É muito pouco provável que possa prosperar uma ação contra uma medida que tem amparo constitucional. Em última análise, as políticas de cotas são ligadas aos valores que foram construídos na pauta dos direitos humanos"

 

Por Rodrigo Haidar e Filipe Coutinho, no Conjur

 

O partido Democratas entrou com ação no Supremo Tribunal Federal, nesta segunda-feira (20), para suspender a matrícula dos aprovados no vestibular da Universidade de Brasília (UnB), que destina 20% das vagas para as cotas raciais.

O partido afirma que a UnB "ressuscitou os ideais nazistas" e que as cotas "agravam o problema da desigualdade".

A matrícula dos aprovados no vestibular acontece na quinta-feira e, por isso, o DEM pede a análise do caso em caráter liminar.

Como o STF está em recesso, caberá ao presidente Gilmar Mendes a análise do caso.

A autora da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental é a procuradora do Distrito Federal Roberta Fragoso Kaufmann, advogada voluntária na causa.

Roberta é uma das maiores estudiosas das cotas raciais. A tese de mestrado da procuradora, aliás, foi orientada por Gilmar Mendes, que agora deverá decidir o futuro do vestibular da UnB.

No mérito da ADPF, o DEM pede a análise da constitucionalidade das cotas raciais, mas, de antemão, quer suspender o vestibular da UNB, que reserva 652 das 3.280 vagas aos cotistas.

Na ação, o DEM sustenta que as cotas não são uma solução para as desigualdades no país. "Cotas para negros não resolvem o problema. E ainda podem ter o condão de agravar o problema, na medida em que promovem a ofensa arbitrária ao princípio da igualdade".

O partido vai mais longe, a ponto de associar a política da UnB a Adolf Hitler.

"O edital simplesmente ressuscitou ideais nazistas, hitlerianos, de que é possível decidir, objetivamente, à que raça a pessoa pertence. Dizer que isso não é praticar racismo é, no mínimo, uma ofensa à inteligência humana".

Na peça, o partido sustenta que a análise do Supremo deve pacificar o entendimento sobre a polêmica das cotas.

"A questão submetida agora ao julgamento desta suprema corte vem sendo discutida pela magistratura de primeira e segunda instâncias, nos âmbitos estaduais e federais, gerando decisões distintas. Somente uma ADPF poderá possibilitar que a corte constitucional resolva a verdadeira balbúrdia que permeia o tema, a partir do paradigma da UnB. É ou não é constitucional a criação de tribunais raciais nas universidades, como órgão capaz de determinar quem é negro no Brasil?"

O partido sustenta que é inconstitucional. Para isso, cita nove princípios da Constituição, entre eles o do acesso universal à educação e a meritocracia.

Para evitar críticas, o DEM começa a defesa do mérito da ação justamente com uma série de negativas. O partido sustenta que não está discutindo a constitucionalidade de ações afirmativas ou se existe racismo no Brasil.

"Discute-se se a implementação de um Estado racializado será a medida mais adequada e ponderada para a finalidade a que se propõe: a construção de uma sociedade mais justa".

O Democratas diz, ainda, que a política de cota racial da UnB decorre de um "certo deslumbramento precipitado em relação ao modelo adotado nos Estados Unidos".

De acordo com a ADPF, a política de que "todo modelo de Estado social tem por pressuposto a integração de todas as minorias por meio de ações afirmativas" não poderia se resumir aos negros. Para isso, o DEM diz que deveriam ser implementadas políticas para os "carecas, baixos e obesos" - para então completar que essa lógica é uma "ofensa à razoabilidade".

Por isso, o partido sugere que a única maneira de implementar cotas raciais é por meio da análise do DNA, a fim de se identificar quem é 100% branco.

Para o reitor da Universidade de Brasília, José Geraldo de Sousa Júnior, a ação do DEM é descabida.

