Ricardo Brandt
O Estado de S. Paulo

O secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, afirmou ontem que em 2009 o turno intermediário das 11 às 15 horas, conhecido como turno da fome, nas escolas de ensino fundamental será totalmente extinto. “Com certeza no ano que vem não tem mais isso”, garantiu o secretário. Reportagem publicada ontem pelo Estado informa que, segundo diretores das escolas, pelo menos 45 unidades começarão o ano com o terceiro turno, descumprindo promessa do prefeito de acabar com o problema até o fim da gestão. “O prefeito sempre colocou como meta acabar com o terceiro turno até o fim da gestão, agora, se vamos conseguir ou não, depende de fatores que não controlamos, como a chuva, que pára as obras.” Segundo ele, os diretores não podem dizer quantas escolas terão terceiro turno em 2009. “Nem a secretaria tem condição de dizer.” A definição, segundo ele, dependerá de quantas das 103 obras de escolas serão entregues, de quantas matrículas serão feitas e de quantas vagas o Estado vai absorver. “Quando chegamos em 2005 tinha 329 escolas com três turnos, hoje são 147.”

25-09-2008 | 10:30

Wilson Tosta e Felipe Werneck
O Estado de S. Paulo

De 1997 para 2007, eles passaram de 997 mil para 1,942 milhão, aponta estudo do IBGE

Uma explosão no número de casais sem filhos e em que cada cônjuge tem sua renda aliada a uma ligeira tendência na redução da distância entre pobres e ricos no País marcam a Síntese de Indicadores Sociais 2007 divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Baseada na última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), publicada na semana passada, a análise também mostra que, embora a escolarização dos 40% mais pobres tenha avançado, mais de 2 milhões de estudantes até 14 anos são analfabetos (mais informações na pág. A27).

Segundo o IBGE, os casais residentes no Brasil que não têm filhos e nos quais homem e mulher têm fontes de renda independentes eram 2,4% do total de domicílios em 1997 e passaram para 3,4% no ano passado. Em números absolutos, a mudança é mais impressionante: 997 mil para 1,942 milhão no período, alta de 94,78%. Os pesquisadores do instituto constataram que a região onde casais com esse perfil têm maior peso proporcional é a Centro-Oeste, onde representam 4,27% do total. O Nordeste é o outro extremo, com 2,99% dos casais.

As maiores proporções de arranjos familiares nessa situação se concentram nas faixas de 35 a 44 anos e acima de 45 anos (4,11%). Quando se leva em conta os 39 milhões de casais, os sem nenhum filho e com renda dupla eram 5% no ano passado - em 1997, eram 3,4%.

“O casal Dinc (jargão que significa double income and no children, ou renda dupla e nenhum filho) está crescendo muito nas sociedades industrializadas”, disse a gerente de Indicadores Sociais do IBGE, Ana Sabóia. Foi a primeira vez que o IBGE fez esse cálculo.

A pesquisa levanta a possibilidade de os casais Dincs terem crescido devido à importância dada à “aquisição de atributos profissionais, que possam garantir posições bem estabelecidas no mercado de trabalho”.

Outra constatação importante: a renda familiar per capita desses casais é de cerca de 3,5 salários mínimos (R$ 1.452,50), o que os coloca entre os 10% mais abastados da população.

NOVO VALOR DE CLASSE MÉDIA

“É uma mudança de valores”, disse a antropóloga Alinne Bonetti, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Quando falo em valores, refiro-me à visão de mundo, à cultura.” Segundo ela, “há uma mudança do modelo da família mais tradicional, com pai, mãe e filhos, para outro, mais individualista, como nos países desenvolvidos, e há mais investimento em projetos pessoais. Muitos adiam os filhos, outros escolhem não ter”. Para Alinne, como o fenômeno é concentrado na classe média, que forma opinião, há possibilidade de, no futuro, esse comportamento chegar a outras classes.

Segundo o professor Nuno Fouto, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e do Programa de Administração do Varejo (Provar), os casais com dupla renda e sem filhos participam de um processo mais amplo que também inclui pessoas que decidem permanecer solteiras: o dinheiro economizado com as crianças, costuma ser aplicado em produtos e serviços mais caros. Segundo Fouto, a economia não é suficiente para elevar o casal a um estrato social mais alto, mas permite certos “luxos” - como viagens, jantares e produtos de marca - que não costumam ser observados nas famílias com filhos com a mesma renda.

