Folha de S. Paulo

TRABALHO

A Polícia Federal prendeu ontem cinco pessoas, segundo a Folha apurou, e apreendeu R$ 100 mil em dinheiro na casa de um auditor fiscal do Trabalho durante operação feita na capital, Bauru, Santos e Santo André para combater fraudes trabalhistas.
Participaram da ação 90 policiais que cumpriram 16 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão. Segundo o Ministério do Trabalho, as investigações começaram em 2005, quando recebeu denúncias de servidores que atuavam de forma irregular. A PF não divulgou nomes. Informou que os servidores envolvidos "são antigos" e que escritórios contábeis e de advocacia intermediavam o pagamento de propina a auditores para que beneficiassem empresários. Faziam homologação sem a presença do empregado.

30-09-2008 | 10:50

CLAUDIA ROLLI
Folha de S. Paulo

Categoria rejeita reajuste de 7,5% e quer aumento real

Os bancários de São Paulo e de outros 11 Estados decidiram fazer paralisação por 24 horas a partir de hoje para reivindicar reajuste salarial maior do que o apresentado pela federação dos bancos. Em Brasília (DF) e na cidade do Rio de Janeiro (RJ), a greve foi aprovada por tempo indeterminado.
No país, são 434 mil bancários em campanha salarial -sendo que 120 mil trabalham em São Paulo, Osasco e região.
A maior parte das paralisações previstas para hoje foi decidida ontem à noite em assembléias realizadas por vários sindicatos espalhados pelo país.
Na capital paulista, os cerca de 1.300 funcionários que foram à assembléia na quadra dos bancários definiram que, se até o dia 8 de outubro não houver acordo salarial, a categoria pára por tempo indeterminado.
O comando nacional dos bancários, que representa a categoria nas negociações salariais, rejeitou o reajuste de 7,5% oferecido pelos bancos para os salários, pisos salariais e demais verbas trabalhistas -como vale-refeição, alimentação e auxílio-creche.
O percentual é considerado insuficiente pela categoria porque serviria apenas para repor a inflação acumulada de 7,15% (medida pelo INPC do IBGE) no período de setembro de 2007 a agosto deste ano e não contemplaria aumento real.
Os funcionários dos bancos pedem 5% de aumento real, vale-alimentação e auxílio-creche de R$ 415; e vale-refeição de R$ 17,50 por dia.
Na capital paulista, a paralisação deve começar hoje nas agências bancárias da região central da capital e se estender para as demais zonas da cidade.
"Os banqueiros, que tiveram bons resultados em lucro, rentabilidade e ativos, se recusam a retribuir aos bancários na mesma proporção que o trabalho empenhado", diz Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (CUT).

Paralisação nacional
Também decidiram parar por 24 horas os bancários de Curitiba (PR), Campina Grande e região (PB), Recife (PE), Piauí, Divinópolis (MG), Belo Horizonte (MG), Teresópolis (RJ), Santo Ângelo, Camaquã e Porto Alegre (RS), Rondônia, Acre, Dourados (MS), Juiz de Fora (MG), Vitória da Conquista, Jequié e região (BA), Campo Mourão (PR), Erexim e Santa Maria (RS) e Paraíba (PB).
"Os bancários exigem a reabertura das negociações com apresentação, por parte dos bancos, de proposta que contemple aumento real de salários, PLR [participação nos lucros e resultados] maior, valorização dos pisos e uma política de plano de cargos e salários", diz Marcolino.
Os bancos querem pagar 80% do salário, mais um valor fixo de R$ 943,85 (que já inclui os 7,5% de reajuste). Os bancários pedem PLR de três salários e mais R$ 3.500 fixos.
Os serviços de auto-atendimento das agências bancárias vai funcionar normalmente, segundo o sindicato, para reduzir os transtornos aos clientes.
A Folha não localizou representantes da federação dos bancos ontem à noite para comentar a paralisação.

30-09-2008 | 10:47

THIAGO REIS
Folha de S. Paulo

O grupo móvel da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Pará libertou ontem 150 pessoas, entre elas 30 crianças, de uma indústria de processamento de cacau em Placas (1.127 km de Belém).
Todas as crianças estão doentes, com leishmaniose -enfermidade transmitida por um mosquito e que deixa lesões na pele. Uma ficou cega em um acidente de trabalho, ao cair com o rosto em um toco de árvore. Elas têm de 4 a 17 anos.
O resgate, que teve início há dez dias, ainda não foi concluído porque o local é de difícil acesso.
De acordo com o chefe da fiscalização, José Ribamar da Cruz, o grupo vivia em péssimas condições de habitação, alimentação e higiene e estava impedido de deixar o local em razão de dívidas contraídas, o que caracteriza situação análoga à escravidão. O dono da empresa, de 80 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Federal. A Folha não conseguiu entrar em contato com o advogado dele.

