Jornal do Brasil
Entre a última semana de agosto e quarta-feira passada, o equivalente a 42 dias, deputados e senadores ausentaram-se de suas atribuições no Congresso Nacional, para participar das eleições municipais em seus estados.
Ontem, os presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP) e do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN), foram surpreendidos com nova rebelião das bancadas: os parlamentares decretaram, por conta própria, um novo recesso, desta vez para dar atenção ao segundo turno das eleições, que atinge apenas 11 estados e não o País todo. Os parlamentares estão mais interessados em firmar poder político nas disputas pelas prefeituras.
Hora de votar
Mesmo com a promessa de esvaziamento dos deputados, o presidente da Câmara assegura que, na semana que vem, vai retomar a rotina de votações. Estão dispensados apenas os 14 parlamentares que continuam na briga por uma prefeitura. “Está todo mundo avisado, o trabalho é normal”, sustentou Chinaglia.
Oficialmente, a Câmara voltou do recesso branco na última segunda-feira (6), com a pauta trancada por três medidas provisórias e dois projetos de lei em regime de urgência, mas só teve movimento de fato dois dias depois. Um dos projetos que aguarda apreciação cria o Fundo Soberano do Brasil – mas apenas uma matéria foi analisada. A MP permite ao Tesouro repassar diretamente para o Banco Central títulos públicos para compor a carteira do Banco.
Na semana que vem, mais três medidas provisórias e dois projetos de lei passam a ter prioridade de votação. Sem contar que governistas e oposicionistas travam um embate pela criação do Fundo Soberano que pode travar a pauta até novembro.
Fundo Soberano
Para a oposição, aprovar um fundo que será administrado pelo governo no exterior, em meio às turbulências na economia mundial, seria "loucura", uma vez que parte das reservas internacionais seriam aplicadas em investimentos de maior risco.
Com o impasse, o presidente da Câmara prevê prejuízo para a produtividade da Casa. Entre as matérias importantes que correm o risco de não serem votadas estão a reforma tributária, os destaques ao projeto que cria a Contribuição Social para Saúde (CSS), a nova CPMF e a lei dos grampos.
“Não é de se acreditar que vai dar tempo de votar tudo que precisa votar, como a mudança no rito das medidas provisórias”, declarou Chinaglia.
No Senado
O empenho para emplacar os aliados nas urnas e retomar a atenção dos eleitores também tem diminuído o ritmo de trabalho no Senado. Pelos corredores ainda é difícil vê um número expressivo de senadores circulando.
Mesmo assim, nesta semana, a terça-feira e a quarta-feira foram reservadas para votação. Na pauta, temas consensuais, como a criação do Dia do Surdo, a concessão de empréstimos a municípios e a possibilidade de votação em turno de propostas de Emenda à Constituição que tratam da reforma política.