Vicente Nunes
Correio Braziliense

Terremoto financeiro internacional chega ao país e restringe o crédito, eleva os juros dos empréstimos, faz o Banco Central queimar reservas e derrete o valor de mercado das empresas com ações na Bovespa
 
O governo resistiu o quanto pôde em assumir que o estouro da bolha imobiliária americana teria reflexos negativos no Brasil. Mas, desde o início deste mês, quando a crise realmente mostrou sua face mais perversa, a realidade falou mais alto. A fatura que cabe ao país passou a ser emitida. E do Banco Central ao Ministério da Fazenda, do Congresso ao Palácio do Planalto, a discussão, agora, é sobre como minimizar os estragos na economia brasileira. “Não tem jeito. Por melhores que sejam os fundamentos econômicos, não há como o Brasil ficar imune ao vendaval financeiro que varre o mundo”, diz Ítalo Lombardi, analista para mercados emergentes da consultoria RGE Monitor.

Os efeitos da crise estão por todos os lados. A começar pelo crédito, que ficou mais escasso e caro. Na média, os consumidores que se dispuserem a comprar a prazo ou a tomar empréstimos vão arcar com as maiores taxas de juros desde o segundo semestre de 2006: 52,8% ao ano, em média. Operações que antes eram oferecidas sem restrições, como os empréstimos com desconto em folha, praticamente sumiram. No máximo, os bancos estão renovando os financiamentos e, mesmo assim, em prazos menores. “O consignado deixou de ser interessante para os bancos nesse cenário de juros mais altos”, afirma o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Também as empresas estão arcando com custos maiores nas linhas para capital de giro e para tocar a ampliação de fábricas — juros médios de 28,4% ao ano, os maiores em julho de 2006 —, uma vez que o crédito externo secou. Apenas nos primeiros 15 dias de setembro, R$ 2,1 bilhões deixaram de entrar no país. “O crédito é uma das alavancas do crescimento, pois estimula tanto o consumo das famílias quanto os investimentos produtivos. Ao ficar mais caro e com acesso mais difícil, vai prejudicar a expansão econômica do país”, explica Fernando Montero, economista-chefe da Corretora Convenção.

Por isso, muitos analistas prevêem um tombo no ritmo de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009. As estimativas apontam para incremento entre 2,5% e 3,5%, o que representa redução de até três pontos percentuais em relação ao resultado esperado para este ano, de 5% a 5,5%. “Que o Brasil vai crescer menos em 2009, não há dúvidas. E muito possivelmente menos de 3%”, ressalta o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes. A inevitável desaceleração da economia já foi, inclusive, devidamente comunicada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, conforme informou ontem o Correio.

Mais prejuízos
O governo também está dando sua cota de sacrifício. O BC já queimou US$ 1 bilhão das reservas internacionais para aliviar a vida de empresas e bancos, que ficaram sem crédito para financiar o comércio exterior. O BC teve ainda de enfrentar o sufoco de 23 bancos de menor porte, que se viram sem dinheiro em caixa para emprestar. A secura foi tamanha, que a instituição liberou R$ 13,2 bilhões em depósitos compulsórios que estavam sob a sua guarda. E mais: mesmo pagando juros mais altos, o Tesouro Nacional conseguiu refinanciar, em setembro, pouco mais da metade dos R$ 20,7 bilhões da dívida pública.

É no mercado financeiro que os efeitos da crise são mais evidentes. O valor das empresas com ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encolheu R$ 617,8 bilhões. Corretoras e fundos de investimentos tiveram dificuldades para honrar compromissos no pregão paulista. Grandes exportadoras, como a Sadia e a Aracruz Celulose, perderam mais de R$ 1 bilhão, ao serem surpreendidas com a disparada do dólar frente ao real. “Infelizmente, ainda vamos ver muito sofrimento no mercado”, ressalta Alexandre Marques Filho, analista da Elite Corretora.

29-09-2008 | 10:30

Jailton de Carvalho
O Globo

Pedido de bloqueio de recursos do caso, que envolve Daniel Dantas, foi feito por MP federal

A Justiça britânica bloqueou ontem US$46 milhões de depósitos a pedido do Ministério Público Federal de São Paulo dentro das investigações da Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, em julho.

