Fonte: Vermelho

O trabalhador vai acabar pagando mais uma vez a conta da elevação da taxa básica de juros (Selic), avalia o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio. Nesta quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou a Selic de 11,75% para 12,25% ao ano.

 

"Essa medida visa a restringir a atividade econômica das empresas, restringindo o consumo interno. O rebatimento é por um lado na geração de empregos, redução dos postos de trabalho, e, simultaneamente, contenção em alguma medida do consumo através do crédito."

 

Clemente Ganz Lúcio participou, nesta quinta-feira (5), da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio do Planalto.

 

De acordo com o diretor, a elevação dos juros adotada pelo Banco Central não enfrenta o problema de forma adequada, que é o dos preços influenciados por problemas internacionais.

 

"Vai restringir a demanda de consumo e o mercado interno, com o sacrifício extraordinário para problemas cujo enfrentamento implica tratamento de outras questões como câmbio, os próprios juros e política de abastecimento específico como o preço das commodities [bens primários com cotação internacional] ."

 

“Efeito transitório”

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, afirmou na mesma reunião que o novo aumento da taxa básica de juros terá "efeito transitório" na TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo).

 

A TJLP serve de base para os financiamentos concedidos a empresas pelo BNDES. Ela está hoje em 6,25% ao ano. Já a taxa básica de juros (Selic) foi aumentada ontem pelo Banco Central de 11,75% ao ano para 12,25% ao ano.

 

O presidente do BNDES afirmou que é função do BC manter as expectativas de inflação sob controle, o que por sua vez reforça a confiança dos investidores empresariais. Além disso, a queda nas expectativas de inflação ajuda a reduzir as taxas de longo prazo.

 

"Tem impacto transitório sobre taxa de longo prazo. Na medida em que a confiança se estabelece e há a certeza de que a inflação está novamente caminhando para a meta, a taxa de longo prazo cede novamente. E os mercados sabem disso", disse Coutinho.

06-06-2008 | 12:09

Agência Câmara

Por 14 votos a 7, foi aprovado nesta quinta-feira o relatório final da CPI Mista dos Cartões Corporativos, elaborado pelo relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). O relatório não sugere o indiciamento de ninguém e também não menciona o caso do suposto dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O voto em separado da oposição, que pede o indiciamento de ministros, não chegou a ser analisado.

Ainda assim, a presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), disse que enviará os dois relatórios ao Ministério Público.

Para Luiz Sérgio, é irrelevante sugerir indiciamentos no relatório. "Em toda CPI, há sempre esse debate sobre se o relator vai ou não pedir o indiciamento. Isso é irrelevante. O Ministério Público, a partir do relatório da CPI, tem poder para indiciar ou não, independentemente de um pedido."

O relatório paralelo da oposição sugere o indiciamento da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pelo caso do suposto dossiê. O texto pede ainda o indiciamento de Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, e de José Aparecido Nunes Pires, que teria vazado o suposto dossiê. Eles seriam indiciados por quebra de sigilo funcional e por improbidade administrativa.

Pelo uso indevido do cartão corporativo, o relatório paralelo pede o indiciamento da ex-ministra Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, e do ministro Altemir Gregolin, da Secretaria de Aquicultura e Pesca. O documento sugere que seja aberto processo contra o ministro Orlando Silva, do Esporte, por uso do cartão para pagar despesas pessoas.
(Saiba mais sobre os indiciamentos pedidos).

Sugestões
Entre as sugestões do relatório oficial, aprovado pela comissão, está um projeto de lei que regula a emissão e o uso dos cartões. A proposta limita os saques em 30% do limite de cada cartão. De acordo com dados do relatório, os saques representaram 75% do gasto total dos cartões em 2007. O texto prevê, ainda, que os extratos dos gastos sigilosos da Presidência da República sejam divulgados um ano depois do fim do mandato do Presidente.
(Saiba mais sobre as sugestões do relator).

