Jornal do Brasil

Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT-SP), negou seu envolvimento com suposta quadrilha formada por empresários, policiais e servidores acusados de desvio de recursos do BNDES. A primeira parte do depoimento – a sessão precisou ser interrompida e deve continuar hoje – não convenceu o relator do processo, deputado Paulo Piau (PMDB-MG).

O depoimento, na opinião dos membros do Conselho de Ética, teve dois pontos vulneráveis: a explicação sobre um cheque de João Pedro de Moura, no valor de R$ 37,5 mil, destinado para a ONG Meu Guri – presidida por Elza Pereira, mulher do deputado – e a ligação do parlamentar com o coronel da Polícia Militar Wilson Consani, apontado pela Polícia Federal (PF) como operador do esquema.

No depoimento, que durou cerca de duas horas, Paulinho tentou explicar diversas vezes a transação realizada com João Pedro de Moura em torno de um apartamento. Segundo o deputado, Moura, que foi conselheiro do BNDES, teria doado o imóvel, avaliado em cerca de R$ 80 mil, para a Meu Guri. Como o imóvel não foi vendido e acumulou dívidas, Moura deu um cheque de R$ 37,5 mil para "comprar de volta". Paulinho afirmou conhecer Moura e disse que o ex-assessor esteve diversas vezes em seu gabinete para conversar sobre a Força Sindical. O deputado negou saber que Moura usava cartões com seu nome, mas admitiu que as gravações interceptadas pela Polícia Federal com citações de "Paulinho" dão a entender que se referem a ele:

– Não nego que o conhecia, e bem, e que várias vezes ele esteve em meu gabinete. Não nego que o Paulinho citado induz a ser Paulo Pereira da Silva. Mas nego as acusações. Não é preciso ir longe para conhecer alguém que use o nome de outro para obter prestígio.

A PF constatou que Moura figurou formalmente como testemunha da doação de R$ 1,32 milhão feito pelo BNDES para a ONG Meu Guri. Meses depois de assinar o contrato prevendo a liberação da verba, Moura foi nomeado conselheiro do banco.

– Ele (Paulinho) precisa dar uma explicação mais contundente, pois essa está muito vulnerável. São questões que ainda precisam ser respondidas – disse Paulo Piau.

Sobre a ligação de Paulinho com o coronel da Polícia Militar, Wilson Consani, o pedetista admitiu que falou com Consani na véspera em que a operação Santa Tereza foi deflagrada pela PF. Paulinho alega que um telefonema no qual Consanio avisava sobre uma "operação"" não era a da PF, e sim, uma outra, sobre uma das filhas do deputado.

O Conselho de Ética aprovou os requerimentos para convidar 17 testemunhas para depor no processo. Quatro delas foram apresentadas pela defesa de Paulinho e outras 13 pelo relator Paulo Piau. João Pedro de Moura e Ricardo Tosto, testemunhas de defesa de Paulinho, também foram convidados pelo relator. As outras testemunhas do deputado são o ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

Entre as testemunhas propostas pelo relator estão a mulher do acusado, Elza Pereira, o coronel reformado Wilson Consani, o chefe da Operação Santa Tereza, delegado da Polícia Federal Rodrigo Levin e o prefeito de Praia Grande (SP), Alberto Mourão.

