Ayr Aliski
Jornal do Brasil

Resultado negativo é 86,1% maior que o do mesmo período de 2007

O déficit da Previdência Social, em agosto, foi de R$ 4,06 bilhões, resultado de R$ 13,193 bilhões de arrecadação líquida e R$ 17,253 bilhões de despesas com benefícios. O déficit do mês, neste ano, é 86,1% maior que o resultado negativo de R$ 2,771 bilhões registrado em agosto do ano passado. A avaliação da equipe do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), que divulgou ontem o resultado do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) de agosto, é de que a elevação é apenas pontual.

O motivo é que o aumento da despesa, em agosto, reflete o pagamento da primeira parcela do 13º salário aqueles que recebem até um salário mínimo. Sem a antecipação dessa despesa, que soma R$ 1,4 bilhão, o déficit da previdência em agosto seria R$ 2,66 bilhões, queda de 4% comparado com agosto de 2007.


Queda em 2008


Segundo o ministro da Previ- dência, José Pimentel, há tendência de queda do déficit do setor em 2008. Inicialmente projetado para a marca de R$ 44 bilhões, o ministério começa a trabalhar com perspectiva de déficit R$ 4 bilhões menor. ­ No orçamento da União nós prevíamos uma necessidade de financiamento de R$ 44 bilhões. Com a boa gestão que está sendo feita, esse número deve ficar em R$ 38 bilhões ­ diz o ministro.

A arrecadação líquida da Previdência social em agosto foi de R$ 13,193 bilhões, valor 5,4% superior aos R$ 12,519 bilhões de igual mês do ano passado e 0,5% menor que os R$ 13,258 bilhões de julho deste ano. As despesas com benefícios previdenciários somaram R$ 15,853 bilhões no mês passado, desconsideradas as despesas excepcionais, as quais incluem o pagamento do 13º salário. Esse resultado é 3,7% superior aos R$ 15,290 bilhões de agosto de 2007 e 2,7% maior que os R$ 15,439 bilhões de julho deste ano.

Se considerada a despesa total, com o 13º, de R$ 17,253 bilhões, há crescimento de 12,8% na comparação com agosto do ano passado e de 11,7% na relação com julho deste ano.

No acumulado dos oito primeiros meses do ano, a arrecadação líquida da Previdência soma R$ 101,968 bilhões, o que indica crescimento de 9,6% na comparação com os R$ 93,044 bilhões, somados entre janeiro e agosto de 2007. O resultado comprova que agosto foi uma exceção no aumento dos gastos. As despesas previdenciárias acumuladas entre janeiro e agosto deste ano chegam a R$ 126,900 bilhões, crescimento de 4,1% frente aos R$ 199,365 bilhões dos oito primeiros meses do ano anterior.

A receita cresce com mais vigor que a despesa, mas o saldo final ainda não é capaz de fechar a conta, que representa um déficit de R$ 24,931 bilhões no ano. Em igual período de 2007, o rombo era de R$ 28,884 bilhões. A queda da necessidade de financiamento da Previdência foi de 13,7%. Em todo o ano passado, o déficit previdenciário atingiu R$ 48,344 bilhões.

Conforme o ministro da Previdência, três fatores estão contribuindo para tornar as contas do setor mais equilibradas. O aumento da formalização do trabalho no Brasil. Entre janeiro e julho, 1,56 milhão de novos empregos foram criados no país, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho (Caged), recorde desde 1992.

Pimentel destacou o aumento real dos salários ajuda a reduzir o déficit da Previdência, incentivando os recolhimentos. Em terceiro lugar, o ministro avalia que a melhoria de gestão do MPAS, o que envolve maior eficácia no combate às fraudes

24-09-2008 | 12:00

Gazeta Mercantil

 - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, já entregou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara dos Deputados - a CPI dos Grampos - documentos que, segundo ele, indicam que, devidamente preparadas, as maletas compradas pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) seriam capazes de grampear telefones.
A informação foi confirmada pela assessoria do Ministério da Defesa, que disse desconhecer o teor das informações, que são reservadas. Um laudo apresentado pela Polícia Federal na semana passada indicou que as maletas que a Abin comprou por intermédio do Exército não servem para gravar telefonemas.
O laudo reforçou a versão do ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Armando Félix. Ao depor na CPI, ele disse que as maletas compradas pela Abin não serviam para fazer escutas. Jobim, porém, garantiu o contrário e prometeu entregar os documentos comprovando sua afirmação.
O depoimento de Félix na CPI, previsto para hoje, foi adiado a pedido do general. Ele justificou-se com o argumento de que há novas perícias sobre os equipamentos da Abin para verificar se podem fazer escutas telefônicas.

