ANGELA PINHO
Folha de S. Paulo

39% das bolsas para o próximo semestre não foram preenchidas no processo seletivo; nota mínima e renda limitam acesso

Número de bolsas ociosas deve crescer mais, pois alunos ainda têm de provar renda familiar per capita menor do que três salários

Uma das principais vitrines da política educacional do governo Lula, o ProUni (Programa Universidade para Todos) amarga uma sobra de 46.623 bolsas oferecidas, o correspondente a 39,2% do total.
O programa permite que alunos carentes estudem em instituições de ensino superior privadas com bolsa integral ou parcial (de 25% ou 50%).
Em troca, as universidades ganham isenção de tributos. Se elas tiverem dívidas com a União, podem parcelá-las em até dez anos a juros da taxa Selic (12,75% ao ano), menores do que as de um banco privado.
No último processo seletivo do programa, para o segundo semestre de 2008, foram oferecidas 118.871 bolsas, mas apenas 72.248 candidatos foram pré-selecionados. Eles tiraram a nota mínima do Enem para pleitear uma bolsa (45 pontos), mas, para obter a vaga, terão de comprovar renda familiar per capita menor do que três salários mínimos. Ou seja, as vagas ociosas podem aumentar.
Quase todas as bolsas não utilizadas são parciais (94%). Boa parte (45%) é de ensino à distância -"modalidade que requer recursos tecnológicos que, muitas vezes, os candidatos a bolsa não possuem, como computador, acesso à internet em banda larga e possibilidade de deslocamentos periódicos aos pólos [presenciais]", afirma o Ministério da Educação, ao justificar a sobra.
A maior parte das bolsas, integrais ou parciais, não-preenchidas (88%) são aquelas que as instituições oferecem a mais do que o número exigido pela lei -uma bolsa para cada 10,7 estudantes pagantes. Essas não têm impacto sobre o cálculo da isenção de tributos.
Se forem considerados os cursos, a sobra de bolsas se concentra em administração (12%), ciências contábeis (9%), pedagogia (9%), turismo (7%) e economia (6%). Essas áreas tiveram também o maior número de bolsas oferecidas.
O percentual de bolsas não-preenchidas neste ano é similar ao verificado em 2007. A proporção de bolsas ociosas foi de 33% no primeiro semestre do ano passado -em maio de 2007, os números parciais divulgados pela Folha já indicavam uma sobra de 10,6% das vagas- e de 40% no segundo. Em 2008, foi de 29% no primeiro semestre e, no segundo, no mínimo de 39%.

Medidas e críticas
Os novos números mostram o insucesso de medidas anunciadas em 2007 para estimular e facilitar as adesões ao programa. Entre elas, o aumento do prazo de pagamento, de uma vez e meia o tempo de duração do curso para o dobro de tempo -antes, um curso de quatro anos era pago em seis anos e agora pode ser quitado em oito.
Especialistas apontam como razão para a sobra de vagas a dificuldade de encontrar alunos que atendam aos dois pré-requisitos -a nota mínima no Enem e o limite de renda.
Roberto Leher, do departamento de fundamentos da educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e crítico do ProUni, diz que não houve, em paralelo com o programa, uma política para melhorar o ensino médio e reduzir a evasão dos estudantes carentes.
"A seletividade social do ensino médio não se alterou. Nos primeiros anos, o ProUni atendeu uma demanda reprimida. Agora, ela em parte foi coberta, e o numero de alunos que conclui o ensino médio dentro do nível de renda é muito baixo", diz. "Foi alterada a porta, mas não o caminho até a porta."
Ryon Braga, da consultoria Hoper, aponta a renda como o maior obstáculo. Segundo ele, além da bolsa, os candidatos precisam comprar livros e pagar transporte, por exemplo.
O MEC criou uma bolsa-permanência de R$ 300 mensais, mas, no primeiro semestre de 2007, apenas 4% dos selecionados foram considerados aptos a recebê-la -o critério é ter bolsa integral e estar matriculado em curso com ao menos seis horas de aula diárias.

30-06-2008 | 09:34

Letícia Nobre
Correio Braziliense

Candidatos reclamam de desorganização e pedem a anulação das provas realizadas ontem.Portões foram fechados antes das 13h
 
A prova do concurso para técnico bancário da Caixa Econômica Federal, realizada na tarde de ontem, foi marcada por confusão em alguns pontos do Distrito Federal. O concurso teve número recorde de inscritos: 767 mil, sendo 71.120 no DF.

O momento mais tenso ocorreu na entrada. No Uniceub, na Asa Norte, onde 8.842 candidatos fariam prova, a correria tomou conta nos últimos minutos. Os portões foram fechados às 13h05, e um grupo de 15 a 20 pessoas ficou de fora. Conversando com o segurança, eles conseguiram entrar, o que causou indignação nos que chegaram em seguida e encontraram os cadeados trancados. Uma moça que estava grávida, e preferiu não se identificar, passou mal e foi amparada por seu namorado.

Um engarrafamento prendeu a estudante de desing industrial Bianca Starling, de 21 anos, por meia hora na Esplanada e, por isso, ela não conseguiu chegar a tempo. “Teve uma prova de corrida e fiquei presa. Tinha estudado, estava em busca do meu primeiro emprego”, lamenta.

