Se a jornada de trabalho cumprida integralmente no período noturno é prorrogada, o adicional noturno é devido também sobre as horas da prorrogação. Com este entendimento, fixado na Súmula nº 60 do TST, a Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou embargos da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre contra condenação imposta pela Segunda Turma do TST ao pagamento do adicional.

O pagamento foi decidido na sentença de primeiro grau, excluído pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) e restabelecido pela Segunda Turma.
De acordo com a CLT (artigo 73, parágrafo 2º), considera-se trabalho noturno aquele executado entre as 22h de um dia e as 5h do dia seguinte. Nessas condições, a hora-base é de 52 minutos, e o trabalhador tem ainda direito a adicional de 20%. Para o TRT/RS, o adicional deveria incidir apenas sobre este período. Mas a Segunda Turma entendeu que a reforma da sentença contrariou a jurisprudência do TST, que garante o adicional noturno sobre a prorrogação da jornada ainda que esta ocorra em horário diurno, como era o caso da trabalhadora.

Ao recorrer à SDI-1, a Santa Casa argumentou que a jornada deve ser cumprida integralmente no período noturno para que seja deferido o adicional sobre as horas prorrogadas. Mas o redator do acórdão dos embargos, ministro Milton de Moura França, observou que a decisão da Segunda Turma foi explícita ao revelar que a empregada trabalhava no período das 22h às 5h e tinha prorrogada sua jornada para além deste período. “Diante dessa realidade, andou bem a decisão da Turma ao assegurar o adicional”, concluiu. ( E-RR-79459/2003-900-04-00.9)
Fonte: www.tst.jus.br

 

13-01-2009 | 09:30

 Sáb, 10 de Janeiro de 2009 18:07

Enquanto para fazer frente aos efeitos aqui da crise econômico-financeira internacional o Governo Lula corretamente anuncia a dotação de mais R$ 3 bilhões à Caixa Econômica Federal (CEF) para a construção de 70 mil casas populares, o governador tucano de São Paulo, José Serra, age na contramão do bom senso.

Serra (PSDB) arranhou definitivamente seu discurso, a imagem que esculpiu ao longo de todos esses anos apresentando-se como um social democrata diferenciado dos liberais tucanos, e meteu a tesoura no Orçamento/2009 do Estado: anunciou um gigantesco corte orçamentário de nada menos que R$ 1,57 bi. Pior que isso, é um corte no qual as áreas sociais são as mais atingidas.

Serra agiu à imagem e semelhança do sempre propagado pelos governos e príncipes do tucanato que nunca tem preocupação e nem dão prioridade ao setor - ao contrário, a obsessão é conter déficit público, cortar gastos e mutilar orçamento.

No corte do governador paulista, a área de transportes, a que dá obras mais vistosas, plataforma e vitrine dos projetos do presidenciável Serra, foi das menos atingidas.

Já as áreas sociais, que nunca constituem paixão dos tucanos, sofreram forte ação da tesoura: foram postos nessa geladeira do congelamento 18% do orçamento da Secretaria de Assistência Social e 10% da área de habitação. (Fonte: Sítio do Zé Dirceu)

13-01-2009 | 09:28

 Sáb, 10 de Janeiro de 2009 18:13

João Sicsu*

Em 2008, não houve inflação de demanda. Inflação de demanda ocorre quando a capacidade de realizar compras de uma economia é maior que a sua capacidade de produzir o que é desejado. Nessas condições, os empresários elevam os preços diante da impossibilidade de aumentar quantidades ofertadas.

Cabe ser observado, contudo, que a identificação de uma situação de inflação de demanda deve ser feita de forma agregada, ou seja, olhando-se o conjunto da economia. Um fato isolado de aumento de preços por aumento de demanda não pode caracterizar uma economia contaminada por inflação de demanda. Aumento de preços em um setor de forma isolada é apenas um sinal de mercado, necessário, que atrai investimentos para aquele nicho.

O que aconteceu recentemente na economia brasileira?

1) De 2006 a 2008, a taxa de crescimento do investimento foi superior entre 2 e 3 vezes a taxa de crescimento do PIB. Isto significa oferta crescendo mais velozmente que a demanda.