24-09-2008 | 11:46

Gazeta Mercantil

- O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, considera que as centrais sindicais não têm direito à contribuição compulsória "destinada ao custeio do sistema confederativo de representação sindical". Além disso, segundo o chefe do Ministério Público, "não há respaldo constitucional para que certa associação seja contemplada com contribuições de caráter compulsório, uma vez que tal situação caracteriza, em última análise, filiação compulsória, vedada pelo princípio da liberdade de associação".
O entendimento do procurador-geral da República consta do parecer enviado ao ministro Joaquim Barbosa, relator da ação de inconstitucionalidade ajuizada pelo DEM, em abril último, contra dispositivos da lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, ao reconhecer as centrais sindicais como entidades representativas dos trabalhadores, a elas destinou parte da arrecadação da contribuição sindical. Para Antonio Fernando, "a organização sindical, como estruturada na Lei Fundamental, recusa que alteração dessa amplitude seja intermediada por legislação ordinária."
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 11)(Luiz Orlando Carneiro)

24-09-2008 | 11:43

Gazeta Mercantil

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso na abertura da 63 Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), ressaltou ontem a maturidade dos países da América do Sul e a capacidade da região de discutir e resolver seus problemas internos sem a interferência das nações ricas. Lula disse também que os "fundamentalistas do mercado" são os responsáveis pela atual crise internacional e defendeu que "é chegada a hora da política", propondo que seja convocada uma reunião multilateral para tratar do tema. O presidente brasileiro defendeu ainda reformas para as instituições financeiras.
Em seu discurso, o presidente dos EUA, George W. Bush, procurou tranqüilizar os mercados, dizendo que não permitirá que a crise se espalhe. "Posso garantir a vocês que meu governo e nosso Congresso estão trabalhando juntos para aprovar rapidamente a legislação que permite esta estratégia e estou confiante de que vamos agir dentro da urgência necessária", disse.
Na ONU, Lula destaca autonomia da A. do Sul

 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso na abertura da 63 Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU),em Nova York, ressaltou ontem a maturidade dos países da América do Sul e a capacidade da região de discutir e resolver seus problemas internos sem a interferência das nações ricas.
Lula defendeu que é a primeira vez que os países da região se unem para articular de maneira conjunta políticas sociais, financeiras e de infra-estrutura.
O presidente ressaltou como exemplo deste sucesso a recente criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e a busca por respostas para "situações complexas como a que vive a nação irmã Bolívia".
No discurso de ontem, Lula disse também que os "fundamentalistas do mercado" são os responsáveis pela atual crise internacional e defendeu que "é chegada a hora da política", propondo que seja convocada uma reunião multilateral para tratar do tema.
Lula pediu também uma reforma das instituições financeiras multinacionais - Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (Bird) -, para dotá-las de instrumentos que lhes permita prevenir crises financeiras como a que o mundo atravessa atualmente. "A natureza global desta crise implica que as soluções que adotarmos devem ser também globais, e decididas em foros multilaterais legítimos, sem imposições."
O presidente brasileiro defendeu as reformas como forma de combater a ação dos especuladores.

24-09-2008 | 11:39

CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA
Folha de S. Paulo

INDENIZAÇÕES

A Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, aprovou ontem mais de R$ 7,1 milhões em indenizações a ex-metalúrgicos que participaram das greves na região do ABC no início dos anos 80.
De 41 requerimentos, 39 foram julgados numa sessão na Câmara Municipal de São Bernardo do Campo (SP), berço do movimento sindical impulsionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Hoje reconstituímos a importância que o movimento operário teve no processo de redemocratização do país", disse Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia.
Segundo ele, 27 ex-sindicalistas, que perderam o emprego depois da grande greve de 1980, receberão prestação permanente e continuada, além de um valor retroativo.
A maior indenização foi concedida a Francisco das Chagas Souza: R$ 470 mil. Entre os anistiados há alguns próximos de Lula como Antenor Biolcatti [R$ 312,5 mil], Pedro Bispo [R$ 251,6 mil] e Keiji Kanashiro [R$ 368,7 mil], que foi secretário-executivo da pasta dos Transportes no primeiro mandato.

