessiva que vem de fora (os choques externos foram mais eficazes em derrubar a demanda do que o Copom). O Governo tem tomado medidas nessa direção, mas há espaço para fazer mais.

O Banco Central pode, por exemplo, diminuir a taxa básica de juro, que continua a ser a mais alta do mundo em termos reais, mesmo após o corte de um ponto percentual determinado pelo Copom na sua última reunião. O BC também pode diminuir os ainda elevados depósitos compulsórios sobre passivos bancários, o que injetaria liquidez na economia e contribuiria em princípio para reduzir os "spreads" bancários.

Os bancos públicos podem ser mobilizados para compensar, pelo menos em parte, a retração da oferta de crédito internacional e dos bancos privados no Brasil. Além disso, há espaço para um estímulo fiscal. O superávit primário do setor público pode diminuir. O déficit fiscal total ou nominal é relativamente pequeno (1,5% do PIB em 2008, o menor resultado anual desde o início da série estatística, em 1991).

O estímulo fiscal tende a derrubar o superávit primário e, portanto, a aumentar o déficit nominal (que corresponde, por definição, à diferença entre a carga de juros e o superávit primário). Mas esse efeito é compensado pela diminuição da taxa básica de juro. A depreciação cambial também ajuda as contas governamentais, pois o setor público se tornou nos anos recentes credor líquido em moeda estrangeira.

O Governo precisa agir rapidamente para impedir que se instale uma espiral recessiva.

Fonte: DIAP

18-02-2009 | 09:38

Qui, 12 de Fevereiro de 2009 21:51

 

Luis Nassif, em seu blog

Em uma economia de mercado, os indicadores econômicos são fundamentais para a definição da política econômica. Diria até que grande parte da força política do mercado, nos últimos anos, residiu no controle desses indicadores - e, especialmente, no monopólio das avaliações dos indicadores existentes.

Por exemplo, em qualquer sociedade sadia, a ocupação do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) das indústrias seria festejada. Sinal de que o próximo passo seria o aumento dos investimentos. Por aqui, era motivo para pessimismo, sinal de volta da inflação e álibi para aumento dos juros.

Para o monitoramento do sistema de metas inflacionárias, por uma dessas distorções típicas de país atrasado, as pesquisas do Banco Central são feitas exclusivamente em cima dos departamentos econômicos de instituições financeiras.

É por isso que o lançamento, ontem, do Sensor Econômico - indicador preparado pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) - ajudará a tornar mais completa a análise prospectiva dos cenários econômicos.

A pesquisa será mensal e com 115 entidades da economia real - associações empresariais e de trabalhadores dos setores primário, secundário e terciário, representando 80.2% do PIB brasileiro. De fora, ficou apenas o setor financeiro.

A pesquisa é feita através de um questionário com 24 questões e cinco alternativas para cada uma - cenários pessimistas, adverso, apreensão, confiança e otimismo.

As consultas são feitas em cima de quatro grandes blocos de informação: expectativa quanto às contas nacionais (variação do PIB e das contas externas), parâmetros econômicos (raxa de câmbio, taxa de juros, inflação), desempenho das empresas (utilização da capacidade, contratações e margem de lucro) e aspectos sociais (massa salarial, pobreza, desigualdade e violência).

A pesquisa de janeiro (primeira da série) registrou um resultado final de 6,78, indicando um cenário apreensivo. O termômetro varia de -100 a +100.

Dos quatro componentes, houve certa heterogeneidade na avaliação dos entrevistados:

1. Contas Nacionais: 19,76, indicando confiança nos rumos da política econômica.

2. Parâmetros econômicos (câmbio, juros, inflação): confiança 42.10, mostrando baixo receio de um desequilíbrio nesses itens.

3. Desempenho das empresas: -11,87, refletindo falta de indicações mais seguras sobre o novo patamar de produção.

4. Aspecto social: -22.87, mostrando baixíssima perspectiva de aumento no emprego.

O Sensor permite várias leituras. Por exemplo, o bloco Desempenho das Empresas, é subdividido em Utilização de Capacidade, Contratação e Margem de Lucro. O melhor desempenho foi no item Utilização de Capacidade, com nível Confiante do setor Agropecuário e de apreensão nos demais setores.

