Ministro da Previdência acredita que a substituição do fator previdenciário pelo fator 95/85 antecipa a reforma da Previdência
 

O ministro da Previdência, José Pimentel, afirmou nesta terça-feira que é possível absorver no Orçamento os impactos financeiros da substituição do fator previdenciário pelo fator 95/85.

O fator 95/85 consiste no direito de se aposentar quando a soma da idade com o tempo de contribuição resultar em 85 para as mulheres ou 95 para os homens. Para as aposentadorias proporcionais, continuaria valendo o fator previdenciário.

Pimentel, porém, evitou responder aos deputados que o questionaram se o governo apoiaria a mudança. Ele participou de audiência pública, nesta terça-feira, da Comissão de Finanças e Tributação para discutir o Projeto de Lei 3299/09.

Estrutura etária
Para o ministro, o fim, puro e simples, do fator previdenciário e a implementação da média curta, como previsto na proposta já aprovada no Senado, vão obrigar o governo a fazer bem mais cedo a reforma constitucional da Previdência, que, segundo ele, teria que acontecer entre 2019 e 2023.

A essa altura, acredita Pimentel, a estrutura etária do Brasil estaria mais consolidada. O número de nascimentos se equilibraria com o número de óbitos, neutralizando o crescimento da população, que vai estar mais envelhecida. Portanto, haveria mais gente aposentada e mais custos para a Previdência.

Esse cenário mais estabilizado permitiria formular um sistema previdenciário mais adequado à realidade de longo prazo e, possivelmente, mais restritivo.

"Se caminharmos pelo caminho mais fácil, essa reforma vai ter que ser adiantada e muito", advertiu. "A Previdência é como uma casa: precisa ter reformas de tempos em tempos sob pena de não acompanhar as mudanças da sociedade. Independentemente de quem for governo, terá que haver uma nova reforma da Previdência", afirmou Pimentel.

Críticas contundentes
O ministro fez críticas contundentes à média curta, que, segundo ele, abre brecha para os segurados com melhor condição financeira planejarem a aposentadoria.

José Pimentel afirmou que essa regra permite que contribuam o máximo que puderem com base no salário mínimo (32 anos, no caso dos homens; e 27, no das mulheres) e apenas 36 meses com base no teto da Previdência. Seria uma maneira legal de contribuir o mínimo possível para aposentar-se com o teto, hoje de R$ 3.218,90.

"Ela é prejudicial aos trabalhadores que ganham menos e permite que uma pequena minoria, como empresários e profissionais liberais, possam planejar sua contribuição", afirmou.

Para Pimentel, os empregados assalariados, por sua vez, não têm condições de manipular a média curta a seu favor e tendem a ter os salários reduzidos com avançar da idade. Logo, a média dos últimos 36 salários de contribuição tende a ser menor. "O que me assusta é um projeto dessa magnitude, com a injustiça que traz a média curta, não está na agenda política do País", afirmou.

Desequilíbrio nas contas
A média curta, de acordo com o ministro, iria além do mais desequilibrar drasticamente as contas da Previdência. Segundo ele, a proporção dos gastos do INSS em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) passaria para 9,69% do produto em 2050. Mantida a regra atual essa proporção não passaria de 5,75% nesse mesmo ano.

Com o fator 95/85, a relação custos da Previdência/PIB subiria a 6,28%. Com o fim do fator previdenciário, conjugado com a instituição da média curta, de acordo com os números do Ministério da Previdência, as despesas do INSS passariam a corresponder a 11,09% do PIB.

Hoje, essa relação está em 1,55% mas vai subir, em razão do envelhecimento da população e da consequente diminuição relativa da população economicamente ativa, que contribui para a Previdência. O fator previdenciário absorve o impacto do aumento da expectativa de vida nas contas do INSS.

* Nesta quarta (8), a Agência Câmara promove bate-papo com o relator do projeto que também extingue o fator previdenciário, deputado Pepe Vargas (PT-RS).

Fonte: Agência Câmara

08-04-2009 | 09:45

 

O plenário da Câmara aprovou, nesta terça-feira (7), a Medida Provisória 451/08, que acrescenta duas alíquotas à tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

Ela também isenta os municípios de continuarem com as suas contas em dia com a União para receberem repasses voluntários do Governo Federal.

 

Além disso, o texto muda regras do seguro obrigatório de veículos (Dpvat). A matéria segue para o Senado.

