Em outubro, os preços no varejo apresentaram alta tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo. Nos dois casos, o grupo vestuário teve forte influência nos resultados.

Segundo divulgado pela Fecomercio Rio e SP, os preços do setor no estado fluminense registrou acréscimo de 0,57%. Na cidade de São Paulo, por sua vez, o segmento apresentou evolução de 0,11% no período.

Pressões
No geral, o IPV (Índice de Preços no Varejo), no Rio de Janeiro, teve alta de 0,14% e, na capital paulista, registrou acréscimo de 0,15%.

Além do setor de Vestuário, no Rio de Janeiro, também houve alta nos setores de artigos de residência (0,32%), Saúde e Higiene Pessoal (0,26%), Manutenção Predial (0,23%), Alimentação (0,14%) e Veículo (0,03%). Dentre os produtos que mais pressionaram o índice no Rio, estão cebola (33,45%), tomate (15,21%) e tangerina (13,07%).

Já em São Paulo, as maiores influências para a inflação vieram dos combustíveis e lubrificantes (2,88%), dos açougues (0,71%) e dos brinquedos (1,62%). Por outro lado, na cidade, os segmentos Supermercados (-0,29%) e Feiras (-1,20%) apresentaram queda no décimo mês do ano, o que deve continuar ocorrendo nos próximos meses.

"Para os próximos meses, a expectativa é de que os produtos alimentícios continuem em processo de realinhamento de preços, graças às condições climáticas mais favoráveis", explica a economista da Fecomercio-SP, Júlia Ximenes.

Fonte: InfoMoney

04-12-2009 | 10:23

Em sua sexta edição, a ser realizada no Pará entre 6 e 9 de dezembro,

CMATIC visa promover a discussão em torno da Saúde e Segurança no Trabalho



Após a realização dos Fóruns Regionais, terá início no dia 6 dezembro de 2009, em Belém (PA), o VI Congresso Nacional sobre Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção (CMATIC). Este será o principal evento de âmbito nacional voltado às questões de segurança e saúde no trabalho na Indústria da Construção do Brasil, com o tema central "Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde para o Trabalho Decente.



O congresso, que acontece de 6 a 9 de dezembro, na Estação das Docas, foi realizado pela primeira vez em 1987, em São Paulo, com o objetivo de proporcionar o intercâmbio do conhecimento com o setor produtivo em prol da melhoria das condições de trabalho e da garantia da integridade física e mental dos trabalhadores, mas sem perder de vista a importância do desenvolvimento setor.



Os temas centrais do VI CMATIC abordarão o trabalho decente e os sistemas de gestão em Saúde e Segurança do Trabalho (SST) e tem em sua programação oficial tópicos que incluem práticas inovadoras em SST e estratégias avançadas de gestão de negócios, entre outros temas.



O Congresso é voltado a profissionais de segurança e saúde no trabalho, professores, pesquisadores, engenheiros, técnicos em edificações, mestres de obras, cipeiros e designados, trabalhadores e empregadores em geral, assim como alunos de cursos técnicos, de graduação e pós-graduação.



Sob coordenação regional da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Pará, do Centro Estadual da Fundacentro do Pará e comissão organizadora composta por governo, empresários e trabalhadores, a realização do VI CMATIC atende às recomendações do Comitê Permanente Nacional sobre Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção.



Todas as informações referentes à hospedagem, comissão organizadora, comissão científica, inscrições, trabalhos aprovados e outras, poderão ser visualizadas no site do evento.



Evento - Durante a realização do congresso, será exibido vídeo produzido pelo Serviço de Recursos Instrucionais da Fundacentro que conta a história de consolidação do evento, considerado o maior encontro nacional dedicado à saúde e segurança do trabalhador da construção.



"O que se pretende mostrar com as imagens que serão inseridas no vídeo é justamente as diferenças regionais existentes nas cinco regiões onde os Fóruns Regionais aconteceram, focando sempre os trabalhadores em ação", comenta Leordino Novaes, produtor.

Após a realização do Congresso, o vídeo estará disponível na Biblioteca da Fundacentro, em São Paulo.