"É muito pouco provável que possa prosperar uma ação contra uma medida que tem amparo constitucional. Em última análise, as políticas de cotas são ligadas aos valores que foram construídos na pauta dos direitos humanos", disse.

"Uma medida como essa (do DEM), pelo contrário, é que transmite os ideais nazistas de segregação. Lutar contra isso (as cotas) é o ir contra o principio de igualdade das pessoas e isso é segregação", acrescentou o reitor da UnB à revista Consultor Jurídico.

22-07-2009 | 09:32

Governo oferece um ganho real entre 2,5 a 3,5% acima da inflação, somente em 2010, em troca de os aposentados e pensionistas abrirem mão de todas as quatro propostas cujo objetivo é recuperar as perdas dos benefícios do INSS

 

Robson de Souza Bittencourt*

 

O Governo Federal anunciou que, no dia 3 de agosto, apresentará uma proposta de reajuste para os aposentados e pensionistas do INSS.

Com uma única idéia, o Planalto quer enterrar quatro proposições que tramitam atualmente no Congresso de interesse dos segurados: PL 1/07, que com a emenda do senador Paulo Paim (PT/RS), concede a todos os benefícios o mesmo reajuste anual concedido ao salário mínimo; PL 3.299, que extingue o fator previdenciário; PL 4.434, que determina a recuperação de todas as perdas dos benefícios previdenciários; e, ainda, o veto ao PLV 18/06, relativo ao reajuste de 2006, quando o salário foi reajustado em 16,67% e os aposentados tiveram apenas 5,01%.

Pelo que divulga a imprensa, o Governo oferece um ganho real entre 2,5 a 3,5% acima da inflação, somente no ano que vem, em troca dos aposentados e pensionistas abrirem mão de todas as quatro propostas citadas.

Ainda segundo a imprensa, somente em 2011, após a eleição, o Governo discutiria uma proposta de reajuste decente e definitiva para os 26,4 milhões de aposentados e pensionistas.

Ao completar seu segundo mandato e oito anos na presidência, o ex-companheiro Luiz Inácio Lula da Silva não terá cumprido suas promessas de campanha. Apenas no primeiro reajuste que ele concedeu, logo após ser eleito, foi aplicado um índice único para benefícios e salário mínimo.

Tampouco Lula cumpre a Constituição da República que determina, em seu artigo 194, IV, a irredutibilidade do valor dos benefícios.

Quem se aposentou recebendo quatro salários mínimos e, alguns anos depois, recebe apenas 1,5, certamente não mantém o mesmo poder aquisitivo.

Dizer o contrário é fazer escárnio com a inteligência e as condições de vida de milhões de brasileiros que contribuíram por tantas décadas com os valores devidos.

E eles são exatos 8,6 milhões de segurados.

Sendo assim, a única e definitiva proposta que interessa aos aposentados e pensionistas é a aprovação pela Câmara de Deputados da emenda do senador Paulo Paim ao Projeto de Lei 1/07 e sua posterior sanção pelo presidente da República, concedendo-se, todos os anos, um único reajuste para o salário mínimo e para todos os benefícios do INSS.

Nenhuma outra negociação, nenhum outro índice será razoável e nem honesto. Isto por diversas razões.

A primeira delas chama-se paridade. Quem contribui sobre determinado valor tem o direito de, cumpridas todas as exigências (unilaterais) da Previdência, receber na mesma proporção.

A segunda é a segurança jurídica e social. Na medida em que o INSS paga valores compatíveis, muito mais pessoas terão confiança e incentivo em contribuir com valores maiores.

Todos saem ganhando.

Outra razão é a existência de recursos mais que suficientes para a Seguridade Social cumprir seu papel. Não existe e nunca existiu rombo algum na Previdência. Muito pelo contrário.

É público e notório que este e todos os governos anteriores desviaram recursos para outras finalidades. Só o Governo Lula retira uma média de R$ 60 bilhões por ano, utilizados para pagar dívidas interna e externa.