 

O texto aprovado é o do relator João Leão (PP/BA). As duas novas alíquotas do IRPF são de 7,5% para rendimentos de R$ 1.434,60 a R$ 2.150; e de 22,5% para valores de R$ 2.866,71 a R$ 3.582. As regras valem desde 1º de janeiro deste ano.

 

O Governo estima em cerca de R$ 5 bilhões a renúncia fiscal com essas mudanças. Para 2010, a MP mantém o reajuste de 4,5% na tabela do Imposto de Renda já previsto na Lei 11.482/07.

Fonte: Agência Câmara

08-04-2009 | 09:41

Os valores referentes ao FGTS não depositado pelo empregador no curso do contrato de trabalho devem ser atualizados pelos mesmos índices de correção monetária aplicáveis aos débitos trabalhistas. O entendimento, com base na Orientação Jurisprudencial 302, do Tribunal Superior do Trabalho, foi aplicado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, Minas Gerais. Cabe recurso.

 

Os desembargadores negaram recurso de uma empresa, que pretendia que fossem observados, em liquidação de sentença, os índices definidos pela Lei 8.036/90 (que dispõe sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). O pedido não foi atendido.

 

Segundo a relatora, juíza convocada Taísa Maria Macena de Lima, as tabelas de coeficientes de juros e atualização monetária expedidas pelo órgão gestor do FGTS somente têm aplicação no seu âmbito administrativo para apuração dos valores dos depósitos em atraso nas contas vinculadas que estão sob a sua guarda. Quando postulado judicialmente, o FGTS assume a natureza de débito trabalhista.

 

No mais, ao estabelecer que os débitos trabalhistas de qualquer natureza, quando não satisfeitos pelo empregador à época própria, sofrerão juros de mora equivalente à TRD (Taxa Referencial Diária) acumulada no período compreendido entre a data de vencimento da obrigação e o seu efetivo pagamento, a Lei 8.177/91 não fez qualquer distinção quanto às parcelas de FGTS, registrou a juíza ao negar o recurso da empresa.

Fonte: Jusbrasil

08-04-2009 | 09:38

 A comissão especial que estuda a reforma do Regimento Interno do Senado pode apresentar na próxima terça-feira (14) a sua proposta final. Foi o que afirmou o presidente do colegiado, senador Marco Maciel (DEM-PE), em reunião realizada nesta terça-feira (7). O texto será entregue sob a forma de projeto de resolução.

O senador informou que a matéria, assim que estiver pronta, será enviada à Mesa - onde poderá receber emendas - e, posteriormente, será encaminhada à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Após receber o parecer desse colegiado, o texto poderá finalmente ser analisado e votado em Plenário.

Já o relator da comissão especial, senador Gerson Camata (PMDB-ES), reiterou que seu desejo é aprovar o projeto até o final deste semestre.

- Vamos ver se isso realmente acontece - ponderou ele.

Mudanças

A comissão especial sugeriu várias alterações e acréscimos ao regimento - que possui pouco mais de 400 artigos. Entre as mudanças incluem-se a que visa aumentar o poder das comissões (ao ampliar sua capacidade de emitir decisões terminativas); a que regulamenta o funcionamento das comissões parlamentares de inquérito (CPIs); e a que amplia as hipóteses de regime de urgência na tramitação de matérias.

Também há sugestões de Gerson Camata que ainda poderão ser incorporadas ao texto, como a de redução das comissões permanentes da Casa (de 11 para sete).

Ricardo Koiti Koshimizu / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

08-04-2009 | 09:33

 Tanto a representante dos produtores rurais como o representante de trabalhadores e agricultores familiares cobraram do governo a elaboração de um plano agrícola "definitivo", que minimize a crise hoje enfrentada pelo setor e que também permita a trajetória de crescimento da produção do país. As opiniões foram manifestadas durante audiência pública nesta terça-feira (7) na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), destinada à discussão da antecipação de crédito para o Plano Safra 2009/2010.

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), informou que os produtores não conseguem pagar suas dívidas e enfrentam os efeitos da crise financeira mundial, além de uma crise interna, com queda da safra e alto endividamento.

- A crise no setor é inegável e as conseqüências, caso os produtores não tenham mais crédito, poderão ser a redução da área plantada e a consequente diminuição da oferta de produtos agrícolas para o consumidor brasileiro - avisou Kátia Abreu, lembrando o alto risco da atividade hoje no país.

