A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vai protocolizar na próxima semana um pedido de impeachment contra a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), por descumprir decisões judiciais que ordenam a retirada de integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) de fazendas no estado. 


No último sábado (18), um confronto armado entre o MST e seguranças de uma fazenda, em Xinguara, no sul do estado, deixou oito feridos.

Uma ação civil pública já formulada pela CNA, que pede o impeachment de Ana Júlia, será levada à Assembleia Legislativa do Pará. "Nós queremos já na semana que vem protocolizar esse pedido", afirmou a senadora Kátia Abreu (DEM/TO), presidente da entidade.

Depois do conflito de sábado na Fazenda Castanhais - pertencente à Agropecuária Santa Bárbara, do grupo do banqueiro Daniel Dantas - Kátia pediu ao Ministério Público intervenção federal no estado. 

Em março, a CNA havia solicitado à Justiça paraense que decretasse a intervenção no Pará, mas o caso ainda não foi analisado.

Durante o enfrentamento, jornalistas e uma advogada foram mantidos reféns pelo MST, usados como "escudo humano". Entre as reações, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nota de repúdio ao que chamou de "ação criminosa" dos sem-terra. Em outra nota, o MST negou ter mantido reféns e acusou os seguranças de planejarem um massacre.

"O poder Executivo do Pará transformou-se no último juiz das invasões de terra. Quem decide se as áreas invadidas devem ser ou não desocupadas é a governadora do estado, autoridade que se substitui ao Judiciário, julgando em última instância o direito dos produtores rurais", reclamou a senadora, na representação protocolizada no Ministério Público.

A representação protocolada ontem precisa ainda ser analisada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Se concordar com o pedido, o procurador encaminhará o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde o assunto será definitivamente julgado.

Reforço
Para evitar novos conflitos na região, o governo do estado pediu e o governo federal aceitou mandar para a região 50 homens da Força Nacional de Segurança - 20 partirão de Brasília hoje e outros 30 chegarão no final de semana ao Pará.

Esses agentes farão apenas o policiamento ostensivo nas ruas de Belém, o que deve liberar a tropa especializada em conflitos agrários a realizarem as reintegrações de posse já decididas pela Justiça e coibir novos enfrentamentos entre fazendeiros e sem terra.

Em nota, o governo do Pará informou que as ações para reintegração de posse foram reiniciadas em abril deste ano, "havendo executado, exitosamente, nove reintegrações nos últimos 15 dias".

Ainda de acordo com o texto veiculado pelo governo do estado, as operações prosseguem "conforme planejamento pactuado com o Judiciário". Em nota anterior à imprensa, divulgada após o conflito, o governo já alegara que "não tem medido esforços para diminuir a violência agrária".

Nota do MST
Em nota, o MST "esclarece que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da violência da segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os Sem Terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns".

E segue: "Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protesto pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças. Os jornalistas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia Militar". (Com Estadão e MST)

24-04-2009 | 10:25

 O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que em um período de 15 dias a um mês o governo decidirá o lançamento do projeto de troca de geladeiras, que deverá custar aos cofres da União R$ 100 milhões por ano.

Segundo Lobão, que tratou do assunto em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deverá ser lançado um modelo popular de geladeira com preço de cerca de R$ 500:

"Além das que tiveram o IPI reduzido por um período (de três meses, na última sextafeira), vamos implantar o grande programa das geladeiras, que será permanente, para a troca. Ou seja, as pessoas trocarão suas geladeiras velhas, poluidoras e gastadoras, por geladeiras novas que não poluam o meio ambiente".

Segundo Lobão, o programa pode ser lançado agora ou depois que esgotar o prazo de redução do IPI da linha branca, no fim de julho. Ele disse que o varejo fará a troca do eletrodoméstico e uma empresa especializada vai recolher o gás poluente. As sucatas serão vendidas para uma siderúrgica, que pode ser a Gerdau.

"Está faltando apenas um ajuste final com o Ministério da Fazenda, porque isso importará uma pequena despesa, que é a do recolhimento da geladeira", disse.

"Para atender a toda a demanda que estamos imaginando, (seria) algo em torno de R$ 100 milhões ao ano", afirmou.