30-09-2008 | 10:46

Folha de S. Paulo

Minc atribui crescimento a dificuldades em combater problema na campanha eleitoral

Aumento é registrado entre julho e agosto deste ano; no entanto, o ritmo triplica se for feita a comparação com agosto do ano passado

"Péssimo", resumiu o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) ao comentar os novos números do desmatamento na Amazônia registrados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Em agosto, a floresta perdeu o equivalente a pouco mais da metade da cidade de São Paulo: 756,7 km2.
Os números mostram recrudescimento no abate de árvores depois de uma queda registrada no mês anterior, segundo o Deter, sistema que capta o desmatamento em tempo real. Em agosto, as motosserras cortaram mais que o dobro (133%) das árvores cortadas em julho. Em comparação com agosto de 2007, o ritmo triplicou.
Avisado com antecedência sobre queimadas e cortes de árvores registrados pelos satélites, Minc já vinha se antecipando em apontar sinais de cansaço da operação de combate ao desmatamento e as dificuldades em combater o problema no período eleitoral.
"Nenhum prefeito quer ser antipático [em período eleitoral]. A turma do Ibama vai para frente, mas tem que ter uma Polícia Militar para dar cobertura", disse pela manhã, no Rio.
"Foi um dado péssimo e nossa função é correr atrás do prejuízo", afirmou depois, em Brasília. Também teriam contribuído, disse o ministro, o aumento da atividade agropecuária, sobretudo no Pará, e a expectativa de regularização fundiária em terras públicas.
Minc apontou ainda a existência de um mercado irregular de autorizações de cortes de árvores, movimentado a partir de planos de manejo "fajutos". "Na prática, os Estados licenciaram planos altamente duvidosos. É a ecopicaretagem", disse, anunciando esforço para controlar autorizações de corte nos três Estados que mais desmatam a Amazônia: Pará, Mato Grosso e Rondônia.
Em agosto, os satélites registraram mais áreas de desmatamento no Pará, apesar de as nuvens terem encoberto 24% da área total do Estado.
Entre as medidas reiteradas por Minc para tentar frear o abate da floresta está a criação de uma força federal para combater crimes ambientais, com 3.000 novos agentes, a serem contratados por concurso público, sem data marcada. Esses agentes vão se somar aos cerca de 1.500 fiscais do Ibama e do Instituto Chico Mendes.

30-09-2008 | 10:37

Gustavo Krieger e Lucio Vaz
Correio Braziliense

Pesquisa aponta: os brasileiros esperam que prefeitos dêem prioridade à criação de postos de trabalho e exigem honestidade dos candidatos


A prioridade dos prefeitos eleitos no próximo domingo deve ser a geração de empregos. Essa é a conclusão da pesquisa feita ontem pelo Ibope para a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os entrevistados elencaram duas áreas de atuação que consideram fundamentais para quem vencer as eleições municipais. O emprego foi apontado em primeiro lugar por 35% e em segundo por outros 10%. Logo depois, apareceu a saúde. Ela é a principal preocupação de 23% dos pesquisados e foi a segunda resposta de outros 25%.

O Ibope também pediu aos entrevistados que apontassem as duas principais qualidades que buscam nos candidatos. Em primeiro lugar, veio a honestidade, mencionada por 56%. Depois vieram competência, conhecimento dos problemas do município, experiência e fidelidade às promessas de campanha.

Outra conclusão da pesquisa foi que o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pesa menos do se imagina. Chamados a apontar dois fatores que pesaram a decisão do voto, apenas 8% mencionaram Lula e 6% falaram do governador de seu estado. O item mais citado, mencionado por 54%, foram as propostas dos candidatos.

Reeleição
O troca-troca de partido, os gastos de campanha e o volume de investimentos públicos tiveram pouca influência na reeleição dos
prefeitos em 2000 e 2004. Os fatores que mais influenciaram os resultados eleitorais foram o grau de instrução, a idade dos prefeitos candidatos e o resultado social dos gastos públicos. Esses dados foram revelados por estudo realizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) com base em comparações entre grupos de prefeitos reeleitos e não-reeleitos.

A média de gastos dos prefeitos reeleitos em 2004 foi de R$ 193 mil, contra R$ 198 mil dos não-reeleitos. O estudo revelou que o grupo vitorioso teve um percentual de troca de partido menor nos dois pleitos, mas a variação é pouco significativa. Entre os reeleitos, 27,8% trocaram de partido em 2000 e 29,9% em 2004. No grupo que foi derrotado, o percentual de troca foi de 30,5% e 32% em 2000 e 2004, respectivamente.