Também não há que se admitir barganhas entre um reajuste digno e eventuais melhorias nas áreas de saúde, habitação, outros direitos do Estatuto do Idoso e sinecuras diversas.

Isto lembra a "negociação" dos portugueses com os índios, quando aportaram por aqui há mais de 500 anos.

O que está em pauta é apenas e somente o reajuste.

Por fim, uma razão de ordem política e verdadeiramente humanitária: chega de tratar o aposentado e o pensionista brasileiro como se fosse um lixo, um peso para a sociedade.

Os senadores já aprovaram os três projetos de lei acima relacionados. Na Câmara há um consenso em restituir a dignidade a tantos milhões de brasileiras e brasileiros.

Há também a certeza de que a ameaça de "quebra da Previdência" não é só uma balela, mas terrorismo infame de alguns covardes, evidenciando o medo do presidente Lula em relação a 2010.

Nas eleições do ano que vem, com certeza, os aposentados e pensionistas mostraram quem merecerá seus votos.

Rejeitamos, ainda, qualquer negociação sobre a vida dos aposentados e pensionistas realizada com as centrais sindicais.

Elas representam trabalhadores da ativa, nunca os segurados do INSS.

Para estes, há mais de 20 anos a Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas) é a entidade legítima, com assento em todos os conselhos e órgãos do segmento.

Assim, entendemos que a solução definitiva e eficaz está dada: aprovar a emenda de Paim ao PL 1/07.

Qualquer outra proposta não é "negociação", mas manobra espúria para manter tudo como d'antes.

Confiamos nos senhores deputados e na sanção lúcida e democrática pelo presidente da República.

22-07-2009 | 09:31

A comissão criada para analisar a anulação dos 663 atos secretos editados no Senado encontrou 218 funcionários que não tiveram suas nomeações publicadas no Boletim Administrativo de Pessoal da Casa.

De acordo com a assessoria de imprensa da Diretoria Geral do Senado, porém, nenhum desses servidores será exonerado até a conclusão das investigações.

Na segunda-feira (13) da semana passada, o presidente Senado, José Sarney (PMDB/AP), determinou a anulação de todos os atos secretos e ordenou a criação de uma comissão que apresente um relatório com as medidas a serem adotadas para garantir a anulação dos atos.

A comissão também deverá apresentar as providências que serão tomadas com o objetivo de ressarcir os cofres públicos pelos recursos eventualmente pagos de forma ilegal, a partir de atos secretos.

Entretanto, se ficar comprovado que algum desses funcionários trabalhou efetivamente no Senado, apesar da nomeação ter ocorrido de forma sigilosa, não será preciso ressarcir aos cofres públicos o valor do rendimento pago aos mesmos.

Existe a suspeita de que alguns desses servidores sejam "fantasmas".

O parecer preliminar apresentado pela comissão sugere a exoneração imediata dos 218 funcionários, mas a Diretoria Geral ainda analisa a recomendação, e só deverá bater o martelo ao final das investigações, pois ainda existem muitas dúvidas jurídicas sobre o caso.

O Senado ainda não sabe como proceder, por exemplo, em casos em que os funcionários nomeados a partir de atos secretos estão aposentados, ou quando o servidor já tiver sido exonerado em ato devidamente publicado no Boletim de Pessoal.

O parecer final da comissão deve ser entregue em cerca de 20 dias. O prazo é improrrogável. (Fonte: Agência Estado)

22-07-2009 | 09:31

A aprovação da minirreforma eleitoral pela Câmara dos Deputados e a votação da "janela" que permitirá trocas de partido, no segundo semestre, são medidas de contra-ataque do Congresso Nacional à atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de mais rigor sobre a classe política, e uma antecipação para que os eleitos tenham menos problemas a partir da campanha eleitoral de 2010.

O Congresso quer evitar que, após eleitos, políticos fiquem sob a ameaça de perder mandato.

O Parlamento também quer limitar o poder de o TSE editar resoluções sobre regras eleitorais às vésperas do pleito.