A proposta é trocar um milhão de geladeiras no primeiro ano e dois milhões no segundo, até chegar a dez milhões de refrigeradores. Serão trocados os equipamentos com mais de dez anos de uso. Segundo Lobão, o preço será "um pouquinho menos" que R$ 500. (Fonte: O Globo)

24-04-2009 | 10:24

 O apoio cada vez maior do Judiciário brasileiro à arbitragem tem possibilitado que as médias e grandes empresas recorram às principais câmaras do País para resolver seus conflitos, principalmente contratuais. 


Especialistas avaliam que, além do uso arbitral, o incentivo da Justiça também contribui para a especialização dos árbitros brasileiros e, consequentemente, há uma confiança do empresariado internacional em solucionar seus problemas no Brasil por meio da arbitragem ou recrutar a árbitros brasileiros em demandas internacionais.

"O alto padrão de análises, a legislação - de acordo com as normas internacionais - e os baixos valores das câmaras colaboram para que cresça a arbitragem no País", avalia a professora Selma Ferreira Lemes, advogada e coordenadora do curso de Arbitragem do GVlaw - programa de educação continuada da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (Direito GV).

Levantamento feito pela professora constatou que os valores totais das causas acordadas nas cinco principais câmaras de arbitragem brasileiras (localizada em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte) subiram de R$ 594,2 milhões para R$ 844 milhões entre 2007 e 2008, o que equivale a um salto de 42%.

"Este resultado mostra uma aceitação maior da arbitragem em negociações de grande porte." O perfil dessas causas são ligados às questões contratuais de diversos tipos. Para ela, os valores têm ligação direta com o aumento dos procedimentos, que cresceram 53% naquele período, subindo de 30 para 46 casos. Selma diz acreditar ainda que a tendência é que os dados continuem a crescer.

"Está fortalecida a imagem de que arbitragem é um instrumento de comércio internacional. É mais célere do que a Justiça comum e com uma análise mais especializada nessas questões", afirma.

Portugal
O advogado Flávio Lima, sócio do Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, comenta que o Brasil se tornou um ambiente seguro porque o Judiciário apoia a arbitragem. "Nossos árbitros são vistos com bons olhos pelos demais países", conta. "O País em tão pouco tempo (cerca de quatro anos) conseguiu atingir o sucesso e ser reconhecido por isso", diz.

"O Brasil ganhou destaque na América Latina. É um centro de liquidez e eficiência. Diversos nomes de árbitros brasileiros são conhecidos internacionalmente e respeitados", afirma António Pinto Leite, sócio da banca portuguesa Morais Leitão, parceiro do Mattos Filho. Os especialistas comentam que, por causa do reconhecimento, árbitros brasileiros têm sido cada vez mais solicitados em procedimentos narrados em língua portuguesa.

Segundo o advogado, a valorização também tem possibilitado um aumento nos investimentos de portugueses no País. "Segurança jurídica possibilita contratos com cláusula arbitrais que estimula mais interesse em investir no Brasil", explica Leite. "Além de que para nós (brasileiros) é importante este intercâmbio com Portugal", completa Lima.

Crise
Os especialistas afirmam que os procedimentos arbitrais deverão ser intensificados com a crise financeira. "O Novo Código Civil consolidou uma série de inovações existentes na jurisprudência que favorecem a renegociação ou resolução de contratos. Seguramente, serão instrumentos importantes a serem avaliados neste momento", analisa Selma Ferreira Lemes.

"Com a sucessiva ocorrência de litígios, o uso da arbitragem vai ser valorizada, já que é mais célere, e por isso, mais econômica", diz Flávio Lima. Por outro lado, o advogado conta que a retomada da economia também influi nos investimentos com a utilização de cláusulas arbitrais. "De qualquer forma, é uma tendência". (Fonte:Gazeta Mercantil)

24-04-2009 | 10:21

 A taxa era de 52,6% em fevereiro deste ano; na análise anual, foi registrada alta de 13 pontos-base no juro mensal. Mas os juros continuam estratosféricos

A taxa de juro média cobrada nas operações de crédito ao consumidor registrou queda no terceiro mês de 2009, passando de 52,60% ao ano em fevereiro para 50,10% a.a. em março.