No troca-troca partidário, as legendas que mais receberam candidatos em 2002 foram o PFL (257) e o PSDB (240). Em 2004, esses partidos mantiveram as primeiras posições — PFL com 93 e PSDB com 160. Na maioria dos casos, segundo o estudo, os prefeitos trocaram de partido para estar no mesmo partido do governador do estado, o que não garantiu uma melhor posição quanto à sua reeleição. Dos prefeitos reeleitos em 2004, 34% eram do partido do governo estadual. Entre os que tentaram e não conseguiram a reeleição, 26% não pertenciam ao mesmo partido do governador. A influência do governo federal é pouco significativa — 5% dos reeleitos eram do partido do presidente em 2004, enquanto 4,5% dos não-reeleitos eram desse partido.

Aprovação de Lula ainda maior

A pesquisa CNI/Ibope confirmou o crescimento da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A forma como ele governa o país foi aprovada por 80% dos entrevistados, oito pontos a mais que o registrado na pesquisa anterior, de junho. A desaprovação caiu sete pontos e hoje é de 17%. A melhoria da imagem do governo coincide com uma visão mais otimista dos brasileiros em relação ao país e à economia, apesar do repique da inflação e da crise financeira internacional.

O Ibope usa vários indicadores para avaliar Lula e sua administração. Os índices aumentaram em todos. A confiança no presidente subiu cinco pontos e chegou a 73%, o mais alto patamar dos últimos cinco anos. A avaliação do governo também melhorou. Para 69% dos entrevistados, ele é bom ou ótimo. Esse percentual é o maior desde a posse de Lula e subiu 11 pontos em relação à pesquisa anterior. Para 23%, a administração federal é regular. Apenas 8% a consideram ruim ou péssima.

Sustentação
O Nordeste continua a ser a principal base de sustentação para Lula. A aprovação dele chega a 92% na região. Mas ele ganhou terreno mesmo em locais onde enfrentava grande resistência. No Sul, a aprovação chegou a 77%. A popularidade do presidente é maior entre os brasileiros com renda familiar até dois salários mínimos e com o ensino fundamental. Mas em nenhuma faixa ele ficou abaixo dos 50% de aprovação.

A pesquisa mostra os brasileiros otimistas. Para 84%, o ano de 2008 foi bom ou muito bom. A expectativa para os próximos seis meses também melhorou em relação à medida em junho, mesmo em áreas que provocam maior preocupação, como a economia. O contingente de brasileiros que espera aumento na inflação baixou de 65% para 55%. Por outro lado, 40% espera ter um aumento na renda pessoal ao longo do semestre, enquanto 42% acham que nada vai mudar e apenas 9% temem ficar com menos dinheiro no bolso.

As principais áreas do governo continuam bem avaliadas. As políticas de combate à pobreza têm aprovação de 67% e o combate ao desemprego, de 60%. Ao contrário do registrado na pesquisa anterior, a maioria (52%) dos entrevistados concorda com as estratégias de combate à inflação. Os problemas continuam a ser a política de juros, condenada por 55%, e a de impostos, rejeitada por 59%.

30-09-2008 | 10:27

Ricardo Miranda
Correio Braziliense

O presidente Lula anunciou uma “revolução” dos livros ao assinar o decreto que estabelece o cronograma das mudanças na ortografia a partir de 2009. O governo pretende construir uma biblioteca pública em cada município até 2010. Novas regras de português acabam com o trema e com o uso de alguns acentos.
 
LÍNGUA PORTUGUESA

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva promete que, até 2010, todos os municípios brasileiros terão uma biblioteca pública. Acordo que unifica a ortografia em oito países é assinado e passa a valer em 2009


 
Rio de Janeiro — Entre pompa e fardões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, durante sessão solene da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Centro do Rio, que homenageou o centenário da morte de Machado de Assis e promulgou o Acordo Ortográfico dos Países de Língua Portuguesa, que fará uma “revolução” dos livros no Brasil até o fim de seu segundo mandato. Lembrando o passado pobre e proletário de Machado de Assis, Lula arrancou aplausos dos imortais e convidados reunidos no Salão Nobre do Petit Trianon ao citar o maior escritor brasileiro: “Palavra puxa palavra. Uma idéia traz outra. E assim se faz um livro, um governo ou uma revolução”. E emendou: “Façamos juntos a revolução do livro e da leitura em nosso país”.