Fonte: Ascom Fundacentro/MTE

04-12-2009 | 10:19

O projeto de lei (PLC 136/09) que cria a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), do Poder Executivo foi aprovado, nesta quarta-feira (2), na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).



O objetivo do projeto é estabelecer um novo aparato organizacional para a atuação do Poder Público no mercado de fundos de pensão.



De acordo com o projeto, a Previc ficará responsável pela fiscalização dos fundos.



Como parte da nova estrutura, a proposta cria também a Secretaria de Políticas de Previdência Complementar, que formulará políticas de governo e diretrizes para a previdência complementar.



O projeto substitui também o atual Conselho de Gestão da Previdência Complementar pelo Conselho Nacional de Previdência Complementar, que terá como função fixar as políticas propostas pela Secretaria de Políticas de Previdência Complementar e normatizar o sistema de fundos.



A Previc será uma autarquia de natureza especial, com autonomia administrativa, financeira, patrimônio próprio e vinculada ao Ministério da Previdência Social. Além da fiscalização, ficará responsável pela execução das políticas para o regime de previdência complementar fechado.



Vale-cultura
A Comissão de Assuntos Sociais aprovou ainda o projeto (PLC 221/09) que cria o vale-cultura. De acordo com o projeto, serão beneficiados com o benefício os trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos.



De acordo com o projeto do Executivo e já aprovado pela Câmara dos Deputados, o vale-cultura será de R$ 50 por mês, fornecido prioritariamente às pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos mensais. Até dez por cento do valor do vale-cultura poderão ser descontados da remuneração desses trabalhadores, de acordo com regulamento.



A Comissão aprovou também duas emendas, que incluem os aposentados e estagiários entre os beneficiados pela medida. Foram incluídos ainda livros e revistas entre os itens que poderão ser consumidos com o Vale.



Em caráter de urgência, o projeto de criação do vale-cultura está tramitando de diversas comissões.



Por isso, logo após sua aprovação na CAS, a proposta foi encaminhada para votação nas comissões de Constituição e Justiça; e de Cultura, onde foi aprovado e encaminhado para o plenário, que deverá analisá-lo até o dia 12 dezembro, pois tramita em regime de urgência.

Fonte: Diap

03-12-2009 | 08:19

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou, nesta quarta-feira (2), em decisão terminativa, proposta que proíbe a contratação da prestação de serviços que estejam incluídos entre as atribuições regulares de servidores ou que representem necessidade finalística, essencial ou permanente dos órgãos da administração pública.



De acordo com o substitutivo do senador Osmar Dias (PDT/PR) ao projeto (PLS 223/09), do senador Marcelo Crivella (PRB/RJ), há apenas duas exceções admitidas na contratação.



A primeira é para a realização de tarefas executivas, como as de limpeza, operação de elevadores, conservação, vigilância e manutenção de prédios, equipamentos e instalações.



A segunda permissão para a terceirização refere-se a atividades que atendam as necessidades das empresas públicas e sociedades de economia mista, relativas à pesquisa e inovação tecnológica e de serviços de tecnologia de informação, não disponíveis no quadro técnico efetivo.



A justificar a apresentação do projeto, Crivella afirma que a proliferação dos contratos de terceirização de mão de obra tem causado "inúmeros efeitos danosos no âmbito da administração pública".



Entre esses efeitos, cita a fixação da responsabilidade solidária do órgão público quanto às obrigações trabalhistas não cumpridas pela empresa privada contratada e "a terceirização de serviços inseridos entre as atribuições regulares de ocupantes de cargos de provimento efetivo, a representar burla repudiável aos princípios do concurso público, da moralidade administrativa, da impessoalidade e da eficiência, constitucionalmente consagrados".



Para Crivella, a terceirização desmedida é "duplamente perniciosa". Primeiro, porque fere o inciso II do artigo 37 da Constituição, que exige concurso público para a posse em cargo ou emprego público, exceto no caso de cargo em comissão.



Segundo, porque, "se no setor privado ela eleva o ganho com a redução do custo, mas submete-se à lei do mercado que se baseia na concorrência, na administração pública é corriqueira a contratação da intermediação por valor faustoso, enquanto ao trabalhador é pago um salário de morte".