A avaliação de parlamentares é que o TSE avançou na competência do Congresso de legislar.

Com a proposta em tramitação no Congresso, os deputados esperam evitar decisões da Justiça Eleitoral no vácuo deixado pelos parlamentares.

A minirreforma eleitoral atacou vários pontos da jurisprudência recente do TSE.

Nas eleições de 2006, o tribunal foi bastante rigoroso ao contestar doações para campanhas feitas por concessionárias de serviço público.

Até mesmo a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi aprovada com ressalvas por causa de doação de R$ 10 mil de uma concessionária do setor de portos.

Para evitar problemas como esse, o texto aprovado na Câmara dos Deputados permite que essas doações sejam feitas por intermédio de uma triangulação: o envio do dinheiro primeiro ao partido e, depois, para o candidato.

É o que o TSE chama de "doação oculta" e tenta coibir.

O texto aprovado pela Câmara também libera o político da obrigatoriedade de ter as contas aprovadas para que possa se candidatar.

Um dos focos principais do TSE nos últimos anos foi ampliar o rigor na análise de contas de campanha.

Neste sentido, o tribunal decidiu passar um "pente fino" nas contas e proibir que o candidato que não obtivesse a aprovação conseguisse a certidão de quitação eleitoral.

Esse documento é condição para o registro de candidato. Pela minirreforma, não será mais.

A abertura de uma "janela" também é considerada grave pelo tribunal e revela o conflito entre a Corte Eleitoral e o Congresso Nacional.

A "janela" será aberta sete meses antes das eleições para que os políticos possam trocar de partido. Pela Proposta de Emenda Constitucional em tramitação, serão 30 dias para as trocas.

Trata-se de uma maneira de contornar as decisões do TSE que, em 2007, proibiu a troca de partidos e começou a julgar pedidos de cassação com base na transgressão da regra.

No Congresso, parlamentares reclamam que essa atuação do TSE teve início sem que eles tivessem aprovado qualquer lei coibindo o troca-troca.

De fato, o tribunal desenvolveu interpretação autônoma, a partir da Constituição, para concluir que os mandatos são dos partidos pelos quais os políticos se elegeram e esses últimos só podem trocar de sigla em situações excepcionais, como a comprovação de perseguição política ou de que o partido descumpriu programa ideológico.

Em 2008, a Câmara se recusou a cumprir decisão do TSE que cassou o mandato do deputado Walter Brito Neto (PB), que trocou o DEM pelo PRB.

Ele foi o primeiro deputado federal cassado por infidelidade e a presidência da Câmara decidiu esperar o julgamento do último recurso para cumprir a decisão da Corte Eleitoral, o que indignou a cúpula do Judiciário.

O movimento atual do Congresso lembra o contra-ataque de 1994, após a cassação do então presidente do Senado, Humberto Lucena. Eleito pelo PMDB da Paraíba, Lucena utilizou a gráfica do Senado para imprimir propaganda eleitoral e foi cassado pelo TSE.

Após o julgamento, os senadores se mobilizaram para aprovar, em regime de urgência, lei de anistia, de autoria de Jacques Silva, que ficaria conhecida como "Lei Lucena".

O texto, sancionado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, concedeu anistia aos candidatos às eleições de 1994, "processados ou condenados ou com registro cassado pela prática de ilícitos relacionados com a utilização dos serviços gráficos do Senado".

A cassação dos governadores só foi possível a partir da lei 9.840, de 1999, que prevê a perda de mandato se for comprovada a compra de votos durante campanha eleitoral.

"Essa lei foi revolucionária e permitiu, de fato, o início das cassações a partir de 2000", afirmou o juiz Marlon Reis, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).

A lei, no entanto, não surgiu por iniciativa parlamentar. A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) coletou 1milhão de assinaturas para apresentá-la.

Até hoje, é a única lei de iniciativa popular. A partir dela, o então governador do Piauí e hoje senador Mão Santa (PMDB) perdeu o mandato em 2001, assim como Flamarion Portela, em Roraima.