A oposição também apresentou diversas sugestões, entre elas, o fim do saque com cartões corporativos - com sua substituição pela modalidade débito - e a necessidade de licitar a bandeira dos cartões, em vez de delegar a decisão sobre a bandeira a ser usada ao Banco do Brasil.
(Saiba mais sobre as sugestões da oposição).

Para o sub-relator da CPI, deputado Índio da Costa (DEM-RJ), o Ministério Público levará em conta o relatório derrotado na comissão. "O Ministério Público aceita qualquer denúncia, desde que ela seja embasada. A documentação apresentada no voto em paralelo que escrevi foi assinada pelo PSDB, pelo Psol pelo PPS e pelo Democratas. Portanto, não é um documento individual. É um documento da oposição ao qual, por dever de mérito e também da legislação vigente, o Ministério Público terá que dar curso."

A CPI Mista dos Cartões Corporativos foi encerrada nesta quinta-feira, depois de quase três meses de sua instalação, tendo realizado 18 reuniões.

06-06-2008 | 12:06

Mônica Izaguirre
Valor Econômico

O Ministério do Planejamento reagiu ao anúncio do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) e criticou a proposta de elevar a alíquota máxima de contribuição patronal ao futuro regime de previdência complementar dos servidores da União. Como relator do projeto de lei que cria esse regime, Marquezelli pretende apresentar, na próxima semana, um substitutivo elevando a contribuição máxima da União de 7,5% para 11%. Segundo o Planejamento, porém, além de implicar maior custo fiscal, esse aumento não é necessário para garantir aposentadoria equivalente ou muito próxima ao salário da ativa. Com 11% de cada parte, alerta o ministério, os servidores que entrarem no novo regime, sobretudo os mais novos, poderão se aposentar com benefício até 20% superior à média salarial dos últimos anos de carreira. 

Quando propôs 7,5%, o governo baseou-se em critérios técnicos, disse, em entrevista ao Valor, Luis Antônio Padilha, diretor de um dos departamentos da Secretaria de Gestão do ministério. Foi ele quem mais assessorou o ministro da Pasta, Paulo Bernardo, na elaboração do projeto original, agora relatado por Marquezelli, encaminhado em setembro de 2007 ao Legislativo. 

A alíquota foi proposta com base em estudos atuariais que consideram, entre outros itens, a idade média de ingresso no serviço público. Por esses estudos, levando em consideração que o novo regime será de capitalização, 7,5% de contribuição da União e mais 7,5% do servidor, em média, bastam para assegurar aposentadoria praticamente integral ou integral, diz Padilha. Nos regimes capitalizados de previdência, as contribuições formam uma reserva, com controle contábil individualizado, que rende juros e dividendos ao ser aplicada nos mercados financeiro e de capitais. Por isso, explica ele, a alíquota pode ser inferior à praticada no atual regime previdenciário próprio dos servidores federais, que é de caixa. Nos regimes de caixa, não há acumulação; as contribuições entram e já vão para o pagamento de benefícios. 

Mesmo com alíquota de 11% do servidor e de 22% da União, o atual regime é deficitário porque, além de não formar reserva, esse nível de contribuição não foi praticado desde o início da vida laboral dos atuais aposentados e de parte dos ativos, acrescenta Padilha. Antes da Constituição de 1988, muitos contribuíam para a Previdência Social e não para um regime próprio da União. Mesmo após a Constituição, a alíquota só se firmou em 11% a partir de 1998. 

As contribuições do servidor e da União para o futuro regime complementar de previdência vão incidir sobre a parcela do salário que exceder montante equivalente ao teto de benefícios do Instituto Nacional de Seguro Social (o INSS, da Previdência Social), atualmente R$ 3.038,99. Essa é a parcela ser garantida na aposentadoria pelo futuro Fundo de Previdência Complementar dos Servidores Públicos Federais (Funpresp). Aposentadorias inferiores ou iguais ao teto do INSS a União continuará bancando, por intermédio de um regime previdenciário básico, a ser criado por outro projeto de lei, ainda a ser enviado. 