O senador acrescenta que, muitas vezes, há a conivência de agentes públicos, "alguns dos quais são os verdadeiros donos das empresas contratadas e que enriquecem sem causa justa à custa do sagrado trabalho alheio".



São subordinados ao regime da lei que o projeto pretende alterar (Lei 8.666/93), além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, estados, Distrito Federal e municípios.



O relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), senador Osmar Dias (PDT/PR), é favorável à proposição.

Fonte: Agência Senado

03-12-2009 | 08:11

A Comissão de Assuntos Sociais aprovou, nesta quarta-feira (2), o projeto (PLS 371/09) que permite o saque do Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço (FGTS) de acordo com tempo de contribuição.


O projeto, do senador Paulo Paim (PT/RS) autoriza que o trabalhador com 35 anos de contribuição possa sacar os recursos.


No caso da trabalhadora, esse tempo cai para 30 anos de contribuição.


"Muitas vezes, o trabalhador já tem tempo suficiente para se aposentar, porém, não usufrui do direito porque quer garantir uma aposentadoria maior. Não é justo que ele não retire os recursos acumulados no FGTS. É um direito dele", justificou o senador Paim.

Fonte: Diap

03-12-2009 | 08:07

As relações de trabalho de empregados domésticos poderão ser regidas por normas comuns na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A uniformização da legislação trabalhista consta de projeto de norma aprovado ontem pelo Parlamento do Mercosul (Parlasul), em Montevidéu. A proposta estabelece o Regime Laboral do Pessoal de Serviço Doméstico.

Apresentado pela deputada argentina Mabel Müller, o projeto agora será encaminhado ao Conselho do Mercado Comum, que poderá transformá-lo em uma decisão do próprio conselho. Neste caso, a decisão terá de ser referendada pelos parlamentos de cada país membro, para se tornar lei.

Segundo o projeto, presume-se relação de serviço doméstico quando ocorre trabalho em dias fixos da semana no domicílio do empregador, com horário de entrada e saída. Entre as obrigações do empregador prevista no projeto estão as de prover alimentação e moradia adequadas às necessidades do trabalhador e de pagar diariamente os gastos de transporte.

O projeto ainda estabelece que a jornada de trabalho diária será de, no máximo, oito horas, com descanso de meia hora. O texto aprovado ainda garante aos trabalhadores o direito de filiação a associações sindicais.

Na opinião do deputado George Hilton (PRB-MG), o projeto pode ser considerado um passo adiante em relação às atuais regras que regulamentam o trabalho doméstico. “É um avanço na área trabalhista, uma grande demanda que o Mercosul terá nos próximos anos. Além dos direitos que já são garantidos em alguns países, como férias, 13º salário e contribuição para a aposentadoria, nesta proposta, abre-se também a possibilidade de se criar um sindicato para a categoria, o que é algo novo”, afirmou o deputado.

Fonte: Agência Câmara

02-12-2009 | 10:45

Por Wilson Aquino, na Istoé desta semana



Nas palestras em que é convidada a participar nos mais distantes rincões do País, a biofarmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes costuma contar a história da mulher que a abraçou e, chorando, lhe agradeceu porque, desde que o marido da vizinha foi preso por espancá- la, seu próprio companheiro, temeroso de destino idêntico, nunca mais lhe bateu.



O caso traduz a essência da Lei Maria da Penha: mais do que punir com rigor os agressores, está modificando a cultura brasileira que tolera e considera normal um marido ameaçar, humilhar e até espancar a mulher.



No Brasil, onde muitas leis ficam só no papel, esta surpreendeu por sua aplicação rigorosa e imediata.



Entretanto, corre sério risco de ser praticamente extinta. Tudo depende de um projeto de lei em tramitação no Senado.



Se aprovado, modifica o Código de Processo Penal, fazendo com que os crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher voltem a ser considerados de menor potencial. Na prática isso significa impunidade.



Esses crimes voltariam a ser resolvidos com penalidades pecuniárias, como pagamento de cestas básicas e indenizações. "Estou apavorada com essa reforma", disse Maria da Penha.



