Chico Santos e Ana Paula Grabois
Valor Econômico

Após um primeiro trimestre morno, a indústria de embalagens de plástico teve forte recuperação no segundo trimestre e fechou o primeiro semestre do ano com aumento do volume de vendas de 5,5%, segundo dados fornecidos por José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Filmes Flexíveis (Abrafilme). No segundo trimestre, de acordo com o executivo, um dos fatores que contribuíram para aceleração das vendas de embalagens plásticas foi um forte movimento de formação de estoques feito pelos supermercados, preocupados com a alta dos preços.

Para o segundo semestre, Roriz disse que o setor "espera um resultado fantástico". A razão principal está na colheita da safra agrícola, que deve ser recorde. O reajuste do Bolsa Família também vai ajudar ao recuperar o poder de compra de alimentos.

A produção e as vendas do Grupo Suissa, indústria de produtos de limpeza e de cosméticos, cresceram 11% no primeiro semestre, sustentadas na alta do poder de compra das classes C e D. De acordo com o sócio do grupo Edson Roberto Arnaud, o grupo (que vende 80% da produção para o Nordeste), prevê expansão de 16% a 18% na produção e nas vendas no segundo semestre, sob o impacto positivo do reajuste de 8% a partir de julho nos benefícios do Bolsa Família. "Sabemos que não vai haver queda de consumo nessa fatia de mercado, nosso principal público consumidor" disse.

Já o vice-presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Carlos Gross, dono dos Laboratórios Gross, diz que a redução dos estoques foi o principal fator para a retração de 4% na produção e no faturamento no primeiro semestre da sua empresa. "A substituição tributária reduziu os nossos estoques porque os distribuidores não querem mais estocar", disse. Depois de um crescimento de 7% no segmento e na sua empresa no ano passado, Gross projeta vendas estáveis neste ano.

Em junho, o setor de embalagens de Minas Gerais dá sinais de recuperação no nível de atividade, com a entrada de alguns produtos em período de safra, diz Antônio Baggio, presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão de Minas Gerais (Sinpapel). Segundo ele, o nível de ocupação das empresas, que ficou em torno de 74% em maio, chegará a cerca de 80% em junho. (Colaborou Danilo Jorge, para o Valor, de Belo Horizonte)

02-07-2008 | 10:56

Mônica Tavares
O Globo

Categoria alega que empresa descumpriu acordo. Serviço Sedex é suspenso

Os empregados da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) entraram em greve ontem por tempo indeterminado, alegando que a direção da empresa não teria cumprido acordo firmado em abril, quando outra paralisação ocorreu. Segundo o presidente do sindicato da categoria no Distrito Federal, Moisés Leme, a paralisação foi decretada por 25 sindicatos que realizaram assembléias em suas regiões e outros quatro fariam assembléias ontem à noite. A empresa tem cerca de 112 mil funcionários, e 80% da área operacional devem cruzar os braços, nos cálculos da entidade.

O entendimento de abril previa a incorporação definitiva dos 30% de adicional de risco aos salários. Segundo Leme, de janeiro a maio, só em Brasília, os carteiros já sofreram 125 assaltos. No país, este número ultrapassa dois mil. Além disso, a ECT não teria negociado o novo plano de cargos e salários. O salário de carteiros, atendentes comerciais e dos operadores de triagem é de R$603.

- Querem acabar com nossos direitos adquiridos, como o anuênio e o adicional de risco - disse o sindicalista.

Leme prometeu que a entrega de medicamentos será mantida. Os serviços dos Correios - Sedex 10, Sedex Hoje e Disque Coleta - que têm hora marcada para entrega foram suspensos temporariamente por causa da greve, informou a assessoria da empresa. O Sedex foi mantido e a entrega de cartas está comprometida.

Segundo a ECT, porém, apenas 40% dos carteiros pararam ontem. Além disso, não teriam aderido à greve oito estados: Espírito Santo, Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Amapá e Roraima. Os Correios avisaram ainda que a partir de hoje haverá corte de ponto.

Os carteiros fizeram ontem uma manifestação em frente ao Ministério das Comunicações, levando um caixão simbolizando o enterro do presidente da ECT, João Henrique Custódio.