A Justiça britânica bloqueou ontem US$46 milhões de pelo menos um dos alvos da Operação Satiagraha, investigação da Polícia Federal (PF) sobre supostos crimes financeiros do banqueiro Daniel Dantas. O bloqueio foi solicitado pelo Ministério Público Federal de São Paulo, que investiga o caso com a PF. O Ministério da Justiça, responsável por intermediar o pedido entre investigadores brasileiros e a Justiça britânica, informou que o dinheiro está "relacionado à Operação Satiagraha".

A partir da Satiagraha, a PF investiga o suposto envolvimento do Opportunity, de Dantas, na simulação de investimentos estrangeiros no país. A polícia suspeita que brasileiros faziam remessas ilegais para o exterior e depois reaplicavam o dinheiro no país como estrangeiros. Com a manobra, o dinheiro remetido a outros países sem o pagamento de imposto retornava ao Brasil com vantagens concedidas ao capital estrangeiro. Entre estas vantagens estão descontos especiais em impostos.

O advogado Nélio Machado, de Dantas, disse que desconhece a informação divulgada pelo governo. Segundo ele, as aplicações do Opportunity estão de acordo com as normas legais. Ele criticou ainda a dificuldade da defesa de obter informações sobre o caso.

A polícia também investiga o suposto envolvimento de Dantas na tentativa de suborno do delegado Victor Hugo Rodrigues Ferreira, que participava da Satiagraha. Dois supostos emissários de Dantas teriam oferecido US$1 milhão ao delegado para a PF retirar o nome do banqueiro e de familiares das investigações. O encontro em que os dois emissários antecipam parte da propina foi filmado pela equipe do ex-chefe da Satiagraha, Protógenes Queiroz.

26-09-2008 | 12:09

Denise Madueño
O Estado de S. Paulo

Mesmo em recesso, candidatos gastam recursos que só podem custear atividades do mandato

O recesso branco interrompeu as votações, deixou os plenários da Câmara e do Senado praticamente vazios e paralisou os trabalhos nas comissões das Casas, mas não impediu que parlamentares candidatos a prefeito continuassem usando a chamada verba indenizatória. Levantamento feito pelo Estado no registro dos gastos dos 34 parlamentares - 31 deputados e 3 senadores, de 14 partidos - que concorrem a prefeituras de capitais mostra que, de julho, mês em que as candidaturas foram oficializadas, até agora, eles gastaram R$ 618.757,65 da verba indenizatória.

Quase a metade desse valor (46,76%) foi despesa com combustíveis e lubrificantes, locomoção, hospedagem e alimentação, em um total de R$ 289.331,26. A Câmara e o Senado não têm condições de aferir se a gasolina paga pelo Legislativo, por exemplo, foi usada para deslocamento em compromisso do mandato ou de campanha. Desde agosto, a Câmara e o Senado estabeleceram períodos de recesso branco, sem marcar votações e sem exigir presença em Brasília, para permitir que os congressistas, incluindo os que não disputam eleição, possam se dedicar às campanhas eleitorais.

Mesmo em período de campanha ostensiva, cada deputado e cada senador têm direito a R$ 15 mil por mês para pagar despesas relativas ao exercício da atividade parlamentar em seus Estados. Além de locomoção, gasolina, alimentação e hospedagem, o dinheiro pode ser usado para contratação de consultorias, pesquisas, trabalhos técnicos, aluguel e despesas de escritório político. Na Câmara, o ressarcimento com combustíveis foi limitado a R$ 4.500 por mês.

A legislação interna que trata da verba indenizatória proíbe expressamente “gastos com propaganda eleitoral de qualquer espécie”. Não é permitido também o uso dos recursos para divulgação de atividade parlamentar no período de 180 dias anteriores à data de eleições. A regulamentação permite, no entanto, que o saldo da verba que não for gasta, exceto com combustíveis, acumule para o mês seguinte, dentro de cada semestre, e o parlamentar tem seis meses para apresentar os comprovantes da despesa. No entanto, como regra, os parlamentares aceleram a prestação de contas para mais rápido receber a indenização.

O registro dos gastos, divulgado pelas páginas da Câmara e do Senado na internet, mostra que poucos tiveram o cuidado de evitar despesas de distinção nebulosa. A deputada Luciana Genro (PSOL-RS), candidata à Prefeitura de Porto Alegre, é uma das exceções. Não registrou nenhum gasto de julho até agora. “Suspendi (uso da verba indenizatória) nos gastos que poderiam ensejar suspeita de uso de dinheiro público na campanha”, explicou.