09-07-2008 | 10:01

Gazeta Mercantil

Os funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), em greve desde o dia 1 de julho, reuniram-se ontem com os deputados federais Ricardo Berzoini e Henrique Fontana, do Partido dos Trabalhadores (PT), para tentar abrir um canal de negociação com a Presidência da República. Este recurso foi adotado pela federação da categoria por conta do impasse criado nas negociações entre os trabalhadores e os Correios.
"Essa discussão está além da empresa", afirma Robson Luiz Pereira Neves, secretário da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect). A greve dos Correios foi deflagrada pelo não cumprimento do acordo firmado com a empresa em novembro do ano passado.
De acordo com Neves, a empresa deixou de pagar o adicional de 30% com o qual havia se comprometido no final de 2007 e decidiu implementar um Plano de Carreira, Cargos e Salários com normas estabelecidas sem a participação dos empregados. A federação quer rever também os pagamentos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Segundo Neves, a ECT mudou os critérios de concessão da PLR e esta alteração fez com que os pagamentos fossem menores no ano, apesar do crescimento do lucro da empresa. Pelas contas da Federação, em 2006, período em que o lucro alcançou R$ 539 milhões, o menor pagamento ficou em R$ 520,00. No ano passado, com lucro de R$ 830 milhões, a remuneração mais baixa do PLR caiu para R$ 150,00.
A ECT informou que em uma primeira etapa pagou abono emergencial a 43.988 carteiros e , em junho, transformou esta remuneração em adicionais por atividade de distribuição e coleta, para trabalhos externos, e por atividade em guichê. Com esta alteração, os Correios declaram que 57.951 empregados passaram a receber este benefício que tem um impacto na folha de pagamentos de R$ 390 milhões por ano. A empresa informa também que os reajustes salariais concedidos de 2003 a 2007 acumularam 40,2%, com base do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), enquanto os aumentos das tarifas postais subiram 38% no período.
A empresa, a pedido do ministro Rider de Brito, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), realizou um levantamento das unidades que não mantiveram 50% do pessoal em operação. Ontem, a ECT protocolou no TST documento no qual informa que 435 unidades dos Correios não cumpriram a determinação, o que poderá acarretar em multa diária de R$ 30 mil por dia à federação.Em sete dias de paralisação, a carga retida nas agências dos Correios corresponde ao total de 50 milhões de objetos. De acordo com dados da assessoria da ECT, a empresa tem capacidade para movimentar 33 milhões de objetos por dia e levaria uma semana para colocar todas as entregas em dia.
Neves afirma que, com a adesão dos funcionários de Mato Grosso, à zero hora do dia 5, a greve conta com a participação de 28 sindicatos em 25 estados. Apenas os carteiros de Mato Grosso do Sul, Roraima e Tocantins estão trabalhando normalmente. Na avaliação da ECT, dos 110 mil funcionários, 20% aderiram à greve.
Os sindicatos mantiveram a orientação de prosseguir com o movimento, após a reunião de conciliação realizada no dia 7 no TST. No dia 15 será realizada outra reunião que deverá levar à instauração do dissídio coletivo, diz Neves..

09-07-2008 | 09:57

Gazeta Mercantil

O índice de adesão à greve na Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) é de 92%, de acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf). Algumas unidades estão com 40% de adesão, acrescenta. "Estamos garantindo a manutenção de serviços básicos como o cuidado com animais e plantas", explicou Valter Endres, presidente do sindicato. Segundo o representante, amanhã deverá ocorrer uma reunião durante o Conselho de Administração da estatal para discutir a reivindicação da categoria, que pede um reajuste de 12% no salário. O governo federal já havia autorizado uma correção de 5,04%, levando em consideração o IPCA dos últimos doze meses. Enquanto nada é decidido, a paralisação deverá prosseguir até sexta-feira, quando será feita uma nova reunião.

09-07-2008 | 09:55

Folha de S. Paulo

Empresa diz que federação não cumpre ordem de manter mínimo de 50% de empregados em atividade

A direção dos Correios voltou ontem a pressionar carteiros, atendentes e motoristas em greve para que retornem ao trabalho.
A empresa protocolou no TST (Tribunal Superior do Trabalho) reclamação de que a Fentect (Federação Nacional dos Empregados em Correios e Telégrafos) não estaria cumprindo a determinação de manter o contingente mínimo de 50% de empregados nas unidades de trabalho enquanto perdurar a greve.
De acordo com os Correios, das 7.000 unidades de trabalho, entre agências e unidades de carteiros, em 453 delas foi detectado número de trabalhadores inferior ao determinado pelo tribunal.
Essa reclamação e também a alegação apresentada pela empresa sobre a abusividade da greve serão analisadas pelo TST na próxima terça-feira, quando grevistas e a direção dos Correios voltarão a se encontrar.
Em protesto contra "a falta de flexibilidade nas negociações", os grevistas preparam para hoje uma espécie de "acampamento" a ser montado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Manter movimento
Para a Fentect, os Correios não mostram interesse em negociar. A representação da categoria orienta os funcionários da empresa a manter a greve até que o TST emita julgamento sobre a abusividade ou não do movimento.
Os grevistas reiteram a posição de não negociar a reivindicação do adicional de insalubridade de 30% sobre os salários pelo bônus no valor de R$ 260 que passou a ser pago a partir do mês de junho.
Ontem, no oitavo dia da paralisação, o estoque de correspondências e encomendas atrasadas atingia cerca de 60 milhões de volumes, o equivalente a dois dias de operação dos Correios em todo o país.
Para normalizar as atividades, seriam necessários entre uma semana e dez dias de trabalho extra dos funcionários.
A adesão ontem foi estimada em 34% entre os carteiros com a greve mantida em 20 Estados e no Distrito Federal.