02-07-2008 | 10:54

Felipe Recondo
O Estado de S. Paulo

Para ministros, Lei de Inelegibilidades não estabelece[br]critério de avaliação da vida pregressa dos políticos

Apesar da pressão dos Tribunais Regionais Eleitorais e da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), o Supremo Tribunal Federal (STF) não vai barrar os candidatos com ficha suja que disputarão as prefeituras e as vagas nas Câmaras Municipais em outubro. O Supremo deixou para agosto - na volta do recesso - o julgamento de um recurso da AMB, mas os ministros da corte, consultados pelo Estado, já dão como fato consumado a tese de que o tribunal não tem mesmo como barrar os candidatos ficha-suja.

Prevalecerá entre os ministros o entendimento de que não se pode punir o candidato simplesmente porque ele responde a processo judicial e a atual Lei de Inelegibilidades não cria nenhum critério de avaliação da vida pregressa dos políticos.

O Supremo reforçará, portanto, a determinação de que a Justiça Eleitoral só pode negar o registro do candidato se houver condenação em última instância. A tese de que os candidatos com vários processos na Justiça devam ser barrados pela Justiça é defendida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, e por diversos TREs, principalmente o do Rio.

No mês passado, por diferença de apenas um voto (4 a 3), o TSE decidiu que os tribunais eleitorais não podem negar o registro de candidatura por causa de processos na Justiça. Diante da derrota, a Associação dos Magistrados do Brasil acionou o Supremo, na tentativa de impedir, em caráter liminar, que os candidatos ficha-suja disputem as eleições.

PRIMEIRO VOTO

O ministro que relata a ação, Celso de Mello, será o primeiro a votar contra essa tese e promete críticas severas à proposta. No mesmo sentido devem votar o presidente do tribunal, Gilmar Mendes, e os ministros Eros Grau, Cezar Peluso, Carlos Alberto Menezes Direito e Marco Aurélio Mello.

"Eu tenho horror a populismo e muito mais a populismo judicial", criticou Mendes. "Nós estamos num terreno extremamente sensível e podemos cometer graves injustiças", acrescentou.

Um dos argumentos que mais será lembrado pelos ministros é o fato de que esse entendimento, de que bastaria um processo na Justiça para que a candidatura fosse barrada, foi encampado pelos governos durante o regime militar (1964-1985).

A Lei de Inelegibilidades, que previa essa possibilidade, foi alterada ainda no governo João Figueiredo (1979-1985), o último presidente-general.

Para esses ministros, mesmo a publicação de listas com o nome de candidatos que respondem a processo na Justiça, como promete fazer a AMB em seu site, pode provocar injustiças e ser assunto no julgamento da ação que será levada ao plenário do Supremo.

?GRAVES INJUSTIÇAS?

"Eu não me animo a ficar fazendo esse tipo de listas porque tenho medo de cometer graves injustiças. Aqui os senhores não me terão a favor desse tipo de iniciativa", acrescentou Mendes.

Do lado oposto na discussão, defendendo a tese de que a vida pregressa de um político deve ser levada em consideração pela Justiça Eleitoral na hora do registro da candidatura, estão apenas, declaradamente, os ministros Carlos Ayres Britto e Joaquim Barbosa, que já votaram no julgamento desse assunto no Tribunal Superior Eleitoral.

Os demais ministros não se posicionam contra o critério da vida pregressa, mas dizem que, para isso ser um critério legal, uma nova Lei de Inelegibilidades precisa prever claramente essa possibilidade - como manda a Constituição de 1988.


FRASES

Gilmar Mendes
Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)

"Eu tenho horror a populismo e muito mais a populismo judicial"

"Nós estamos num terreno extremamente sensível
e podemos cometer graves injustiças"

"Eu não me animo a ficar fazendo esse tipo de listas porque
tenho medo de cometer graves injustiças. Aqui os senhores não me terão a favor desse tipo de iniciativa"

 

02-07-2008 | 10:39

Jornal do Brasil

Os trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) entraram em greve, ontem, por tempo indeterminado. De acordo com a assessoria da ECT, a paralisação dos carteiros interrompeu os serviços como Sedex 10, Sedex Hoje e Disque Coleta.