Waldir Maranhão (PP-MA), candidato à Prefeitura de São Luís, registrou gastos de R$ 45 mil nestes três meses. Foi o que mais gastou. No item de despesas com combustíveis, locomoção, hospedagem e alimentação, ficou em terceiro lugar, com R$ 25.500. E usou boa parte da verba contratando consultoria.

Registraram mais despesas do que Maranhão no item de combustíveis, locomoção, hospedagem e alimentação Pedro Fernandes (PTB-MA) - seu adversário na disputa em São Luís -, com R$ 42.671,61, e Maria do Rosário (PT-RS), candidata à Prefeitura de Porto Alegre, com R$ 25.593. A assessoria de Maria do Rosário informou que os gastos se referem ao trabalho desenvolvido no interior do Estado, principalmente, por assessores.

26-09-2008 | 12:02

DENISE MENCHEN
Folha de S. Paulo

Taxa cai a 7,6%, a segunda menor da série histórica; queda da inflação e aumento da formalização elevam renda, diz IBGE

Instituto estima que, se os efeitos da crise não se agravarem, taxa de desemprego deve encerrar ano no menor nível histórico

A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país caiu para 7,6% em agosto, ante 8,1% em julho. O resultado é o segundo melhor da série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia), iniciada em 2002.
Para o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego, Cimar Azeredo, o bom desempenho indica que o mercado de trabalho ainda não foi afetado pela crise internacional e pelo aumento da taxa básica de juros da economia brasileira. O resultado de agosto só não foi melhor do que os 7,4% registrados em dezembro de 2007, mês tradicionalmente bom para o emprego.
Azeredo prevê que, se os efeitos da crise não se agravarem, a taxa de desemprego deve fechar o ano em seu menor patamar histórico. A média de janeiro a agosto deste ano, de 8,2%, já está 1,6 ponto percentual abaixo da verificada no mesmo período do ano passado, de 9,8%. "Só uma crise muito forte pode reverter essa tendência", afirma.
A taxa média de ocupação entre janeiro e agosto, de 52,2% da população em idade ativa (pessoas com idade igual ou superior a dez anos), também é superior à do mesmo período do ano passado, de 51,2%.
Segundo o levantamento realizado pelo IBGE, em um ano foram criados 771 mil novos postos de trabalho nas cidades pesquisadas.
Entre os meses julho a agosto deste ano, o acréscimo foi de 152 mil. O número de pessoas ocupadas subiu para 21,820 milhões, enquanto o contingente de desempregados caiu para 1,791 milhão.
Azeredo destaca também que houve um movimento em direção à formalização, que fica clara na comparação com os dados do ano anterior.
"Enquanto a população ocupada cresceu 3,7% em relação a agosto de 2007, o número de postos com carteira assinada no setor privado subiu 5,8%", afirma. Com o aumento, o total de empregados formais na iniciativa privada já era de 9,55 milhões em agosto- o equivalente a 43,8% da população ocupada nas capitais que foram pesquisadas.
Segundo o IBGE, a maior parte das novas vagas surgiu na indústria e em prestadores de serviços para empresas.
"A terceirização tem se mostrado uma porta de entrada para o emprego formal", disse Azeredo. Ele destacou também a maior fiscalização como um dos motivos para o aumento do número de empregados registrados.

Renda sobe com menos
Aliada à desaceleração da inflação, a formalização contribuiu para que a renda real média do trabalhador chegasse a R$ 1.253,70 em agosto (alta de 2,1% em relação ao mês anterior e de 5,7% em relação a agosto de 2008).
A alta, porém, não ficou restrita apenas àqueles com carteira assinada. Funcionários públicos, empregados sem carteira e trabalhadores por conta própria também foram beneficiados. Mesmo assim, a renda ainda está 2,5% abaixo da verificada em agosto de 2002, melhor ano da série histórica nesse quesito.

Dado negativo
Outro dado negativo da pesquisa, segundo Azeredo, é que as diferenças regionais continuam fortes. Enquanto em Porto Alegre a taxa de desemprego foi de 5,3% em agosto, em Salvador ela estava em 11,6%. São Paulo (8%) e Recife (8,3%) também apresentaram resultados acima da média nacional. Em todas as capitais, porém, houve queda na comparação com o mês anterior e com agosto de 2007.