Depois foram cassados Cássio Cunha Lima (PSDB), na Paraíba, Jackson Lago (PDT), no Maranhão, e Marcelo Miranda (PMDB), em Tocantins. Miranda, no entanto, mantém-se no cargo até o julgamento de recurso pelo TSE. (Fonte: Valor Econômico)

22-07-2009 | 09:30

Aclamado pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul depois de receber o apoio dos dois adversários no encontro estadual do PT, neste domingo (19), o ministro da Justiça, Tarso Genro, ofereceu a vaga de vice ao PDT.

Os petistas gaúchos também decidiram buscar a adesão do PSB e do PCdoB para recompor a chamada Frente Popular, e sepultaram de vez as esperanças da direção nacional do partido de incluir o Estado na troca de apoios com o PMDB em favor da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República.

Para o ministro, a decisão não atrapalha os planos do PT nacional para Dilma porque o PMDB é "muito irregular" no país e em regiões como o Rio Grande do Sul é o "principal adversário" do partido.

Além disso, os pemedebistas constituem o "cerne" do governo de Yeda Crusius (PSDB) e no estado "sempre fizeram coalizões de direita" contra os petistas, explicou.

Segundo ele, Dilma terá dois palanques no estado e não há "objeção" a "qualquer partido" que queira aderir à sua candidatura.

Quando questionado se a defesa do senador José Sarney, do PMDB não poderia desgastar a candidatura da ministra, Genro afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito um "esforço" para garantir a "estabilidade" necessária à instituição.

"Isso não significa solidariedade dele com qualquer erro que alguém tenha cometido", disse.

"Pelo contrário, a Polícia Federal está trabalhando junto com o Ministério Público e a luta contra a corrupção vai continuar, eu permanecendo ou não no ministério", disse.

Ele não fixou prazo para deixar o comando da pasta, mas disse que em 30 dias Lula deve "dar orientação" a respeito.

Genro também evitou comentar a crise que envolve o governo do Estado em diversas denúncias de corrupção, inclusive de uso de recursos de caixa 2 na campanha de 2006 em benefício pessoal da governadora, porque, na condição de ministro, mantém "relações institucionais" com o Executivo gaúcho.

"Só vou fazer quando estiver oficializado como candidato", afirmou. "Não devemos criar polêmicas que atrapalhem os programas federais aqui".

Genro iniciou a disputa pela indicação do partido com o apoio de correntes como a Democracia Socialista, Esquerda Democrática e PT Amplo.

A expectativa dele era vencer com mais de 70% dos votos, mas ontem seus dois adversários, o deputado estadual Adão Villaverde, do grupo Construindo um Novo Brasil, e o prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, da Articulação de Esquerda, decidiram apoiar o ministro. (Fonte: Valor Econômico)

22-07-2009 | 09:29

Norma interna da Caixa Econômica Federal pode prever menores salários para trabalhadores de agências com menor porte de negócios.

Com esse entendimento, a 7ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho não aceitou recurso de empregado da instituição financeira, em João Pessoa (PB), que pedia diferenças salariais com base no princípio de isonomia salarial.

Desde a primeira instância, o trabalhador insistiu em receber a remuneração maior dos colegas de outras localidades do país que fazem o mesmo trabalho.

Só que a diferença salarial não decorreu de redução de salário, mas de classificação de porte de agências, informou o relator, ministro Ives Gandra Martins Filho.

A queixa do empregado começou quando a CEF instituiu norma interna e classificou as agências de acordo com o volume de negócios, custos e competitividade do mercado local.

Em 2007, o empregado recorreu à Justiça. Alegou que foi prejudicado porque trabalhava em uma agência menor, em Pombal (PB), e somente por isso ganhava menos.

O juiz verificou que não havia nada a reparar, pois os critérios diferenciados de remuneração instituídos pela Caixa eram legítimos e justificavam que o salário menor decorria de quantidade também menor de trabalho.