Os funcionários dos Correios em quatro Estados (Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Roraima) e em cidades do interior de São Paulo (Bauru, Ribeirão Preto e Campinas) e de Minas Gerais (Juiz de Fora e Uberaba) decidiriam ontem se aderem ou não à greve.

Reivindicações

Segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), a categoria reivindica a adoção de um novo Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS); mudanças na forma de distribuição da Participação nos Lucros e Resultados (PLR); e o cumprimento, pela ECT, do termo de compromisso que garante adicional de 30% sobre o salário dos carteiros, assinado pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, em novembro do ano passado.

De acordo com o secretário-geral da Fentect, Manoel Cantoara, a empresa chegou a pagar o adicional de 30% durante três meses, mas, no quarto mês, que seria o período de efetivação da gratificação, deixou de fazer o pagamento.

Segundo Cantoara, a ECT pediu mais três meses para solucionar a situação.

– O governo liberou R$ 390 milhões para resolver o problema e a empresa aplicou de outra forma, sem discutir com os trabalhadores, pagando R$ 260 milhões (de forma) linear para os carteiros. Por esse motivo estourou a greve em todo o país.

O que diz a lei

Segundo a ECT, a lei que prevê o pagamento de adicional de periculosidade não inclui os carteiros. Por isso, a empresa criou o Adicional de Atividades de Distribuição e/ou Coleta (AADC) e o Adicional de Atendimento em Guichê em Agências dos Correios (AAG), que garantem o valor fixo de R$ 260 para todos os trabalhadores.

Essa gratificação começou a ser paga na última segunda-feira, no salário correspondente ao mês de junho. Mas, segundo a ECT, a categoria não aceita a decisão, porque os funcionários com mais tempo de trabalho alegam que, com o valor fixo, vão receber menos do que ganhariam com o adicional de 30% sobre os salários.

02-07-2008 | 09:45

Luciana Abade
Jornal do Brasil

Embora o trabalho de menores de 14 anos seja proibido no país, mais de 5 milhões de crianças e adolescentes o fazem no Brasil. O Nordeste lidera o ranking de mão-de-obra infantil, enquanto o Rio de Janeiro apresenta um dos menores percentuais: 4%.

Cinco milhões e cem mil crianças de cinco a 17 anos trabalham no Brasil. Entre elas, 5% já sofreram algum acidente de trabalho, enquanto a taxa desse tipo de acidente entre os adultos é de 3,2%. O Nordeste lidera o ranking dos Estados que mais usam mão-de-obra infantil. São 326 mil crianças trabalhando no Maranhão, 145 mil no Piauí e 330 mil no Ceará. Em números percentuais, correspondem a 17%, 17,4% e 15%, respectivamente, da população entre cinco e 17 anos. Meninas e meninos que trabalham nas ruas têm um problema adicional: ficam mais expostos às drogas – as mais baratas e letais.

O Estado do Rio de Janeiro apresenta um dos menores percentuais de crianças no trabalho – 4%, o correspondente a 126 mil crianças. Para o coordenador da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Renato Mendes, por se tratar de um dos Estados com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), é extremamente alto.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que está às vésperas de completar 18 anos, proíbe, sob qualquer forma, que crianças e adolescentes com menos de 14 anos de idade trabalhem. Adolescentes de 14 e 15 anos podem trabalhar, desde que estejam inseridos em atividades relacionadas à qualificação profissional, na condição de aprendizes. Essas atividades não podem ser noturnas, perigosas e insalubres.

Além de roubar o tempo da infância, trabalhar cedo demais faz mal à saúde. E os riscos variam muito. Na produção de fumo e abacaxi, por exemplo, elas estão sujeitas a pneumonia, hantavirose, intoxicação, envenenamento, câncer de pele e urticárias. Na manutenção e limpeza de motores e componentes de tratores, podem sofrer ferimentos ou mutilações. Na colheita de cítricos, queimaduras na pele e apagamento de digitais.