2) A massa salarial como proporção do PIB vinha caindo de forma acentuada nos últimos anos. Cálculos preliminares indicam um estancamento desta queda no ano de 2008. Em outras palavras, a capacidade de compra dos trabalhadores (demanda) relativamente ao que era produzido pela economia (oferta) estava diminuindo.

3) Houve a partir de 2004 um crescimento do crédito como proporção do PIB. A trajetória de crescimento tornou-se mais acentuada a partir de junho de 2007. De 2007 a 2008, o crédito para pessoa física cresceu, como proporção do PIB, de 10% para 12,5%. No mesmo período, o crédito para pessoa jurídica mais o crédito direcionado (BNDES, crédito agrícola etc.) cresceu de 20% do PIB para 25%. Isto significa, grosso modo, que o crédito para o lado da oferta crescia a uma velocidade muito maior que o crédito para o lado da demanda.

4) O nível de utilização da capacidade instalada da indústria (Nuci) atingiu, em 2008, seu nível mais elevado 83,5%. Este foi um sinal positivo e necessário para que novos planos de investimento fossem implementados. Isto não significa, contudo, que a capacidade de produção da indústria estava se esgotando. Cabe ser lembrado que a produtividade do trabalho cresceu aproximadamente 10%, entre 2006 e 2008, uma taxa record. A produção pode ser aumentada quando o Nuci e/ou a produtividade aumentam. O Nuci, analisado isoladamente, não pode explicar absolutamente nada sobre a capacidade de ofertar da indústria.

5) O saldo em transações correntes tornou-se negativo em 2008. A conta de transações correntes é composta, grosso modo, de duas grandes partes: saldo comercial com o exterior e remessas de lucros e dividendos. O saldo comercial se reduziu drasticamente, mas continua positivo. Isto significa que a economia brasileira exporta parte do que produz. O que tornou o saldo em transações correntes negativo foi um problema estrutural da economia brasileira: a remessa de lucros para exterior de multinacionais é capaz de ser maior que todo o esforço de exportações da economia. Portanto, não é verdadeira a conclusão de que se gasta tanto que se consome tudo que é produzido aqui e ainda compra-se o que é produzido no exterior.

6) As despesas totais do Governo Federal, como proporção do PIB, têm caído. Em 2006, eram 34,1%, e em 2007, foram 31,5%. Em 2008, as despesas realizadas entre janeiro e novembro totalizaram 25,5%. Sendo assim, o governo tem reduzido a sua demanda em relação à oferta total de bens e serviços da economia.

A inflação que houve em 2008 foi causada principalmente por um choque de efeito passageiro do item alimentos. A inflação de 2008 foi de 5,9%. A inflação do item alimentos foi de 11,1% e a inflação de todos os demais itens foi de 4,4%. Resumo da ópera: se os alimentos tivessem se comportado como os demais preços, a variação do IPCA no ano teria sido inferior ao centro da meta perseguida pelo Banco Central, que é 4,5%. Os preços não subiram em 2008 por excesso de demanda, os números comprovam. O que houve, em 2008, foi "inflação" (aumento) de juros causada exclusivamente por excesso de demanda por sua elevação.

A "inflação" (aumento) de juros de 2008 não tinha justificativa técnica. Para 2009, há justificativas técnicas evidentes para uma forte "deflação" (redução) dos juros. Crises não são situações para serem enfrentadas com conservadorismo que, neste momento, é sinônimo do cúmulo da moleza: "correr sozinho e chegar em segundo". Portanto, é hora de "deflacionar" (reduzir) rapidamente os juros para que estes alcancem logo um dígito. Manter juros de dois dígitos em tempo de crise é amar o risco de morrer.  

13-01-2009 | 09:27

 Sáb, 10 de Janeiro de 2009 18:24

Leonardo Sakamoto*

Manifestações em Itabira (MG) reuniram centenas de pessoas na última quinta-feira (8) para protestar contra a política de empregos que a Vale vem adotando sob justificativa da crise. De acordo com sindicatos, a gigante do setor de mineração demitiu 76 pessoas (62 de acordo com a própria Vale) na região.