Lula prometeu que, até 2010, todos os 5,5 mil municípios brasileiros terão pelo menos uma biblioteca pública. O presidente, que só tem o diploma primário e o curso de torneiro mecânico do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), fez sua terceira visita à casa que representa o saber nacional — a primeira ocorreu no velório do jurista Raymundo Faoro e a outra há exatamente um ano, na comemoração dos 110 anos da ABL. Era, segundo ele, uma demonstração da importância que dá à educação. “A Academia encarna a gratidão do país a todos aqueles que alimentam a inteligência nacional”, disse Lula.

“Com sua agenda tão cheia, sabemos que foi um grande esforço”, reconheceu o presidente da ABL, Cícero Sandroni, numa referência indireta à crise econômica mundial. Num dos atos mais emocionantes da noite, Lula recebeu do ex-presidente da República, escritor e acadêmico José Sarney a medalha marcando os 100 anos da morte de Machado.

Transição
Em mais um passo na difícil tarefa de unificação do idioma português, Lula assinou um decreto que estabelece o cronograma para a vigência do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa e orienta sua implantação. Assinado em 16 de dezembro de 1990, o acordo busca unificar o registro escrito nos oito países do planeta que falam, cada um à sua maneira, o português — Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. O acordo deveria vigorar a partir de 1994, mas divergências entre as partes impediram o cumprimento do prazo. Em Portugal, o acordo foi aprovado em maio deste ano e a nova ortografia deverá ser obrigatória dentro de seis anos.

No Brasil, o acordo entra em vigor em 1º de janeiro de 2009 e o país tem até 31 de dezembro de 2012 para se adaptar. De acordo com especialistas, 0,45% das palavras brasileiras sofrerão alterações, ao passo que em Portugal haverá mudanças em 1,6% dos vocábulos. Nesse período de transição, ficam valendo tanto a ortografia atual quanto as novas regras. Assim, concursos e vestibulares deverão aceitar as duas formas de escrita — a atual e a nova.

O Ministério da Educação estabeleceu que, em 2010, as novidades já serão incorporadas pelos livros didáticos. Entre as principais mudanças estão a incorporação de novas letras — “k”, “w” e “y”, elevando o número de letras de 23 para 26 —, o fim do trema, a extinção dos acentos diferenciais ainda existentes (como o de “pára”, do verbo parar), o fim dos acentos agudos de ditongos (palavras como “ideia” ficam sem acento) e o sumiço de acentos circunflexos, como os de “vôo” e “crêem”. Palavras começadas por “r” ou “s” não levarão mais hífen, como em anti-semita (ficará “antissemita”) ou em contra-regra (ficará contrarregra). O acordo não define todos os usos de hífens, por exemplo.

A falta de Machado
Na sessão solene de celebração dos 100 anos de morte de Machado de Assis, fundador da própria Academia, o orador oficial da solenidade, o acadêmico Eduardo Portella — lembrado até hoje pela espirituosa frase “eu não sou ministro, estou ministro”, quando era ministro da Educação de João Figueiredo — disse que o país sente muita falta de Machado. Acompanhado do ministro da Educação, Fernando Haddad, da Cultura, Juca Ferreira, e do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, Lula lembrou que Machado de Assis venceu pelo seu próprio talento individual, contra todas as probabilidades. “Não se trata de atribuir à literatura a agenda política, mas de perceber na grandeza de Machado, que nos questiona até hoje, um desafio a que o Brasil vença o preconceito e a exclusão”, discursou Lula.

Além da promessa de criar uma rede de bibliotecas públicas em todas as cidades brasileiras, Lula lembrou que o Programa de Bibliotecas Rurais Arca das Letras, implantado em 2003 pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, já distribuiu mais de 1,2 milhão de livros, e que estão sendo formados 5.460 agentes de leitura para atuarem em bibliotecas, pontos de cultura e pontos de leitura.

O QUE MUDA
As alterações na língua portuguesa só passam a valer obrigatoriamente em 2012. Confira:

O alfabeto ganha, oficialmente, mais três letras: o “k”, o “w” e o “y”

Não existirá mais o trema nas palavras em português (por exemplo: tranqüilo passa a ser tranquilo e agüentar vira aguentar; o acento só continuará a ser usado em palavras estrangeiras, como sobrenomes do tipo Müller)

Ditongos abertos “ei” e “oi” (como em alcatéia ou em heróico) não terão mais acento agudo

Palavras com duplo “oo” (como vôo) e duplo “ee” (como lêem) perdem o acento circunflexo

Não haverá mais acentos agudos ou circunflexos para diferenciar palavras (a exemplo de pára, do verbo parar, e para, preposição)

