Apenas 12,8% dos empresários industriais acreditam que a situação vai melhorar nos próximos seis meses, o pior percentual da história. Quase 36% dos 1.104 entrevistados pela FGV apostam no pior

 

A indústria brasileira não vê luz no fim do túnel. Sondagem da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada ontem mostra que o pessimismo passou a influenciar as perspectivas de curto prazo das empresas. O setor, que amarga queda na produção e uma onda de demissões por causa da crise internacional, descarta qualquer recuperação - ainda que discreta - porque convive com estoques elevados, enfrenta dificuldades em captar recursos e sofre com os efeitos colaterais da retração na demanda externa.

 

O desalento ganha forma e números no Índice de Expectativas da FGV. A taxa atingiu em janeiro o nível mais baixo de toda a série histórica, iniciada em abril de 1995. Das 1.104 firmas pesquisadas entre os dias 5 e 26 deste mês, apenas 12,8% esperam por melhora da situação ao longo dos próximos seis meses - o menor percentual para este grupo havia sido registrado em outubro de 1998 (21,2%). Na outra ponta, 35,8% das companhias apostam em piora no semestre - em agosto do ano passado, período pré-crise, o índice era de 2,2%.

 

A FGV envia questionários a grandes, médias e pequenas empresas e adota padrões internacionais para tabular os dados. Esse tipo de análise é um importante termômetro que ajuda a estimar a real capacidade de retomada que a indústria terá quando a fase aguda da turbulência internacional chegar ao fim.

 

Ao todo, 21 gêneros industriais são consultados, mas os resultados gerais refletem o momento de apenas 14 deles, justamente aqueles em que a concentração é menor e a concorrência, mais acentuada.

 

O Índice de Confiança da Indústria (ICI), outro balizador da Sondagem Conjuntural, manteve-se praticamente estável ao sair de 74,7 pontos em dezembro para 75,1 pontos em janeiro (a escala vai de zero a 200).

 

"A pesar de registrar a primeira variação positiva após quatro recuos mensais consecutivos, a leitura do resultado de janeiro ainda não pode ser considerada favorável", ressaltou a FGV no comunicado oficial que acompanha a pesquisa. O ICI de janeiro é o menor desde 1995. O pico foi registrado em novembro de 2007 (119,8), patamar que refletia à época boa parte do superaquecimento do setor produtivo.

 

Flávio Castelo Branco, gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), adverte que alguns setores, como o automobilístico e o siderúrgico, puxaram o freio de mão rápido demais, mas que a tendência, segundo ele, é que outros segmentos façam ajustes menos agressivos.

 

"É como no caso das demissões que estão ocorrendo: nenhuma empresa demite por três meses. Se há dispensas, é porque a companhia sabe que não vai precisar daquele número de funcionários tão cedo", reforçou. A explicação justifica, por exemplo, a velocidade com que o desemprego assolou a indústria do estado de São Paulo, que só em dezembro fechou 130 mil postos de trabalho.

 

Pé no freio
A FGV também mediu o nível de utilização de capacidade instalada. Pelo cálculo, sem ajuste sazonal, houve queda: em janeiro o indicador atingiu 76,7% - em dezembro eram 80,6%. De acordo com a sondagem, esse foi o menor nível desde janeiro de 1993, quando o levantamento havia apurado um uso da capacidade instalada da ordem de 72%. Ainda conforme a FGV, mesmo com ajuste sazonal, o nível de uso de capacidade em janeiro foi baixo, o mais modesto desde outubro de 2005.

 

Aloísio Campelo, coordenador de sondagens conjunturais da FGV, diz que incertezas internas e externas deixam as indústrias sem qualquer poder de reação no momento. Pelo menos por enquanto o setor produtivo industrial está a reboque das consequências da crise, reforçou.

 

"Nos últimos meses, a tese do descolamento da turbulência externa em relação ao Brasil não se sustentou. O que há são segmentos registrando quedas menos acentuadas do que outros. Não existem efeitos contraditórios nisso como alguns querem acreditar", afirmou Campelo.