O juro é o menor desde julho de 2008, quando a taxa foi de 51,40%. A constatação se baseia nos dados da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito, divulgada pelo Banco Central nesta quinta-feira (23).

Ao mês, a taxa média praticada ficou em 3,44% em março, o que representa queda de 14 pontos-base em relação ao mês anterior. Já na comparação com março do ano passado, houve alta de 13 pontos-base.
Evolução do spread

O spread bancário, que mede a diferença entre os juros cobrados nos empréstimos à pessoa física e aqueles pagos nas aplicações financeiras, caiu 10 pontos-base frente a fevereiro, passando de 2,93% para 2,83% ao mês.

 

A tabela abaixo compara o spread bancário de março de 2009 e seus componentes frente ao mês anterior e ao mesmo período de 2008:

Taxa (% ao mês)
Março 2008
Fevereiro 2009
Março 2009
Taxa de aplicação
3,31
3,58
3,44
Taxa de captação
0,99
0,89
0,83
Spread bancário
2,55
2,93
2,83

Fonte: Banco Central

 

 

Por modalidade de crédito
Uma análise da tabela abaixo permite constatar que, enquanto todas as modalidades de crédito registraram alta na comparação anual, com exceção da aquisição de veículos, na mensal houve baixa em todas as operações, menos no cheque especial.

 

Taxam (% ao mês)
Março 2008
Fevereiro 2009
Março 2009
Cheque especial
7,93
8,52
8,60
Crédito pessoal
3,47
3,69
3,48
Aq. veículos
2,22
2,33
2,19
Aq. Outros bens
3,85
4,21
4,20
Fonte: Banco Central

24-04-2009 | 10:20

 Os alunos que tiverem cursado o ensino médio em escola pública não precisarão mais pagar taxa de inscrição para o vestibular de universidades federais, é o que propõe projeto de lei (PLS 120/03) aprovado, nesta quarta-feira (22), pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

Seriam beneficiados, também, estudantes com renda familiar de até dois salários mínimos. O texto não especifica, porém, como esse rendimento seria comprovado.

A proposta, do senador Aloizio Mercadante (PT/SP), tem caráter terminativo, ou seja, segue para a Câmara sem ter que passar pelo plenário do Senado, caso não haja recurso contrário à aprovação do projeto.

Para entrar em vigor, além de passar pelo crivo dos deputados, precisa ser sancionada pelo presidente Lula.

A cobrança de taxas de vestibular varia de acordo com cada universidade, mas a maioria delas já oferece algum tipo de isenção segundo critérios socioeconômicos.

Na Unifesp, foram cobrados R$ 100 no ano passado. Na UFABC, R$ 90 para os que optaram pela prova tradicional e nada para aqueles que se inscreveram somente com a nota do Enem. Ambas as universidades, como outras, têm critérios de isenção.

Clique aqui e veja a íntegra original do projeto; e aqui para baixar o parecer aprovado na Comissão de Educação

24-04-2009 | 10:04

 As construtoras Odebrecht e Camargo Corrêa mal colocaram os pés em Porto Velho para construir as duas maiores hidrelétricas da história recente brasileira e já enfrentam um embate trabalhista na região.

Dois sindicatos, um ligado à Força Sindical e outro à Central Única dos Trabalhadores (CUT), disputam a representação dos trabalhadores da construção pesada na cidade, que só com as obras do Rio Madeira vão chegar a 25 mil.

Parte dos cerca de cinco mil trabalhadores que já estão na ativa, incentivados pelos sindicatos, reclamam de certas condições como salário baixo e jornada longa, falta de um plano de saúde e se ressentem até mesmo de condições de transporte mais adequadas.

Na última segunda-feira (20), os 3.060 funcionários da Odebrecht na região tiveram uma vitória. A empresa passou a oferecer um sistema de transporte fretado e com isso reduziu o tempo de locomoção.

"Pai da criança"
Mas o mérito pela melhoria é reivindicado tanto pela Odebrecht, como pela CUT de Rondônia e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sticcero), ligado à Força Sindical.