Ela informou que a crise interna no setor se deu por três principais motivos: a perda de produtividade causada pela última seca que atingiu, em particular, os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul; a ferrugem asiática; e a política cambial, com o dólar flutuante. Como exemplo das dificuldades, a senadora citou ainda a redução de 7,56% de recursos emprestados para a agricultura, da safra 2007/2008 para a safra 2009/2010, e o fato de a distribuição desses recursos públicos não atenderem às peculiaridades individuais regionais.

Kátia disse que os maiores prejudicados com a crise se encontram entre os produtores de café, cana-de-açúcar e leite, e apresentou, em nome da entidade, uma série de sugestões para "salvar" a safra 2009/2010, enfatizando, porém, que, mesmo se adotadas, as ações não resolverão os recorrentes problemas dos agricultores e pecuaristas nacionais.

Entre as ações propostas estão a reclassificação do crédito, a instituição de um fundo para as operações de financiamento, a isenção de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) das operações de crédito rural e a criação de um programa de subvenção ao frete, de modo que os recursos para esse gasto fiquem na mão dos produtores.

Estabilidade agrícola

Também o secretário de Política Agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Antonino Rovaris, disse que o Brasil agrícola vive de planos em planos governamentais, marcados pela descontinuidade e pela falta de confiança no setor.

- Essa é a realidade da política agrícola brasileira - lamentou Rovaris, informando que a Contag não está apenas lutando pela elevação de recursos e créditos, mas pela garantia de renda que possa manter o pequeno agricultor no campo. Ele contou que grande parte dos 655 mil agricultores familiares que poderiam renegociar suas dívidas junto aos bancos oficiais não o fez, recentemente, porque "não tem mais o que renegociar".

Entre as medidas, listadas pelo secretário, para se alcançar essa estabilidade, está a garantia de preço mínimo dos produtos, mudanças na questão tributária como forma de reduzir custos da produção, e também o enfrentamento de questões como o preço dos fertilizantes e a necessidade de preservação ambiental.

- Se todos os compromissos ambientais assumidos pelo Brasil forem cumpridos, vamos ficar com apenas 26% do território nacional para todas as demais atividades, entre elas a produção agropecuária - afirmou Rovaris. Para ele, o país precisa decidir se quer mesmo ser o maior produtor agrícola do futuro ou se irá "botar o pé no freio" nessa trajetória, em função da indefinição de um plano agrícola. 

Valéria Ribeiro / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

08-04-2009 | 09:33

 Quem tem financiamentos habitacionais com entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão) poderá quitar parcelas da dívida com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A proposta, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), foi aprovada nesta terça-feira (7) na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), com parecer favorável de Eduardo Azeredo (PSDB-MG), e será agora votada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em decisão terminativa.

O projeto (PLS 68/04) acrescenta inciso XVII ao artigo 20 da Lei, que dispõe sobre o FGTS (Lei 8.036/90), para permitir a operação, já que, atualmente, a utilização dos recursos do Fundo de Garantia para aquisição de moradia só é permitida pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

"No entanto, pode ocorrer que o trabalhador obtenha financiamento em outras instituições dispostas a investir em moradia, como, por exemplo, os fundos de pensão", explicou Paim, ao justificar a necessidade da proposta.

Em seu parecer, Azeredo afirma que o projeto permite a democratização do acesso à moradia. "E nada mais justificável que permitir a utilização dos recursos das contas vinculadas do FGTS para pagamento de outros financiamentos ofertados pelo mercado, além dos limites do Sistema financeiro de habitação", alegou o parlamentar.

O relator ad hoc foi o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que leu o parecer de Azeredo.

Medalha

Também foi aprovado nesta terça-feira projeto (PLS 654/07) do senador Paulo Duque (PMDB-RJ) que solicita autorização para que a União conceda a Medalha de Distinção de 1ª Classe ao Jovem Riquelme Wesley dos Santos, pelos serviços extraordinários prestados em Palmeira (SC).

O homenageado, de apenas cinco anos, enfrentou um incêndio no dia 8 de novembro do ano passado para salvar outra criança, de um ano e 10 meses, cuja casa estava em chamas.

Valéria Castanho / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

08-04-2009 | 09:32

 A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) aprovou, nesta terça-feira (7), em caráter terminativo, projeto que autoriza a criação, no Ministério da Educação, do programa Cesta Básica do Livro. A proposta, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), autoriza o Executivo a oferecer, a cada família com filhos entre seis e 18 anos que estudem em escolas públicas, dois livros de conteúdo literário, artístico ou científico, a cada bimestre letivo.

