EDSON LUIZ

Correio Braziliense


Servidor da Presidência que integra comissão para investigar dossiê participou da apuração do caso Waldomiro, que acabou sem punição
 
Se depender do resultado da última grande sindicância aberta no Palácio do Planalto para averiguar irregularidades, é possível que a apuração do vazamento dos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aberto na semana passada, não dê em nada. O primeiro caso de repercussão ocorreu em 2004, envolvendo o então subsecretário de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz, acusado de recebimento de propina quando dirigia a Loteria do Rio de Janeiro (Loterj). Inclusive, um dos funcionários escolhidos pela ministra Dilma Rousseff para integrar a atual comissão de investigação das informações do governo passado também atuou na sindicância em torno de Diniz, que não resultou em nenhuma punição.

A comissão, que terá até 24 de abril para concluir seus trabalhos, é presidida pelo corregedor-geral adjunto da União para a Área Social, Waldir João Ferreira da Silva Junior. Ele é funcionário da Presidência da República, assim como Edimar Fernandes de Oliveira, outro integrante da comissão, que atua como corregedor da Advocacia-Geral da União (AGU) e foi quem esteve no caso de Waldomiro Diniz.

O terceiro encarregado pela investigação é Carlos Humberto de Oliveira, que faz parte do conselho gestor do Fundo Nacional de Segurança Pública e que trabalha diretamente na Casa Civil, subordinado a Dilma e a Erenice Guerra – responsável pela coleta dos dados referentes aos gastos do governo de Fernando Henrique.

Falhas na coleta
Na última sindicância vultuosa ocorrida no Palácio do Planalto, não houve punições. Principal envolvido, Waldomiro Diniz nem ao menos chegou a depor. Disse na ocasião que só falaria em juízo. Além dele, outras 23 de 28 pessoas convocadas prestaram depoimento, mas as 21 reuniões promovidas pela comissão de sindicância resultaram em nada. Não houve, por exemplo, coleta de documentos pessoais de Diniz, que estariam no computador usado no Palácio do Planalto. Além disso, a comissão não teve como se aprofundar na investigação em torno das agendas e pautas de reuniões do ex-assessor da Casa Civil.

O resultado final da sindicância não cita em nenhum momento que Waldomiro Diniz era ligado ao ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, que também não foi chamado para depor. Este mesmo procedimento deve ser adotado em torno da atual chefe da pasta, Dilma Rousseff. A comissão apenas concluiu que o ex-assessor palaciano tivera três encontros com executivos de uma multinacional para tratar sobre a renovação de contratos da Caixa Econômica Federal.

A conclusão foi somente de que haviam indícios de que Diniz teria cometido improbidade administrativa. No caso da sindicância atual, nem isso poderá ser constatado, já que o vazamento deve ser tratado como uma infração administrativa, o que resultaria na perda do cargo comissionado ou simplesmente em uma advertência. 
 
Crítica ao vazamento
Recém-eleito presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes afirmou ontem em Curitiba (PR) que a prática de vazamento de informações pelo governo federal vai contra a democracia. “Não tenho dados específicos sobre o assunto, mas se de fato alguém pratica esta política de levantamento de dados para vazar com o intuito de formar dossiê é lamentável, se isso se pratica no âmbito do governo é lamentável. Acho que até não é uma prática condizente com o Estado de direito democrático”, afirmou, referindo-se à atual situação política da ministra Dilma Rousseff, envolvida na denúncia de vazamento de dados sobre gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Reportagem publicada na sexta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo acusou a secretária-executiva da Casa Civil e braço direito de Dilma, Erenice Guerra, como autora do suposto levantamento dos gastos do ex-presidente. De acordo com informações da Agência Estado, o documento do Tribunal de Contas da União (TCU) não é suficiente para justificar o levantamento de informações sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, segundo a revista Veja, correspondem ao período de 1998 a 2001. O Acórdão 230/2006, no qual a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, se baseia para justificar o banco de dados do ex-presidente determina retroatividade das contas apenas até setembro de 2002, fim do segundo mandato de FHC.