Para os servidores atuais, a adesão ao fundo será opcional. A idéia do relator é elevar o prazo de opção para cinco anos. Pelo projeto original, eles teriam 180 dias. Marquezelli pensa em deixar 180 dias apenas para servidores que entrarem após a aprovação do projeto e antes da criação efetiva do Funpresp. Para quem entrar depois, o regime complementar será na prática obrigatório, se o servidor tiver salário superior ao teto do INSS, pois, caso contrário, ele só poderá receber o teto na aposentadoria. 

O projeto que criará o regime básico também vai prever a sua centralização, num único orgão federal. Esse orgão, ainda não definido, também centralizará a gestão do atual regime próprio, que terá que ser mantido por causa dos atuais servidores que não quiserem aderir ao Funpresp. Hoje, essa gestão é descentralizada. Cada Poder cuida do seus aposentados. Mas isso terá que mudar por força da Emenda Constitucional 41. Um único orgão vai cuidar das aposentadorias do Judiciário, Legislativo e Executivo.

06-06-2008 | 09:36

Mauro Zanatta
Valor Econômico

Os fiscais federais agropecuários decidiram ontem, em assembléia extraordinária, convocar uma greve de 48 horas a partir do próximo dia 12. Em 2007, a categoria ficou 92 dias paralisada por reajustes salariais. Os fiscais, que atuam em todos os portos, aeroportos e postos de fronteira do país, querem alterações na medida provisória que reajusta os vencimentos de 18 categorias de servidores públicos federais. 

O vice-presidente da associação dos fiscais (ANFFA), Wilson de Sá, afirma que o texto da MP, da forma como está redigido, reduzirá os salários de alguns dos 13 níveis de classificação. "Negociamos por um ano e meio para ter salário reduzido. Seria cômico se não fosse trágico", diz. A MP, segundo ele, desrespeita os termos de um compromisso firmado pelo Ministério do Planejamento no ano passado. 

Os fiscais dizem que a proposta incluída na MP limita a concessão de gratificação aos 80 pontos de avaliação do desempenho "institucional" do Ministério da Agricultura, e não leva em conta os 20 pontos de performance "individual" da categoria. Como concordaram em troca um reajuste percentual dos salários pelo sistema de pontuação previsto na MP, os fiscais estimam perder um pedaço da remuneração, que subiria para um inicial de R$ 7.190 até um final de R$ 9.068. 

O Ministério da Agricultura concorda com a avaliação dos fiscais. Em nota técnica enviada ao Planejamento, o secretário-executivo Silas Brasileiro afirma que "a alteração feita pela MP 431 provocará redução remuneratória" porque usa valores fixos, sem previsão de critérios de reajustes. 

Os fiscais voltam a reunir-se semana que vem. Para eles, a MP tem que ser alterada até 20 de junho, quando é fechada a folha de pagamento. A partir de 3 de julho, o governo não poderá conceder reajustes por causa das restrições previstas na Lei Eleitoral. O Ministério do Planejamento prometeu, em reunião, propor as alterações durante a tramitação da MP no Congresso. "Se não mudar, voltamos à greve por tempo indeterminado", diz Sá.

06-06-2008 | 09:33

O Globo

Todos são acusados de crimes ambientais

BRASÍLIA. A Polícia Federal prendeu ontem Marco Antônio Rodrigues Maia, procurador da superintendência do Ibama de Rondônia, Rui Carlos Freire Filho, assessor jurídico da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental, e mais oito servidores públicos e empresários suspeitos de envolvimento em extração ilegal e contrabando de madeira, entre outros crimes ambientais. Só numa das fraudes investigadas na Operação Savana, a organização é acusada de facilitar a extração ilegal de 150 mil metros cúbicos de madeira nobre. Rondônia está na lista dos estados onde foram registrados os mais altos índices de devastação da Floresta Amazônica.

Entre os presos estão Daiane Borges e Gilmar da Silva, donos da Vitória Madeira Borile & Costa, uma das maiores madeireiras da região. Também estão nesta lista os donos das madeireiras Clorofila, Ipemar, LL Madeir, Silva e Silveira, Souza e Furtado, H. Gomes e Negmar Indústria e Comércio, Importação e Exportação de Madeira.