O uso do hífen passa a ser limitado a quando os prefixos terminam em “r”: como super-forte ou hiper-resistente. Não existirá mais quando o segundo elemento da palavra começar com “s” ou “t”. No lugar do sinal, dobra-se a consoante: contra-regra se transforma em contrarregra

Em Portugal, 1,6% das palavras serão alteradas. Somem, por exemplo, o “c” e o “p” quando elas não são pronunciadas (casos como o de óptimo, que vira ótimo, e acção, que passa a ser escrita como ação)

30-09-2008 | 09:58

Renata Gama
O Estado de S. Paulo

Governo testa porta de saída do programa com treinamento para empregados na construção civil

Cinco anos depois do início do programa Bolsa Família - de transferência de renda a 11,1 milhões de famílias -, o governo federal começa a testar uma porta de saída para os beneficiários. Com a ajuda da iniciativa privada, 185 mil pessoas que recebem o auxílio serão treinadas para trabalhar em setores estratégicos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O primeiro será a construção civil.

A idéia é criar uma solução conjunta para dois problemas simultâneos: a dependência financeira das famílias assistidas e o gargalo da falta de trabalhadores qualificados. Se der certo, o modelo deve ser aplicado também nas áreas têxtil e de turismo.

“É a primeira ação, depois desses anos todos”, afirma o diretor do Departamento de Qualificação do Ministério do Trabalho, Marcelo Aguiar. “A ação prevê, em curto espaço de tempo, que as famílias adquiram autonomia e não precisem mais da bolsa.”

Um dos critérios para ser beneficiário é o ganho familiar abaixo de R$ 120. A renovação do benefício é feita a cada dois anos.

O plano consistirá no repasse de R$ 75 milhões de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) a entidades que submeterem projetos de capacitação de mão-de-obra no ramo da construção ao Ministério do Trabalho e forem aprovadas em licitação. Só para a Grande São Paulo, serão R$ 29,7 milhões.

As entidades puderam se inscrever até o dia 18. Não há limite para o número de participantes, até que se esgote o valor total do recurso. “As entidades selecionadas serão convidadas a assinar um termo de parceria, para executar a participação”, explica Aguiar. A previsão é que, até novembro, o processo esteja concluído e as primeiras instituições comecem a receber o repasse.

Enquanto isso, famílias beneficiárias receberão cartas convidando integrantes a ingressarem como voluntários no Sine (Sistema Nacional de Emprego). “A carta vai explicar que, apesar de terem de escolher um dos membros da família, a participação não significa a perda do benefício.”

O critério de seleção das famílias inscritas será o Índice de Desenvolvimento Familiar (IDF), apurado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), cujo objetivo é diagnosticar problemas de infra-estrutura e pobreza nos núcleos familiares. “Quem tem menor IDF, terá prioridade.” Entre os ofícios a serem ensinados estão o de pedreiro, azulejista, gesseiro, pintor, encanador, eletricista, carpinteiro, armador e operador de betoneira.

A iniciativa atende a uma reivindicação antiga do setor. Com o boom imobiliário e a perspectiva de crescimento de 10,2 % este ano, segundo projeção do Sindicato da Indústria da Construção Civil, o setor enfrenta gargalos, como a falta de mão-de-obra. “No mercado está faltando tudo. Vamos tratar de uma parte”, diz o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil, Paulo Simão.

Não serão as construtoras as responsáveis diretas pelo treinamento e, sim, entidades sem fins lucrativos. Elas devem participar do processo oferecendo infra-estrutura necessária para aulas, que devem ocorrer nos canteiros de obras.

29-09-2008 | 12:34

Folha de S. Paulo

Jornaleiros da Baixada Fluminense (RJ) sofrem ameaça; por medo de represálias, polícia não foi avisada

Um grupo de homens armados comprou ontem de madrugada cerca de 30 mil exemplares do diário carioca "Extra" antes da chegada às bancas de jornais e revistas na Baixada Fluminense, no Estado do Rio.
A compra aconteceu na cidade de Belford Roxo, em um galpão que funciona como centro de distribuição de jornais para toda a Baixada. O grupo ainda percorreu as bancas de cidades próximas, como São João de Meriti, a fim de verificar se o jornal estava sendo vendido.
Os exemplares comprados pelos homens traziam a seguinte manchete: "Deputados em campanha mentem para garantir salário de R$ 13 mil".
De acordo com o relato publicado no site do "Extra", alguns jornaleiros que inicialmente se negaram a vender os exemplares cederam porque foram ameaçados. Por temer represálias, eles não procuraram a polícia. Os jornaleiros disseram que os homens lhes apontaram pistolas e revólveres, obrigando-os a vender.
O jornal informou ainda que, por volta das 2h de ontem, três homens estiveram na sede da publicação, na tentativa de comprar toda a edição. Eles chegaram ao endereço em um carro Vectra e um caminhão.
O chefe do grupo teria se identificado como coronel do Corpo de Bombeiros e dito que queria comprar os jornais por causa da reportagem que originou a manchete. A empresa se recusou a vendê-los.
Em Niterói (cidade a 15 km da capital fluminense) e na zona norte do Rio, em bairros que fazem divisa com São João de Meriti, também houve relatos de homens percorrendo as bancas para comprar todos os exemplares do "Extra".