24-09-2008 | 11:32

Edson Luiz
Correio Braziliense

O Brasil poderá reaver US$ 33 milhões enviados ilegalmente para a Suíça pelo esquema do Propinoduto. O dinheiro foi fruto de corrupção no país e representa o maior volume de recursos já bloqueados em outros países e que tem chances de retornar aos cofres públicos. Até agora, as autoridades brasileiras só conseguiram o repatriamento de US$ 1 milhão que estavam retidos nos Estados Unidos e eram provenientes de evasão de divisas. O dinheiro apreendido foi enviado por quatro auditores federais e dois fiscais de renda do Rio de Janeiro, em 2002. A Justiça suíça também determinou a prisão de cinco executivos de um banco onde os depósitos foram efetuados.

“Esta primeira vitória é um excelente sinal de que há uma boa possibilidade para que os recursos sejam efetivamente devolvidos ao erário nacional”, afirmou o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, depois de conhecer a decisão, tomada pelo Tribunal Federal Suíço, em Belinzona. O caso é o primeiro a ser julgado naquele país, depois da assinatura de um acordo de cooperação com o Brasil. O tratado estabelece que, quando se tratar de remessa de recursos sem pagamento de impostos, apenas metade do dinheiro é repatriado. Porém, quando se trata de verba proveniente de corrupção, o retorno dos recursos é integral.

Testemunhas
“É preciso lembrar que a repatriação não será automática, mesmo se o resultado do julgamento for mantido. Ainda há muito a ser feito”, acrescentou Tuma Júnior. Para conseguir a decisão da Justiça, o governo brasileiro enviou quatro testemunhas: dois policiais federais e dois auditores da Receita Federal que atuaram no caso. Também um fato inédito, já que em outros casos, o acompanhamento e os trâmites foram feitos por funcionários do Departamento de Recuperação de Ativos de Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça.

Além do repatriamento do dinheiro, a Justiça da Suíça determinou a prisão de cinco executivos do Discount Bank & Trust Company (DBTC), para onde o esquema do Propinoduto enviava os recursos. O grupo era liberado por Rodrigo Silveirinha, ex-subsecretário de Administração Tributária do governo do Rio, e integrado por outras 18 pessoas, entre as quais estão empresários, auditores fiscais, lobistas e servidores públicos. No Brasil, 22 das 24 pessoas arroladas no processo foram condenadas.

USTRA VENCE RECURSO
O Tribunal de Justiça de São Paulo extinguiu ontem o processo contra o coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, o DOI-Codi. Por dois votos a um, a 1ª Câmara de Direito Privado da Corte aceitou o recurso dos advogados de Ustra contra ação que busca responsabilizar o oficial por torturas e pela morte do jornalista Luiz Eduardo Merlino, ocorrida em 19 de julho de 1971. A ação foi movida pela família de Merlino, que integrava o Partido Operário Comunista (POC) e tinha 23 anos quando foi preso.
 

24-09-2008 | 11:27

Luciana Navarro
Correio Braziliense

Para acabar com as letrinhas, que exigem o máximo cuidado na hora de comprar produtos ou serviços, nova legislação determina tamanho mínimo dos textos. Exigência de apresentação clara e legível não é respeitada 
 
 
Os consumidores têm mais uma arma para exigir seus direitos. Lei publicada ontem no Diário Oficial da União estabelece que as letras dos contratos de compra e prestação de serviços devem ser, no mínimo, de tamanho 12. Assim, fica claro como as informações devem ser apresentadas. A obrigatoriedade de divulgação das informações de maneira clara e legível já era prevista pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), mas nem sempre foi cumprida pelos fornecedores de produtos e serviços. A medida foi adotada para facilitar a leitura e entendimento dos contratos fornecidos pelas empresas .

A nova lei não especifica o tipo da fonte que deve ser usada no contrato e é válida para os contratos de adesão, aqueles cujas cláusulas tenham sido aprovadas por autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo, explica a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste). “Essa lei é um ganho para o consumidor. O código tinha essa determinação que deveria estar sendo seguida, mas foi preciso a nova regra para acabar com qualquer tipo de lacuna que pudesse haver por parte dos fornecedores”, afirma Karen Veloso, advogada da Proteste.