 

Fonte: Correio Braziliense

02-02-2009 | 08:20

 

DAVOS - Afundado no pessimismo, o Fórum Econômico Mundial chega ao fim tentando esboçar algumas propostas para combater a crise considerada a mais grave desde a Grande Depressão. A necessidade de cooperação internacional, sem protecionismos, e de um novo formato de regulação para o sistema financeiro mundial emergiram como os principais temas do encontro, que terminou hoje, em Davos, na Suíça.

O caminho não será fácil. Se o Fórum de 2008 passou a equivocada mensagem de que o mundo sairia da crise iniciada meses antes com um pouso suave, neste ano as opiniões catastrofistas se aglomeram. No debate de encerramento do evento hoje, participantes apontaram que o aumento do desemprego, da pobreza e do número de falências está apenas começando a ser sentido.

"A avaliação dos participantes em Davos é de uma situação extremamente difícil, em linha com a nossa visão de que este será o pior ano desde 1945", disse ontem o vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), John Lipsky. O economista Nouriel Roubini, hoje consagrado por ter previsto toda a turbulência, acredita que a situação ainda vai piorar. Para ele, a alta do preço do ouro é um sinal de temor dos investidores de que países e empresas irão quebrar.

América Latina
O clima só fica mais moderado quando o assunto é a América Latina. A percepção é a de que a região deve ser menos afetada do que as demais, apesar de também sentir fortemente o freio mundial. O tom vem de diversos empresários brasileiros presentes em Davos, que reconhecem os efeitos da turbulência sobre seus negócios, mas comparam com estragos maiores mundo afora e alegam que a região está hoje mais preparada para atravessar dificuldades.

Tanto que o País foi tema de um almoço durante o encontro com o título "Brasil: um novo agente de poder", recheado de avaliações mais otimistas de empresários, em contraste com o clima geral do Fórum. Assim como o Brasil, o papel dos emergentes vai se fortalecendo na economia mundial, outro viés presente em Davos. O G-20 se consolida como o fórum considerado o mais adequado para tratar de soluções para a crise.
 

Apesar do alerta do fundador e presidente do Fórum, Klaus Schwab, para que não se crie demasiada expectativa para a próxima reunião do G-20, o fato é que os debatedores apontaram constantemente a importância do evento, marcado para abril, em Londres.

O tema central será a construção de uma nova regulamentação para o sistema financeiro mundial. A ideia foi defendida pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que neste ano lidera o G-20. Paralelamente, no Fórum Social Mundial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou a mesma proposta.

A necessidade de reformulação das instituições internacionais também voltou a ser discutida em Davos. Para o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, é preciso reavaliar a arquitetura de governança global, dando mais espaço para os Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China). Esses pontos refletem a necessidade de uma ação global coordenada para enfrentar a crise, avaliação repetida diariamente em Davos, por diversas autoridades - e reforçada hoje no encerramento do evento.

Fonte: Agência Estado

02-02-2009 | 08:15

 

A diretora da Organização Internacional do Trabalho no Brasil (OIT), Laís Abramo disse, nesta terça-feira (27), que as propostas de redução da jornada de trabalho e a redução proporcional dos salários representam a piora no mercado de trabalho. Segundo ela, o risco de a América Latina e o Caribe passarem por um processo desses "é alto".

 

"A OIT defende o diálogo [entre empresas e trabalhadores] para encontrar soluções para cada caso concreto. Mas, a solução não pode ser a precarização do trabalho. É preciso tomar cuidado para que medidas conjunturais necessárias não tenham efeito contrário. É preciso manter a capacidade de consumo para manter o mercado interno aquecido", argumentou a diretora.

 

Segundo ela, se o salário do trabalhador é "insuficiente para satisfazer um nível mínimo de necessidades básicas, isso é inaceitável".

 

A diretora comenta ainda que há preocupação na OIT com o prejuízo do emprego de alguns segmentos da sociedade como negros, jovens e mulheres. Segundo dados do Panorama Laboral, divulgado na última segunda-feira (26) pela Organização, o desemprego no Brasil, na América Latina e no Caribe é 1,6 vezes maior entre as mulheres. Entre os jovens é 2,2 vezes maior do que entre os mais velhos.

 

"Temos preocupação que o desemprego atinja primeiro e mais fortemente aqueles extratos da sociedade que sempre foram mais discriminados, como as mulheres e os negros", disse.