O diretor da Odebrecht, Antônio Cardilli, disse ao Valor, por exemplo, que essa foi uma percepção da empresa que constatou que o transporte oferecido ficou precário com o crescimento do número de funcionários.

Já o presidente da CUT na região, Itamar dos Santos Ferreira, diz que essa foi uma vitória dos cerca de 1.500 trabalhadores que se reuniram em assembleia no último dia nove e traçaram uma pauta de reivindicações, com apoio da Central.

"Apesar da vitória, na segunda-feira mesmo protocolamos na empresa a pauta com as outras reivindicações", disse Ferreira. Não menos importante, o agora presidente do Sticcero, Antonio Amaral, disse que essa pauta de reivindicações está sendo negociada com a Odebrecht desde fevereiro pelo sindicato.

A proximidade da renegociação do acordo coletivo dos trabalhadores da construção pesada faz com que essa disputa fique ainda mais acirrada. O acordo hoje em vigor foi fechado em maio do ano passado, com o Sticcero, mas num período em que nenhuma das construtoras estava efetivamente contratando. Enquanto o número de associados do sindicato chega a 1.200, o de trabalhadores é quatro vezes maior.

Hoje, o piso salarial nas duas obras é de R$ 520 e os trabalhadores querem melhorar estas condições. Esse valor fica muito próximo da nova proposta do salário mínimo em andamento. A grande frustração dos trabalhadores da região é o fato de as promessas terem soado bilionárias em função da envergadura das obras, que vão demandar cerca de R$ 25 bilhões.

A pauta de reivindicações também vai chegar à usina de Jirau, ou seja, às mãos da Camargo Corrêa, segundo a CUT. O empreendimento ainda não tem a licença ambiental definitiva, mesmo assim já tem contratados dois mil trabalhadores e algumas irregularidades foram identificadas. O presidente do Sticcero diz que a empresa não estava cumprindo certas regras da convenção coletiva, mas que houve uma negociação.

A Camargo não estaria pagando o mesmo piso da Odebrecht. Esta última tem hoje uma folha de R$ 3,5 milhões, enquanto a Camargo não repassou essa informação.

A empresa informou, por meio de uma nota, que cumpre todas as exigências da convenção coletiva negociada entre os sindicatos dos trabalhadores e o da indústria de construção (Sinicon), em maio do ano passado. Isso inclui uma jornada de trabalho de oito horas mais duas de horas extras, por opção dos funcionários.

A defesa da companhia está numa denúncia feita pelo próprio sindicato, que disse que denunciou uma jornada de trabalho dura. A superintendência regional do Ministério do Trabalho chegou a iniciar uma fiscalização na região, mas nem chegou a completá-la pois estaria esperando um estágio mais avançado da obra.

Em Santo Antônio, essa mesma fiscalização foi feita e cerca de 45 recomendações foram apresentadas à empresa, que se comprometeu a ajustar-se e até setembro vai finalizar o canteiro de obras com ambulatórios, alojamentos e sanitários.

A questão salarial e jornada de trabalho, entretanto, estão entre os pontos primordiais dos trabalhadores. A negociação pode esbarrar na disputa entre CUT e Força Sindical. Ferreira, da central, diz que hoje tem a prerrogativa de representar os trabalhadores em função de uma decisão da Justiça, da última semana, que impedia a eleição no Sticcero.

Amaral, do sindicato, informa que a eleição ocorreu normalmente no último fim de semana, porque o sindicato não foi notificado da decisão, e ele foi eleito presidente. (Fonte: Valor Econômico)

24-04-2009 | 10:04

 Oito ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) divulgaram nota em que reiteram seu apoio ao presidente da Corte, Gilmar Mendes, após bate-boca no plenário do tribunal em que o ministro Joaquim Barbosa disse que Mendes está "destruindo a Justiça desse País".

A nota, assinada pelos ministros Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Cezar Peluso, Carlos Ayres Britto, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Carmen Lúcia e Carlos Alberto Menezes Direito, também lamenta a discussão entre Mendes e Barbosa.

"Os ministros do Supremo Tribunal Federal que subscrevem esta nota, reunidos após a sessão plenária de 22 de abril de 2009, reafirmam a confiança e o respeito ao senhor ministro Gilmar Mendes na sua atuação institucional como presidente do Supremo, lamentando o episódio ocorrido nesta data", diz a breve declaração, publicada no site do STF.