Da mesma forma, o Tribunal Regional da 13ª Região julgou o recurso do empregado e informou que a empresa tem quadro de carreira organizado, com promoções obedecendo a critérios preestabelecidos, sendo "inviável a concessão de diferença salarial fundamentada no princípio da isonomia salarial".

Ao debater o assunto na sessão de julgamento da 7ª Turma no TST, o relator disse que o tamanho da agência bancária "justifica efetivamente uma diferenciação salarial".

O ministro Pedro Paulo Manos acrescentou que se tratava de "benefício salarial para aquele que vai trabalhar em uma localidade em que o serviço é maior ou mais custoso".

O ministro Ives Gandra concluiu que o critério geográfico estabelecido pela CEF, que definiu os valores salariais dos seus empregados, "não configura discriminação atentatória à isonomia, porque sedimentado em justificativa racional, sem ranhuras ao texto constitucional", além de que ficou comprovado que não acarretou prejuízo ao trabalhador, uma vez que não houve redução salarial. RR-775-2007-004-13-00.4 (Fonte: Conjur, com TST)

22-07-2009 | 09:28

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (20), que a indústria voltou a confiar no Brasil.

O presidente citou o exemplo da General Motors (GM), que na última semana anunciou investimentos de R$ 2 bilhões no País.

Lula destacou que, enquanto a GM foi "vítima de uma crise profunda" nos Estados Unidos e chegou a receber US$ 30 bilhões do Governo americano para se reerguer, a GM no Brasil anunciou um investimento até 2012.

"Uma demonstração de que as indústrias voltaram a confiar no Brasil e estão percebendo a solidez da economia brasileira", afirmou.

"Entramos em uma fase de crescimento, que tem de ser sustentável".

O presidente diz que o Governo trabalha com a hipótese de que o Brasil iniciará o ano de 2010 em uma situação "altamente confortável, produzindo bem e vendendo bem".

Em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, ele avaliou que o País vive "um momento importante" na economia, mas que é preciso "cautela", uma vez que a crise financeira internacional ainda persiste nos Estados Unidos e na União Europeia.

"Tomamos todas as medidas que tínhamos que tomar para incentivar a economia, facilitar o crédito, incentivar o consumo. O que estamos notando são números expressivos na indústria automobilística, na venda de geladeiras, de máquinas de lavar roupa e de fogões", disse.

Para Lula, o comércio brasileiro está "voltando com força".

O presidente lembrou que, nos últimos cinco meses, o Brasil apresentou crescimento na geração de postos de trabalho com carteira assinada. Para ele, o fato de o país já ter recuperado metade dos empregos que perdeu no auge da crise significa que, até o final deste ano, poderá recuperar "tudo o que perdeu".

"Queremos que o Brasil volte ao ritmo de crescimento que tinha antes da crise para que, em pouco tempo, se transforme em uma das economias mais importantes do mundo", disse. (Fonte: Agência Brasil)

22-07-2009 | 09:27

 

FETRACONSPAR, 21 de julho de 2009 | Economia
Greve
Trabalhadores da Construção Civil de Curitiba param a partir de hoje
Paralisação por tempo indeterminado, foi aprovada pela classe em assembléia realizada ontem (20/07), na Praça Dezenove de Dezembro, em Curitiba/PR

Ramthun em conversa com os trabalhadores

Sem acordo na última reunião de conciliação entre os trabalhadores e patrões da indústria da construção civil, ocorrida nesta segunda-feira, os trabalhadores de Curitiba e Região Metropolitana de Curitiba (RMC) cruzam os braços a partir de hoje. A paralisação por tempo indeterminado, foi aprovada pela categoria em assembléia realizada no início da noite da última quinta-feira, na Praça 19 de Dezembro.