09-07-2008 | 09:44

MARIA CLARA CABRAL
Folha de S. Paulo

Pedetista nega participação em suposto desvio no BNDES e admite ligação com Moura

Paulo Piau (PMDB), relator do processo no Conselho de Ética da Câmara, afirma que questões ainda precisam ser respondidas pelo deputado

O depoimento do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, teve, na opinião dos membros do Conselho de Ética da Câmara, dois pontos vulneráveis: a explicação sobre o cheque de João Pedro de Moura, no valor de R$ 37,5 mil, destinado para a ONG Meu Guri, e a ligação do parlamentar com o coronel da Polícia Militar, Wilson Consani.
Ontem, por cerca de duas horas, Paulinho deu explicações aos membros do conselho e negou as acusações de participação em esquema de desvio de dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
No depoimento, Paulinho tentou explicar diversas vezes a transação realizada com Moura em torno de um apartamento. Segundo o deputado, Moura, que foi conselheiro do BNDES, teria doado o imóvel, avaliado em cerca de R$ 80 mil, para a Meu Guri, presidida por Elza Pereira, mulher do deputado. Como não foi vendido e acumulou dívidas, Moura deu o cheque de R$ 37,5 mil para "comprar de volta" o apartamento.
"Ele precisa dar uma explicação mais contundente, pois essa está muito vulnerável. São questões que ainda precisam ser respondidas", disse o relator do processo no conselho, Paulo Piau (PMDB-MG).
Paulinho também admitiu que conhecia "e bem" Moura e que o ex-assessor esteve diversas vezes em seu gabinete para conversar sobre a Força Sindical. O deputado negou saber que Moura usava cartões com seu nome, mas admitiu que as gravações interceptadas pela Polícia Federal com citações de "Paulinho" dão a entender que se referem a ele.
"Não nego que o conhecia [Moura], e bem, e que várias vezes ele esteve em meu gabinete. Não nego que o Paulinho citado [nas conversas] induz a ser Paulo Pereira da Silva. Mas nego as acusações. Não é preciso ir longe para conhecer alguém que use o nome de outro para obter prestígio", disse.
Em seu relatório, a PF constatou que Moura figurou formalmente como testemunha da doação de R$ 1,32 milhão feito pelo BNDES para a ONG Meu Guri. Meses depois de assinar o contrato prevendo a liberação da verba, Moura foi nomeado conselheiro do banco.
Outro ponto fraco do depoimento, na opinião dos membros do colegiado, é a ligação de Paulinho com o coronel da Polícia Militar, Wilson Consani, apontado pela PF como operador do esquema de desvio de verbas do BNDES.
O pedetista admitiu ainda que falou com Consani na véspera em que a Operação Santa Tereza foi deflagrada. Paulinho alega, porém, que a gravação divulgada que falavam sobre uma "operação" não era a da PF, e sim uma operação que envolvia uma das filhas do deputado.
No relatório do corregedor-geral da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE), é citada uma ligação, interceptada pela PF, em que Adriana Consani, mulher de Consani, conversa com seu marido sobre o contato feito com Paulinho para falar sobre as prisões realizadas pela operação. Apesar de o relatório da PF mostrar que, durante a conversa, o casal fez seis citações a Paulinho, o deputado nega ter feito qualquer contato com Adriana. "As informações dele são completamente divergentes da corregedoria", disse Efraim Filho (DEM-PB).