A preocupação de Maria da Penha, que vive sobre uma cadeira de rodas devido aos tiros que levou de seu ex-marido, um professor universitário que tentou matá-la por não se conformar com a separação, é a mesma de juízes, defensores públicos e promotores de Justiça que militam na área da violência doméstica.



"A Lei Maria da Penha basicamente é revogada com esse novo Código de Processo Penal", alerta a juíza fluminense Adriana Ramos de Mello, presidente do Fonavid, o fórum que discute a questão da violência familiar.



A ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres (SPM), Nilcéa Freire, também está angustiada.



"Esse projeto não pode ser votado da maneira que está porque praticamente acaba com uma lei que a ONU classifica como uma das três melhores existentes no mundo para diminuir a violência contra a mulher", adverte a ministra.



Ninguém é contra a reforma do Código de Processo Penal, que vigora desde 1941. O que aflige é a falta de cuidado da comissão do Senado que redigiu o projeto com a realidade enfrentada pela mulher brasileira. Após a implantação da Lei Maria da Penha, em 2006, as mulheres têm buscado mais os seus direitos.



Dados do Conselho Nacional de Justiça estimam em mais de 150 mil o número de processos instaurados nos Juizados da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher no País, a partir da lei.



Desde a sua implantação, mais de 1,8 mil homens foram presos e quase 20 mil mulheres foram beneficiadas com medidas de proteção e segurança. "A minha participação, agora, é coletar assinaturas contra a aprovação dessa reforma", diz Maria da Penha.

Fonte: Diap

02-12-2009 | 10:44

Uma nova tabela do fator previdenciário entrou em vigor, nesta terça-feira (1º), para o cálculo das aposentadorias por tempo de contribuição. Os índices têm como base a nova tábua de expectativa de vida, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com projeções de uma vida mais longa para a população brasileira. A sobrevida chegou a 72,9 anos, em 2008, enquanto, em 2007, alcançou 72,6 anos.

O Fator Previdenciário é utilizado somente no cálculo do valor da aposentadoria por tempo de contribuição. Na aposentadoria por invalidez não há utilização do fator, e, na aposentadoria por idade, a fórmula é utilizada opcionalmente.

Pelas regras da aposentadoria por tempo de contribuição, se o fator for maior que 1, há acréscimo no valor do benefício em relação à média do salário-de-contribuição utilizada no cálculo da aposentadoria. Se o fator for igual a 1, não há alteração. E, caso o fator seja menor do que 1, haverá redução do valor em relação à mencionada média.

O novo Fator Previdenciário será aplicado apenas às aposentadorias solicitadas de hoje em diante. Os benefícios já concedidos não sofrerão qualquer alteração em função da divulgação da nova tábua de expectativa de vida do IBGE. A utilização dos dados do IBGE, como uma das variáveis da fórmula de cálculo do fator, foi determinada pela Lei 9.876, de 1999, quando se criou o mecanismo.

Fonte: ACS/MPS

02-12-2009 | 10:38

A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), e a bancada feminina do Senado, coordenada pela senadora Serys Slhessarenko (PT/MT), 2ª vice-presidenta, entregam, nesta quarta-feira (2), às 11h, ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB/AP), sugestão de projeto de lei que cria mecanismos para garantir a igualdade entre mulheres e homens nas relações de trabalho urbano e rural e, coíbe práticas discriminatórias neste âmbito.

Produzida pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, os ministérios da Justiça, e do Trabalho, a proposta leva em conta princípios constitucionais, normas internacionais ratificadas pelo Brasil e convenções da Organização Internacional do Trabalho.

Seus capítulos tratam: Da conceituação da igualdade entre mulheres e homens; da Definição das práticas discriminatórias; Do equilíbrio entre as responsabilidades familiares e profissionais; Da igualdade na relação de trabalho; Do incentivo à igualdade e da coibição das discriminações; Da prevenção e coibição do assédio nas relações de trabalho; Da assistência às trabalhadoras e aos trabalhadores e; Da comissão interna de promoção da igualdade;

O objetivo da mobilização em torno da criação de uma Lei que trate sobre igualdade no mundo do trabalho é efetivar, nesta esfera, o princípio constitucional da igualdade entre mulheres e homens, orientando-se pela idéia de traduzir a declaração de igualdade consagrada em dispositivos constitucionais e normas infraconstitucionais destinadas a prevenir e coibir quaisquer práticas discriminatórias lesivas à dignidade das mulheres.