MELHORA DA RENDA

O crescimento dos Dincs se deu em um quadro de crescente melhoria da renda dos brasileiros, de acordo com o IBGE. A distância entre o rendimento médio familiar per capita das famílias dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres manteve trajetória de redução constante nos últimos anos. Em 2001, a diferença era de 22,1 pontos porcentuais; em 2007, 17,2. Outra comparação mostra que, de 2001 ao ano passado, os 20% mais pobres passaram de 2,6% para 3,2% da renda, e os 20% mais ricos perderam espaço, de 63,7% para 59,7%.

A proporção de famílias com renda per capita de até meio salário mínimo caiu de 31,6% em 1997 para 23,5% em 2007. O presidente do IBGE atribui isso à expansão da economia com geração de empregos, aumento do mínimo e Bolsa-Família.

25-09-2008 | 10:27

Jornal do Brasil

Mesmo dentro de sala de aula, os brasileiros ainda não conseguiram transpor uma barreira que mantém o Brasil distante de países desenvolvidos: o analfabetismo. Há 2,1 milhões de crianças entre 7 e 14 anos no país que, embora freqüentem a escola, continuam analfabetas. O IBGE revela que frequentavam a escola 87,2% das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos que não sabem ler e escrever ­ 2,1 milhões em 2007. E uma minoria deles estava com os estudos atrasados: apenas um quarto dos estudantes do ensino fundamental tinha mais de dois anos acima da idade recomendada para a série que estudava.

A taxa de analfabetismo entre os que estudam contrasta com a freqüência escolar dos jovens entre 7 e 14 anos, que alcançou 97,6% em 2007. Para os pesquisadores, a contradição revela falhas na qualidade de ensino e pode ter como causa o sistema de aprovação automática . Na média brasileira, a taxa de analfabetismo foi de 10,5% da população, ou 14,1 milhões de pessoas. O índice é menor que o de uma década atrás ­ em 1997, havia 15,9 milhões de analfabetos, segundo o IBGE. Mas ainda não alcançou patamares como os da China (7,1%) e Rússia (0,6%), que dividem com o Brasil lugar nos Brics (grupo de países emergentes formado também pela Índia), segundo a pesquisa. A taxa brasileira, como mostrou a Pnad semana passada, também é uma das piores da América Latina e está atrás de países como Bolívia, Suriname e Peru.


Trabalho infantil
O percentual de crianças entre 10 e 15 anos que fazem trabalho doméstico foi o que mais cresceu nos últimos dez anos, de acordo com o IBGE. O estudo mostra que 5,4% das crianças nessa faixa etária que trabalhavam estavam ocupadas no próprio domicílio em 1997, contra 8% no ano passado. O trabalho de crianças fora de casa ­ em outro domicílio ou em área ou via pública ­ também teve aumento. O percentual de crianças que prestava trabalhos domésticos para outra pessoa passou de 8%, em 1997, para 9,1%, em 2007. Já a proporção de crianças que trabalhavam em área ou via pública subiu de 5% para 5,7%, entre 1997 e 2007. Mas houve queda na ocupação em fazendas, sítios e granjas de 43,4% para 36,5%.

25-09-2008 | 10:25

MARIA CLARA CABRAL E ALAN GRIPP
Folha de S. Paulo

Em depoimento ontem à CPI dos Grampos, o sargento da Aeronáutica Idalberto Martins de Araújo, suspeito de ter participado ilegalmente da Operação Satiagraha, disse não ter contribuído com as investigações.
A declaração contraria a versão do delegado Protógenes Queiroz, chefe da Satiagraha, de que o militar repassou a ele informações sobre o paradeiro de aviões do banqueiro Daniel Dantas.
Na versão de Queiroz, Araújo trabalhou legalmente na operação como colaborador eventual -teria inclusive recebido pelos serviços. À CPI o militar só admitiu ter intermediado a contratação de dois agentes aposentados que atuaram na Satiagraha.
Segundo Araújo, ele se limitou a apresentar Francisco Ambrósio do Nascimento (ex-agente do SNI) e um militar reformado da FAB chamado Rodopiano ao delegado Protógenes Queiroz.
Em depoimento pela manhã, Ambrósio confirmou que participou da operação separando e-mails e que recebeu pelo seu trabalho R$ 1.500 da PF. Idalberto Martins, que é investigado em sindicância aberta pela Aeronáutica, também negou qualquer tipo de atuação na Satiagraha. Ele colocou seu sigilo telefônico à disposição.