 

Fonte: Portal Mundo do Trabalho

30-01-2009 | 08:38

 

O PPS pode propor à nova Mesa Diretora que será eleita na segunda-feira (2) um conjunto de medidas para evitar demissões em razão de crise econômica mundial. A informação é do deputado Raul Jungmann (PPS-PE).

O parlamentar informou que, entre as propostas, estará a ampliação do número de parcelas do seguro-desemprego e a utilização do FGTS para a compra de carros.

Jungmann afirma, no entanto, que, antes de qualquer proposta de estímulo para o setor produtivo e para manutenção de empregos, é necessário reduzir mais a taxa de juros básica da economia. "Nós continuamos na contramão de toda a tendência mundial com juros que, em que pesem terem caído um ponto percentual, ainda são os mais altos do mundo".

A política aplicada pelo Banco Central atualmente, segundo ele, é inexplicável, pois não há "desafio inflacionário à vista" que justifique a política monetária.

Contratos de financiamentos
Outra medida que será proposta pelo PPS é a alteração dos contratos de financiamento das empresas com os bancos públicos federais.

A ideia é fazer com que estas empresas se comprometam a manter os empregos por prazos que variem em torno de seis meses a um ano, dependendo do valor do empréstimo.

 

Fonte: Agência Câmara

30-01-2009 | 08:36

Trabalhadores comemoram a data no mesmo dia em que houve a abertura dos portos brasileiros, em 28 de janeiro de 1808. País contava com mais de 39 mil profissionais em 2007

 

Brasília, 28/01/2009 - Hoje é comemorado o Dia do Portuário. A data é festejada em alusão à abertura dos portos brasileiros ao comércio exterior, em 28 de janeiro de 1808, por conta da assinatura da Carta Régia - nesta mesma data - e oito dias após a chegada da Corte Portuguesa à Bahia. 

Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), de 2007, mostram que mais de 39 mil portuários trabalhavam no ano passado com registro em carteira em todo o país. O número de trabalhadores foi superior ao ano anterior, com 38 mil.  

No dia-a-dia, os portuários têm como principais atividades preparar cargas e descargas de mercadorias; movimentar mercadorias em navios, aeronaves, caminhões e vagões; entregar e coletar encomendas e manusear cargas especiais.  Também estão aptos a operar equipamentos de carga e descarga. 

São várias as possibilidades de trabalho, podendo atuar em empresas de transporte terrestre, aéreo e aquaviário, e naquelas onde as atividades são consideradas anexas e auxiliares do ramo de transporte.

O exercício da atividade dispensa escolaridade especifica ou cursos de qualificação.

Instrução Normativa - A IN nº 70, de 13 de agosto de 2007, do Ministério do Trabalho e Emprego, dispõe sobre os procedimentos da fiscalização das condições do trabalho, segurança e saúde de vida a bordo de embarcações nacionais e estrangeiras.

Por condições de trabalho e de vida a bordo, consideram-se, entre outras, às normas de manutenção e limpeza das áreas de alojamento e trabalho a bordo, à idade mínima, aos contratos de engajamento, à alimentação e ao serviço de quarto, ao alojamento da tripulação, à contratação, à lotação, ao nível de qualificação, às horas de trabalho, aos atestados médicos, à prevenção de acidentes de trabalho, aos cuidados médicos, ao bem estar social e questões afins e à repatriação.

 

Unidade da Federação CBO 783220 - Portuário
  2007 2006
Acre 54 30
Alagoas 464 442
Amapá 115 107
Amazonas 555 423
Bahia 1.663 1.582
Ceará 661 500
Distrito Federal 245 166
Espírito Santo 2.109 2.298
Goiás 493 422
Maranhão 2.618 2.589
Mato Grosso 255 241
Mato Grosso do Sul 78 80
Minas Gerais 1.371 1.471
Pará 1.510 1.394
Paraná 3.376 3.166
Paraíba 378 198
Pernambuco 1.258 1.375
Piauí 871 839
Rio de Janeiro 4.259 4.597
Rio Grande do Norte 305 198
Rio Grande do Sul 3.034 2.911
Rondônia 260 263
Roraima 20 17
Santa Catarina 1.990 2.018
São Paulo 11.159 11.049
Sergipe 138 156
Tocantins 70 34
BRASIL 39.309 38.566
Fonte: RAIS - MTE

 


Assessoria de Imprensa do MTE

28-01-2009 | 10:06

Qua, 28 de Janeiro de 2009 00:01

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta terça-feira (27), que o Ministério da Previdência Social passará a enviar, em junho próximo, comunicados aos trabalhadores informando sobre o direito de aposentadoria.