Com o procurador Marco Antônio Maia a polícia apreendeu R$110 mil, sendo R$10 mil em espécie e o restante em quatro cheques de R$25 mil. Os cheques teriam sido emitidos por um dos madeireiros suspeitos de pagar propina a servidores do Ibama e da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental em troca de favores.

06-06-2008 | 09:29

Folha de S. Paulo

Acusado de perseguição por Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT-SP), o governador José Serra (PSDB) recomendou que o deputado federal enfrente seus próprios problemas em vez de buscar "distrair a atenção".
"O Paulinho deveria enfrentar os problemas dele de verdade. Porque ele está bastante ameaçado de cassação. Então faz isso para distrair a atenção."
Serra disse desconhecer que a Polícia Civil de São Paulo tenha perseguido Paulinho. Em entrevista ao jornal "Correio Braziliense", Paulinho acusa grupos ligados a Serra e ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), de serem os responsáveis pela pressão que vem sofrendo. "E não estou querendo falar agora. Se eu falar, cai a República de São Paulo", declarou Paulinho.
"A Polícia Civil é corpo independente, que trabalha seriamente. Aí ele mistura banana com laranja, com tomate e com abacate. Não tem nada a ver."
Em nota, o prefeito disse considerar a entrevista "totalmente fantasiosa" e "desprovida de fundamento". "O prefeito reafirma que o deputado Paulo Pereira da Silva pediu a demissão do secretário do Trabalho, Geraldo Vinholi, que também é do PDT. Como o pedido não foi acatado, Paulinho levou o PDT a romper com o governo municipal, forçando a saída do secretário", diz a nota da prefeitura.
Paulinho é suspeito de envolvimento em um esquema de irregularidades e desvio de dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social), revelado pela Polícia Federal.
No meio político, as declarações de Paulinho foram encaradas como um movimento de embarque na candidatura de Marta Suplicy (PT).
Na quarta-feira, Paulinho procurou o presidente estadual do PSB, Márcio França, dizendo-se sob pressão para que venha a apoiar o PT. PDT e PSB formam o bloquinho.

06-06-2008 | 09:21

Luciano Pires
Correio Braziliense

Ao contrário dos servidores civis, o pagamento de maio do pessoal das Forças Armadas saiu com os reajustes estabelecidos na MP 431 graças a um esforço da Marinha, do Exército e da Aeronáutica 
 
Enquanto os servidores civis esperam pela folha suplementar, os militares já receberam o reajuste previsto na Medida Provisória (MP) 431, editada em maio. Os soldos com o aumento foram pagos na terça-feira graças a um esforço conjunto feito por Marinha, Exército e Aeronáutica.

Como as Forças Armadas têm maior autonomia sobre os cadastros da ativa e da reserva, ao contrário do que ocorre na União, foi possível incluir a tempo no contracheque de maio os novos valores autorizados pelo governo.

Embora tenham sido contemplados na mesma medida provisória que os militares, os 800 mil funcionários civis do Executivo federal, distribuídos por 17 categorias, ainda aguardam receber o dinheiro.

O Ministério do Planejamento garante que o pagamento será feito em junho, mas admite que entraves logísticos podem acabar empurrando o repasse para o fim do mês. A demora desagrada aos servidores, que não acreditam em problemas técnicos no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). “Que bom que os militares conseguiram receber o reajuste. Estamos agora reivindicando o nosso aumento. Não há motivo para não pagar, no Serpro está tudo bem”, argumentou Josemilton Costa, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef).

Gastos
Com as mudanças nas remunerações, o gasto público com pessoal militar passará de R$ 27,6 bilhões para R$ 31,8 bilhões neste ano. Em abril, depois de mais de um ano de várias rodadas de negociações, o governo anunciou reajustes para as Forças Armadas em percentuais diferenciados por patente e parcelados anualmente.

O índice médio de aumento ficou em 47,19%. Uma primeira parcela, de 8%, retroativa a janeiro, foi honrada. Outras duas, de 3,64% cada uma, deverão incidir sobre os ganhos de julho e outubro. Por causa da alteração, o menor salário entre os militares será o pago a 82,2 mil recrutas, no valor de R$ 471 e o maior será de R$ 15.048,19, pago aos oficiais generais de quatro estrelas, último posto na carreira na ativa. 
 