Busca-se, assim, garantir que a crescente inserção das mulheres no mercado de trabalho ocorra em respeito às especificidades da condição feminina e a permanência delas no emprego, combatendo inclusive com ações do Estado, todas as formas de discriminação em razão de sexo, raça e etnia.

Segundo dados da Pnad/2008 as mulheres hoje significam 44% da População Economicamente Ativa (PEA) do país e 42% da população ocupada. No entanto ganham, em média, 29,7% menos do que os homens. (Fonte: Assessoria de Comunicação)

Fonte: Diap

02-12-2009 | 10:37

A denúncia é do Sindicato dos Servidores do Ministério Público de Goiás. 462 é o número de cargos em comissão existentes hoje no Ministério Público de Goiás. O valor representa mais da metade do número de servidores efetivos, que são 787. Alguns estados são usados como referencia para demonstrar números bem mais modestos quando o assunto é nomeação sem concurso: no Tocantins, os servidores comissionados são 33, contra 294 servidores efetivos (fonte: www.mp.to.gov.br/transparencia); já no Rio Grande do Norte, são 21 cargos comissionados para 237 servidores efetivos (fonte: www.mp.rn.gov.br/portaldatransparencia).
Outra questão que preocupa tanto quanto o alto número de comissionados é a atribuição desses cargos. Dispõe o art. 37, V, da Carta Magna:

V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento; O que ocorre atualmente é que, dos 462 cargos em comissão, apenas aproximadamente 10% são ocupados por servidores efetivos de carreira, que só conseguiram isso graças à benevolência de alguns membros. Apesar de claramente expresso na Constituição Federal, em Goiás não há garantia legal de manutenção de percentual mínimo de servidores efetivos no exercício de cargos em comissão.

Com relação às atribuições de “direção, chefia e assessoramento”, os requisitos para ocupação dos cargos em questão não são claros. O assessor administrativo, por exemplo, é uma espécie de “genérico” dos cargos em comissão. Apesar de ter suas atribuições definidas no art. 14 do Ato PGJ n.º 33/2008, de 21/10/2008, o Sindicato apurou que as vagas são ocupadas por profissionais das mais variadas áreas, como design, arquitetura, administração, relações públicas, engenharia, psicologia, computação, publicidade e contabilidade, entre outros, destoando totalmente das atribuições para que foram criadas. A maioria dessas vagas está prevista em concurso público cuja validade foi prorrogada para mais dois anos (dezembro/2011), conforme Ato PGJ n.º 39/2009, de 26 de outubro de 2009, publicado na edição de n.º 113 do Diário Oficial do Ministério Público do Estado de Goiás – DOMP (PA n.º 2009000100066261).

Outro fato que causa espanto é que, entre os cargos comissionados do MP/GO, incluem-se até mesmo motorista, garçom e secretária. Nem é preciso se esforçar muito para compreender que essas vagas não se enquadram nos requisitos constitucionais de “direção, chefia e assessoramento”. “Não seria mais correto utilizar-se do cadastro reserva do concurso ainda vigente, ao invés de preencher a necessidade por vias oblíquas? Ou então dar a oportunidade para os servidores efetivos, criando gratificações para ocupar as funções? Logo o Ministério Público, guardião da Constituição, fiscal da lei, que tantas vezes ingressou com ações civis públicas contra exatamente o mesmo tipo de arbitrariedade de outros órgãos?”, questiona o Sindicato.

História de luta

Essas e outras questões já foram levantadas diversas vezes pelo Sindicato, sempre com resposta insatisfatória do Procurador-Geral de Justiça (PGJ), Eduardo Abdon Moura. Em relação à questão dos cargos comissionados, o SINDSEMP apresentou em 09/05/2007 uma pauta de reivindicações contendo 18 itens, dentre eles proposta de alteração da Lei 14.810/2004, que trata do Plano de Carreira da categoria, a fim de resguardar 100% das funções de confiança e pelo menos 70% dos cargos comissionados aos servidores de carreira do MP/GO.