Reportagem
A reportagem da qual trata a manchete acusa deputados estaduais que são candidatos a prefeito de forjarem explicações para terem abonadas as faltas em sessões da Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio). Assim, eles mantêm o salários integral, de cerca de R$ 13 mil, sem os descontos por falta determinados pela legislação. Na Alerj, 23 deputados são candidatos a prefeito.
Em nota, o presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), Alberto Motta Moraes, criticou a ação.
"O TRE repudia com veemência essa ação, que nos parece claramente um golpe de natureza eleitoral. A compra de grande quantidade de exemplares numa mesma região tem todos os indícios de uma tentativa de impedir que informações chegassem a uma parcela do eleitorado. Igualmente graves são as denúncias de que jornaleiros foram coagidos a vender todo o estoque, o que só fortalece a hipótese de se negar à população informações que lhe ajudasse a decidir o voto de forma consciente", diz a nota.

29-09-2008 | 11:32

EDSON LUIZ
Correio Braziliense

Assassinatos de políticos, às vésperas das eleições municipais, colocam autoridades do país em alerta máximo. Até agora, houve 20 homicídios. A maior parte dos crimes ocorreu no Nordeste

 
A menos de uma semana das eleições municipais, a violência em algumas regiões do país está assustando as autoridades. Do início das campanhas até a última sexta-feira, 20 candidatos foram assassinados — a maioria no Nordeste, onde o clima é mais tenso. Enfrentamentos diários entre partidários de candidatos diferentes levaram o Ministério Público a pedir o envio de tropas antes do pleito. No Ceará, por exemplo, 5 mil homens das polícias Militar, Civil e Federal foram convocados para levar tranqüilidade a 30 cidades onde não existem delegados ou investigadores.

Nas últimas semanas, quatro pessoas foram assassinadas em Pernambuco, estado recordista na lista de mortes durante a campanha eleitoral. Todos os crimes estavam diretamente ligados às eleições. Foi o caso do candidato a prefeito de Saloá, Fernando Luiz Soares de Melo, morto a tiros na frente do filho de 17 anos. No início do mês, o índio Mozani Araújo de Sá foi morto em frente ao comitê de campanha, em Cabrobó, cidade localizada no chamado Polígono da Maconha.

No último levantamento feito pelo Correio, em 5 de setembro, o número de mortos era de oito. Porém, 20 dias depois, mais 12 pessoas morreram por causa da violência. Nesse caso, apenas dois candidatos assassinados teriam sido vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte). O policial civil Pedro Marcelo de Oliveira Lima foi supostamente morto por um assaltante em Porto Velho (RO), onde ele concorria a uma vaga de vereador pelo PRB. Oscar Abreu Alencar (PT do B) também teria sido vítima de ladrões no Paraguai, onde estava fazendo compras.

Na semana passada, os ministérios públicos no Ceará e Sergipe decidiram pedir antecipadamente o envio de tropas para vários municípios. Antes isso era feito apenas no dia das eleições, mas o problema está ficando sério por não haver policiais em algumas cidades, explicou a procuradora da República em Fortaleza, Nilce Cunha Rodrigues. Segundo ela, apesar de não terem sido registradas mortes no estado, há relatos de agressões entre partidários de candidatos no interior cearense. Há muita intranqüilidade, disse a procuradora.

Em Icó, a 450 km de Fortaleza, cenas inusitadas preocuparam policiais que foram enviados para o município. Pessoas vestidas com roupas ninja atacam adversários políticos no meio da rua. Já enviamos a Polícia Federal para o local. Não há tranqüilidade à noite, explicou Nilce. Segundo ela, em outras cidades o problema é semelhante, com agressões mútuas entre candidatos. Em Uruburetama, partidários se enfrentaram com paus e pedras após a realização de um comício. Em Iguatu houve tiroteios e em Fortim um candidato sofreu um atentado.