26-09-2008 | 12:00

Folha de S. Paulo

NORDESTE

Em nota divulgada ontem, um dia após a Folha ter revelado o uso do Bolsa Família como nova modalidade de cabresto eleitoral, o Ministério do Desenvolvimento Social pediu "cuidado" aos gestores municipais e afirmou que "repudia qualquer uso eleitoral" do principal programa de transferência de renda do governo.
"Tentativas de troca de votos com promessas de inscrição da família no Cadastro Único ou pressões para votações em determinados candidatos para não perderem o benefício configuram crime eleitoral", declara, em nota, o ministério.
"É preciso zelar para que também durante as eleições municipais o Programa Bolsa Família seja preservado e se destine única e exclusivamente à proteção das famílias mais pobres e vulneráveis", completa o texto.
Matéria de anteontem da Folha revelou que candidatos a prefeito e a vereador de cidades nordestinas têm usado o Bolsa Família de duas maneiras. Eles oferecem um cartão de beneficiário aos eleitores em troca do voto e também ameaçam -as pessoas só permaneceriam no programa se determinado político fosse eleito.
A base de dados para a seleção dos beneficiários é controlada pelos municípios. Nas últimas três semanas, a Folha encontrou casos de uso eleitoral do Bolsa Família no interior do Ceará e do Piauí e ouviu denúncias informais no Rio Grande do Norte, na Paraíba e na Bahia.
Para o Ministério do Desenvolvimento Social, "a inclusão no programa é um direito de todas as famílias que atendem ao critério do programa, independente da filiação partidária do prefeito". A pasta tem orientado as famílias a encaminharem as denúncias ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral.

26-09-2008 | 11:59

Na rodada de negociação realizada com o Comando Nacional dos Bancários, na última quarta-feira (24), a Fenaban apresentou a proposta de reajuste de 7,5% - para uma inflação de 7,15% medida pelo INPC – sobre os salários e sobre todas as verbas salariais, inclusive a PLR.

 

O Comando rejeitou a proposta no ato da apresentação, por considerá-la muito abaixo das expectativas da categoria. E orienta os sindicatos a realizarem assembléias, até a próxima segunda-feira (29), para rejeitar a proposta e aprovar greve de 24 horas no dia 30.

 

Os representantes dos bancários reiteraram a necessidade de ampliação do aumento real, da valorização dos pisos salariais, da melhoria do vale-alimentação e de aumento e simplificação da PLR.

 

Eles disseram ainda que a proposta é inferior ao acordo do ano passado e insistiram para que os negociadores dos banqueiros apresentassem uma nova proposta para que pudesse ser submetida às assembléias da categoria. Mas não houve avanço.

 

Contec

A proposta da Fenaban também foi rejeitada pela Contec. Durante toda a reunião de negociação com os banqueiros, a Confederação insistiu que fosse melhorada a oferta para os 16% pleiteados pela categoria.

 

A Contec orienta que a mobilização seja intensificada com atividades de protesto e manifestações, e reitera a convocação das assembléias, com indicativo de paralisação por 24h na próxima terça-feira.

 

Banco do Brasil

Na primeira rodada de negociações das reivindicações específicas do funcionalismo do Banco do Brasil, realizada na última terça-feira (23), em São Paulo, o Comando Nacional (Contraf-CUT) e a direção da empresa começaram a discutir a renovação das cláusulas do acordo do ano passado.

 

Os representantes dos funcionários querem melhorar algumas cláusulas, inclusive as que envolvem isonomia entre novos e antigos, como ausências legais e PAS.

 

As negociações prosseguiram, na última quarta-feira (24), com a continuação da discussão desses temas e das cláusulas referentes à saúde, inclusive o Plano Odontológico da Cassi e a VCP/LER.

 

O Comando Nacional, assessorado pela Comissão de Empresa dos Funcionários, da Contraf-CUT, voltou a insistir na abertura de negociação sobre o PCCS, inclusive o pagamento por substituição de função, mas o banco reiterou que esse assunto não está em discussão.

 

Os dirigentes sindicais reivindicaram também a correção do piso salarial no BB. Os negociadores do banco disseram que para discutir assuntos econômicos preferem aguardar o posicionamento da Fenaban, pois é nesta mesa negocial onde estão sendo discutidas as questões relativas a salário. A Fenaban se comprometeu a fazer uma proposta dos temas econômicos na rodada de negociação realizada na última quarta.