MP reestrutura Abin
O Diário Oficial da União publicou ontem a Medida Provisória (MP) 434 que estrutura o Plano de Carreiras e Cargos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Desde a criação do órgão, em 1999, o governo não promovia uma mudança organizacional tão profunda. As inovações agradaram aos servidores, que ganharam status de carreira típica de Estado e também novas atribuições.

Foram criadas quatro carreiras dentro da Abin: oficial de inteligência, oficial técnico de inteligência, agente de inteligência e agente técnico de inteligência. Estão previstos concursos públicos para o preenchimento de postos (leia mais na página 16). Além disso, a categoria recebeu reajuste salarial de 76%, dividido em duas vezes — maio e outubro de 2008. Com isso, o piso passará de R$ 5,8 mil para R$ 10,2 mil, e o teto de R$ 8 mil para R$ 13,4 mil, de acordo com a Associação dos Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Asbin). A MP ainda altera a forma de remuneração dos funcionários, que vão receber na forma de subsídio.

O plano foi negociado à exaustão entre o Ministério do Planejamento, a Casa Civil e representantes dos servidores ao longo de 10 meses. As mudanças na Abin deveriam ter sido incluídas na MP 431, baixada em maio pelo governo, mas devido a vícios técnicos ninguém foi contemplado com os aumentos. “É um passo importante para consolidação da Abin. Resolvemos parte dos problemas que se arrastavam há 18 anos”, disse Nery Kluwe, presidente da Asbin. A agência possui 1,6 mil funcionários ativos e cerca de 800 inativos.

Apesar do reajuste e das alterações funcionais, os servidores da Abin querem a equiparação com a Polícia Federal. A meta é chegar a 2010 com os mesmos salários de um delegado em fim de carreira (R$ 19,7 mil em 2009). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apóia a idéia porque acredita que será uma das maneiras de atrair novos talentos para o órgão. O Palácio do Planalto já deu sinal verde para que a área técnica do governo comece a amadurecer a proposta.

06-06-2008 | 09:19

Letícia Nobre
Correio Braziliense

 Ibama, Instituto Chico Mendes, Abin, MINISTÉRIO da Fazenda, CVM, Aeronáutica e STJ farão contratações no segunDO semestre
 
O segunDO semestre no “munDO” DOs concursos começa a ser desenhaDO. Ontem, foram autorizadas, criadas ou aprovadas 1.312 vagas para os níveis médio e superior em sete órgãos DO serviço público. Os salários prometem encher os olhos: variam de R$ 1.460 a R$ 13.468. Foram contemplaDOs MINISTÉRIO da Fazenda, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e DOs Recursos Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Conselho de Valores Mobiliários (CVM), ComanDO da Aeronáutica, Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

No Diário Oficial da União, o MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO deu sinal verde para cinco seleções. O maior número de vagas é para o MINISTÉRIO DO Meio Ambiente, que poderá preencher 200 vagas este ano e outras 200 a partir de janeiro de 2009. Os postos de especialista de análise ambiental estão distribuíDOs entre o Ibama (190) e ICMBio (210). Para o cargo, a remuneração básica atual é de R$ 2.573,86, mas com gratificações pode atingir R$ 3.921,15.

Em até seis meses, o MINISTÉRIO da Fazenda deve publicar edital para recrutar 80 analistas de finanças e controle (nível superior), que, em valores atuais, recebem salário inicial de R$ 8.484,53. A CVM pode contratar 31 novos serviDOres: 10 agentes executivos (nível médio), 12 analistas e nove inspetores (nível superior). QuanDO aprovaDOs e nomeaDOs, os profissionais vão receber de R$ 3.907,79 a R$ 8.484,53.