Com parecer favorável do relator, senador Marco Maciel (DEM-PE), o projeto (PLS 278/08) determina que os livros serão escolhidos a partir de um catálogo a ser elaborado pelo Ministério da Educação, com a aprovação da Câmara de Educação Básica, vinculada ao Conselho Nacional de Educação.

Na justificação da matéria, Cristovam Buarque afirma que estudos recentes demonstram a diferença positiva do desempenho escolar de crianças que dispõem em suas casas de livros, revistas e jornais. Na opinião do senador, o programa terá um efeito positivo "para a criação de hábitos mais evoluídos de consumo, hoje reservados às classes médias da sociedade brasileira".

Professores

Também foi aprovado pela comissão requerimento da senadora Ideli Salvatti (PT-SC) para realização de audiência pública sobre a implantação da Lei 11.738/08, que estabelece piso salarial para docentes, e a aplicação da Lei 11.301/06, que trata da aposentadoria dos professores que exerceram cargos de direção, coordenação e assistência pedagógica.

Para a audiência, serão convidados os presidentes da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin Leão; do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), Maria Auxiliadora Rezende; e da União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação (Undime), Justina Ivã de Araújo Silva.

Ainda de autoria de Ideli Salvatti, foi aprovado requerimento para que o presidente da comissão, senador Flávio Arns (PT-PR), marque audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para tratar do andamento de ação direta de inconstitucionalidade impetrada contra a implantação da Lei 11.738/08. A audiência também deverá contar com as presenças dos ministros Joaquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito.

Aprovado projeto que incentiva publicações em Braille

Geraldo Sobreira / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

08-04-2009 | 09:30

 O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) explicou, nesta terça-feira (7), os termos de uma entrevista em que mencionou a possibilidade de plebiscito para se decidir sobre o fechamento do Congresso Nacional. Segundo o parlamentar, ele disse a uma rádio de Pernambuco que, a permanecer "a falta de sintonia e o divórcio entre o Congresso e o povo", havia a possibilidade de alguém propor um plebiscito com esse objetivo. A declaração ganhou maior repercussão depois que o senador mencionou a entrevista em pronunciamento no Plenário na segunda-feira (6).

- Eu não disse que estava propondo o plebiscito para decidir sobre o funcionamento ou não do Congresso - afirmou Cristovam, em resposta a críticas que recebeu da imprensa e de cidadãos, inclusive pelo correio eletrônico.

Apesar da polêmica que causou a menção da possível consulta popular, o senador preferiu encarar o episódio como positivo, por ter provocado um debate em torno da crise de credibilidade que afeta o Legislativo.

- Gostei de ter recebido críticas, mesmo quando me chamaram de estúpido, porque é um sinal de que há muitos brasileiros que reagem à ideia do fechamento do Congresso, embora existam muitos que achem que o Congresso não serve para nada - ponderou o senador, depois de ler trechos de diversas mensagens que lhe foram enviadas.

Do jornalista Ricardo Kotscho, ex-assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador recebeu um e-mail taxando de "sandice" a ideia do plebiscito. Já um cidadão de codinome José Manuel Mané defendeu o Congresso "com todas as suas prerrogativas" e considerou a simples referência ao plebiscito um "desserviço à democracia". Na opinião de Raimunda Beleza, "ainda existem homens honestos dentro do Parlamento".

- Eu não agi de forma planejada, mas acabei recebendo estas mensagens de teor diferente das que vinha recebendo, com muitas críticas ao Legislativo - disse o parlamentar.

De todo modo, o senador disse considerar esta mais uma oportunidade para que os congressistas reflitam sobre como estão agindo e a que distância se encontram das necessidades do povo. Cristovam chamou a atenção dos seus colegas para a responsabilidade que têm como integrantes da elite política do país.

Ele pediu que observassem o quanto o Congresso, abalado por denúncias de irregularidades administrativas, vê diminuir ainda mais o seu poder, já enfraquecido pelas medidas provisórias baixadas pelo Executivo e pelas decisões com força de lei emanadas do Poder Judiciário.

- Temos mordomias, sim, aqui no Congresso, no Executivo e muito mais no Judiciário. Mas existem também mordomias no setor privado, como provam as mansões construídas por aqueles que pagam salário mínimo aos seus empregados e aproveitam a contabilidade para recolher menos impostos - assinalou o parlamentar.

No que toca ao Congresso, ele condenou "todos" pelas más práticas, incluindo o pouco tempo dedicado à atividade parlamentar por excelência - o debate em Plenário.

