| Márcio Falcão |
| Gazeta Mercantil |
- A passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Salvador, há duas semanas, reservou um momento para discutir a situação do grampo no País. O presidente chamou para uma conversa o deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), relator da CPI das Escutas Telefônicas, e pediu empenho do Congresso na aprovação de um projeto que estabelece novos critérios para instalação do grampo.
Ao presidente, Pellegrino confirmou apoio na matéria e apresentou um breve diagnóstico do que a CPI encontrou. Revelou, por exemplo, que vivemos sob a tutela do Judiciário e do Ministério Público em um Estado policialesco, que banalizou a interceptação telefônica. Pellegrino ainda mantém as críticas à falta de fiscalização do Judiciário. A seguir os principais trechos da entrevista com relator da CPI das Escutas Telefônicas.
Gazeta Mercantil - Qual a linha de investigação que a CPI está seguindo?
Trabalhamos com três eixos: como estão as interceptações legais no País, como ocorrem às interceptações ilegais e quais são os aparatos tecnológicos disponíveis no mercado. Com essa dinâmica esperamos saber quem solicita, quem autoriza, como os mandados são executados e como as operadoras administram.
Gazeta Mercantil - Quais foram as conclusões que a CPI já chegou?
Há uma banalização das interceptações legais no País. Hoje é fácil conseguir um grampo legal, seja requerido pela autoridade policial ou pelo Ministério Público. O Ministério Público não fiscaliza como deveria. O juiz, que é detentor do sigilo não monitora, não audita o que é interceptado. Há ainda um constante vazamento do conteúdo que está protegido.
Gazeta Mercantil - O principal problema é estrutural?
Sem dúvida. A lei que trata das escutas telefônicas estabelece que o grampo só será permitido se houver indício da participação criminosa e se não houver outro meio de prova que possa ser lançado.
Gazeta Mercantil - O sistema segue outra regra?
Hoje, se intercepta primeiro para depois investigar. Existe uma presunção de que o indivíduo é criminoso e se estabelece uma presunção permanente sobre ele.
Gazeta Mercantil - É possível identificar quem mais pede grampo no País?
Sem dúvida a Polícia Federal e a Polícia Militar, apesar da PF sustentar que só utiliza grampo em 4% das operações realizadas.
Gazeta Mercantil - Qual a participação das operadoras no processo do grampo?
Elas cumprem a autorização judicial e processam a informação ali. As operadoras criaram um ambiente próprio para esse tipo de procedimento. Ou seja, o trânsito da ordem judicial é restrito a alguns funcionários. A maioria já está centralizando as informações num Estado da federação - Rio ou São Paulo. No caso da Brasil Telecom, Brasília.
Gazeta Mercantil - A CPI ganhou os holofotes por entrar nas investigações do caso Daniel Dantas. Onde vocês esperam chegar?
Temos que esclarecer se a autorização judicial que forneceu uma senha para a Operação Satiagraha foi genérica e permitiu grampear qualquer brasileiro.
Gazeta Mercantil - Nesta semana, a CPI deve ouvir o banqueiro Daniel Dantas, qual a expectativa?
Acreditamos que Dantas possa dar informações importantes se seu grupo contratou a Kroll (consultoria de gerenciamento de riscos) para fazer espionagem empresarial ou foram espionados na briga com a Telecom Itália pelo controle da Brasil Telecom. A participação dele também é importante para saber se ele foi investigado dentro da lei.
Gazeta Mercantil - Qual o resultado que a CPI deve apresentar no final?
Vamos trabalhar em um relatório que sirva de base para uma lei que possa colocar um freio na banalização das interceptações telefônicas. Vamos propor uma regulamentação mais criteriosa, para acabar com algumas brechas, como o longo prazo de interceptação, a questão do sigilo das degravações. Outra coisa são as ordens judiciais que há suspeita de fraude. Penso em sugerir uma ordem com autenticação eletrônica, para tornar ágil, mais seguro o procedimento. Vamos ainda propor um debate de como ter controle sobre o aparato tecnológico, inclusive, proibindo a importação de alguns aparelhos.

O Ministério do Trabalho apresentou à Nova Central e às demais centrais sindicais o texto de uma minuta do anteprojeto de lei que poderá instituir a contribuição negocial.
A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou a mensagem presidencial (58/08) que ratifica a Convenção 151 da OIT. Instrumento que garantirá o direito de greve e a negociação coletiva.