31-03-2008 | 08:59

Maria Eugênia
Jornal de brasília


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o entendimento de que não há óbice ao enquadramento dos fiscais de tributos do Instituto Nacional do Açúcar e do Álcool (IAA) no cargo de auditor fiscal do Tesouro Nacional, tendo em vista a compatibilidade de atribuições, nos termos do artigo 30 da Lei 8.112/90. A conclusão da Terceira Seção unifica a questão nas duas Turmas – Quinta e Sexta – que julgam questões referentes a servidores públicos. O caso chegou à Seção em embargos de divergência propostos por um servidor, contestando a decisão da Quinta Turma do STJ que lhe negou o direito ao enquadramento por entender que o aproveitamento estaria sujeito a atribuições e vencimentos compatíveis com o cargo anteriormente ocupado, o que não ocorreria no caso em questão. Ele argumentou haver divergência entre decisões da Quinta e da Sexta Turma. Por unanimidade, acompanhando o voto da relatora, desembargadora convocada Jane Silva, a Terceira Seção reconheceu a divergência alegada pelo servidor e unificou o entendimento.

28-03-2008 | 10:12

Maria Eugênia
Jornal de Brasília


A União foi intimada pela juíza Regilena Emy Fukui Bolognesi, da 11ª Vara de São Paulo, da decisão que determinou o pagamento administrativamente dos valores devidos aos servidores do Poder Legislativo e do TCU que entraram com ação. Agora, a União tem até o dia 14 de abril para entrar com recurso. Caso não recorra, terá um prazo de 120 dias para que apresente o roteiro do pagamento a ser efetuado e uma lista contendo o valor final para cada servidor, conforme lista fornecida pelo Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo e do TCU (Sindilegis). A decisão favorável aos servidores ocorreu no último dia 13 e o Sindilegis e o advogado responsável pela ação judicial, Amário Cassimiro, aguardavam que a União fosse notificada. No entanto, ambos tranqüilizam os filiados, pois esse é o curso normal de uma ação judicial.

28-03-2008 | 10:10

Maria Eugênia
Jornal de Brasília


Em assembléia realizada ontem pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) e pela Federação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Fenafisp), a categoria decidiu permanecer em greve. Na reunião, os grevistas deliberaram sobre o andamento da paralisação. Segundo o vice-presidente da Delegacia Sindical do Unafisco, César Sapucaia, o governo não sentou para negociar com os auditores depois da greve. “A última reunião com o governo foi antes da greve ser deflagrada. Até o momento, a gente ainda não tem a resposta”. Os auditores fiscais estão em greve em todo País desde da terça, 18. A principal reivindicação é sobre o reajuste salarial equiparado com os dos delegados federais.

28-03-2008 | 10:09

Maria Eugênia
Jornal de Brasília


Os médicos da rede pública rejeitaram, por unanimidade, a proposta apresentada do GDF e vão entrar em greve a partir do dia 21 de abril. A decisão foi tomada após assembléia geral da classe. Durante a assembléia, os médicos aprovaram a manutenção do indicativo de greve e farão, a partir do dia 7 de abril, um amplo movimento de alerta à população sobre as reais condições de trabalho e de atendimento. A proposta apresentada pelo GDF foi negociada com a intermediação do Ministério Público do DF e prevê um reajuste médio de 10,88% no vencimento para os médicos com jornada de 20 e 40 horas, com percentuais diferenciados de acordo com o tempo de serviço; e de 12,09% para os médicos docentes de 40 horas.

GDF aberto ao diálogo
O GDF lamentou a decisão do Sindicato dos Médicos de entrar em greve. Em nota, o governo afirma que várias reuniões foram realizadas entre as partes desde o início deste governo. Ontem, foi apresentada uma proposta de reajuste  médio de 11,30 % para os médicos.  Em 2007, o GDF concedeu à categoria aumento da ordem de 17,6%. Com a proposta de agora, segundo a nota,  os vencimentos, da classe chegariam a mais de 30% de aumento. Este reajuste, de acordo com o governo, será o maior de todos os concedidos ao funcionalismo. Mais de 30% de reajuste contra, por exemplo, a média de 20% dada à Segurança e os 24% para a área da Educação. O sindicato pediu que fossem estudadas duas modificações relativas à data do aumento e a uma gratificação. O GDF afirma que se propôs a estudar essas alterações e nova reunião foi marcada para a próxima semana. O governo diz ter sido surpreendido com a decisão de greve, mas afirma se manter aberto ao diálogo e confiante na volta das negociações. 