24-09-2008 | 11:10

Ricardo Brito e Marcelo Rocha
Correio Braziliense

Interrogatório de diretor afastado da Abin e de delegado que comandou a Operação Satiagraha visa esclarecer quem são os autores da interceptação da conversa entre presidente do Supremo e senador

A Procuradoria da República no Distrito Federal (PR-DF) interrogará o delegado Paulo Lacerda, diretor afastado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), dentro da apuração que tem o objetivo de identificar como ocorreu o grampo da conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demostenes Torres (DEM-GO). Os procuradores também querem ouvir Protógenes Queiroz, delegado que presidiu o inquérito da Operação Satiagraha.

A suspeita é de que a interceptação ilegal tenha sido feita por agentes da Abin que colaboravam com Protógenes na apuração que levou Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, à prisão. De Lacerda, o Ministério Público Federal quer saber se ele ordenou algum grampo clandestino e de Protógenes, se ele pediu à Abin para fazer escutas sem respaldo judicial ou se a própria PF o fez.

Embora não descarte outras vertentes, a frente de investigação mais explorada no momento pelo MPF foca nas maletas capazes de fazer grampos. Não à toa, decidiu-se pedir perícia independente nos equipamentos adquiridos pelo governo e colocados à disposição da Justiça — 10 maletas da PF e outra do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), ligado ao Ministério da Justiça.

Os procuradores Gustavo Pessanha Velloso, Lívia Nascimento Tinôco e Vinícius Fernando Alves Fermino, que compõem o Grupo de Controle Externo da Polícia da PR-DF, buscam traçar uma cadeia de elementos que os levem até o autor do grampo. Eles partiram do conteúdo da conversa publicada pela revista Veja, mas perseguem o áudio desse telefonema. Os representantes do MPF avaliam que com ele seria mais fácil decifrar toda a história.

Em depoimento, o senador Demostenes Torres disse aos procuradores que lhe foi apresentada apenas a transcrição do diálogo ocorrido em 15 de julho, após o ministro Gilmar Mendes conceder o segundo habeas corpus que beneficiou Dantas. Convocado também a dar explicações, um dos autores da reportagem deixou no ar se ele teve ou não acesso ao áudio.

Confidencial
No Congresso Nacional, a CPI dos Grampos recebeu ontem documentos confidenciais do Ministério da Defesa que demonstrariam que a Abin dispõe de equipamentos capazes de realizar escutas telefônicas. Na última sexta-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, prometeu enviar à CPI “elementos” que comprovariam que a Abin adquiriu aparelhos para grampos.

Entre esses documentos, estaria uma lista de compras feitas pela Abin, por meio de comissão usada pelo Exército em Washington (EUA), que inclui os equipamentos de interceptações. Um outro documento seria um parecer feito pelo Exército, subordinado a Jobim. “Ainda não tive acesso aos documentos”, afirmou o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ).

O ministro da Defesa entrou em embate público com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Jorge Félix, sobre os aparelhos da agência. O chefe do GSI declarou que a agência, subordinada a ele, não tem equipamentos para fazer grampos. A papelada remetida pela Defesa, segundo os parlamentares, pode encerrar essas dúvidas. Esperado na CPI, Félix avisou que não vai depor hoje, alegando precisar de mais tempo para analisar os laudos.

Com a ausência do ministro do GSI, a comissão vai ouvir o ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI) Francisco Ambrósio do Nascimento, suspeito de ter grampeado uma conversa entre o ministro Gilmar Mendes e o senador Demostenes Torres. Depõe ainda o militar Idalberto Matias de Araújo, que teria indicado Ambrósio para Protógenes.

A deputada Marina Maggessi (PPS-RJ) afirmou ontem que vai apresentar à CPI informações que comprovariam que a parlamentar, integrante da comissão, está sendo alvo de ameaças de pessoas ligadas à PF. “Eles passaram da ameaça à ação”, disse Maggessi, ex-chefe do setor de Inteligência da Polícia Civil ao Correio.

24-09-2008 | 10:47

 
 
Érika Klingl e Iano Andrade
Correio Braziliense

Ao cair da noite, os direitos de crianças e adolescentes são riscados da legislação na Rodoviária do Plano Piloto. Reportagem do Correio flagrou exemplos de exploração sexual de meninas de 9, 10 e 11 anos nas duas plataformas. Elas são obrigadas a pagar metade do que recebem a travestis e prostitutas da área. Tudo no quintal do poder, de frente para a Esplanada dos Ministérios.
 