O problema é que as empreiteiras que prestam serviços para a empresa teriam passado a navalha nos seus quadros, demitindo centenas. À agência de notícias Reuters, a assessoria da mineradora afirmou: "não podemos ser responsabilizados pelo ajuste de outras empresas".

Ou, em outras palavras, "nós terceirizamos todo esse pessoal exatamente para não ter esse tipo de dor de cabeça". Empresas menores possuem menos recursos à disposição em comparação com uma gigante como a Vale e, portanto, menos capacidade de enfrentar crises.

Se esses trabalhadores estivessem sob responsabilidade da mineradora talvez não fossem demitidos, mas seriam um "peso" no ringue da globalização na opinião de alguns que veem números e não pessoas.

Além disso, pequenas empresas que demitem dez aqui, 100 ali não dão manchete em jornal de circulação nacional como uma grande botando um milhar no olho da rua - o que é péssimo para a imagem institucional.

Mais dinheiro, significa mais poder (e vice-versa), mas também mais responsabilidade. Pelo menos em tese, porque na prática... (Fonte: Blog do Leonardo Sakamoto

13-01-2009 | 09:25

 Sáb, 10 de Janeiro de 2009 18:37

Em 2008, o ICV-Dieese, calculado para o município de São Paulo, acumulou alta de 6,11%, enquanto em 2007 a variação ficou em 4,80%. A taxa registrada no último ano representa a maior elevação anual apurada desde 2004, quando correspondeu a 7,70%.

No entanto, em comparação com o aumento acumulado para o período de 12 meses encerrado em novembro, houve queda, uma vez que naquele mês a variação acumulada entre dezembro de 2007 e novembro de 2008 era de 7,16%.

Além do índice geral, o Dieese calcula mais três indicadores de inflação, segundo tercis da renda das famílias paulistanas. O estrato 1, que corresponde à estrutura de gastos de 1/3 das famílias mais pobres (renda média = R$ 377,49*), apresentou nos 12 meses de 2008, o maior aumento - de 6,75%.

Para o estrato 2 - que contempla os gastos das famílias com nível intermediário de rendimento (renda média = R$ 934,17*), a taxa ficou em 6,16%. Já o estrato 3, que reúne as famílias de maior poder aquisitivo (renda média = R$ 2.792,90*), registrou a menor variação, de 5,92%. (Fonte: Dieese)

13-01-2009 | 09:22

 Dom, 11 de Janeiro de 2009 17:38

Grande parte dos trabalhadores tem dúvidas sobre qual a diferença (ou relação) entre o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público, famoso PIS/Pasep.

Se este é o seu caso, não se preocupe, pois tudo é mais simples do que você imagina. A principal diferença entre eles é que o PIS é um benefício pago aos funcionários de empresas privadas através da Caixa Econômica Federal, enquanto o Pasep é um benefício pago aos servidores públicos através do Banco do Brasil.

Objetivo é constituir fundo de ajuda ao trabalhador
Ambos são formas de contribuição pagas mensalmente pelas empresas, cujo objetivo é constituir um fundo de ajuda ao trabalhador, inclusive na perda do emprego. Em outras palavras, o benefício é garantido apenas quando o empregador contribui para o PIS/Pasep.

Parte desta contribuição vai para o Governo Federal com o intuito de financiar programas de desenvolvimento econômico, e o restante da arrecadação é usado no financiamento de benefícios ao trabalhador, como o seguro desemprego e o abono salarial.

Seguro desemprego e abono
Talvez você não saiba, mas nem todas as pessoas desempregadas têm direito ao seguro desemprego. Se você está nesta situação e pensando em pedir este benefício, saiba que é preciso ter trabalhado no mínimo seis meses com registro em carteira.

Além disto, você deve ter trabalhado pelo menos seis meses nos últimos 36 meses; não deve estar recebendo nenhum benefício da Previdência Social de prestação continuada (exceto auxílio-acidente ou pensão por morte) e não pode ter outro registro na carteira de trabalho.