09-07-2008 | 09:42

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO, LILIAN CHRISTOFOLETTI e MARIO CESAR CARVALHO
Folha de S. Paulo

Grupo é acusado de lavar dinheiro e movimentar R$ 2 bi em paraísos fiscais

A investigação nasceu do inquérito do mensalão no STF; Dantas e Nahas teriam especulado no mercado com informações privilegiadas

O banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito paulistano Celso Pitta foram presos pela PF, acusados de crimes como formação de quadrilha, evasão e lavagem de dinheiro. Dantas é acusado na Operação Satiagraha de utilizar empresas para cometer fraudes, remessas ilegais e lavar dinheiro. Nahas é apontado como o operador de Dantas.

Numa das maiores ações contra crimes financeiros no país, a Polícia Federal prendeu ontem o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Eles são acusados dos seguintes crimes: gestão fraudulenta, formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e uso de informações privilegiadas, entre outros. Só um dos fundos de investimento de Dantas, que teria abrigado recursos irregulares, recebeu cerca de US$ 2 bilhões (R$ 3,2 bilhões) entre 1992 e 2004, segundo a PF. O juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, decretou a prisão temporária de 22 pessoas e a preventiva de mais duas, entre empresários, doleiros e laranjas do grupo. A lista inclui Verônica Dantas, irmã do banqueiro, e Carlos Rodemburg, sócio e vice-presidente do banco Opportunity. Dantas é acusado de usar um cipoal de empresas para cometer fraudes, remessas ilegais e lavar dinheiro, segundo a PF. Entre outros artifícios, ele é acusado de manipular resultados contábeis, transferir recursos de maneira irregular de uma empresa para outra do próprio grupo e usar caixa dois. A PF diz que o fundo de Dantas em um paraíso fiscal, que só pode receber recursos de quem não reside no Brasil, contava com dinheiro de brasileiros. Nahas é apontado como o operador de Dantas que cuidava da lavagem do dinheiro -processo pelo qual o recurso ilícito ingressa no mercado legal. Ele é acusado de usar uma rede de doleiros e empresas de fachada para lavar dinheiro no exterior. Pitta, ainda segundo a denúncia, recorria a Nahas para repatriar recursos que mantinha fora do Brasil. Nahas ainda teria obtido acesso a informações privilegiadas do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) sobre o corte de meio ponto da taxa de juros norte-americana em 18 de setembro de 2007. O Fed disse que não comenta investigações em outros países. Gravações da Polícia Federal mostram que Najas teria informações privilegiadas sobre descobertas da Petrobras na bacia de Santos. Uma semana antes de ANP (Agência Nacional de Petróleo) anunciar que as reservas chegaria a até 33 bilhões de barris, em abril, ele manda um funcionário comprar ações, supostamente da Petrobras. Um emissário de Dantas foi preso ao oferecer até US$ 1 milhão (R$ 1,6 milhão) a um delegado da PF para excluir das investigações o banqueiro, sua irmã Verônica e o filho dele. A PF e o Ministério Público Federal também requisitaram a prisão do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT), negada pela Justiça. Advogado, ele é suspeito de buscar apoio no Congresso e no governo federal para descobrir investigações sigilosas contra Dantas no âmbito da Justiça Federal. Numa das conversas gravadas, Greenhalgh fala com Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete da Presidência da República. Também são citados no inquérito os nomes de José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, e Mangabeira Unger, chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Mangabeira foi consultor da Brasil Telecom. Pelas informações divulgadas, não é possível saber o eventual papel dos dois no suposto esquema. Além de Greenhalgh, a PF diz o publicitário Guilherme Sodré Martins, considerado o "melhor amigo" do governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), teria participado da tentativa de proteger Dantas. O ministro da Justiça, Tarso Genro, classificou de "normal" a operação. "É uma operação que vem sendo realizada há quatro anos e que, de dois anos para cá, tomou impulso. Está tudo sendo realizado de acordo com a PF, o Ministério Público e a Justiça", disse. Segundo ele, advogados terão acesso à investigação e poderão "verificar os dados que estão lá dentro". A investigação começou a partir do desdobramento do inquérito do mensalão no Supremo Tribunal Federal. O ministro Joaquim Barbosa enviou informações à Procuradoria Geral da República sobre a participação das empresas do Estado no "Valerioduto". O inquérito do mensalão concluiu que a Telemig e a Amazônia Celular, empresas com participação de Dantas, eram as principais depositantes de contas do "Valerioduto", que alimentava o esquema. Entre 2000 e 2005, as duas empresas injetaram R$ 158 milhões nas agências de publicidade de Marcos Valério. Segundo o Ministério Público, Dantas e Nahas se associaram para lucrar especulando com ações a partir de informações privilegiadas.