28-03-2008 | 10:00

Jornal do Brasil

Pressionado pelo Congresso, o Planalto abandona a idéia de editar MP

Pressionado no front parlamentar, o Palácio Planalto desistiu de editar medida provisória para reajustar os salários de cerca de 700 mil servidores. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, anunciou ontem que o reajuste será regulamentado por projeto de lei. Inicialmente, a idéia do governo era editar uma MP.

A estratégia do governo mudou porque o Executivo tem sido muito criticado por deputados e senadores por utilizar este instrumento em excesso, prejudicando os trabalhos do Congresso e com matérias sem relevância ou urgência.

Nós tínhamos a pretensão de mandar uma medida provisória, mas há uma polêmica sobre isso na Câmara e no Congresso, para nós diminuirmos o número de MPs. Então eu levei para o presidente a proposta de nós mandarmos projeto de lei. De qualquer forma, amanhã (hoje) a proposta deve estar na presidência, o presidente chega na segunda-feira e deve assinar no começo da semana que vem – disse o ministro.

Fim do trancamento

Por acordo, a Câmara deverá aprovar o fim do trancamento da pauta de votações pelas MPs. No entanto, este é um dos poucos itens consensuais sobre a mudança no rito das medidas, explica o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ).

Relator da matéria na comissão especial da Câmara, Picciani apresenta na próxima quarta-feira os itens convergentes e divergentes em relação às mudanças na tramitação das MPs. Segundo o relator, não há consenso sobre o prazo de vigência das medidas, o quórum para inversão da pauta e os créditos orçamentários.

Por decisão do presidente da comissão especial das MPs, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), Picciani apresentou o texto básico em sessão secreta, na qual apenas parlamentares puderam acompanhar a leitura do parecer.

Os beneficiados

No começo do mês, Bernardo anunciou que o governo iria publicar uma MP estabelecendo um reajuste salarial escalonado para cerca de 700 mil servidores de nove categorias profissionais. O reajuste seria diluído em até quatro anos - 2008, 2009, 2010 e 2011-, dependendo da categoria.

Parcelamento

Os reajustes chegariam a 137% – caso de algumas carreiras e classes de servidores da Previdência, Saúde e Trabalho. Para esses, os reajustes vão variar de 37,25% a 137,28%, dependendo de níveis, classes e padrões da carreira. O aumento será dividido em quatro vezes: março de 2008, fevereiro de 2009, julho de 2010 e julho de 2011.

Bernardo reuniu-se, ontem, com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, para discutir o reajuste dos militares. Ele disse que não iria comentar o tema, mas garantiu não haverá equiparação com os salários da Polícia Militar.

Não é a mesma coisa. A carreira dos militares tem uma discussão particular sobre isso - argumentou o ministro do Planejamento.

28-03-2008 | 09:29

Luciano Pires
Correio Braziliense

Ministros do Planejamento e da Defesa negociam aumentos salariais de até 27% para a categoria. Presidente Lula quer decisão rápida 


 


O governo retomou ontem, e com intensidade, o debate interno sobre o aumento que será autorizado aos militares. Em um encontro no início da noite, os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e do Planejamento, Paulo Bernardo, avaliaram a possibilidade de conceder um robusto reajuste neste ano e outros dois mais modestos em 2009 e 2010. De todas as negociações fechadas pelo Executivo federal até agora, essa é considerada estratégica. A pressão das Forças Armadas se arrasta desde o ano passado e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já avisou que espera uma solução urgente para o caso.

A reunião entre Jobim e Bernardo partiu de uma proposta antiga elaborada pelo Ministério da Defesa no fim de novembro de 2007. Pelo plano, o aumento seria de 27,62%, com impacto no orçamento estimado em R$ 5,8 bilhões, em 2008, e R$ 8,3 bilhões a partir do próximo ano. Os ministros avaliaram outros percentuais, entre eles 14%, 16% e 17%, considerando as diferenças salariais entre as carreiras militares e as civis de mesmo padrão. Segundo Jobim, nada está definido. “As conversas continuam”, resumiu.

Tão logo resolva essa questão, o governo espera enviar ao Congresso Nacional a proposta de reajuste para os cerca de 800 mil servidores civis. A pedido dos líderes dos partidos da base aliada, o Palácio do Planalto estuda a melhor forma de implementar as mudanças nos contracheques do funcionalismo. Até ontem, a tendência era de mandar aos parlamentares todos os reajustes por meio de projeto de lei e não por medida provisória.