Todo fim de manhã de sexta-feira, logo depois da aula, Rita, Jaqueline e Paula pegam o ônibus em Planaltina de Goiás com destino a Brasília. Antes da viagem, as meninas tomam banho e trocam os uniformes por roupas de passear: saias, shorts e blusas coloridas ou de alcinha. Até domingo, a casa delas será a Rodoviária do Plano Piloto, onde vendem balas e chicletes aos passageiros que esperam nas filas. Na mesma plataforma onde ganham o sustento para as famílias, elas são exploradas sexualmente. “Por R$ 3, os moços mexem na gente”, diz Rita. Mexer é tocar no corpo das meninas e fazê-las praticar sexo oral. Ela tem 9 anos. Jaqueline acaba de completar 10 e Paula tem 11 anos.

A reportagem do Correio descobriu que a realidade dessas três crianças se tornou comum no coração da capital do país. A Rodoviária do Plano Piloto, localizada na avenida do poder brasileiro, virou palco da exploração sexual de crianças e adolescentes. São histórias de meninos e meninas que conhecem a rua ao serem vítimas do trabalho infantil ou pedindo dinheiro a estranhos. Acabam sucumbindo à pressão de aliciadores e exploradores.

Nos três dias em que moram na Rodoviária, as três amigas ficam expostas a todos os tipos de violação de direitos garantidos no Estatuto da Criança e do Adolescente. São exploradas, trabalham até altas horas da madrugada, dormem, acompanhadas das mães e de irmãos, embaixo de uma marquise cercada de lixo, de latas de solvente e de bebidas. Não têm acesso a lazer, proteção e alimentação adequadas. Apesar disso, não se enxergam como vítimas. “Gosto daqui muitos dias. Só acho ruim quando chove ou faz frio de noite”, comenta Jaqueline, estudante da primeira série do ensino fundamental.

A pressão para arranjar dinheiro faz com que a realidade dessas garotas seja tolerada pela família. Para conseguir R$ 30, é necessário vender três caixas inteiras de chiclete, o que exige muita sorte para um dia de trabalho. E, nesse ambiente social, é como se a exploração sexual não existisse sem a penetração. “Teve um dia em que o moço quis me dar R$ 5 para fazer sexo comigo, mas eu chamei o policial e disse que ia ser estuprada. O homem fugiu”, conta Paula, que não faz a denúncia quando é “só” tocada por alguém.

Além dos trocados, as meninas são exploradas em troca de pratos de comida, como canja de galinha, ou salgados vendidos nos quiosques da plataforma inferior da rodoviária. Entre os exploradores estão comerciantes da região, compradores de vale-transporte e passageiros do Distrito Federal e do Entorno.

Pista
Alimento e roupa também são moeda de troca na via que passa ao lado do Conic. Lá, as meninas são um pouco mais velhas, mas há pouco tempo era possível encontrar Flavinha, de 12 anos, que optou pelas ruas fugindo da miséria. Quando foi para a Pista, nome dado pelas garotas à prática de sexo por dinheiro ou por pequenos agrados, a menina não tinha nem beijado na boca de um namoradinho de escola. No entanto, fez sucesso com os fregueses — como as adolescentes chamam os exploradores. Depois de seis meses de exploração, ela voltou para casa, em Sobradinho.

Marcela, de 15 anos, também não precisa esperar muito pelos carros embaixo do viaduto. Pela pouca idade, provoca a cobiça dos que freqüentam a região em busca de sexo. Desde março, ela se prostitui para pagar o vício em drogas. Nos três dias em que foi vista pela reportagem, sempre a partir das 22h30, ela estava sempre com a mesma roupa. Moradora de rua, para escapar da violência doméstica, chega a sair com seis homens diferentes por noite. E, quando oferecem mais, faz sexo sem preservativo. “A gente sempre tem camisinha porque ganha dos assistentes sociais, mas os caras nem gostam de usar”, admite. Por ganha-se mais entenda-se um extra de R$ 2 ou R$ 5 no programa que rende, no máximo, R$ 15. Isso, quando recebem. “É comum levarem a gente para os matos perto do Lago Paranoá e deixarem a gente para trás sem dinheiro”, reclama Manuela, de 19 anos. Ela é explorada sexualmente desde os 16. “E a gente não pode reclamar porque apanha feio.” Entre os fregueses, taxistas, empresários e, de acordo com elas, até policiais.