As informações são do presidente, Geraldo Ramthun, da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado do Paraná (FETRACONSPAR). “Teremos mais uma reunião às 10 horas de hoje (21/07), na SRTE (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego), acredito que haja uma solução”, disse.

Ramthun afirmou que nas reuniões os patrões ofereceram uma proposta para o fechamento da Convenção Coletiva de Trabalho 2009/2010: 7,5% de reajuste salarial, e o vale-compras de R$ 140,00.

A proposta foi rejeitada pelos trabalhadores, em assembléia realizada ontem (20/07), na Praça Dezenove de Dezembro, Centro de Curitiba/PR.

A categoria dos trabalhadores nas indústrias da construção civil de Curitiba e Região Metropolitana é composta por aproximadamente 35 mil operários que atuam em 23 municípios.

Nova tentativa de acordo ocorre em audiência no dia 24 de julho de 2009, às 16h00 na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego – SRTE/Paraná.

Pela FETRACONSPAR e Sindicato de Trabalhadores filiados participam os seguintes dirigentes:

1. (STICM Cianorte);
Sebastião Lima da Silva

2. (SINTRACOM Maringá);
Jorge Moraes

3. (STICM Guarapuava);
Sirlei César de Oliveira
Celso Garais

4. (SINTRICOMU Umuarama);
Marcos Antonio Beraldo

5. (SINTRACOM Paranavaí);
Edson dos Santos Carmo

6. (SINDIPISO Campo Largo);
Ermínio Ferreira de Sant´ana

7. (SINDICOMP Imbituva);
Cornélio Ferreira

8. (SOMPAR Paraná);
Adriano da Silva
João Maria Viana
Altamir Laureano da Silva

9. (STIMMQI Quedas do Iguaçu);
Claudir dos Santos

10. (SINTRACON Ponta Grossa);
Almir do Rosário Andrade Prado

11. (SOM Ponta Grossa);
José Zierhut
José Luiz Kechenski

12. (SINTRAMADEMÓVIS Francisco Beltrão);
José Tenório de Araújo
João Carlos da Silva Machado

13. (SINTRACON Francisco Beltrão);
Cândido Tomaz Sitinievski
Osmar Kriger

14. (SINDIMÁRMORE);
Ilson Kondratoski

15. (SINTRACOM Mal. C. Rondon);
Rudimar Alberto Schmidt
Darci (Mal. C. Rondon);

16. (SINTRACOM Toledo);
Ademir Fogaça
Alaor de Lima

17. (SOM Castro);
Otávio Raimundo Rodrigues
Sergio do Nascimento

18. (SITIM Jaguariaíva);
Nilton Antunes Betim
Cristopher Sales do Nascimento

19. (SINTRACIMENTO);
Eduardo Rodrigues
Marcos Antonio Pietrochinski

20. (SINTRACOM Paranaguá);
José Ávido Pacheco

21. (SINTRACOM Telêmaco Borba);
Celso Domingues Lopes

22. (SITRACOCIMOM Medianeira);
Climar Ribas dos Santos

23. (SINTRIMMOC Cascavel);
Almir Guedes Fernandes

24. (SINTRACOM Irati);
Ronaldo Winklam
Samoel Pena
Marcos Alexandre Batista

25. (SITRACOCIFOZ Foz do Iguaçu)
Antonio Barros França

22-07-2009 | 08:46

De acordo com Sintracon, cerca de 70% dos 35 mil operários cruzaram os braços.

Já o Sinduscon-PR afirmou que a adesão ao movimento não chegou a 1% dos colaboradores

 

Terminou sem acordo a reunião entre representantes dos empregados na construção civil e das empresas, realizada na manhã desta terça-feira (21) na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Paraná (SRTE/PR), em Curitiba. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracon), Domingos de Oliveira Davide, a categoria vai permanecer em greve por tempo indeterminado.