Atividades proibidas

Essas são apenas algumas das 109 atividades que passaram a ser proibidas desde o último dia 12 de junho, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que estabelece a lista das piores formas de trabalho infantil. O decreto tem como principal objetivo proteger o trabalhador adolescente e o aprendiz, na faixa de 16 e 18 anos de idade, principais ocupados nas piores formas de trabalho.

Além da falta de políticas públicas adequadas, a resistência da sociedade é apontada pelos especialistas como uma barreira no enfrentamento desse problema.

– Em vez de denunciar, as pessoas se compadecem e compram a mercadoria das crianças que vendem na rua – critica Mendes. – Além de compaixão, é a lógica do mercado, os produtos são mais baratos.

– A luta contra o trabalho infantil não pode ser uma ação isolada do Estado. Precisa, necessariamente, de uma mudança cultural da sociedade – acredita Isa Oliveira, coordenadora do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil. - Em geral, as pessoas mais velhas e com menor escolaridade não vêem problema nas crianças trabalharem. Porque, em grande parte, o fizeram enquanto crianças.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) 2006 comprova: 28% das famílias com crianças trabalhadoras tinham, em média, menos de um ano de escolaridade, 20,8% tinham de um a três anos de escolaridade e 30,3% de quatro a sete anos.

No entanto, muitas mulheres que sofreram, depois de adultas, aborto natural, não imaginam que são conseqüência dos trabalhos inadequados que exerceram quando eram crianças.

De acordo com Isa, a criação do ECA proporcionou uma mobilização no Brasil pelo fim do trabalho infantil, mas o combate estagnou-se nos últimos anos. A ampliação do turno escolar é, na opinião da coordenadora, a melhor maneira de combater o trabalho infantil.

– A idéia de fundir o programa Bolsa Família com o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) era permitir que os recursos do Peti fossem usados, basicamente, para investir na educação continuada, mas não está acontecendo – denuncia.

O trabalho infantil doméstico costuma ser negligenciado nas ações empreendidas contra o trabalho infantil tanto no plano nacional, quanto internacional. É uma atividade oculta que precisa, basicamente, de denúncia para ser combatido.

A região Sudeste é a que mais apresenta situação de trabalho infantil doméstico: 27% das crianças e adolescentes trabalhadoras estão nessa atividade. Em seguida vem o Centro-Oeste com 24,2%, seguidos do Sul (15,3%), Nordeste (11,4%) e Norte (10,3%).

A região Sudeste também é onde a população de cinco a 17 anos mais trabalha: são 29,5 horas por semana. Em seguida vem o Centro-Oeste, com 29,3 horas. E em terceiro lugar estão empatados o Norte e o Sul, com 25 horas.

Falta de conscientização

Para a coordenadora nacional de Combate ao Trabalho Infantil do Ministério Público, procuradora Mariza Marotti, a grande dificuldade no combate ao trabalho infantil no Brasil é a falta de conscientização da população que não costuma denunciar. Na maioria das vezes porque não consegue discernir o que é trabalho infantil.

– Além de ação repressiva, o Ministério Público tem investido nas ações preventivas – explica a procuradora. – Em São Paulo, por exemplo, fechamos uma parceria com as secretarias municipais de Educação para que esse tema seja tratado nas escolas.

Trabalho infantil e educação, aliás, são inversamente proporcionais. Por não verem perspectivas na Educação, muitas crianças e adolescentes optam por trabalhar mais cedo e, com isso, perpetuam o ciclo de pobreza da família.

A presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Maria Luiza Moura, acredita que que é preciso pôr fim à crença de que o trabalho infantil é uma virtude para crianças e adolescentes na marginalidade.