Além da idade, chamam a atenção os trajes e a sujeira com que essas meninas vão para as ruas. Nem sempre há onde tomar banho e a pia do banheiro da rodoviária serve de quebra-galho. “Eles gostam assim suja mesmo, tia. Eles não ligam para nada”, analisa Marcela.

Imposto
A exploração sexual de crianças e adolescentes na região sempre foi combatida por traficantes, prostitutas e travestis. Uma menina na rua, além de dividir os tais fregueses, chama a atenção da polícia, dos assistentes sociais e da sociedade. Desde o início do ano, no entanto, uma parceria foi firmada entre os atores do submundo da rodoviária. Criou-se um imposto chamado Paga Pista. As adolescentes entregam 50% do programa aos travestis e prostitutas que estão há mais tempo na área. Com isso, o pouco dinheiro que recebem ainda é dividido. Na prática, elas são vitimizadas mais uma vez.

Pela localização, os prédios de escritório dos que pensam as políticas públicas para o país são a porta de entrada da exploração das meninas da rodoviária. Como se não bastasse, o estacionamento dos ministérios serve de motel numa mistura de economia e de segurança para os exploradores, já que é difícil entrar em um estabelecimento privado com menores de idade. “A gente fica dentro dos carros ou do lado de fora em cima do capô e é muito difícil aparecer alguém para dizer que não pode”, relata Manuela.

DISQUE 100
para fazer denúncia anônima ou buscar informações sobre abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes

*O nome de todas as personagens foi trocado em respeito à proteção dos direitos das crianças e adolescentes 

1 O terceiro viaduto de quem segue do Setor Hoteleiro Sul para a Esplanada é o principal ponto de aglomeração de adolescentes exploradas sexualmente. Elas ficam embaixo da ponte escura desde as 22h30 até o nascer do sol.

2 Quando o ponto não está bom, seja pela presença da polícia ou por problemas com os traficantes, as garotas caminham até a frente da agência dos Correios próxima ao Hotel Nacional.

3 Nos dois sinais do Eixo Monumental que dão acesso à Esplanada dos Ministérios, garotos com idade a partir de 13 anos pedem dinheiro. Entre um trocado e outro, são procurados por homens ou casais na madrugada, com promessas de dinheiro, comida ou roupas.

4 Os arredores da Rodoviária e o estacionamento do Conic também são pontos de exploração sexual de garotas e meninos que, muitas vezes, são vitimizados dentro dos carros

5 A presença de traficantes e olheiros é constante no centro do Plano Piloto. São homens jovens que ficam no estacionamento do Conic e também nas proximidades do Setor Bancário Sul

6 Crianças vendedoras de balas, chicletes e rosas acabam nas mãos de exploradores. Meninos e meninas são convencidos a fazer sexo oral ou se deixar tocar em troca de poucos reais. À noite, dormem embaixo da marquise cercados de lixo

7 Com a dificuldade de entrar em motéis com menores de idade, o estacionamento dos ministérios virou ponto de exploração de meninos e meninas 
 
Solução exige fim do ciclo de omissão de todos os responsáveis
 
 
Dupla de amigas na parte superior do terminal. Muitas chegam lá na sexta e só voltam para casa no domingo
 
 
Rita, de 9 anos, e Jaqueline, que acaba de completar 10, são exploradas em troca de R$ 3

O combate à exploração sexual de crianças e adolescentes na Rodoviária do Plano Piloto está longe de ser simples. A solução do problema, segundo especialistas ouvidos pelo Correio, deve envolver todos os segmentos da sociedade. Não adianta jogar a responsabilidade apenas na família ou no colo do Estado. O enfrentamento deve ser articulado. “Só com o apoio de todos vamos transformar esses cidadãos em protagonistas de seus futuros. A criança tem que saber que é vítima para criar perspectiva de mudança”, afirma Maria de Fátima Pereira Alberto, coordenadora do grupo de estudos sobre trabalho precoce da Universidade Federal da Paraíba.

Para Mário Volpi, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), são necessários quatro pilares para combater a violação de direitos. O primeiro passa pelo fortalecimento da família, com destaque para a geração de renda. Assim as crianças e adolescentes deixam de ir para as ruas. O segundo é o combate à impunidade, com responsabilização do agressor e identificação do aliciador. Em seguida, é hora de atuar com as vítimas, resgatando a auto-estima e superando traumas. Por fim, é fundamental trabalhar para fortalecer o sistema jurídico, com melhoria da estrutura dos conselhos tutelares, dos juizados e das varas da infância. “Não é admissível que exista exploração sexual de crianças em nenhum caso. Na capital do país é ainda pior. E, se isso simbolizar o fracasso das instituições que deveriam proteger as meninas e os meninos, é um choque”, comenta Volpi.