Além de Pernambuco, com quatro mortes, o Rio de Janeiro teve três assassinatos de candidatos durante a campanha eleitoral. Paraíba, Goiás, São Paulo e Pará tiveram duas mortes cada. Em Rondônia, no Rio Grande do Sul e no Piauí houve três mortes, uma em cada estado. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não tem uma lista oficial com o número de assassinatos, o que dificulta comparativos com anos anteriores. O TSE contabiliza apenas o número de candidatos que já morreram (106 até o dia 25 de setembro), mas sem especificar o motivo da morte. Nas eleições de 2004, 159 candidatos morreram, também de acordo com o tribunal. Para reforçar a segurança nas eleições, o TSE já autorizou o envio das Forças Armadas para 122 municípios em cinco estados. Em 2004, foram enviadas tropas para 306 municípios em 10 estados.

O número
SEGURANÇA
122
número de municípios
com reforço de tropas
este ano

O número
ELEIÇÕES
306
total de cidades em que
as Forças Armadas atuaram
em 2004

Lista macabra

Paraíba
Curral Velho candidato a vice-prefeito Silvino Pereira Gato (PMDB)
Mari candidato a vereador Antônio Santana da Silva (PSL)
Pernambuco
Cabrobó candidato a vereador índio Mozani Araújo de Sá (PT)
Itaquitinga candidato a prefeito Sérgio Ricardo de Souza (PSB)
Camutanga candidato a vereador Leonardo Alves Marinho(PSDB)
Saloá candidato a vereador Fernando Luiz Soares de Melo(PR)
Piauí
Teresina candidato a vereador Lourinaldo Felix Vieira (PTB)
Pará
Uruará candidato a vereador Jorge Coelho (PP)
Rio Maria candidato a prefeito Argemiro Gomes da Silva (PMDB)
Goiás
Águas Lindas candidato a vereador José Venceslau da Costa (PP)
Niquelândia candidato a vereador Nereir Magalhães (PP)
Mato Grosso do Sul
Bela Vista vereador e candidato à reeleição Flávio Roberto Godoy (PDT)
Mato Grosso
Barra do Garças candidato a prefeito Evânio Paulinio Feitosa (PR)
São Paulo
Caraguatatuba candidato a vereador Cosme Tavares Leite (PDT)
São Paulo candidato a vereador Oscar Abreu Alencar (PT do B),
morto quando fazia compras no Paraguai
Rio de Janeiro
Mesquita candidato a vereador Gilson Gonçalves de Carvalho (PSDB)
Nova Iguaçu candidato a vereador Antonio Carlos Souza Silva (PP)
Magé candidato a vereador Orney Santos Pereira (PP)
Rondônia
Porto Velho candidato a vereador Pedro Marcelo de Oliveira Lima (PRB)
Rio Grande do Sul
Novo Hamburgo candidato a vereador Gilvan Roberto Fontoura (PP) 
 
Lula ataca adversários
Entusiasmado com a possibilidade de o PT voltar a ter a maioria dos prefeitos nas sete cidades do ABC paulista, berço do partido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva bateu duro nos adversários ontem, em São Bernardo do Campo, durante comício do candidato a prefeito, o ex-ministro do Trabalho e da Previdência Social Luiz Marinho, e anunciou no palanque a disposição de adequar sua agenda para "fazer um almoço, no sábado (véspera do primeiro turno), com todos os candidatos (petistas) a prefeito da região".

O PT elegeu cinco dos sete prefeitos do ABC em 2000, quando Lula ainda não era presidente, mas já na "era Lula", em 2004, elegeu apenas dois (Santo André e Diadema). Todas as pesquisas de intenção de voto feitas até agora apontam candidatos petistas à frente nas corridas eleitorais em Santo André (Vanderlei Siraque), São Bernardo (Luiz Marinho), Diadema (Mário Reali) e Mauá (Oswaldo Dias). O PT só não tem chances de vencer em São Caetano do Sul, onde o atual prefeito, José Auricchio Júnior (PTB), aparece muito à frente dos concorrentes (72%, segundo o Ibope). O partido também vai mal em Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, onde, respectivamente, também os atuais prefeitos, Clóvis Volpi (PV) e Adler Kiko Teixeira (PSDB), lideram com folga. Nessas três cidades não há segundo turno porque elas têm menos de 200 mil eleitores.