Já o abono do PIS/Pasep funciona como uma espécie de 14º salário, pago aos empregados em uma data fixada pela Caixa Econômica Federal (CEF) ou Banco do Brasil (BB), e equivalente ao valor do salário mínimo vigente. (Fonte: InfoMoney)

Como no caso do seguro desemprego, existem alguns requisitos exigidos por lei para que você tenha direito a este benefício:

- A média da sua remuneração durante o ano anterior deverá ser de no máximo dois salários mínimos mensais;

- No ano anterior precisa ter trabalhado pelo menos trinta dias com vínculo empregatício;

- Deve ser cadastrado no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos;

- Seu empregador deverá ter informado os seus dados corretamente na Rais (Relação Anual das Informações Sociais) durante o ano anterior ao pagamento do benefício.

Fonte: Agência DIAP

13-01-2009 | 09:19

 

Dezembro deverá se confirmar como um desastre histórico para o mercado de trabalho. O Brasil poderá ter perdido cerca de 600 mil vagas, o dobro do que normalmente é registrado pelo Ministério do Trabalho nessa época do ano, quando muitos temporários são dispensados. Os dados serão divulgados oficialmente nos próximos dias pelo ministro da pasta, Carlos Lupi, que por ora não confirma o fraco desempenho da economia.

Fontes com acesso a Lupi chegaram a estimar que os cortes teriam chegado à casa de 600 mil vagas em dezembro, apenas levando em conta os dados do Cadastro Geral de Empregados e Demitidos (Caged).

Em dezembro de 2007, o Caged, que compila os dados sobre o mercado formal de trabalho, registrou o fechamento de 319,4 mil vagas, desempenho muito semelhante ao de igual mês de 2006. No governo Lula, o pior dezembro até agora foi o de 2004, com fechamento de 352,1 mil vagas.

Reportagem publicada ontem pelo Estado mostrou que, pressionada por estoques elevados e queda nas vendas, quase um terço da indústria brasileira pretende reduzir o número de empregados até fevereiro. A estimativa foi feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Além do corte de postos de trabalho, o País enfrenta outro problema, o número crescente de anúncios de férias coletivas. Atualmente o total de empregados nessa situação passam de 150 mil. Eles estão ligados a empresas dos setores de siderurgia, mineração, autopeças, metalurgia, papel de celulose e agroindústria, entre outros.

A reação do mercado de trabalho diante da crise internacional é também a grande preocupação do Governo. Não à toa, já foram anunciadas medidas para desonerar o setor automotivo - um dos mais atingidos pelo momento delicado da economia e cuja cadeia produtiva é altamente geradora de empregos - e estimular o consumo, como a redução do Imposto de Renda para Pessoa Física (IRPF).

Na mira da equipe econômica agora está o setor de construção civil, um dos mais intensivos em mão-de-obra que também sofre o impacto da retração de crédito provocada pela crise. No pacote habitacional em gestação, o governo discute medidas como a desoneração de material de construção popular e a elevação do valor de financiamento da casa própria com utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de ampliação da oferta de financiamentos.

No caso das desonerações, o espaço do governo está limitado pelo impacto negativo da desaceleração da atividade econômica na arrecadação federal.

Já em relação ao FGTS, há um relativo consenso dentro do governo sobre a necessidade de se elevar o valor do imóvel que poderá ser adquirido com os recursos do Fundo, mas a cifra ainda não está fechada. (Fonte: O Estado de S.Paulo)

13-01-2009 | 09:18

 Dom, 11 de Janeiro de 2009 17:40

Caixa registrou mais de 92% de abonos pagos, chegando ao valor de R$ 4,99 bilhões em pagamentos aos beneficiados

Até a última quinta-feira (8), pouco mais de 960 mil brasileiros ainda não sacaram o PIS (R$ 415) referente ao exercício 2008/2009, o que representa 7,24% do total. Vale lembrar que ele estará disponível até 30 de junho de 2009.

De acordo com dados divulgados pela Caixa Econômica Federal, foi realizado o pagamento de 92,76% de abonos, chegando ao valor total de R$ 4,99 bilhões.

No exercício 2008/2009, ainda segundo a CEF, ocorreu o maior pagamento da história dos benefícios, com cerca de 13,2 milhões de abonos, 10,55% a mais do que os do calendário anterior.

São Paulo
No estado paulista, foi registrado um número de 163.445 trabalhadores que ainda podem receber o benefício, o que representa 5,23% do total da região.