Greves


Mas há outros problemas a serem resolvidos pelo governo. A greve dos auditores da Receita Federal, iniciada no último dia 18, é um dos principais. Apesar das fortes reclamações dos exportadores, no entanto, o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, garantiu ontem que a paralisação não prejudica o comércio exterior. “Até agora, não verificamos nenhum impacto. Estamos trabalhando para evitar prejuízos”, disse Rachid. Ele negou que o movimento esteja atrasando as operações de embarque e desembarque de cargas nas principais alfândegas do país.

Segundo a Receita, funcionários que ocupam postos importantes nas aduanas, e que tenham aderido à greve, estão sendo substituídos. Uma liminar concedida pela Justiça Federal no Rio Grande do Sul impede o corte de ponto, a anotação das faltas na ficha funcional dos auditores ou a abertura de processos disciplinares. A categoria quer equiparação salarial com os delegados da Polícia Federal, que recebem R$ 18 mil por mês. Em média, os auditores ganham R$ 13 mil mensais.

Em Goiás, servidores do Judiciário estadual fizeram ontem uma paralisação de 24 horas. As comarcas de cidades próximas ao Distrito Federal não funcionaram e, em Goiânia, de acordo com o sindicato que representa os servidores, o atendimento ao público foi prejudicado. A reivindicação é de aumento salarial de 100%, abertura de vagas e a construção de sedes judiciais nas cidades onde ainda não há estrutura.

28-03-2008 | 09:23

Fernando Teixeira
Valor Econômico

Uma concessionária de energia do Rio de Janeiro tem R$ 5 milhões em créditos a receber da União por uma disputa sobre PIS já definida em favor do contribuinte. A empresa já tem a decisão final, mas ela foi publicada no fim de janeiro, quando começou a greve dos procuradores da Fazenda Nacional. Resultado: os R$ 5 milhões continuam parados. Já uma advogada de Brasília especializada em defender servidores do governo federal e de autarquias não tem muito o que fazer com seus processos, pois os advogados da União e os procuradores federais também estão sem trabalhar. Com dois meses completos na semana passada e sem perspectivas de término, a greve da defesa judicial da União começa a prejudicar quem briga na Justiça com o governo. 

As reclamações vêm de advogados especializados na área tributária e na defesa de servidores públicos - temas que respondem por quase todos os 6,7 milhões de processos ativos na Justiça Federal, onde são julgadas as disputas com a União e suas autarquias. A alegação é a de que o sistema processual brasileiro já tem mecanismos que blindam o governo contra falhas na defesa judicial, o que joga o custo da greve no colo das empresas, dos servidores federais e de seus advogados. Para a União, por sua vez, o custo é pequeno, pois ela dificilmente perde prazos e as perdas potenciais de queda na arrecadação judicial e na contestação de cobranças acabam sendo apenas adiadas. 

A reclamação dos advogados privados vem da metodologia usada para iniciar a contagem dos prazos para os recursos da União. Além de ter os prazos em dobro - ou em quádruplo, dependendo da ação -, os advogados públicos precisam ser intimados pessoalmente para que o prazo comece a contar. Quando o responsável pela defesa da União não está trabalhando, nunca é intimado, o prazo não corre e o processo fica, na prática, congelado. Segundo advogados, a regra surgiu nos tempos em que a advocacia pública era desorganizada. Mas hoje alega-se que sua manutenção acaba sendo uma distorção - são comuns reclamações de processos que ficam três ou até seis meses aguardando a citação do procurador. 

Os advogados públicos em greve não costumam admitir que os processos estão congelados, e em algumas circunstâncias as chefias assumem o trabalho. Na defesa nos tribunais superiores - no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF) - foram feitos pedidos de suspensão de prazos ou de adiamento das intimações em razão da greve. Os dois tribunais negaram os pedidos, mas na primeira seção do STJ, responsável pelas ações de direito público, os ministros concordaram em fazer uma moratória informal dos casos mais relevantes ou de "leading cases" para evitar prejuízos à União. 

Uma espécie de continuação da greve realizada no início de 2006, a paralisação deste ano dos cerca de cinco mil defensores judiciais da União segue sem perspectivas de solução. Em 2006 os advogados pleiteavam uma equiparação de seus salários aos do Ministério Público Federal (MPF), órgão com o salário-base mais alto do país. Na época, isto significava elevar o salário inicial da categoria de R$ 7,8 mil para R$ 19,9 mil. O acordo com o governo feito após da greve fixou a elevação em quatro anos, mas a medida provisória veio com novos valores, e o valor final caiu para R$ 17 mil. Esta solução foi abandonada e substituída por um novo acordo fixado no ano passado, mas o governo resolveu adiar a edição da medida provisória com as novas parcelas devido à não-aprovação da CPMF. 