Talvez seja o item que melhor reflita o dia a dia das empresas. Os dois itens restantes refletem o futuro e apresentaram resultados majoritariamente adversos.

Fonte: DIAP

18-02-2009 | 09:37

Dom, 15 de Fevereiro de 2009 12:25

 

Luiz Carlos Azedo*

Diante do colapso do mercado financeiro internacional, da perplexidade do mundo empresarial e das incertezas nas principais economias do mundo, o Brasil seria uma espécie de "elo fraco" da globalização?

Alguma coisa está fora da ordem no projeto Dilma 2010. No plano eleitoral, a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sua sucessão pode ser bem-sucedida, depende das circunstâncias e da ajuda dos candidatos de oposição.

A questão é outra. O projeto econômico que emerge com a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, lembra o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) do Governo Geisel, na década de 1970, que foi volatilizado pela crise do petróleo, a incapacidade de financiamento do setor público e o esgotamento do processo de substituição de importações.

O colapso
Há muitas polêmicas sobre as causas da queda do Muro de Berlim e do fim da União Soviética e a subsequente hegemonia do neoliberalismo, mas algumas são aceitas por todos. Por exemplo, o fato de que o avanço tecnológico do Ocidente, com a informática, as telecomunicações, os novos materiais, a miniaturização, a biogenética e os sistemas de produção flexíveis, colocou em xeque modelos baseados fundamentalmente na grande indústria mecanizada e no planejamento estatal centralizado.

Essa foi a base objetiva do colapso do "socialismo real", que não acompanhou uma economia na qual os capitais circulavam cada vez mais rápido e os mercados estavam sincronizados pela desregulamentação financeira. A China sobreviveu porque se adaptou ao processo e endureceu a repressão aos que contestam o Partido Comunista.

Agora, estamos vendo o desfecho desse processo nas economias capitalistas. As inovações tecnológicas proporcionaram aumento da produtividade, mas a massa salarial não acompanhou a superprodução, sobretudo na China. O consumo, principalmente nos Estados Unidos, foi financiado pelo crédito ilimitado, que alavancou as principais instituições financeiras.

Foi a vez de Wall Street entrar em colapso, dando início a essa crise sem precedentes desde a Grande Depressão de 1929. No plano político, uma surpresa: os falcões do complexo militar industrial norte-americano e os lobbies petrolíferos, que mandaram e desmandaram no Governo Bush, foram derrotados por Barack Obama. Um cenário diferente daquele que havia durante e após a II Guerra Mundial.

O projeto
A ministra Dilma Rousseff conquistou a posição de principal integrante da equipe ministerial e candidata à sucessão de Lula . Se qualificou, durante seis anos de Governo, como melhor gerente dos negócios do Estado junto aos interesses públicos e privados. Numa linha de ampliação do dirigismo estatal na economia, Dilma travou uma luta surda contra a equipe econômica para que a política do "mais do mesmo" - juros altos, câmbio flutuante e superávit fiscal - fosse flexibilizada. No lugar da meta de inflação, a de crescimento. Na verdade, essa contradição foi mitigada pela expansão da economia mundial. Mas a crise chegou por aqui justamente quando o Brasil ultrapassava taxas de 5% de crescimento do PIB.

É nessa conjuntura nova que emerge com força o projeto protagonizado pela Casa Civil. Que modelo é esse? A grosso modo, se inspira no velho processo de substituição de importações e no planejamento governamental da Era Vargas. Para garantir os investimentos, mais atuação dos bancos oficiais, dos fundos de pensão e das agências reguladoras junto às grandes empresas do País.

Para assegurar a demanda, ampliação das políticas sociais para a população de baixa renda, expansão dos gastos públicos e da massa salarial do funcionalismo. Tudo sob comando de uma nova burocracia federal, engajada partidariamente, menos liberal que a tradicional. Uma espécie de novo "capitalismo de Estado", que ainda é visto com ingenuidade pela esquerda petista como uma suposta antessala do socialismo.