Isso significa que, em São Paulo, 94,77% dos trabalhadores (ou 2,961 milhões) já receberam o abono, totalizando um valor de R$ 1,197 bilhão.

Os trabalhadores que ainda não receberam
Antes de ir aos locais de atendimento, é importante o beneficiário verificar primeiro se recebeu ou não os benefícios antecipadamente, por meio de crédito em conta.

Para se certificar, basta olhar os extratos bancários de julho e novembro de 2008 e também os contracheques dos salários de julho, agosto ou setembro do ano passado.

O trabalhador que tem direito ao PIS e o Cartão do Cidadão pode fazer o saque nos caixas eletrônicos da Caixa Econômica Federal, nas lotéricas e nos postos Caixa Aqui.

Quem não tem o Cartão do Cidadão deve procurar agência da Caixa e levar documentos de identidade e comprovante de inscrição no PIS.

Regras
De acordo com as regras do programa do Ministério do Trabalho e Emprego, todo trabalhador que estiver cadastrado no PIS/Pasep até 2003, que tenha trabalhado, no mínimo, 30 dias em 2007 com carteira de trabalho assinada pela empresa e tenha recebido, em média, até dois salários mínimos mensais poderá sacar o benefício.

Além disso, o trabalhador deve ter tido seus dados enviados pela empresa onde atuou à Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do ano-base 2007. (Fonte: InfoMoney)

13-01-2009 | 09:16

 

Na semana em que a maioria das indústrias retoma a produção, a preocupação com o risco do desemprego cresce entre trabalhadores e empresários, que negociam alternativas para evitar uma enxurrada de demissões.

Os dados de produção, vendas, margem líquida e financiamentos revelam que o risco é iminente, mas é possível identificar as áreas mais afetadas e aquelas que ainda podem atravessar o primeiro trimestre sem muitas dispensas.

Indústrias de bens de consumo duráveis (como eletroeletrônicos e eletrodomésticos), construção civil, papel, celulose, couro, madeira e agroindústrias apresentam demanda e caixa já comprometidos pela crise, fatores que podem obrigá-las a reduzir a força de trabalho.

Também participam do "grupo de risco" as montadoras, as indústrias siderúrgicas, de autopeças e de máquinas e equipamentos, que já indicavam um quadro de agravamento no fim do ano passado.

"Não existe setor que sairá ileso da crise, mas certamente os que dependem do crédito e já apresentam redução da demanda estarão mais propensos a fazer demissões neste início de ano", avalia o economista e professor da Unicamp Júlio Sérgio Gomes de Almeida.

Já setores ligados a serviços essenciais e produtos básicos, como alimentação, saúde, educação, água e esgotos e energia, apresentam mais chances de encerrar o primeiro trimestre com o nível de emprego inalterado.

Apesar das perspectivas pouco favoráveis para a construção, Almeida acredita que os setores de cimento e outros insumos podem ter desempenho razoável. Embora as vendas de imóveis tenha caído, as construtoras continuam as obras, diz ele.

Um estudo da consultoria Economática com base nos balanços de 250 empresas listadas na Bovespa revela que a margem líquida (indicador de eficiência) de alguns setores já havia apresentado crescimento menor antes mesmo do agravamento da crise.

De janeiro a novembro, houve redução nas margens dos setores de software e dados, alimentos e bebidas, transporte e serviços, construção, máquinas industriais, siderurgia e metalurgia, química e papel e celulose .

Dados do IBGE compilados pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) indicam que parte desses setores já tiveram queda na produção de janeiro a novembro, como eletrodomésticos linha marrom (7,7%), embalagens de madeira (10,2%) e moagem de trigo (11,8%).

A redução do crédito também fica evidente no último levantamento do BNDES, que aponta redução nas aprovações para os setores de bebidas (25,7%), coque, petróleo e combustível (6,41%), farmoquímico e farmacêutico (43,86%), eletricidade e gás (9,4%), fumo (95,35%), madeira (28,32%), máquinas e aparelhos elétricos (48,38%), outros equipamentos de transporte (69,95%), transporte aéreo (31,88%), transporte aquaviário (72,28%), transporte terrestre (2,6%) e saúde (53,47%) no acumulado de janeiro a novembro sobre igual período de 2007.