09-07-2008 | 09:39

Luciana Navarro
Correio Braziliense

Preços ao consumidor aumentam 0,79% na primeira semana de julho. São esperados outros reajustes para feijão, carne, leite, energia e telefonia fixa nos próximos dias

Os brasileiros que se preparem, pois os preços devem ficar ainda mais altos neste mês. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) voltou a subir na primeira semana de julho, após três registros consecutivos de desaceleração. O indicador apresentou variação de 0,79%, 0,02 ponto percentual acima da taxa da última semana de junho. Os alimentos, como previsto, puxaram o índice para cima e registraram alta de 1,93%. A expectativa é de manutenção dos aumentos nesse grupo e de uma disparada, também, dos preços de habitação, com reajustes nas contas de luz e de telefone fixo.

“Em São Paulo, a tarifa de energia elétrica subiu 8,5%, mas esse reajuste ainda não foi captado totalmente no índice, o que deve pressionar ainda mais o indicador”, explica André Braz, coordenador do IPC-S na Fundação Getúlio Vargas (FGV). No Distrito Federal, o novo preço da conta de luz será definido apenas no final do próximo mês e a aposta é de queda na tarifa. A telefonia fixa, no entanto, caminha para um salto, o que afetará o bolso das famílias.

Nos alimentos, a trajetória dos preços é ascendente. O feijão carioquinha acumula aumento de 135% em 12 meses e, segundo Braz, tende a subir ainda mais em julho. O mesmo vale para a carne bovina, que de junho de 2007 até a semana passada registrou alta de 44,13%. “Com a carne mais cara, os consumidores tendem a substituí-la pelo frango. A demanda maior aumenta também o valor cobrado pelos pedaços da ave”, explica Braz. Para o economista, a redução do ritmo de crescimento do valor da carne de boi verificada na semana passada não deve ser mantida. De acordo com o IPC-S, o item subiu 8,05% na apuração anterior e 7,94% na primeira medição de julho.

Uma das poucas boas notícias pode vir do arroz, cujo preço saltou 78% em um ano e deve começar a ceder. Na primeira semana de julho, o grão subiu 8,69% contra 12,55% da semana anterior, o que demonstra uma desaceleração. Esse comportamento fez a dupla feijão e arroz apresentar variação menor: de 11,18% para 10,64%.

“Os derivados do trigo também podem cair”, destaca Braz. Na semana passada, a variação de panificados e biscoitos, por exemplo, foi de 0,95% frente a 1,61% da apuração anterior. As hortaliças e legumes também podem ficar mais baratas, como ocorreu nos meses de julho dos últimos três anos. “Na verdade, isso não pode ser previsto porque há uma forte dependência do clima nesses casos. Uma geada pode fazer elevar os preços”, pondera o economista da FGV. Na primeira semana deste mês, esse item teve queda de 0,89% depois de apresentar variação positiva de 0,83% no fechamento de junho.

 

09-07-2008 | 09:38

Márcio Falcão
Jornal do Brasil

A resistência dos senadores para colocar em votação o projeto que proíbe a candidatura de políticos com "ficha suja" na Justiça perdeu força. O principal motivo é o fato da proposta ter pouca chance de valer para as eleições de outubro, além de não recair, em vum primeiro momento, sobre os 124 deputados e 21 senadores que respondem a algum tipo de processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

O relatório do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que reúne 21 projetos e altera a Lei das Inelegibilidades (nº 64/90) está na pauta de hoje da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e fica disponível para o plenário, se aprovado e houver acordo de líderes partidários.