Diante do colapso do mercado financeiro internacional, da perplexidade do mundo empresarial e das incertezas nas principais economias do mundo, o Brasil seria uma espécie de "elo fraco" do globalização? Não acredito. Sem entrar no mérito da qualidade dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), tal modelo é meio "asiático", sem sustentação a longo prazo.

É prisioneiro da velha economia do petróleo, da exploração mineral, das velhas plantas industriais e da monocultura de exportação, enquanto os Países centrais, justamente os mais atingidos pela crise, buscarão construir saídas mais sustentáveis, com base em novas fontes de energia, novas tecnologias, novos materiais, etc. Enfim, explorar as fronteiras do conhecimento e uma nova relação com meio ambiente para se desenvolver e melhorar a qualidade de vida.

Fonte: DIAP

18-02-2009 | 09:36

Dom, 15 de Fevereiro de 2009 12:28

 

João Guilherme Vargas Netto*

Sempre tenho dito e escrito que o ministro Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego, tem feito uma boa gestão. Em várias ocasiões e com diversas iniciativas assume o lado dos trabalhadores e é incansável em propor (e batalhar por elas) medidas que afiancem os direitos trabalhistas e sindicais, melhorem as condições de trabalho, garantam o emprego, potencializem as verbas públicas e respeitem a diversidade das expressões sindicais.

O ministro é o complemento real à unidade de ação das centrais sindicais e das representações dos trabalhadores. Mais que pedetista, brizolista, ele é de uma lealdade pedagógica ao presidente Lula e o seu Governo.

No dia-a-dia da administração tem se beneficiado do empenho e da experiência de seu secretário de Relações do Trabalho, Luiz Antonio de Medeiros.

Na noite de terça-feira, dia 10 de fevereiro, assisti juntamente com dirigentes da CNTU (Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados), da CNPL (Confederação Nacional dos Profissionais Liberais) e da CUT, do Brasil todo, à assinatura, pelo ministro e pelo secretário, da Nota Técnica 21 de 2009 (que já pode ser acessada pelo endereço eletrônico do ministério, www.mte.gov.br).

Esta norma técnica orienta o movimento sindical e as empresas a respeito do recolhimento da contribuição sindical dos profissionais liberais empregados, previsto no Artigo 585 da CLT, que é de um dia de salário percebido na empresa.

Os profissionais que exerçam atividades sem vínculo de emprego terão suas contribuições regulamentadas por lei, cujo projeto foi encaminhado à Casa Civil da presidência da República.

Esses procedimentos haviam sido discutidos previamente com as direções sindicais, atendidas em suas reivindicações e sugestões e substituem a Nota Técnica 5 de 2004.

O presidente da CNTU, engenheiro Murilo Pinheiro, me disse que a cerimônia na noite de assinatura foi memorável pelo comparecimento maciço de dirigentes e o ministro e o secretário atendendo com presteza às sugestões dos trabalhadores e ajudando a garantir condições efetivas de ação sindical forte e unitária.

(*) Membro do corpo técnico do Diap, é consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo

 