Na Aeronáutica, os postos são para 41 professores de 1º e 2º grau que serão lotaDOs na Academia da Força Aérea (13), no Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (2) e no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (26). De acorDO com o MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, a remuneração nesse caso varia de acorDO com o perfil DO candidato procuraDO. Caso a dedicação seja de 20 horas semanais e o aprovaDO tenha a graduação, será de R$ 1.460. Se a dedicação for exclusiva e o candidato tiver DOutoraDO, a remuneração será de R$ 3.418.

STJ
A Câmara DOs DeputaDOs aprovou, mas o Projeto de Lei 1.581/07, que cria 320 vagas no Superior Tribunal de Justiça, ainda tem que passar pelo crivo DO SenaDO. A proposta cria 58 postos para analista judiciário, 58 para técnico judiciário, cinco cargos em comissão e 199 funções em comissão.

Os novos funcionários vão trabalhar nas coordenaDOrias de turmas, nas seções e na Corte Especial DO STJ, nos gabinetes DOs ministros e na área de distribuição DOs processos. Os salários ofereciDOs devem ser idênticos aos DO Supremo Tribunal Federal: R$ 3.323,52 para técnicos e R$ 5.484,08 para analistas. As funções comissionadas e os cargos em comissão não foram divulgaDOs.

Abin
A Medida Provisória 434, também publicada ontem, autoriza a criação de 440 vagas para oficial técnico de inteligência (nível superior) e agente técnico de inteligência (nível médio). A remuneração DOs serviDOres da Abin varia de R$ 4.012,54 a R$ 13.468,76. Está definiDO na MP que os concursos públicos devem conter provas objetivas e discursivas, investigação social, avaliação médica e psicológica, teste de capacidade física, curso de formação e análise de títulos.

06-06-2008 | 09:18

Leandro Colon, Tiago Pariz e Alessandra Pereira
Correio Braziliense

Pedetista negocia aliança com a chapa de Marta Suplicy na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Em troca, espera manter o mandato com ajuda da legenda. Candidatura de Aldo, do bloquinho, corre perigo

A política do toma-lá-dá-cá entrou na rota Brasília—São Paulo. Um dia depois de disparar contra DEM e PSDB, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) acelerou uma negociação para que o chamado bloquinho — PDT, PSB e PCdoB — indique o vice na chapa de Marta Suplicy (PT) à prefeitura paulistana.

Em troca, espera que o PT o apóie no processo que sofre na Câmara por causa das denúncias de envolvimento no esquema de desvio de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A bancada petista tem 80 deputados, a segunda maior da Casa. Um apoio desse é fundamental para quem não quer perder o mandato.

A estratégia da salvação, no entanto, esbarra em dois obstáculos: o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e o PSB. Aldo e os socialistas não admitem esse acordo. Querem manter a posição de lançar um candidato próprio. De preferência, o próprio Aldo. O impasse abriu uma crise interna entre as legendas, podendo levá-las a implodir o bloquinho no maior colégio eleitoral do país.

Paulinho nega publicamente, mas já desistiu de ser candidato a
prefeito por causa do escândalo em que está envolvido. Nos últimos dois dias, o pedetista disse aos aliados que pretende convencer Aldo a ser o vice de Marta. Essa seria a melhor saída para o deputado do PDT. Solução que evitaria um rompimento imediato com o bloquinho. Mas se Aldo não topar, Paulinho já conta com o aval do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT, para embarcar de vez na campanha de Marta.

O deputado e o ministro conversam diariamente sobre o assunto. Avaliam que não há caminho a tomar que não seja o apoio a Marta. Em entrevista publicada ontem pelo Correio, Paulinho ensaiou seu discurso, alegando que o bloquinho tem mais chances de vitória ao se coligar com Marta do que lançar candidato próprio. “A eleição em São Paulo vai ser polarizada (com a oposição)”, acredita.

Marta quer mais do que nunca essa aliança. Principalmente porque teria mais tempo na televisão e também a Força Sindical ao seu lado. Somando-a à Central Única dos Trabalhadores (CUT), ela ficaria com o apoio das duas maiores centrais sindicais do país.