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), vai tentar costurar um acordo de lideranças para colocar a matéria amanhã na pauta do plenário. Mesmo que seja aprovado pelo Senado, é pouco provável que a proposta entre em vigor nestas eleições municipais porque o texto ainda precisa ser analisado na Câmara dos Deputados.

Duas mudanças

A proposta tem como base o texto do ministro aposentado do STF, Carlos Velloso, e regulamenta dispositivo constitucional que prevê, para o registro de candidatura, que seja considerada a vida pregressa do candidato. O relatório prevê duas principais alterações. A primeira estabelece que fica impedido de se candidatar qualquer político que tenha condenação em primeira ou em única instância – isso porque governadores e parlamentares, por exemplo, têm foro privilegiado e, portanto, são julgados uma única vez.

Portanto, estariam proibidos de concorrer políticos condenados por crimes eleitoral, de exploração sexual de crianças e adolescentes e contra o patrimônio, a ordem econômica e tributária e a administração pública, assim como por lavagem de dinheiro e os hediondos com pena de, pelo menos, dez anos. Com isso, os 145 parlamentares que respondem a processos no STF estariam fora dos novos critérios de inelegibilidade, a não ser depois de condenados.

Histórico ajuda

Mas o histórico da Suprema Corte anima os atuais parlamentares investigados. Ao todo, o STF tem 288 inquéritos contra deputados e senadores. Em 94 casos, os ministros e o procurador-geral da República encontraram elementos para transformar 42 deputados e seis senadores em réus, mas, até hoje, nenhum dos congressistas foi condenado pelos ministros.

Outra medida a ser defendida por Demóstenes é que, ao contrário do que ocorre hoje, quando um político com condenação no Tribunal de Contas só precisa recorrer da decisão para ser liberado para o pleito, agora, para suspender a penalidade será necessário um provimento judicial, ou seja, que a Justiça dê uma sentença permitindo sua participação.

O texto também estabelece a licença do mandato compulsória quatro meses antes do pleito. A desincompatibilização seria uma maneira de tentar tornar mais claras as normas que cercam o candidato em busca da reeleição e reduzir o uso da máquina pública durante as eleições. Além de decretar a inelegibilidade de políticos com ficha suja, o projeto também obriga o Poder Judiciário a julgar todos os processos contra candidatos até a data das convenções partidárias.

08-07-2008 | 10:49

Jornal do Brasil

A proposta do presidente francês, Nicolas Sarkozy, a favor da ampliação do G8, para a inclusão de países emergentes, como o Brasil, foi vetada pelos EUA e pela Itália. O G8 é formado pelos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia. (págs. 1 e Economia A17)

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendeu a expansão do Grupo dos Oito (G8), integrado atualmente pelos países mais industrializados e a Rússia, com a inclusão de nações emergentes, entre elas Brasil e México. Em Paris, durante o fim de semana, Sarkozy já havia dito que "não é justo nem razoável" que apenas oito países se reúnam para discutir os problemas do mundo. Em entrevista publicada ontem pelo jornal japonês Yomiuri, Sarkozy disse que o G8 deveria promover o diálogo com as nações emergentes do G5, que é integrado por Brasil, China, Índia, África do Sul e México.

A opinião não conquistou o apoio dos EUA. Pelo contrário, logo no primeiro dia da reunião de cúpula anual do G8 – o grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia, na ilha de Hokkaido, no Japão – o governo dos Estados Unidos expressou sua oposição a uma ampliação do G8 para incluir a economias emergentes, como foi defendido pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. A mesma oposição foi adotada pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

– É algo que não acreditamos que seja necessário neste momento – disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Gordon Johndroe, após a inauguração da cúpula anual.

O porta-voz disse que o sistema atual já permite a incorporação nas sessões do G8 de outros países, não havendo a necessidade de alterar o formato.