A ministra Ellen Gracie não participou da sessão, segundo a assessoria do Supremo. Os ministros também decidiram cancelar a sessão da corte que estava marcada para esta quinta-feira (23).

O bate-boca entre Mendes e Barbosa aconteceu quando os ministros julgavam uma matéria sobre a previdência estadual do Paraná.

Mendes recusou o pedido de Barbosa por mais detalhes do processo, alegando que ele não estava presente quando a questão começou a ser julgada e emendou: "Vossa Excelência não tem condições de dar lição a ninguém".

"Vossa Excelência me respeite", respondeu Barbosa, visivelmente irritado. "Vossa Excelência não tem condição alguma. Vossa Excelência está destruindo a Justiça desse país e vem agora dar lição de moral a mim?", indagou.

"Vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas de Mato Grosso, ministro Gilmar", completou Barbosa.

A sessão foi interrompida por sugestão do ministro Marco Aurélio Mello. Barbosa deixou o plenário enquanto os demais ministros presentes se reuniram no gabinete de Mendes, onde decidiram pelo cancelamento da sessão de quinta e pela divulgação da nota em apoio ao presidente da Corte. (Fonte: Reuters)

24-04-2009 | 10:03

 As entidades contrárias à reforma tributária, como está na PEC 233/08, do Executivo, denunciam que a aprovação da proposta significaria perda de recursos para a saúde e seguridade social em torno de R$ 5 bilhões.

Isto porque a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) passariam a ser arrecadadas pelo novo Imposto sobre o Valor Agregado Federal (IVA -Federal).

O Conselho Nacional de Saúde promoveu reunião extraordinária, dia 14, a fim de discutir a proposta em tramitação na Câmara dos Deputados. 

Impacto
Dentro do tema da reforma foram abordadas questões como Impactos da Reforma Tributária na Seguridade Social e Desafios para a Seguridade Social diante da PEC 233/08.

Participaram do evento líderes dos partidos no Congresso Nacional, entre eles o relator da PEC 233, deputado Sandro Mabel (PR/GO), e representantes dos conselhos nacionais da Educação, de Previdência Social e de Assistência Social e do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), além do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Projeto Justiça e Paz da CNBB e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

"A proposta ameaça a regulamentação da Emenda Constitucional 29, ao engessar as fontes exclusivas, reduzindo o Orçamento da Seguridade Social no contexto do Orçamento Geral da União, e afetará a capacidade de atendimento do SUS", avalia o diretor da CNTS José Caetano Rodrigues, conselheiro do CNS, que participou dos debates.

Segundo ele, novos debates e novos atos políticos serão realizados, no sentido de ampliar a discussão e levar a alterações na PEC 233. 

No início de março, cerca de 60 entidades sociais, organizações populares e movimentos sociais, que representam mais de 150 milhões de brasileiros, incluindo o Conselho Nacional de Saúde e a CNTS, entregaram ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB/SP), um manifesto em que pedem amplo debate com a sociedade sobre a reforma tributária, antes da votação em plenário. A principal reivindicação é a garantia dos recursos da Seguridade Social.

"A insuficiência de recursos para o financiamento da saúde verificada hoje poderá ser agravada, com o atendimento se distanciando cada vez mais dos princípios constitucionais básicos do SUS, de garantir acesso integral, universal e de qualidade aos serviços públicos de saúde e de previdência", ressalta o vice-presidente da CNTS, João Rodrigues Filho, que representou a Confederação no encontro com Temer.

Contribuições sociais
De acordo com o documento apresentado a Temer, as contribuições sociais, que possuem finalidade específica e não podem ser utilizadas livremente pelo Governo, serão abolidas e esses recursos serão incorporados a impostos.

Ou seja, a Seguridade Social dependerá de repasses do Orçamento Fiscal e disputará recursos com governadores, prefeitos, Forças Armadas, além de enfrentar a pressão de setores empresariais por desoneração tributária ou aumento dos gastos com investimentos em infraestrutura.