Compromisso
Até agora, a prefeita está sozinha nessa disputa em São Paulo. Preocupada em agregar, chegou a convidar a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) para ser sua vice. A parlamentar topou, mas o PSB, não. De olho em fortalecer um palanque paulista para o seu presidenciável Ciro Gomes em 2010, o partido quer fazer valer o acordo para que haja um candidato próprio nas eleições municipais de São Paulo. “O Paulinho tem a palavra amarrada e o compromisso conosco. Não existe hipótese de não haver candidatura própria. Nós não contamos com essa hipótese. Foi uma decisão tomada em conjunto para lançar a candidatura”, avisa o presidente do diretório paulista do PSB, deputado Márcio França (SP).

O PCdoB não anda nada feliz com as pretensões de Paulinho. Aldo Rebelo tem sido pressionado a desistir de sua candidatura nos últimos dias. O presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o secretário-geral do partido, José Eduardo Cardozo, tentam convencê-lo de que o melhor caminho é apoiar Marta.

Só que Aldo não esconde que prefere a distância dos petistas. Não perdoa o boicote do partido a ele quando foi ministro da Coordenação Política, nem a postura do PT de lançar Arlindo Chinaglia (SP) para a Presidência da Câmara, contra a sua reeleição. Aldo e PT estão longe de serem grandes amigos no Congresso. E o PCdoB se diz cansado de ser um apêndice das campanhas petistas.

“Fantasiosa”
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), reagiu com indignação à entrevista dada por Paulinho ao Correio. Considerou “totalmente fantasiosa” e “desprovida de fundamento” a fala do deputado. O pedetista afirmou que a pressão que sofre por causa das denúncias de recebimento de propina de desvios no BNDES tem origem na disputa política em São Paulo. O parlamentar acusou a Polícia Civil paulista de investigá-lo clandestinamente.

O deputado acredita que Kassab e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), estejam por trás da crise em torno dele neste momento. O tucano também respondeu. “O Paulinho está misturando banana, laranja, com tomate e abacate. E faz tudo isso para distrair a atenção da opinião pública”, afirmou Serra. “Ele deveria enfrentar seus problemas de verdade”, ressaltou.

Para os aliados do prefeito e do governador, Paulinho tentou mudar o foco depois que começou a negociar com o PT para indicar o vice de Marta.

Não existe hipótese de não haver candidatura própria (do bloquinho). Nós não contamos com essa hipótese 

Deputado Márcio França (SP), presidente do diretório paulista do PSB
 
análise da notícia
Ciro pode ficar sem palanque

Se o bloquinho implodir em São Paulo, o maior derrotado será o deputado e presidenciável Ciro Gomes (PSB). Disposto em concorrer ao Palácio do Planalto em 2010, Ciro é o principal interessado em fortalecer um palanque na maior cidade do país.

Argumenta que não é fácil ganhar uma eleição presidencial sem um bom desempenho nas urnas paulistas. Repete todos os dias que é preciso dividir com PT e PSDB a discussão política no estado e buscar uma terceira via.

No primeiro turno das eleições presidenciais de 2002, Ciro amargou um quarto lugar na capital paulista. Ficou com 12% dos votos, atrás de Anthony Garotinho, José Serra e Luiz Inácio Lula da Silva. Ciente de que precisa mudar esse cenário, o deputado tem trabalhado para se distanciar do PT paulistano e criar um espaço próprio. Foi um dos articuladores do acordo que selou a disposição do bloquinho em lançar um candidato próprio para a eleição municipal em São Paulo.

Quis o destino que Paulo Pereira da Silva mudasse de opinião. E de rumo. Paulinho foi o candidato a vice na chapa de Ciro na disputa eleitoral de 2002. Depois, rompeu com ele para se aproximar dos tucanos. Nos últimos meses, os dois retomaram as conversas. Um diálogo que pode ficar surdo novamente, dependendo do andar da carruagem das negociações em São Paulo.

06-06-2008 | 09:17

FUPESP na busca da melhor qualificação leva representantes de sindicatos para seminário em Pouso Alegre - MG. O curso preparou os dirigentes para terem noções de Administração, Comunicação, Ética e Direito.

05-06-2008 | 17:14