25-09-2008 | 10:15

Ricardo Allan
Correio Braziliense

Governo local criará função especializada, com salário de até R$ 16 mil, para implementar e acompanhar os programas. Serão 180 vagas para pessoas com pós-graduação
 
O governador José Roberto Arruda enviou ontem à Câmara Legislativa um projeto de lei criando o cargo de gestor de políticas públicas, um posto de elite da administração local. Inicialmente, a previsão é de abertura de 180 vagas a serem ocupadas ao longo dos próximos dois anos. Segundo o secretário de Planejamento e Gestão, Ricardo Pinheiro Penna, o GDF já programou dois concursos públicos para selecionar os servidores. O primeiro, que vai recrutar 90 gestores, será feito no ano que vem. Em 2010, virá a segunda seleção para os demais 90 funcionários.

O cargo será ocupado exclusivamente por profissionais de nível superior com especialização em grau de pós-graduação. Os salários ficarão entre R$ 14 mil e R$ 16 mil, dependendo da especialidade. “Temos carência de especialistas. A idéia é atrair pessoal de alto nível para desenhar, implementar , acompanhar e avaliar as políticas públicas em todas as áreas de atuação do GDF”, explica Penna. Os contratados ficarão lotados na Secretaria de Planejamento e Gestão, mas serão distribuídos por todas as secretarias para tocar os programas específicos de cada setor.

Os gestores trabalharão em tempo integral e dedicação exclusiva. Segundo Arruda, o modelo segue o exemplo do governo federal e de alguns estados onde a experiência foi bem-sucedida. “O GDF está tendo a coragem de fazer um concurso pagando altos salários, contratando pessoas extremamente qualificadas para ajudar na administração dos programas. Onde se coloca gestores de qualidade, as coisas funcionam, mostrando que mais importante que o organograma é o “humanograma”, disse o governador.

De acordo com estimativas preliminares do Planejamento, o impacto no orçamento será um aumento de gastos na ordem de R$ 15 milhões em 2009 e de R$ 30 milhões em 2010, quando o quadro inicial deve ser completado. O projeto de lei foi assinado simbolicamente também pelo vice-governador Paulo Octavio e pelo empresário Jorge Gerdau, coordenador do Movimento Brasil Competitivo, que está prestando consultoria ao GDF na área de gestão.

25-09-2008 | 09:54

Karla Mendes
Correio Braziliense

Índice de desemprego permanece inalterado, mas registra o melhor resultado para o mês de agosto
 
O desemprego no Distrito Federal ficou praticamente estável no mês passado. Apesar de a taxa de desocupação ter passado de 15,8% em julho para 15,9% em agosto, o índice é o menor registrado no mês desde 1996, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O número de desempregados foi estimado em 214 mil pessoas, 2 mil a mais que em julho. Isso ocorreu porque o contingente de pessoas que ingressaram no mercado de trabalho foi de 3 mil, enquanto foram criadas mil novas vagas em agosto.

“Temos relativa estabilidade pois, em agosto de 2007, a ocupação era de 4,2% e hoje estamos em 7,2%. No ano, foram criados 76 mil novos postos de trabalho”, ressalta Adalgiza Lara, coordenadora da pesquisa. Um dos pilares de manutenção da taxa de desemprego no DF foi o comércio, responsável pela inserção de 30 mil pessoas no mercado de trabalho este ano. “Em relação a 2007, o crescimento foi de 19%. Outro setor importante é o de serviços, com a ampliação de 40 mil novas vagas, o que representa aumento de 7,8% sobre 2007”, afirma. A pujança do comércio do DF também sobressai em pesquisa do Dieese nas principais regiões metropolitanas do país. “De 1999 a 2007, Brasília concentrou o maior crescimento do emprego no comércio: 51,7%. Na segunda posição, aparece Salvador, bem atrás, com 42,4%”, observa.