 

De acordo com Davide, o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná (Sinduscon-PR) havia oferecido 7,5% de reajuste. O valor havia sido considerado insuficiente pelos trabalhadores e resultou na deflagração da greve. Na negociação desta terça-feira, o índice teria reduzido para 7%. "Este valor está muito abaixo do que a categoria reivindica, assim vamos continuar mobilizados", disse Davide.

 

O presidente do sindicato dos trabalhadores disse ainda que para a paralisação ser encerrada, deve haver proposta de no mínimo 10% de reajuste.

 

Já o sindicato patronal afirmou que a proposta de 7% representa aumento de 1,5%, no entanto pode haver melhora no índice de reajuste oferecido. De acordo com o vice-presidente da área de políticas e relações do trabalho do Sinduscon-PR, Euclésio Manoel Finatti, as empresas não têm condições de oferecerem reajustes com dois dígitos. “Sabemos que nossos colaboradores precisam de aumento. Mas, o que os eles pedem é impossível”, disse Finatti.

 

Cinco categorias são filiadas ao Sintracon: serventes, meio-profissionais, profissionais, contramestres e mestres de obras. Os trabalhadores pedem reajuste salarial de 20%, aumento de 20% no valor do vale-mercado, cesta básica de R$ 70, café da manhã para os trabalhadores, hora-extra no valor de 100% e diminuição do prazo do contrato de experiência de 90 para 30 dias.

Os representantes dos dois sindicatos afirmaram que pretendem chegar a um acordo, para que o movimento seja finalizado. Mas, como ainda não se chegou a um consenso, uma reunião de negociações foi marcada para sexta-feira (24) na SRTE/PR.

Adesão

 

De acordo com Sintracon, cerca de 70% dos 35 mil colaboradores – empregados em aproximadamente cinco mil obras – cruzaram os braços. Já o Sinduscon-PR informa que ainda não tem um panorama da greve, mas acredita que a paralisação seja bem menor que a divulgada pelos representantes dos trabalhadores. Desde cedo, os operários deixaram os canteiros de obras e se concentraram na Praça 19 de Dezembro, na região central de Curitiba.

 

Davide afirmou que aproximadamente mil trabalhadores participaram da assembleia feita na Praça 19 de Dezembro. Segundo ele, outras concentrações ocorreram nos bairros Portão, Cabral e Mossunguê.

 

E Finatti, representante do Sinduscon-PR, disse que a adesão ao movimento não chega a 1% dos trabalhadores e que o sindicato patronal considerou absurdo o número informado pelo Sintracon. Segundo ele, aproximadamente 150 trabalhadores estavam reunidos na Praça 19 de Dezembro.

Fonte: Gazeta do Povo

22-07-2009 | 08:40

 

Objetivo do projeto é dar maior transparência de informações ao mercado. Proposta segue para a CCJ
 

A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio aprovou, na última quarta-feira (15), o Projeto de Lei 4272/08, que obriga as empresas de grande porte - com ativo total superior a R$ 240 milhões ou receita bruta anual superior a R$ 300 milhões - a publicar suas demonstrações financeiras.

Segundo o autor do projeto, deputado licenciado Rodovalho (DEM-DF), a maioria das grandes empresas brasileiras possui uma estrutura predominantemente familiar e apresenta resistência cultural histórica à divulgação de informações corporativas.

O relator do projeto, deputado Edson Ezequiel (PMDB-RJ), lembra que a Lei 11.638/07 já exige que as sociedades de grande porte obedeçam às normas sobre escrituração, elaboração das demonstrações financeiras e auditoria independente aplicáveis às sociedades por ações. No entanto, ele ressalta que a lei não prevê a publicação das demonstrações, "o que viria ao encontro de uma maior transparência de informações, em benefício do mercado como um todo".

Ezequiel afirma que a publicação dos balanços proporcionará às sociedades de grande porte "um atestado de maior credibilidade de sua saúde financeira", que deverá trazer maior retorno às suas transações comerciais com fornecedores, contratantes, financiadores e clientes.

Tramitação
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Agência Câmara

22-07-2009 | 08:33