As indústrias têm de lidar ainda com a desaceleração da demanda. O Santander projeta para novembro queda de 1,2% nas vendas de novembro em relação a outubro, com ajuste sazonal.

O dado oficial sai na sexta-feira. "As indústrias não trabalham como o Tio Patinhas. Elas estavam embaladas e reinvestiram os lucros. De repente, o crédito ficou escasso, os consumidores deixaram de comprar e elas ficaram em uma condição sensível", disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

Em novembro, o indicador da Fiesp do emprego apontou o fechamento de 34 mil postos, e tudo indica que dezembro teve resultado pior, afirmou Skaf. No Brasil, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a indústria de transformação já havia iniciado ajustes em seus quadros de trabalhadores em novembro.

As maiores quedas ocorreram nos setores de calçados (2,92%), material de transporte (2,21%), borracha, fumo e couros (1,81%), metalurgia (1,43%) e material elétrico e de comunicação (1,45%).

Em janeiro, os setores metalúrgico realizaram demissões ou propuseram redução da jornada de trabalho e a suspensão temporária dos contratos de trabalho. Na sexta, a General Motors anunciou o quinto pedido de férias coletivas.

A empresa concedeu férias a 600 dos 1,1 mil metalúrgicos de São José dos Campos, de 26 de janeiro a 24 de fevereiro. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres, informou que pelo menos duas empresas devem fechar acordos de suspensão temporária do contrato, a Armco e a Indebrás.

A presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco, Eunice Cabral, disse que ainda não foi procurada para acordos do tipo. O total de demissões chega a 3% dos 80 mil trabalhadores da base, e uma onda de demissões a preocupa.

Em Pernambuco, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica, Mecânica e de Materiais Elétricos do Estado (Sindmetal), houve mais de 300 desligamentos em dezembro.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP), Antonio de Sousa Ramalho, informou que houve 13.563 homologações de carteira em 2008, 24% mais que em 2007.

"Mas o total é muito maior, porque o número de contratados com carteira assinada há mais de um ano representa 20% do setor."

Na sexta, sindicatos pediram à Fiesp que convença as indústrias a evitar cortes. Para isso, entidades filiadas à Força Sindical mostraram-se dispostas a aceitar medidas como redução da jornada com diminuição de salário e suspensão temporária do contrato de trabalho.

"Se conseguirmos um acordo em São Paulo, o modelo poderá ser estendido para o país", afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. Skaf disse que buscará acordo com indústrias e outras centrais. (Fonte: Valor Econômico)

13-01-2009 | 09:05

 

Em seu primeiro dia de trabalho depois de voltar das férias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira (12) instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, por não interferirem nos países desenvolvidos, como fazem quando a crise se dá nos países em desenvolvimento.

"Parece que aquelas instituições, que sabiam tudo quando a crise era aqui, não sabem nada quando a crise é lá. Ou, pelo menos, não têm condições de dar, com a arrogância [com] que faziam aqui, os palpites que tinham que ser dados", afirmou o presidente, em discurso na abertura da 36ª Couromoda, em São Paulo.

O presidente voltou a afirmar que o Brasil é um dos países mais preparados para enfrentar a crise atual e, a exemplo do que disse hoje, em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, reafirmou que o primeiro trimestre deste ano será um período decisivo.

"Se não tomarmos a iniciativa de fazer as coisas acontecerem neste primeiro trimestre, aí, sim, corremos o risco de fazer com que a crise chegue aqui mais forte do que deveria chegar".

Lula observou que não fazia um pronunciamento há 15 dias e disse que queria ter com os empresários uma conversa otimista sobre os efeitos da crise financeira internacional. Segundo ele, que seu otimismo vem da certeza de que os países ricos são os maiores interessados em que a crise não perdure.

Para ele, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, tem um "pepino muito grande" para resolver e, por isso, junto com os dirigentes dos demais países envolvidos na crise, não deverá permitir que os problemas econômicos perdurem por muito tempo".

"Com a conseqüência de desemprego, que vai acontecer exatamente nesses países, corremos o risco de uma convulsão social que o mundo desenvolvido não esperava que acontecesse no Século 21", afirmou o presidente. (Fonte: Agência Brasil)

13-01-2009 | 09:03