E foi o comércio que pôs um ponto final nos três meses de procura por um emprego para Letícia Canabrava de Oliveira Paula. Ela é graduada em turismo e pós-graduada em eventos e cerimonial, mas no mês passado foi contratada como a mais nova recepcionista do Brasília Shopping. “Eu tinha participado de um processo de seleção com outras três pessoas para um trabalho temporário e agora fui contratada. Enquanto não encontro nada mais específico na minha área, prefiro trabalhar em outras funções do que ficar desempregada”, comenta. Para trabalhar seis horas diárias, Letícia recebe R$ 610 mensais. “O mercado está precário. Tem gente que trabalhar oito horas por dia e não ganha isso. Como trabalho seis horas, tenho tempo para estudar para concursos”, diz. O pedreiro Márcio Santana também encontrou abrigo no comércio. Ele trabalhava como autônomo e, no mês passado, foi contratado como estoquista da Fercom, loja de materiais de construção. O salário inicial é de R$ 500. “Fiquei trabalhando como autônomo, mas estava difícil pagar o INSS. Com a carteira assinada ficou bem melhor”, desabafa.

O presidente da Federação do Comércio do Distrito Federal (Fecomércio-DF), senador Adelmir Santana, observa que os dados do Dieese confirmam a pesquisa da entidade. “O aumento desses postos de trabalho só reforça a vocação natural de Brasília para o comércio. É o setor terciário que movimenta a economia na capital, reforça.

25-09-2008 | 09:53

Letícia Nobre
Correio Braziliense

Será divulgado em outubro o novo edital de convocação para segunda fase do concurso da Câmara dos Deputados para três cargos de analista legislativo. Mais de 600 candidatos aos postos técnico em comunicação social (divulgação institucional, imprensa escrita e tevê), aprovados na primeira fase, deverão se apresentar para refazer a prova prática. Juntos, os postos representam cinco vagas com salários de R$ 9.008,12 com as gratificações.

No final de julho, o juiz federal Alexandre Vidigal de Oliveira, da 20ª Vara no Distrito Federal, anulou a segunda avaliação dessas áreas, mas não determinou até quando os novos testes deveriam ser aplicados. O mesmo magistrado completou a decisão nesta semana, estipulando prazo de 90 dias para que a Câmara e a Fundação Carlos Chagas (FCC) divulguem e cumpram o novo cronograma. No edital deverão constar detalhes dos critérios de pontuação e avaliação, principal reclamação nos processos que levaram à anulação.

A assessoria de imprensa da Câmara informou que ainda não foi intimada, porém tem conhecimento do prazo judicial. Com a publicação das novas regras no próximo mês, a expectativa é que essa etapa da seleção da Câmara seja cumprida em menos de três meses, ainda segundo a assessoria de imprensa. A Casa esclarece que não houve omissão e que, em 15 de setembro, enviou um ofício à FCC a fim de dar continuidade ao concurso que está paralisado desde janeiro.

Memória
Os candidatos de 23 cargos que previam provas práticas vivem na angústia desde o início do ano. Uma avalanche de processos judiciais interrompeu o concurso. Das 27 carreiras e 212 vagas, somente 46 podem ser preenchidas depois de quase um ano e meio desde que o edital de abertura foi publicado. Quatro cargos — nutricionista, técnico em material e patrimônio, agente de polícia legislativa e analista de informática legislativa — foram homologados.

Os 20 demais seguem suspensos por liminar e sem definição. E a Câmara mantém a decisão de aguardar os resultados de todas as ações até a última instância para então se pronunciar. Até o momento, em nenhum dos casos de liminar a Casa entrou com recurso. 

25-09-2008 | 09:52

Correio Braziliense

O Comando Nacional dos Bancários rejeitou a proposta de reajuste de 7,5% apresentada de forma conjunta pelos bancos. Com a recusa, o Comando dos Bancários orienta os sindicatos a realizarem assembléias nesta quinta, amanhã e na segunda-feira para rejeitar a proposta e aprovar a greve de 24 horas na terça-feira em todas as agências do país. A categoria reivindica aumento de 13,23%, que corresponde à inflação e a um ganho real de 5%. Também querem vale-alimentação, auxílio-creche de R$ 415 e vale-refeição de R$ 17,50 por dia e participação nos lucros e resultados.

Preços
Inflação perde fôlego

Brasília teve deflação segundo o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) de 22 de setembro, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O indicador registrou variação negativa de 0,13%, resultado 0,22 ponto percentual abaixo da taxa da última apuração, de 0,09%. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) apresentou variação de 0,26%, 0,09 ponto percentual abaixo do percentual apresentado em agosto, de 0,35%. Os destaques foram os preços dos alimentos, que apresentaram deflação no período, movimento contrário ao notado no primeiro semestre deste ano e que reduz a pressão sobre o governo de usar os juros no controle da meta de inflação, fixada em 4,5%.