Por esta análise, a Seguridade Social sairá perdendo com a reforma tributária porque os impostos só podem ser criados ou majorados no ano seguinte, diferentemente das contribuições sociais, que podem ser exigidas no mesmo exercício financeiro da publicação da lei que as instituiu.

Temer prometeu discutir o assunto com os líderes partidários e manter os avanços da Constituição de 1988, que garante recursos exclusivos e vinculados para a Saúde, Previdência, Assistência Social e Seguro Desemprego. A proposta da reforma tributária já foi aprovada por uma comissão especial da Casa, porém, conta com opositores internos. (Fonte: CNTS, com CNS)


 

24-04-2009 | 10:02

 Em ofício enviado à deputada Elcione Barbalho (PMDB/PA), presidente da Comissão de Seguridade Social e Família, a CNTS pede a inclusão do PL 2.295/00, que dispõe sobre a jornada de trabalho da enfermagem, na ordem do dia do colegiado na forma literal e originária do Senado Federal (PLS 161/99).

A Confederação argumenta que a proposta atende à reivindicação da categoria e terá tramitação mais célere caso não seja modificada, conforme justificativa abaixo:

"É de conhecimento público a existência do PL 1.891/07, do deputado Mauro Nazif (anexado ao PL 2.295), que dispõe sobre a mesma matéria. Entretanto, em que pese o respeito a todas as forças e apoios recebidos a favor da carga horária reduzida para os profissionais da enfermagem, a CNTS e suas instâncias de gestão entendem ser fundamental, no atual estágio, apoiar a aprovação do PL 2.295, na forma de seu texto original, pelos seguintes fundamentos, especialmente pela celeridade na sua tramitação:

O artigo 1º do PL 2.295/00 trata dos tetos de 30 horas semanais e seis diárias. Registre-se que o estabelecimento dos tetos limites de 30 horas semanais e seis diárias segue a lógica do texto constitucional que em seu artigo 7º inciso XIII assim estabelece:

"duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva".

Portanto, no nosso entendimento, não há qualquer prejuízo jurídico, visto que se encontra assegurada a possibilidade de acordos ou convenções para compensar, prorrogar ou reduzir a jornada de trabalho. (Fonte: CNTS)

24-04-2009 | 10:01

 

Redução seria consequência direta da queda de 26% nas exportações do setor no período, aponta estudo

 

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calcula uma queda de 4,4% na produção industrial no primeiro trimestre de 2009, em decorrência direta de uma redução de 26% nas exportações do setor industrial, resultado da crise financeira internacional. Portanto - alerta o Ipea -, para manter a produção industrial nos níveis de 2008, o governo deve continuar adotando medidas de estímulo à economia interna de forma que a demanda doméstica cresça na ordem de pelo menos 4,4% para compensar o efeito negativo do recuo das exportações industriais, caso a queda das vendas externas continue nesse ritmo.

 

"Isso pode servir de alerta ao governo, que já vem adotando medidas anticíclicas importantes de incentivo à demanda, como a redução de impostos e a antecipação do reajuste do salário mínimo", comentou o diretor de Estudos Setoriais do Ipea, Márcio Worhlers, ao apresentar o estudo "Impactos da queda nas exportações sobre a produção doméstica", publicado no boletim Radar, que traz a análise das exportações da indústria.

 

No estudo, os pesquisadores do Ipea avaliaram vários segmentos industriais constatando que alguns - como madeira, couro e calçados, petróleo e combustíveis, máquinas e equipamentos, metalurgia e veículos - foram mais afetados pela queda nas vendas externas de produtos, porque são aqueles cuja participação nas exportações é grande em relação ao valor da sua produção. "E vários desses setores podem encontrar alívio no mercado doméstico", completou Fernanda De Negri, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo.

 

A pesquisadora acrescentou que, se as exportações continuarem, ao longo de 2009, no mesmo ritmo de queda deste primeiro trimestre, o recuo da produção industrial será da ordem de 4,5%. A própria pesquisadora, no entanto, destacou que já há sinais de que seja possível uma reação das exportações brasileiras ao longo do ano, mas ainda impossível de mensurar.

Fonte: Agência Estado

24-04-2009 | 09:36