Segundo Lula, quem trabalha na área rural também poderá obter em 30 minutos a aposentadoria nos postos de atendimento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A concessão de benefícios em 30 minutos começo a funcionar neste mês.

"A partir de junho vocês vão receber em casa, quem atingir o direito de se aposentar, um comunicado da Previdência dizendo que o cidadão já atingiu a idade de se aposentar, já atingiu o tempo de contribuição, que o seu salário será ‘tanto' e, portanto, ele tem a opção de querer ou não se aposentar, ou querer continuar trabalhando um pouco mais. Esse já é um comprometimento público que eu estou fazendo aqui para os companheiros da Previdência Social", afirmou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em São Paulo para inaugurar uma agência da previdência social, em cerimônia pelos 86 anos do sistema previdenciário do Brasil. Acompanhado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e do ministro da Previdência, José Pimentel, Lula afirmou que o sistema de previdência só tende a melhorar.

Lula classificou o antigo sistema da Previdência como um "sacrifício". "Investimos R$ 280 milhões para modernizar a Dataprev [Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social]. Criamos um call center [serviço de atendimento ao usuário] e contratamos mais de cinco mil peritos".

Segundo Lula, o governo está apenas "retribuindo ao contribuinte a cidadania a que ele tem direito. Se, para cobrar, nós somos tão precisos, temos que chegar próximo à perfeição para prestar os nossos serviços", disse o presidente. (Fonte: Agência Brasil)

28-01-2009 | 09:59

Qua, 28 de Janeiro de 2009 00:07

Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), em 2008, somaram US$ 45,1 bilhões, um recorde da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em 1947. O número corresponde a um crescimento de 30,3% na comparação com 2007. Apesar do agravamento da crise econômica no final do ano, em dezembro os investimentos externos diretos alcançaram US$ 8,1 bilhões.

Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, os números mostram que o investidor estrangeiro mantém a confiança no país. "Em relação ao investidor que está mais preocupado com o longo e médio prazo e com produção, diria que a confiança permanece", afirmou Lopes.

"Esses fluxos de recursos na modalidade de investimento estrangeiro direto são aplicados, fundamentalmente, na produção e são recursos de médio e longo prazos que vêm para ficar na economia brasileira. Portanto, a confiança do investidor no país, no que diz respeito a médio e longo prazos, é muito grande", complementou.

Segundo Lopes, a parcial de janeiro está em US$ 2,1 bilhões. "São recursos significativos e, mais importante que isso, e estão distribuídos setorialmente. Não há concentração mais expressiva desses fluxos, o que mostra que a credibilidade é disseminada", disse. (Fonte: Agência Informes)

28-01-2009 | 09:58

Qua, 28 de Janeiro de 2009 00:12

Expectativa de analistas aponta que a taxa básica de juros deva encerrar 2009 em 11%, o que seria o patamar mais baixo desde que o Banco Central passou a divulgar meta para a taxa Selic (taxa básica de juros) para fins de política monetária, em março de 1999. Segundo o boletim Focus publicado, nesta segunda-feira (26), pelo BC, os analistas modificaram a previsão para os juros, que até o relatório anterior estava em 11,25%.

Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária) surpreendeu o mercado ao cortar a taxa Selic em um ponto percentual, para 12,75% ao ano, diante do desaquecimento da economia interna e a onda de demissões na indústria brasileira. Para 2010, a projeção também caiu. O mercado espera juros em 10,75% no ano que vem, contra os 11% da estimativa anterior.

Os analistas diminuíram a perspectiva para a inflação em 2009 pela segunda semana seguida. A projeção é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se situe em 4,64% neste ano em vez dos 4,80% aguardados antes. Desta vez, a previsão está bem próxima do centro da meta, que é de 4,5%.