02-07-2008 | 09:41

Gazeta Mercantil

A greve dos funcionários dos Correios teve adesão de 25 dos 33 sindicatos espalhados pelo País, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Distrito Federal, Moyses Leme.
Os sindicalistas paralisaram parte das atividades ontem e acusam a direção dos Correios de não cumprir pauta de negociações decidida nas assembléias da categoria. Segundo o dirigente sindical, a direção dos Correios enviou proposta "falsa" para o governo.
Os dados do sindicato apontam que cerca de 90 mil trabalhadores, dos 112 mil que fazem parte dos quadros funcionais da categoria, recebem salários em torno de R$ 603 por mês. Eles querem elevação do piso salarial para R$ 1.019 mensais e que seja estabelecido um plano de carreira levando em conta a antigüidade e o pagamento de um adicional de risco.
Segundo o sindicalista, a paralisação que começou ontem deve permanecer até que o governo cumpra o acordo com os funcionários que inclui aumento de salário e melhores condições laborais.
Leme acusa a direção dos Correios de concentrar salários para pequena parte de funcionários. Segundo ele, 70% da folha é distribuída entre 15 mil funcionários.
É a segunda paralisação dos carteiros pelo mesmo motivo. Em abril, a categoria ficou 5 dias em greve. Na ocasião, o governo sinalizou que até o final de junho o impasse estaria resolvido, disse Leme. Por isso, os funcionários paralisaram parte dos serviços ontem.

02-07-2008 | 09:39

Letícia Nobre
Correio Braziliense

Ministério do Planejamento autoriza seleção de 430 servidores em sete órgãos federais. Vagas terão salários que variam de R$ 2.250 a R$ 8.300. Detalhes das provas serão divulgados nos próximos dias

O Ministério do Planejamento autorizou a contratação temporária de 430 servidores em sete órgãos da administração federal. Desde maio, o governo permitiu que 4.961 profissionais de diversas áreas fossem contratados por um período de até 4 anos. As posses podem ocorrer a partir deste mês e os salários variam de R$ 2.250 a R$ 8.300.

De acordo com a portaria publicada ontem, os postos abrangem atividades técnicas de suporte de nível médio, superior e pós-graduação. Há atividades de complexidade intelectual e gerencial, tecnologia da informação, engenharia e funções didático-pedagógicas. Os candidatos passarão por um processo seletivo simplificado que inclui prova escrita.

A Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap) concentra o maior número de oportunidades. São 200 distribuídas entre nível médio (120), superior (70) e pós-graduação (10). Na Escola de Administração Fazendária do Ministério da Fazenda (Esaf): quatro para atividades técnicas de complexidade intelectual, seis para tecnologia da informação com pós e 10 para Planejamento e desenvolvimento de atividade didático-pedagógica.

Também ligada ao Planejamento, a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação foi contemplada com 42 vagas. Já o Ministério da Educação soma 168 postos: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (58), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (18) e Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (48). Os detalhes das seleções serão divulgados nos próximos dias.

FIQUE ATENTO

Os órgãos beneficiados

Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca - 200 vagas
Ministério da Educação - 44 vagas
Inep - 48 vagas
Capes - 18 vagas
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - 58 vagas
Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação - 42 vagas
Escola de Administração Fazendária - 20 vagas

02-07-2008 | 09:36

Marcelo Tokarski
Correio Braziliense

Governo federal vai oferecer cursos gratuitos de formação profissional a beneficiários do programa que até agora é apenas assistencial. Meta será qualificar 250 mil pessoas para a construção civil este ano

O governo federal deve lançar nas próximas semanas um programa de qualificação profissional voltado especificamente para integrantes das famílias beneficiadas pelo Bolsa Família. O Correio apurou que o objetivo é capacitar, ainda este ano, 250 mil pessoas. Os cursos de qualificação serão oferecidos pelo Sistema S, que será remunerado pela própria União. Para os beneficiários, as aulas serão gratuitas. O projeto começou a ser desenhado em meados do ano passado por três ministérios — Trabalho, Educação e Desenvolvimento Social. A idéia partiu do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Até o final do ano, o novo programa receberá cerca de R$ 200 milhões, o equivalente a praticamente um quarto de toda a verba que o Ministério do Trabalho possui para custear os diversos programas de qualificação profissional em 2008. O esboço do projeto, ao qual o Correio teve acesso, prevê que será dada preferência a cursos voltados para a formação de trabalhadores da construção civil. “Além de ser um setor com carência de mão-de-obra, a construção civil não requer um nível muito alto de qualificação, o que se adequa mais ao perfil de quem recebe o Bolsa Família”, explica um técnico que participou da elaboração do programa.