"Temos de matar no primeiro turno", bradou Lula, no palanque, ontem, em São Bernardo, ao lembrar aos militantes que "faltam três ou quatro pontos" para Luiz Marinho ter 50% mais um dos votos válidos. E o presidente não poupou o prefeito William Dib (PSB), que apóia o candidato do PSDB, deputado estadual Orlando Morando. "Essa cidade poderia estar muito melhor se o prefeito tivesse dignidade de não olhar os partidos. Quando fizemos o PAC, chamei os 27 governadores, de todos os partidos, e os prefeitos das regiões metropolitanas. O daqui não foi. O daqui não apresentou projeto, e sem projeto não tem verba. Quando eu queria fazer a universidade federal aqui, ele quis dar um terreno lá na Tibiriçá (estrada Índio Tibiriçá), mas lá tem muita neblina e eu disse que ia ter muitos acidentes com os estudantes. Então ele disse que tinha um terreno no centro, mas precisava vender, e a Caixa veio e comprou”, disse o presidente. Lula também colocou em xeque a idoneidade do candidato tucano, Orlando Morando, mesmo sem citar nomes. No sábado, o presidente participou de três comícios de candidatos do PT às prefeituras de São José dos Campos, Guarulhos e Osasco. 

29-09-2008 | 11:06

LEANDRO COLON
Correio Braziliense

Entre as necessidades dos moradores de Cristalina (GO) está o emprego formal. Metade da riqueza do município vem das atividades no campo. Candidatos à prefeitura prometem aumentar a oferta de trabalho se forem eleitos
 
 
Cidade de economia baseada na agropecuária e no comércio de cristais, Cristalina, a 100km de Brasília, já tem 37 mil habitantes, uma população que praticamente dobrou nas últimas duas décadas. Com o crescimento do municípico, aumentaram as necessidades da comunidade. O emprego é uma delas. Cristalina tem um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em R$ 650 milhões, sendo R$ 359 milhões da área agrícola, oriundos do cultivo de feijão, café, soja, milho, entre outros.

Na última quinta-feira, a reportagem esteve na cidade e conversou com uma das pessoas que buscam oportunidade com carteira assinada: Geovani José Pereira, 32 anos. Ele se define como “autônomo em serviços gerais”. Faz serviços de pintura, pedreiro, entre outros.

Na última sexta, Geovani deveria concluir uma pintura numa casa no centro da cidade. A partir da próxima semana, terá que buscar uma nova empreitada. “A vida é assim, acaba um serviço e precisamos buscar outro logo em seguida”, diz. Seguindo uma tabela dos colegas, Pereira cobra R$ 50 pela diária de seu trabalho.

Ele faz parte da lista de eleitores que, nos últimos dias, têm feito perguntas aos candidatos do Entorno numa série de reportagens publicadas pelo Correio. Pereira quer saber o que os dois concorrentes à Prefeitura de Cristalina nas eleições do dia 5 de outubro farão para aumentar a oportunidade de emprego na cidade.

Candidato à reeleição, Antonino Camilo de Andrade (PR) manda um recado a Pereira. “Se ele quiser procurar a prefeitura já na segunda-feira, vamos fazer um contrato com ele. Temos 15 mil metros quadrados de calçada para fazer”, disse. “E ele pode nos procurar que assinaremos o contrato para fazer uma parte desse trabalho de imediato”, ressaltou. Andrade nega a falta de empregos na cidade. “É difícil achar uma pessoa desempregada, principalmente se for qualificada”, afirmou.

Seu adversário, Luiz Attiê (DEM), promete aumentar o número de indústrias na cidade. “Vamos atrás das indústrias que procuram Brasília para que se instalem em Cristalina e, assim, reverteremos o fluxo de emprego no Entorno”, adianta. 
 
O eleitor pergunta

Geovani Pereira, serviços gerais

O que será feito para aumentar a oportunidade de emprego na cidade?

Antonino Camilo (PR)
É difícil achar uma pessoa desempregada, principalmente se for qualificada. A cidade hoje está cheia de obra. O que vamos melhorar são as indústrias que estamos trazendo para Cristalina, três já assinaram o protocolo de intenções, com previsão de gerar 500 empregos imediatos. Temos um projeto de fazer calçamento nos bairros e não estamos encontrando pedreiro para realizar esse trabalho. Se ele quiser procurar a prefeitura já na segunda-feira, assinaremos um contrato com ele para fazer calçadas aqui.


Luiz Attiê (DEM)
Cristalina é o nono produtor brasileiro de grãos, produz a melhor batata no Brasil. Não tem industria de transformação. Vamos aproveitar a matéria-prima e trazer tudo o que for assemelhado à nossa produção agrícola e colocar a indústria para produzir. A parceria com o Distrito Federal é muito importante. Vamos atrás das indústrias que procuram Brasília para que se instalem em Cristalina, e assim, buscaremos reverter o fluxo de emprego no Entorno.
 

29-09-2008 | 10:52