- Nós trabalhamos muito pouco aqui em Brasília, em média de dois a três dias por semana. Eu mesmo, que sou do Distrito Federal, passo muitos dias fazendo conferências em diversas partes do país - admitiu.

A imagem de um Congresso inoperante é que fortalece, no entender de Cristovam, fantasias sobre a chamada "democracia direta", um sistema que dispensaria, no todo ou em parte, a representação parlamentar. O problema desse sistema, em tese possível com os novos meios de comunicação, é que não haveria espaço para a reflexão detida sobre os diversos temas, conforme observou o senador.

Cristovam foi aparteado por alguns colegas. A senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) pediu que se reforçasse "o discurso em torno do fortalecimento do Legislativo", separando-se a instituição da ação individual de parlamentares. Walter Pereira (PMDB-MS) convidou os congressistas "a uma autocrítica", com base nos protestos da sociedade.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse acreditar que o pronunciamento de Cristovam teve a intenção clara de mostrar o valor do Congresso, apesar das falhas, e o caráter de "imprescindível" atribuído à instituição pelo povo brasileiro. A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) disse temer um voto emocional, no caso de um plebiscito como esse, da mesma forma que se daria numa consulta sobre pena de morte. Ela relembrou o dito popular para avaliar o que seria o fechamento do Congresso: "ruim com ele; pior sem ele".

Da Redação / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

08-04-2009 | 09:30

 Foi lido na terça-feira (7), em Plenário, o Projeto de Lei de Conversão (PLV) 3/2009, resultante da Medida Provisória (MP) 450/2008, que trata da autorização para a União, os estados e o Distrito Federal participarem do Fundo de Garantia a Empreendimentos de Energia Elétrica (FGEE). A matéria veio da Câmara dos Deputados e entra na pauta do Senado.

Segundo a Agência Câmara, o fundo prestará garantias ao bancos que financiarem a construção de usinas hidrelétricas e de linhas de transmissão da energia. O projeto de lei de conversão é de autoria do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que ampliou o leque de atuação do fundo. A princípio, seriam beneficiados somente os projetos dos quais participassem as estatais federais de energia. Agora o mecanismo é extensivo às empresas estaduais, mas as assembleias legislativas precisarão autorizar os governos a participarem do fundo como cotistas, destinando recursos a ele.

O FGEE será administrado por banco federal e dará garantias a projetos estaduais considerados estratégicos, ou àqueles previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A garantia terá que ser proporcional à participação das empresas públicas do setor nas Sociedades de Propósito Específico (SPE).

A pauta do Senado se encontra trancada pelo projeto de lei de conversão (PLV) 2/09, proveniente da medida provisória 449/08, que altera a legislação tributária federal para estabelecer novas regras de parcelamento de débitos de tributos federais.

Nelson Oliveira / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

08-04-2009 | 09:29

 Nos últimos dez anos, esse foi o mês de março mais produtivo do Senado Federal. De acordo com levantamento feito pela Secretaria Geral da Mesa, cujos trechos foram lidos pelo presidente José Sarney, a Casa deliberou sobre 150 matérias no mês passado. Nos dois anos anteriores, no mesmo mês, esse número chegou a 132. Os três últimos anos foram o de melhor desempenho.

- A análise da produção legislativa do Senado Federal não deve considerar apenas os números. Quando se leva em conta o conteúdo, verifica-se também que as matérias cobrem amplo espectro, que percorre temas econômicos, sociais e jurídicos. A variedade dos assuntos apreciados demonstra que o Senado encontra-se em pleno funcionamento, no desempenho de sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento do país - afirmou José Sarney.

Das 150 matérias sobre as quais o Senado deliberou, duas decorreram de medidas provisórias. Dos 20 projetos de lei, 15 deles foram votados pelo Plenário e cinco pelas comissões, em decisão terminativa. Apenas um destes 20 projetos foi de iniciativa do Executivo. O presidente Sarney destacou que tal fato sinaliza que o Senado está resgatando sua atribuição típica de propor e aprovar leis.

Ainda dentre as proposições apreciadas em março, foram aprovados sete atos internacionais e 17 indicações de embaixadores ou autoridades. As demais matérias foram projetos de resolução, projetos de decreto legislativo e requerimentos diversos. Dos projetos de lei aprovados, cinco foram enviados para apreciação da Câmara dos Deputados e dez encaminhados à sanção do presidente da República.

Roberto Homem / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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08-04-2009 | 09:27