Na ocasião, houve sim uma alteração. Mas apenas para incluir os MEMBROS no texto antigo da citada norma que continua a resguardar apenas 30% dos cargos comissionados para “servidores efetivos” - vale ressaltar que a lei não especifica de qual órgão. Na prática, nem mesmo esse pequeno percentual é obedecido.

Após uma reunião com o PGJ realizada em 29 de maio de 2007, a pauta de reivindicação se transformou em minuta de anteprojeto de lei por sugestão dele próprio. A minuta recebeu elogios do PGJ por várias vezes, sendo o último em dezembro de 2007, durante seu discurso na I Semana do Servidor do Ministério Público, na presença de grande parte dos servidores. Naquela ocasião, o PGJ afirmou que precisava aguardar a aprovação do orçamento para 2008 na Assembleia Legislativa, para “aí, sim, elaborar a proposta da Procuradoria-Geral de Justiça para o PCS – 2 da categoria” (o discurso está gravado em vídeo).

O tempo passou, o sindicato pressionou e, por fim, uma comissão foi formada, nos moldes do dito popular “quem não quer resolver um problema, para enrolar, cria uma comissão”. A alegação foi que analisariam as inúmeras propostas próprias apresentadas por servidores, sendo que o sindicato é o único representante legítimo dos servidores do MP/GO por reconhecimento do próprio Ministério do Trabalho e Emprego. Dessa comissão faziam parte até mesmo representantes das categorias comissionadas. O porquê, ninguém entendeu!

Em quatro encontros, não houve discussão alguma. O SINDSEMP promoveu mobilizações em todo o Estado com camisetas, banners, almoços, cafés da manhã etc. Por fim, saiu a resposta do PGJ às demandas, negando praticamente todas. O único pedido atendido foi o de reajuste dos salários. Mas a proposta apresentada pelo PGJ foi muito aquém do pleiteado há mais de dois anos pelos servidores. Mesmo assim, foi discutida com a categoria e aceita. O fato é que o sindicato entende que o PCS – 2 deixou de ser atendido e a condução das negociações pela direção do órgão ministerial foram frustrantes decepcionando todos os servidores. Assim, o SINDSEMP protocolou, no dia 14/07/2009, ofício endereçado ao PGJ que reitera a posição de não abrir mão de tão importantes pleitos. São eles os já citados: garantia mínima dos cargos comissionados aos servidores do MP/GO e 100% das funções de confiança ocupadas exclusivamente pelos servidores de carreira do MP/GO; além disso, pede a garantia da licença prêmio e sua conversão em espécie, valorização da progressão funcional, expediente diurno ininterrupto no MP com revezamento entre turnos de seis ou sete horas e garantia de efetivo exercício ao servidor liberado para exercício de mandato classista em entidades representativas dos servidores do Ministério Público de Primeiro e Segundo Graus.

A informação chegou ao presidente da CSPB, João Domingos, que em contato com a Federação Nacional dos Ministérios Públicos Estaduais – FENASEMPE, se posicionou em defesa do sindicato. A Federação já está ciente do fato e o presidente
Marcos Kersting (à esquerda na foto com João Domingos), já está tomando providencias no sentido de oficiar órgãos que possam reverter esse quadro. “É bom destacar que o problema não está apenas no estado de Goiás, Ministérios Públicos de outros estados também convivem com este problema, seja com comissionados ou terceirizados, tem que se tomar providências urgente, apoiamos integralmente e vamos assumir no que couber, a CSPB está atenta à questão”, disse Domingos.

“Agradecemos o apoio do presidente João Domingos no sentido de minimizar o problema. Nesta semana estarei em Goiânia e juntamente com o SINDSEMP trabalharemos uma estratégia para resolver a questão, se preciso vamos tomar medidas enérgicas junto aos órgãos competentes para que providencias sejam tomadas”, disse Marcos Kersting, presidente da FENASEMPE.


CSPB-SECOM com informações da FENASEMPE

01-12-2009 | 09:17