– Existem as economias emergentes, que se chamam emergentes mas que são muito mais que isso, e neste G8 manteremos com eles um encontro de um dia inteiro – disse Berlusconi. – Há a hipótese de Sarkozy de estender o G8 a esses países, argumento que ainda não foi discutido. O examinaremos, mas penso que a maioria quer manter este formato, que tem a vantagem de não ter um número de presenças excessivas permitindo assim falar de modo franco e direto.

Berlusconi falou que pode ser realizada após a cúpula uma reunião fixa com as outras cinco economias importantes, que são, segundo ele, Índia, China, África do Sul, México e Brasil.

Alimentos dominam

No primeiro dia de cúpula, a atual crise dos alimentos, com o crescimento da demanda e dos preços, dominou a pauta. Os biocombustíveis foram novamente tratados como peça-chave da crise, mas com ressalvas para o produto feito à base de cana.

Apesar dos esforços do governo brasileiro para convencer a comunidade internacional do contrário, os biocombustíveis continuam na lista dos vilões da alta nos preços mundiais de alimentos. Tanto o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, como o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, atribuíram parte da culpa pela inflação alimentar ao produto.

– Diversos fatores afetaram os preços, mas não há dúvida de que os biocombustíveis estão entre eles – disse Zoellick, que fez questão, no entanto, de diferenciar os combustíveis produzidos com cana-de-açúcar, como o álcool brasileiro, dos que são feitos com cereais e vegetais.

O ex-secretário de comércio dos Estados Unidos lembrou que cerca de três quartos do crescimento da produção de milho nos últimos três anos foi para a produção de álcool nos Estados Unidos.

Uma das missões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Hokkaido será, justamente, tentar isentar de culpa a produção de biocombustíveis. A exemplo do que fez na semana passada durante a Cúpula do Mercosul, na Argentina, Lula deve jogar a culpa na especulação financeira e cobrar dos países do G8 que parem de comprar safras ainda nem plantadas nos chamados mercados futuros.

Juntos, Bird e ONU pediram ao G8 "resultados, e não mais promessas", ressaltando que a crise pode levar 100 milhões de pessoas em todo o mundo para baixo da linha de pobreza. As entidades se referiram especialmente à difícil situação econômica vivida na África, que ocupou ontem os debates do primeiro dia da cúpula.

Ban Ki-Moon pediu ao G8 que não volte atrás nas promessas que fez em cúpulas anteriores, e advertiu que o desenvolvimento da África requereria ajudas no valor de ao menos US$ 62 bilhões para o combate às doenças infecciosas.

Mais 100 milhões na miséria

A alta dos preços dos alimentos ameaça reverter todos os avanços globais com desenvolvimento e levar 100 milhões de pessoas em todo o mundo para baixo da linha de pobreza, advertiram nesta segunda-feira o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick. A declaração de ambos foi feita durante a reunião anual do G8.

Ban e Zoellick cobraram dos países do G8 uma ação urgente para combater a atual crise e para prevenir futuras altas dos alimentos. Segundo o secretário-geral da ONU, o mundo enfrenta três crises simultâneas e interligadas – dos alimentos, do clima e de desenvolvimento – para as quais são necessárias soluções integradas.

– A ONU está pronta para ajudar. Todo dólar investido hoje equivale a 10 amanhã ou 100 no dia seguinte.

08-07-2008 | 10:45

Jornal de Brasília

Os servidores que integram as categorias beneficiadas pela Medida Provisória 431/08 prometem lotar hoje o Congresso Nacional, quando está prevista a sua votação. O objetivo é garantir a aprovação das 260 emendas apresentadas ao texto e a supressão de parte dos 175 artigos que integram a MP. Segundo os servidores, o texto enviado pelo governo ao Congresso Nacional sofreu modificações e não reflete, em sua totalidade, os acordos firmados entre as categorias e o Ministério do Planejamento, em negociações que demoram quase seis meses. O relator da MP, deputado Geraldo Magela (PT-DF), garante que vai prevalecer em seu relatório o que estiver escrito nos acordos. Entretanto, o Ministério do Planejamento não concorda com esse poscionamento em todos os itens e, por isso, os servidores decidiram pressionar os parlamentares. O objetivo é que não prevaleça a força do rolo compressor da base governista.

08-07-2008 | 10:43