Para 2010, as projeções estão estacionadas no centro da meta do governo, em 4,50%, há 34 semanas. Para os demais índices de preços, a estimativa também foi reduzida. A expectativa para o IGP-DI de 2009 saiu de 4,91% para 4,49%, enquanto a projeção para o IGP-M caiu de 4,77% para 4,41%. Sobre o IPC-Fipe, os agentes estimam que o índice avance 4,50% em vez de 4,54%.

Segundo o Focus, os analistas esperam que o dólar comercial encerre o ano a R$ 2,30, sem mudança, e terminará janeiro em R$ 2,35, pouco acima da estimativa passada, de R$ 2,33. Para o encerramento de 2010, a mediana das expectativas dos analistas aponta dólar a R$ 2,28, repetindo o prognóstico contido no boletim anterior.

O mercado financeiro manteve estável a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 em 2%. Para o próximo ano, a previsão é de que a economia brasileira tenha expansão de 3,80%, pouco menos do que os 3,90% aguardados anteriormente.

Em termos de produção industrial, a projeção média foi reduzida de alta de 2,15% para 2% em 2009 e de 4,30% para 4,05% nos 12 meses à frente. Na balança comercial, a previsão é de superávit de US$ 14,5 bilhões em 2009, sem alteração. A conta de transações correntes do País deve encerrar este exercício com déficit de US$ 25 bilhões, também igual ao do levantamento precedente.

Na avaliação do deputado Pedro Eugênio (PT/PE), a análise do empresariado reflete um certo conservadorismo em algumas estimativas, como o crescimento da economia em 2%.

"O empresariado tende a ser mais pessimista no crescimento econômico. Se os empresários avaliarem mais objetivamente, considerando separadamente os setores exportadores, que são os que sofrem mais impacto direto da crise, verão que seus planos de investimento deverão continuar em 2009 e que nossa taxa de crescimento deverá ser maior do que 2%. Já ouvimos uma taxa de 4%, que é a estimativa da equipe econômica do governo", avaliou.

Outro ponto a ser destacado, disse, é a previsão de queda na taxa de juros. Segundo Pedro Eugênio, há espaço para uma redução ainda maior da taxa Selic.

"O BC tende a ser conservador, mas há espaço para uma redução maior da nossa taxa. Temos de ter referências na inflação, na qual a expectativa do mercado é correta - a inflação ficará dentro da meta, inclusive devido à redução do ritmo de expansão da economia - mas também temos de olhar as taxas de juros internacionais, que estão mais baixas do que nunca, se aproximando de zero em alguns países", afirmou. (Fonte: Agência Informes)

28-01-2009 | 09:57

Qua, 28 de Janeiro de 2009 09:12

O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, considerou nesta terça-feira (27) ser "bastante razoável" esperar mais queda das taxas de juros nas próximas reuniões do Copom, mas deixou claro que isso não significará baixa nos spreads bancários, a diferença entre o custo de captação e o que cobram do tomador final de empréstimo.

Ele avisou que não tem como reduzir o spread no curto prazo, porque a inadimplência está subindo no país, afastando assim uma demanda frequente do Governo Luiz Inácio Lula da Silva.

"Se o nível de inadimplência subir, o spread tende a subir, e se cair, o spread também tende a cair", argumentou. Disse que o aumento da inadimplência reduziu a possibilidade de baixa dos spreads, pelo menos até que os calotes se estabilizem.

Sua expectativa é de que o ciclo de baixa dos juros continuará e observou que o mercado está indicando taxa abaixo de 11% ao final do ano, e que as baixas vêm sendo repassadas integralmente aos clientes.

Setubal considera que o Brasil tem uma situação "perfeitamente administrável" e previu um ano difícil, mas menos problemático para o país do que para outros emergentes. "A economia interna vai ter 2009 de ajustes, ao novo nível de câmbio, preço de commodities. Isso não é imediato, demora um tempo, se perde um pouco de PIB nesse período, mas pode voltar a crescer mais de 3% em 2010", afirmou.

William Rhodes, do Citigroup, velho observador da política econômica brasileira, considerou que o BC "faz um bom trabalho", mas notou que a "tendência no mundo inteiro" é mesmo de baixa significativa dos juros, perto de zero, como nos EUA.