O edital da licitação para contratação do Sistema S, em forma de chamada pública, será lançado nos próximos dias. Será celebrado um convênio em cada estado. Inicialmente, o programa vai priorizar os estados de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco e Pará. Juntas, essas oito unidades da Federação abrigam quase dois terços dos beneficiários do Bolsa Família — 61,8% do total de 11 milhões de famílias.

A falta de mão-de-obra qualificada é uma ameaça à continuidade da expansão da construção civil, que cresce fortemente há quatro anos consecutivos. Somente em 2008, o setor deve investir R$ 23 bilhões. Desde janeiro de 2004, as empresas empregaram cerca de 545 mil novos trabalhadores formais, um incremento de quase 50% no total de profissionais contratados com carteira assinada — há ainda mais de 4 milhões de informais nos canteiros de obras de todo o país. O total de trabalhadores na construção cresceu quase duas vezes mais que a média dos outros segmentos da economia. Hoje, estimativas de entidades do setor mostram que a carência de profissionais preparados — incluindo de pedreiros a engenheiros — pode chegar a 200 mil.

Perfil
O novo programa vai prever que os beneficiários do Bolsa Família poderão se inscrever nos cursos de qualificação, que serão gratuitos. No entanto, a adesão é opcional. O objetivo do governo é criar condições para que o assistido ingresse no mercado de trabalho e passe a ter renda própria. Hoje, o Bolsa Família paga R$ 62 para famílias com renda de até R$ 60 por pessoa. O benefício variável, que é pago de acordo com o número de crianças de até 15 anos, é de R$ 20 (limitado a três crianças), valor que sobe para R$ 30 no caso dos adolescentes de 16 e 17 anos (limitado a dois). Pelas regras, uma mesma família pode receber no máximo R$ 182 por mês. Para famílias com renda mensal entre R$ 60 e R$ 120 por pessoa, só é pago o benefício variável. Como contrapartida, as famílias assistidas devem vacinar suas crianças de até 7 anos e matricular na escola filhos de 6 a 15 anos, com freqüência mínima de 85%, e de 15 a 17 anos, com freqüência de 75%.


Indústria pisa no freio
A produção industrial brasileira começa a dar sinais de acomodação. De acordo com pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador registrou em maio queda de 0,5%, na comparação com abril. O recuo ocorre após dois meses de alta: 0,45% em março e 0,2% em abril, sempre em relação ao mês anterior. “Houve uma redução após dois meses de crescimento. Na média, a indústria continua em um patamar alto, mas em trajetória de estabilidade”, define a pesquisadora do IBGE Isabella Nunes.

Apesar da queda na margem, que também foi influenciada pelo efeito calendário (maio teve dois dias úteis a menos do que abril), quando se olha para o retrovisor o desempenho da produção ainda é de crescimento. Na comparação com maio do ano passado, a produção industrial registrou alta de 2,4%. No acumulado dos primeiros cinco meses de 2008, a expansão é de 6,2%, índice que sobe para 6,7% quando se leva em consideração os últimos 12 meses terminados em maio. “No restante do ano, devemos continuar em torno de 6% (no acumulado). O cenário ainda é bastante positivo”, afirma Isabella.

De janeiro a maio, a produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) e bens de consumo duráveis (automóveis, geladeiras, fogões) continua forte. No primeiro, o crescimento é de 16,3%, enquanto no segundo a expansão é de 13,7%. Segundo o IBGE, o principal destaque nesses cinco primeiros meses de 2008 é a produção de veículos, que aumentou 18,2%. Tudo isso apesar do recuo de 5,6% registrado pelo segmento na comparação entre maio e abril.

“Aparentemente, houve uma perda de ritmo, de velocidade, mas não é nada preocupante. A indústria parece estar em trajetória de estabilidade, mas em nível alto de produção”, afirma o economista do Banco Schahin Sílvio Campos Neto. “O setor deve crescer em torno de 6% no ano, o mesmo desempenho de 2007”, projeta. Na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), os dados do IBGE mostram que “a temida aceleração do crescimento econômico, que foi um dos fatores para o reinício da elevação da taxa de juros, não ocorreu”.