O número
Etanol
150%
É a previsão da Empresa de Pesquisa Energética para a expansão da demanda por etanol no país. A indicação é que consumo deve passar dos atuais 25,5 bilhões de litros para 63,9 bilhões de litros em 2017.

negócios
Nada muda no Dínatos

O Instituto Dínatos, que acaba de ser incorporado ao Sistema Educacional Brasileiro S.A, informa que não há alteração na direção, no número e organização dos funcionários e na orientação de ensinos nos serviços prestados. Com sete anos de atividade, o Dínatos é uma empresa que inclui curso preparatório e produtora de material didático. Já o Sistema Educacional Brasileiro é uma empresa de capital aberto detentora de escolas e faculdades nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

25-09-2008 | 09:49

A FUPESP participa da abertura da VI Semana Jurídica da FACCAMP. A faculdade agradece o apoio cultural realizado pela Federação, além de destacar a presença dos diretores no evento.

24-09-2008 | 15:31

Raphael Bruno
Jornal do Brasil

Não é apenas no Rio de Janeiro, onde as Forças Armadas auxiliam na segurança do processo eleitoral, que a violência contra candidatos preocupa. Em muitas cidades pelo interior do país, as eleições viraram caso de polícia. A 11 dias da realização do pleito, 14 candidatos a prefeito e vereador de oito Estados já foram assassinados. Evânio Paulino Feitosa (PR), candidato à prefeitura de Araguarina (MT), município localizado a 562 quilômetros da capital, Cuiabá, foi a vítima mais recente da sombria estatística. De acordo com informações da polícia militar do Estado, que não acredita em motivações políticas para o caso, Evânio foi assassinado a tiros na manhã da segunda-feira passada enquanto tentava separar uma briga. Em outros casos, contudo, a tese de crime político não está descartada. O candidato a vereador em Saboá (PE) Fernando Luiz Soares de Melo (PR) foi assassinado enquanto seguia, acompanhado do filho de 17 anos, para o comitê do partido, logo após um comício do qual fez parte. Fernando foi abordado por dois motoqueiros que, armados, os deitaram no chão e executaram o político com um tiro na nuca. Os criminosos nada fizeram ao jovem.

Índio assassinado

Outros quatro casos foram re- gistrados em Pernambuco. O candidato à prefeito em Itaquitinga Sérgio Ricardo de Souza (PSB), e os candidatos a vereador Lourivaldo Felix Vieira (PTB), em Terezinha, Leonardo Alves Marinho (PSDB), em Camutanga, e Mozenir Araújo de Sá (PT), em Cabrobó. Este último, por sinal, era integrante da tribo Truká e um dos líderes da comunidade indígena na região. O Conselho Indigenista Missionário acredita em crime político. Desde 2006, pelo menos, a Justiça Federal investiga denúncias de casos de assassinatos de índios Truká por parte de policiais militares locais. Em Águas Lindas (GO), o candidato a vereador José Venceslau (PP) foi alvejado por tiros enquanto distribuía panfletos durante um comício. Em Bela Vista (MS), o candidato à reeleição à Câmara Municipal Flávio Roberto Godoy (PDT) foi assassinado quando chegava a um comício de sua coligação. Há ainda os casos do candidato a vereador em Mesquita (RJ) Gilson Gonçalves de Carvalho (PSDB), mais dois assassinatos no interior do Pará, um no interior de São Paulo e outros dois na Paraíba.

Tropas federais

O Tribunal Superior Eleitoral não mantém a contabilidade dos candidatos assassinados na campanha, mas informa que, ao todo, já morreram, até o dia 1º de setembro, 89, sem precisar o motivo. Na noite de segunda-feira, o tribunal autorizou o envio de forças federais para auxiliar na segurança das eleições em mais 13 cidades do Amazonas. No total, o número das cidades que podem contar com a ajuda do Exército sobe para 112 em oito Estados. Contudo, com exceção do caso do Rio de Janeiro, as intervenções autorizadas pelo tribunal ficam subordinadas à orientação dos tribunais regionais eleitorais e dizem respeito a procedimentos de segurança limitados ao dia da eleição.

24-09-2008 | 12:04