(Com Contraf-CUT)

26-09-2008 | 11:55

Radiobrás

A arrecadação dos tributos federais fechou os primeiros oito meses do ano com recorde. Segundo números divulgados, nesta quinta-feira (25), pela Receita Federal, foram arrecadados R$ 451,975 bilhões, montante 10,33% maior que o acumulado no mesmo período do ano passado.

 

Somente em agosto, o Governo Federal arrecadou R$ 53,93 bilhões. O valor é o maior já registrado para o mês, representando alta de 4,26%, na comparação com agosto de 2007. As variações são corrigidas pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do Governo.

 

A arrecadação de agosto superou a expectativa de receita anual do Governo com a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), que era de R$ 40 bilhões, antes de a proposta de emenda à Constituição ser derrotada no Senado, em 13 de dezembro de 2007.

 

Apesar da alta, o crescimento da arrecadação desacelerou no último mês. Até julho, a alta das receitas tinha sido de 11,2%, descontado o IPCA.

 

Segundo a Receita, o aumento da arrecadação foi provocado, principalmente, pelo crescimento da economia, que impulsionou as vendas, a produção industrial, os lucros das empresas e a massa salarial.

 

Os tributos que registraram maior crescimento de janeiro a agosto foram o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com alta real - descontado o IPCA - de 151,72%. No início do ano, o Governo elevou as alíquotas do IOF sobre operações de crédito para compensar o fim da CPMF.

 

A receita da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) registrou a segunda maior elevação: 28,21%. De acordo com a Receita, esse aumento foi provocado pela elevação da alíquota de 9% para 15% da CSLL das instituições financeiras e pelos lucros maiores das demais empresas registrados neste ano, o que elevou a arrecadação do tributo.

 

Na contramão das receitas recordes, a arrecadação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) registrou queda de 20,44% no acumulado do ano. Essa baixa, avalia a Receita, corresponde à desoneração da Cide para a gasolina e o diesel, anunciada em maio, para impedir que o aumento do preço dos combustíveis nas refinarias fossem repassados aos consumidores.

26-09-2008 | 11:53

Valor Econômico

A indústria global de biocombustíveis poderá gerar até 12 milhões de empregos até 2030, dependendo de como a questão de produção de etanol for resolvida no futuro. A previsão é de um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Agência da ONU para o Meio-Ambiente sobre a emergência da "economia verde". 

Hoje, Brasil e EUA, que fazem 95% da produção de etanol do mundo, empregam no setor 500 mil e 200 mil pessoas, respectivamente. O relatório ressalva que, em relação ao desenvolvimento de biocombustíveis, restam muitas questões a serem resolvidas, que vão de fato determinar a quantidade de empregos, como também sua qualidade, impacto sobre a vida rural e as economias. 

O estudo afirma que atualmente no Brasil uma grande parte trabalha nos canaviais em pobres condições de trabalho, com pouca higiene e nutrição, e aponta até violência por guardas de plantão contra os trabalhadores. 

Os chamados "empregos ecológicos" reduzem o impacto ambiental das empresas e do setor econômico a níveis sustentáveis. Um setor em destaque é o da energia renovável. O crescimento tem sido enorme, com investimentos alcançando US$ 66 bilhões no ano passado, o equivalente a 18% de todas as inversões em energia. A estimativa é de que o montante atingirá US$ 343 bilhões em 2020, e quase duplicando de novo para US$ 630 bilhões dez anos depois. 

É nesse cenário que o emprego na indústria de biocombustível aumenta. O mesmo ocorreria com a criação de 2,1 milhões de postos de trabalho no setor da energia eólica, comparado a 300 mil atualmente. E 6,3 milhões no setor de energia solar, comparado a 170 mil hoje. (AM) 

25-09-2008 | 11:28

Liana Melo
O Globo

Dos jovens negros de 21 anos, 8,4% estão nas universidades; entre brancos, taxa é 24,4%

Mesmo com a adoção de políticas públicas e ações afirmativas para os negros em mais de 60 universidades, aumentou a desigualdade entre negros e brancos no acesso ao ensino superior. Se no Brasil 9% dos jovens têm terceiro grau completo, entre brancos a taxa sobe para 13,4%, mas cai para 4% entre pretos e pardos. Houve uma melhora em relação a 1997, quando o percentual de pretos e pardos com diplomas era de 2,2%, e entre os brancos era de 9,6%. No entanto, o IBGE alerta que houve apenas uma melhora isolada em cada um dos grupos, mas não uma redução da desigualdade. Em 1997, o hiato entre brancos e negros era de 7,4 pontos percentuais, mas, dez anos depois, passou para 9,4.