Em conversa com jornalistas brasileiros em Zurique, Setubal foi indagado como se sentia como presidente de um banco com valor hoje maior que o do Citigroup, até recentemente umas das máquinas financeiras do mundo. "Isso mostra o tamanho da crise que estamos passando", respondeu rindo.

Indagado se o Citi pretendia desmontar o banco no Brasil, Rhodes respondeu que sobre o país tudo é positivo. "Sobre o Brasil e sobre o Citi, quer dizer, o Citibank Brasil", disse bem humorado. (Fonte: Valor Econômico)

28-01-2009 | 09:56

Qua, 28 de Janeiro de 2009 09:16

 

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que o Governo ainda não tomou uma decisão sobre a preservação dos reajustes salariais do funcionalismo e a contratação de novos servidores públicos federais neste ano. Depois de anunciar um bloqueio "preventivo" de R$ 37,2 bilhões no Orçamento da União, Bernardo ressaltou que os acordos firmados pelo Governo só serão cumpridos se não houver uma queda acentuada da arrecadação tributária neste ano.

Em seguida, ele deixou claro que o cenário não é dos mais animadores, já que a tendência seria de diminuição na coleta de impostos e contribuições pelo Fisco devido aos impactos da crise na economia brasileira.

"Temos certeza de que teremos uma receita bem menor do que a projetada na lei orçamentária atual", avisou Bernardo. Em dezembro passado, o Correio revelou que o Governo incluiu em uma das medidas provisórias baixadas para aumentar os salários dos servidores, a MP 441, artigo condicionando o reajuste à manutenção do nível das receitas.

Agiu assim por precaução, ciente da possibilidade de a "marolinha" sangrar os cofres da União. Foi por conta dessa regra que o relator da lei orçamentária, senador Delcídio Amaral (PT/MS), decidiu não cortar as despesas previstas para pessoal, de cerca de R$ 169 bilhões em 2009. O petista não quis jogar nas costas dos colegas um desgaste político que o próprio Planalto resolveu assumir como de sua responsabilidade.

O superpacote de reajustes autorizado no ano passado beneficiou cerca de 1,8 milhão de servidores. Entre ativos, inativos, civis e militares, isso equivale a quase todo o Executivo federal. Agressiva e abrangente, a política de recomposição salarial mexeu na estrutura das carreiras, criou ou modernizou ferramentas de ascensão e avaliação e, claro, turbinou contracheques - muitos até acima dos 100%.

Os custos financeiros são escalonados, com efeitos integrais em 2010 e 2011. Neste ano, porém, a conta já é salgada: somando as três medidas provisórias que compõem o pacote, o impacto será de R$ 28,4 bilhões.

Mobilização
Com o congelamento orçamentário anunciado nesta terça-feira (27), entidades ligadas aos servidores temem pelo futuro. "Estamos assustados, principalmente porque a maior parte do corte provisório é na área de custeio da máquina", disse Josemilton Costa, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef).

A entidade, que representa a maior parte da Esplanada, agendou para março uma plenária a fim de discutir estratégias de ataque ao Palácio do Planalto. Se o quadro não evoluir favoravelmente até lá, as consequências serão imprevisíveis.

"Se o corte no Orçamento é dos grandes, como parece ser, significa que são grandes as chances de os acordos com as categorias serem descumpridos, e isso não vamos aceitar. Vamos colocar nosso bloco na rua", completou o sindicalista, referindo-se a uma possível onda de greves.

Parte do funcionalismo que teve acesso à prévia do contracheque disponível no sistema online de pagamentos da União sabe, há uma semana, que o aumento referente a 2009 foi lançado em folha. Para Jorge Pinho, professor do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB), o que já foi transformado em lei dificilmente pode ser revertido.

Ainda que do ponto de vista técnico seja possível, o custo político é considerável. "O mundo está em crise e o que chamaram de marolinha ainda vai afogar muita gente. O que o Governo pode fazer é alongar um pouco mais os prazos desses reajustes, mas resta saber se o Planalto está disposto a arcar com os custos políticos". (Fonte: Correio Braziliense)

28-01-2009 | 09:55