A professora Maria Lúcia Leal, da Universidade de Brasília, responsável pelo maior estudo já feito no país sobre o tema, vai mais longe: “O Distrito Federal tem um turismo de negócios que torna o enfrentamento mais difícil. Existem meninas exploradas à luz do dia por políticos e lobistas”. De acordo com ela, a sociedade do DF tem fracassado em dar uma resposta adequada a um dos maiores problemas envolvendo crianças e adolescentes em situação de rua. 

Por R$ 3, os moços mexem na gente.

Teve um dia em que o moço quis me dar R$ 5 para fazer sexo comigo, mas eu chamei o policial e disse que ia ser estuprada. O homem fugiu.

A gente sempre tem camisinha porque ganha dos assistentes sociais, mas os caras nem gostam de usar.

Eles gostam assim, suja mesmo, tia. Eles não ligam para nada.

É comum levarem a gente para os matos perto do Lago Paranoá e deixarem a gente para trás, sem dinheiro.  
 
Polícia age, mas elas acabam voltando
 
 
Visão rotineira: pequenas vendedoras de balas e chicletes

A polícia do Distrito Federal conhece a realidade das meninas exploradas na Rodoviária do Plano Piloto. No entanto, não dá sinais de que conseguirá acabar com o problema. “A gente tira as crianças e adolescentes das ruas, mas a estrutura para manter as meninas longe das drogas e das situações de risco nem sempre funciona como deveria. Elas acabam voltando”, admite Alexander Traback, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Ele explica que sem um resgate dos familiares, com geração de renda e injeção de auto-estima, é difícil combater o vício, a violência e a exploração.

De acordo com Traback, periodicamente é feito um levantamento das áreas críticas de violação do direito a partir de denúncias anônimas, reportagens e pesquisas feitas pela sociedade civil. “Com esse material, individualizamos o atendimento”, afirma. O trabalho é feito de forma conjunta pela DPCA, pela Delegacia de Entorpecentes, pela 5ª DP e por policiais militares que fazem ronda diariamente na região. Os casos são repassados aos conselhos tutelares, que encaminham as crianças a abrigos ou as levam de volta para casa. Poucos dias depois, contudo, elas estão de volta.

O delegado explica que todos os envolvidos no processo de vitimização das crianças e dos adolescentes podem ser enquadrados nas leis brasileiras. Na Constituição, que este ano completa 20 anos, o artigo 227 é o que protege os menores de 18 anos. Ele determina como dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Mas é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que mais explicita os direitos desses jovens cidadãos. São nove artigos, sendo que o 244º proíbe a submissão das crianças e adolescentes à prostituição ou à exploração sexual. O Código Penal tipifica esses crimes e estabelece as penalidades. É ele que indica que os crimes sexuais no Brasil podem resultar em reclusão de até 10 anos.

24-09-2008 | 10:13

Marcelo Rehder
O Estado de S. Paulo

A Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores (UGT) criticaram o comunicado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, desmentindo que o governo permitiria o uso do FGTS para compra de ações da Petrobrás. “A declaração é absurda e revela que o ministro é contra socializar o capital, contra a distribuição de renda e que os trabalhadores lucrem com as riquezas do País”, disse o presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).

Ele disse que vai convidar as demais centrais sindicais para uma reunião nos próximos dias para discutir o tema. “A intenção é levar a reivindicação de opção de compra das ações da estatal ao presidente Lula.” Para o presidente da UGT, Ricardo Patah, a medida representaria a maneira mais direta e transparente de o governo acessar os recursos do FGTS e repassar aos trabalhadores os ganhos obtidos. “Do contrário, os trabalhadores correm o risco de ter os recursos usados para financiar o pré-sal sem que participem dos eventuais lucros”.

O representante da Força no Conselho Curador do FGTS, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Mogi das Cruzes, Jair Francisco Mafra, ponderou que qualquer proposta de uso do dinheiro do FGTS tem de ser muito bem analisada.“Somos radicais em não abrir mão do uso do dinheiro do FGTS para o seu fim social, que é o financiamento de moradias e saneamento básico

23-09-2008 | 11:30