Investimentos
Após quatro meses de forte alta, a produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) recuou 4,9% em maio, na comparação com abril. O tombo no indicador, importante termômetro do nível de investimentos na economia, é o maior em quase três anos — em julho de 2005, o recuo foi de 6,1%. No entanto, Isabella Nunes, do IBGE, não acredita no arrefecimento dos investimentos. “Poderia ser um dado suspeito, mas por enquanto nada indica uma reversão de tendência. No acumulado do ano, a produção de bens de capital está muito forte, com crescimento 2,5 vezes maior que a média da indústria”, ressalta.

Em relação a maio de 2007, a expansão de bens de capital foi de 5,8%. “As sondagens feitas com os empresários mostram que as intenções de investimentos, por enquanto, não foram afetadas”, diz a pesquisadora. Além disso, ressalta Isabella, as importações de máquinas e equipamentos continuam em alta. De janeiro a maio, o crescimento foi de 35%. (MT)

02-07-2008 | 09:34

Tiago Pariz
Correio Braziliense

O deputado Paulo Piau (PMDB-MG), relator do processo no Conselho de Ética contra Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, considera que a defesa apresentada pelo colega não é esclarecedora, deixando brechas para dúvidas. Na avaliação de Piau, o parlamentar do PDT paulista usou as 274 páginas do documento apenas para atacar. “Ele não apresenta prova nenhuma. É um documento de ataque”, simplificou o relator. Paulinho é acusado de se beneficiar de um esquema de fraudes no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O pedetista critica a atuação da imprensa e do corregedor da Câmara, Inocêncio Oliveira. E gasta 124 páginas só para explicar a atuação da ONG Meu Guri, entidade administrada por sua mulher, Elza Costa Pereira, que teria recebido empréstimo do BNDES no valor de R$ 1,2 milhão.

Cuidadoso, Piau evita adjetivar a estratégia traçada pelos advogados do deputado investigado. Limita-se a dizer que a defesa ajudará na hora de interrogar o colega do PDT. O depoimento está marcado no Conselho de Ética para terça-feira da próxima semana.

O relator avaliou que o fato de Paulinho considerar na defesa prévia as escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal de “clandestinas” não diminui a importância do teor das conversas em que o parlamentar é citado como beneficiário do esquema de desvio de verbas do BNDES. A fraude teria gerado para a quadrilha R$ 2,6 milhões, o recurso foi repassado pelo prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, após ter garantido um empréstimo do banco no valor de R$ 124 milhões.

“Não adianta ele classificar (as escutas) como clandestinas. Ele tem que explicar o conteúdo das conversas. Não podemos simplesmente descartar as informações. Elas (as escutas) têm valor informativo”, disse o peemedebista. Para apurar se Paulinho teve participação no esquema, o relator quer também esclarecimento do prefeito da cidade do litoral sul de São Paulo.

O processo contra Paulinho foi instalado em 3 de junho e vem se arrastando desde então. A defesa foi entregue somente na semana passada e o depoimento marcado para a próxima semana.

02-07-2008 | 09:27

Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

 

A proposta foi reapresentada pelo vice-líder do PPS, Arnaldo Jardim (SP), no fim da sessão de ontem, numa tentativa de acordo entre governo e oposição para limpar a pauta e votar uma agenda comum. O líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS), resistente ao acordo, aceitou discutir a proposta no colégio de líderes, convocado para hoje pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Ontem, pouco antes do encerramento da sessão ordinária, os líderes do PSDB, José Anibal (SP), e do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), suspenderam a obstrução em plenário e a MP que amplia a extensão da estrada de ferro Norte—Sul no trecho Belém (PA) a Senador Canedo (GO) até a cidade de Panorama (SP). A matéria foi aprovada em dez minutos, depois que os líderes resolveram discutir a agenda comum.

A oposição quer empurrar para o segundo semestre a votação final da Emenda 29, que cria a Contribuição Social para a Saúde (CSS) — o novo imposto do cheque —, em troca da aprovação das cinco medidas provisórias (MPs) que trancam a pauta da Câmara do Deputados.

02-07-2008 | 09:23