A Advocacia-Geral da União (AGU) tem assegurado que o acordo está mantido e que o governo é favorável ao reajuste, mas os grevistas acreditam que há resistências no Ministério do Planejamento. A situação pode piorar com o anúncio feito ontem pelo ministro Paulo Bernardo de que os aumentos virão por projeto de lei, e não por medida provisória. Para os grevistas, esta seria uma forma de protelar os aumentos, que ficariam perdidos indefinidamente na pauta do Congresso Nacional. 

28-03-2008 | 08:59

O Globo

O Congresso Nacional manteve ontem o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei que transferia do Ministério do Trabalho e Emprego para a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) a atribuição de realizar o registro de jornalista, indispensável ao exercício da profissão. Os parlamentares analisaram 74 itens vetados, de 19 projetos aprovados pelo Congresso, mas sem maiores polêmicas entre os parlamentares. Todos os 74 itens vetados por Lula foram mantidos pelo Congresso.

No caso do veto ao projeto de regulamentação dos jornalistas, Lula justificou que a proposta era inconstitucional, porque essa delegação poderia dar à Fenaj o poder de obrigar os jornalistas a se filiarem à respectiva entidade sindical. Até hoje de manhã, havia 996 vetos pendentes de votação em 159 proposições, alguns ainda do governo Itamar Franco (1992-1995). Há mais de dois anos não era realizada sessão para votação dos vetos, sessão secreta em que os parlamentares votam em cédulas de papel.

28-03-2008 | 08:56

O Estado de S. Paulo

Paralisação dos auditores fiscais, iniciada há dez dias, impede liberação de contêineres e prejudica operações

Em assembléia realizada ontem, os fiscais da Receita Federal em Santos decidiram manter com 30% do efetivo trabalhando, como determina a legislação, a paralisação iniciada na terça-feira da semana passada.

Segundo o vice-presidente do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque, 90% do espaço físico dos terminais do Porto de Santos já está comprometido com os contêineres de importação.

Roque identifica ainda outros três problemas com a operação portuária por causa da greve, além da falta de lugares nos terminais: o tratamento dos contêineres está sendo prejudicado - ou seja, não vagam os que têm cargas importadas para serem usados para exportação -, os navios não estão saindo com lotação completa e as operações estão mais lentas. 'Os custos dos armadores com estadia e frete estão subindo', diz o executivo.

A estimativa é de que 70% dos auditores do País tenham aderido ao movimento. Segundo o sindicato da categoria, o governo propôs um reajuste de 17%, enquanto os auditores esperavam 42%.

O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, disse que a greve dos auditores não está afetando o comércio exterior brasileiro. Segundo ele, está sendo feito um remanejamento de pessoas para atender as áreas que necessitam de reforço. 'Nesse primeiro momento estamos trabalhando para dar um maior controle e eliminar a greve.' Rachid disse que uma liminar concedida no Rio Grande do Sul não permite que o ponto seja cortado. 'A medida judicial ampara o movimento.'

RECLAMAÇÕES

Ao contrário do que disse o secretário, técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior garantem que a greve dos auditores fiscais já afeta o comércio exterior. 'Estamos recebendo reclamações o tempo todo. Isso cria instabilidade e um custo desnecessário', disse uma fonte.

O ex-ministro do Trabalho Almir Pazzianotto afirma que os grevistas deverão ter os dias de paralisação descontados, e questiona a greve. 'O Judiciário diz que a greve dos servidores públicos deve seguir a legislação da iniciativa privada. Mas a lei da iniciativa privada diz que o setor público terá legislação específica. É preciso que isso seja regulamentado corretamente.'

O ministério está concluindo um balanço dos prejuízos da greve, que será apresentado no dia 1º de abril pelo secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, junto com os dados da balança comercial em março.

Os técnicos dizem que a greve afeta todo o setor produtivo e as operações do Ministério do Desenvolvimento e do Banco Central. Há um acúmulo de processos que, com o fim da greve, precisarão ser liberados, criando dificuldades para o ministério em razão do número reduzido de servidores.

28-03-2008 | 08:53