Dos jovens de 21 anos, apenas 8,4% dos pretos e pardos estavam no ensino superior em 2007; entre a população branca, a taxa era de 24,4%.

- Se a cor ou a raça não é elemento estruturante de apropriação de bens e riqueza, deveríamos ter a metade de brancos e de pretos e pardos nas universidades - diz José Luiz Petrucelli, do IBGE.

Branco tem salário até 40% maior que negro

O efeito racial também está presente no rendimento-hora dos trabalhadores. Comparando pessoas com a mesma escolaridade (12 anos ou mais de estudos), os brancos recebem até 40% mais do que os pretos e pardos. Para o economista Marcelo Paixão, coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), a diferença salarial desestimula os jovens pretos e pardos a continuarem estudando:

- Porque os indicadores educacionais não crescem, o ciclo da pobreza se reproduz indefinidamente no país.

Na apropriação da renda, a desigualdade racial se mantém. Somente 12% de negros e pardos estão entre os 1% mais ricos, enquanto os brancos são maioria absoluta: 86,3%. Já entre os 10% mais pobres, os negros e pardos representam 73,9% contra os 25,5% do brancos.

25-09-2008 | 11:25

Ricardo Leopoldo
O Estado de S. Paulo

Taxa ficou em 14,5%, segundo o Dieese, com 2,911 milhões de pessoas sem ocupação

O desemprego nas seis regiões metropolitanas do País atingiu 14,5% em agosto, a menor marca para este mês de toda a série, iniciada em 1998, de acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada pela Fundação Seade/Dieese. A pesquisa foi realizada nas regiões de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal. O total de desempregados foi estimado em 2,911 milhões de pessoas. O nível de ocupação subiu 0,5% em relação a julho, e aumentou 5,4%, em comparação a agosto de 2007.

O rendimento médio real dos ocupados nas seis regiões caiu 0,5% em julho, ante junho, e passou a R$ 1.156. Em relação a julho de 2007, houve alta de 4,1%. A massa de rendimento dos ocupados registrou ligeira elevação de 0,2% em julho e subiu 9,1% ante julho de 2007.O desemprego na região metropolitana de São Paulo atingiu 14% em agosto, taxa um pouco inferior ao nível de 14,1% registrado em julho. Foi a menor marca para o mês desde os 12,9% apurados em agosto de 1995. O total de desempregados atingiu 1,476 milhão de pessoas na região.

De acordo com a PED, o rendimento médio real dos ocupados em São Paulo caiu 1,8% em julho ante junho, de R$ 1.215 para R$ 1.193. Ao comparar o resultado com o rendimento de R$ 1.169 em julho do ano passado, o rendimento médio subiu 2,1%.

A massa de rendimento dos ocupados (resultado da multiplicação do valor dos rendimentos e nível de ocupação) caiu 1,7% em relação a junho. Em comparação a julho de 2007, subiu 6,3%. O nível de ocupação registrou pequena alta de 0,1% em agosto, na comparação com julho. Em relação a agosto do ano passado, subiu 4,5%.

O movimento de aumento dos juros adotado pelo Banco Central (BC) desde abril e o forte agravamento da crise financeira internacional lançam dúvidas sobre a criação de postos de trabalho e a evolução dos rendimentos reais dos trabalhadores no Brasil para o médio prazo. Contudo, a evolução robusta da economia nacional, que registrou crescimento de 6,1% no segundo trimestre ante igual período do ano passado, deve sustentar o vigor da criação de postos de trabalho até o fim do ano. Essa é a avaliação dos coordenadores da PED, Alexandre Loloian e Patricia Lino Costa.

Segundo Loloian, é muito difícil estabelecer uma tendência da evolução do emprego apurada pela pesquisa em razão do alto nível de incertezas que marcam o cenário financeiro global. "Mas o nível de atividade no Brasil está vigoroso, como vimos nos resultados do PIB no segundo trimestre, e provavelmente deve manter um nível robusto até o fim do ano", comentou.Em agosto, o destaque na criação de postos de trabalho na região metropolitana de São Paulo foi o setor de serviços, que gerou 48 mil empregos. No mês passado, esse número ficou negativo em 8 mil vagas na indústria, 8 mil no comércio e 26 mil em outros serviços, que inclui construção civil e serviços domésticos.

25-09-2008 | 11:23