 
Comentários (1)
...
escrito por Angelo Brittes Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Nas Indústrias Gráficas de Santa Maria-RS , fevereiro 17, 2009
Na data de 17 de janeiro/2009 Altamiro Borges* (*) Jornalista, é editor da revista Debate Sindical, já dizia no seu artigo: Empresários e mídia detonam Lupi. Consequentemente na data de 19 de janeiro/2009, foi
escrito o comentário por Plínio Alvarenga, É esta na hora de defendermos o Ministro do Trabalho... Mas sinceramente se há este apoio em defesa ao Sr. Ministro, é de certo um tanto acanhado, parecendo-me que gostamos tardiamente de criticar quem legisla contra os direitos dos trabalhadores. Mas quando há alguém procurando fazer ou assegurar o melhor para o trabalhador, mesmo que o chamem de trabalhista, ficamos de braços cruzados, boca fechada sem mesmo esboçar “Dou-lhe meus parabéns Ministro por sua atuação” Uma pergunta que não quer calar, sadicamente gostamos de remar contra a maré? Particularmente acredito no sindicalismo praticado no Brasil, concomitantemente nos diretores sindicais até porque acredito em mim. Há pouco tempo atrás as entidades sindicais (diretores) reuniam-se para discussão em virtude da atuação do Ministério Público em relação à contribuição assistencial, postulação de audiência pública, até mesmo resistência na assinatura do TAC. Diante da conjuntura atual cabe indagarmos, apóia-se ou não as atuações do Ministro do Trabalho? Discutamos a aproximação com proposta, projeto de lei das entidades junto ao Parlamento? Flexibilização trabalhista? Perspectivas da agenda sindical? Dentre tantos outros assuntos pertinentes aos interesses dos trabalhadores, ou a discussão cabe tão somente quando é ofuscada a arrecadação das entidades sindicais? Cabe ressaltar o comando das Casas legislativas - Câmara e Senado; creio que não será facilitada a agenda dos trabalhadores tornando-se uma incógnita no Congresso Nacional. Sindicatos, federações e confederações em quanto representantes dos trabalhadores, deveremos ficar atentos, movimentarmos para evitar retrocessos, sobretudo neste momento de crise em que o patronal quer avançar sobre as conquistas dos trabalhadores propondo medidas lesivas às relações de trabalho. Por derradeiro podemos dizer ”ACORDA” caso contrário estaremos fadados a resultados contrários aos anseios da classe trabalhadora.
 
Fonte: DIAP

18-02-2009 | 09:34

Dom, 15 de Fevereiro de 2009 23:01

 

Por Luciano Martins Costa, em comentário para o programa radiofônico do OI*

Apesar de ainda dar maior destaque a alguns números negativos que brotam do desempenho da economia nas estatísticas de dezembro e janeiro, a imprensa brasileira começa a abandonar o tom de apocalipse que marcou a cobertura da crise financeira nas últimas semanas.

Alguns analistas conservadores admitem que estamos saindo do fundo do poço. Outros, como o professor Stephen Kanitz, colunista da revista Veja, entendem que o Brasil nem chegou a entrar em crise. Consultoria citada pela Folha de S.Paulo publica um estudo de perspectivas econômicas apostando que o Produto Interno Bruto do Brasil voltará a crescer ainda neste trimestre.

Para os especialistas, de modo geral, o Brasil não chegou a entrar em recessão. Para alguns deles, os números indicam que a economia brasileira sofreu dificuldades pontuais, que não devem persistir por um trimestre inteiro.

Para ser considerado tecnicamente como recessão, o recuo na atividade econômica precisa produzir a redução do PIB por dois trimestres consecutivos.

Outra edição
Os indicadores positivos que já aparecem, referentes a janeiro, como a recuperação da indústria automobilística e a volta de investimentos, apontam para a interrupção da espiral negativa. Além disso, conforme observa a Folha em sua coluna "Mercado Aberto", cresce a confiança do consumidor, o crédito foi retomado e a indústria paulista registra a volta das encomendas.

O Estado de S.Paulo publica reportagem informando que, após três meses consecutivos de queda, a produção da indústria paulista deve registrar uma elevação de 5,7% em janeiro. Embora o número positivo - assim como os indicadores negativos de dezembro - não possa induzir a conclusões sobre o estado geral da economia, esse dado entra como uma cunha na tendência pessimista do noticiário.

Além disso, um estudo da Fundação Getúlio Vargas, feito a pedido da associação das indústrias de construção civil, prevê a criação de meio milhão de empregos e o crescimento da massa salarial em apenas um ano.

Observe o leitor que todas essas informações foram apanhadas nas edições de quinta-feira (12) dos jornais. Se fossem editadas dessa forma, na ordem e com o destaque que foram apresentadas aqui, qual seria sua conclusão?

Fonte: DIAP

18-02-2009 | 09:31