Abaixo-assinado
No UniDF, na 904 Sul, cerca de 80 pessoas não puderam fazer provas. Eles alegaram que os portões foram fechados cinco minutos antes do previsto. “O próprio segurança admitiu que os portões foram fechados antes porque havia tumulto na entrada das salas. Mas esse não foi o único problema. Uma funcionária do UniDF confessou que se atrasou ao tocar o sinal para início da prova”, conta o funcionário público comissionado Hélio Porto, de 36 anos. “A organização se recusou a conversar conosco, estamos indignados.” A Polícia Militar foi chamada e os orientou a procurar a delegacia.

Na Unip, na 913 Sul, a reclamação foi semelhante. “Eu vi deixarem cinco pessoas passarem depois do fechamento dos portões. Praticamente arrombaram o portão”, conta a candidata Daniella Nunziato, de 32 anos. Ela alerta para a falta de informação no local de prova. “Não pude checar meu local de prova, porque não tinha a lista com o nome dos candidatos.”

Frustados e indignados, os candidatos tentaram, em vão, registrar ocorrência na 1º DP. O mesmo aconteceu no Ministério Público do DF e no Ministério Público Federal (MPF). Unidos, 120 deles resolveram fazer um abaixo-assinado que deve ser entregue hoje pela manhã ao MPF pedindo a anulação da prova. “Estudamos, gastamos dinheiro e queríamos fazer a prova, por falta de organização não tivemos a mesma oportunidade que os demais e isso é uma injustiça”, resume Jean Bruno Souza Fonseca, de 25 anos.

Fiscalização
A organização da prova foi motivo de reclamação até para os que não se atrasaram. Segundo Juliana Silva dos Santos, de 18 anos, alguns candidatos usaram lápis e borracha — o que é proibido no edital —, faltaram sacos invioláveis e muitos saíram com o caderno de provas antes do horário permitido. “Achei um absurdo. Não teve fiscalização adequada, o que tira a credibilidade da organizadora”, comentou.

José Leopoldo, de 40 anos, reclamou da falta de detectores de metais e de lugar marcado nas salas de aula. “Perguntaram se tínhamos celular ou algum eletrônico, mas isso não foi conferido. Na sala, era possível sentar em qualquer lugar. Vi amigas sentando juntas, não acho isso correto”, reclamou. A assessoria de imprensa da Fundação Cesgranrio não foi encontrada para comentar as denúncias. 
 
Gabarito sai hoje
De acordo com a previsão do edital, o gabarito preliminar das 60 questões da prova para técnico bancário da Caixa Econômica Federal, realizada ontem, será divulgado hoje, às 9h. Os candidatos que discordarem das respostas oficiais terão dois dias úteis para protocolar o recurso na página da Fundação Cesgranrio na internet,
www.cesgranrio.org.br, ou via Sedex para a diretoria de concursos.

Os aprovados e classificados podem ser convocados depois de 23 de agosto, quando termina o prazo de validade do concurso realizado em 2004. Na época, 650 mil se inscreveram para a prova e cerca de 20 mil foram chamados. A atual seleção tem validade de um ano a partir da homologação e é prorrogável por igual período. A Caixa assinou um termo de ajustamento de conduta em que se compromete a substituir 9.229 profissionais tercerizados até 30 de junho de 2009, especialmente na área de tecnologia da informação e atendimento.

O cargo de técnico bancário prevê salário de R$ 1.244 mais auxílio-alimentação (R$ 323,84), auxílio-cesta (R$ 252,36), plano de saúde e previdência complementar opcionais e participação nos lucros e resultados.

30-06-2008 | 09:30

Tiago Pariz
Correio Braziliense

Sandro Mabel, relator do projeto que altera sistema tributário, quer diminuir contribuição previdenciária paga pelo empregador, mas não apresenta uma compensação financeira ao governo e cria impasse na Câmara
 
 
A tão prometida reforma tributária esbarra agora em uma nova dificuldade. Dessa vez, imposta pelo próprio governo. O impasse em torno de uma proposta do relator Sandro Mabel (PR-GO) coloca em xeque a aprovação imediata da reforma na Comissão Especial criada para analisar o assunto. A polêmica gira em torno da redução da alíquota da contribuição previdenciária e soma-se aos obstáculos criados pelos estados em torno do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Na finalização do relatório, Mabel sugeriu diminuir de 20% para 14% a contribuição previdenciária, tributo sobre a folha salarial pago pelo empregador. Mas o relator não apresentou uma contrapartida financeira para sustentar a seguridade social sem esse dinheiro que hoje é pago pelas empresas. Governistas, capitaneados pelo deputado Pepe Vargas (PT-RS), se articulam para que o relator exclua o percentual do texto, criando mais um impasse em torno da reforma tributária.
 
Mabel pretende apresentar amanhã o seu relatório. No mesmo dia, deputados da Comissão Especial vão se reunir para debater uma saída à queda de seis pontos percentuais na contribuição previdenciária. Pepe Vargas encaminhou aos colegas carta sugerindo a criação de um grupo suprapartidário para discuti-la.

O petista sugere que a emenda constitucional que trata da reforma tributária não aborde a alíquota, propondo apenas a redução gradativa do percentual. “A preocupação central é com o financiamento do regime previdenciário. A redução (da contribuição) é correta, mas não dá para simplesmente reduzir sem achar uma contrapartida”, disse. “Não há necessidade de a PEC entrar na questão do percentual, a Constituição não precisa dizer que cai de 20% para 14%. Isso pode ser tratado por lei complementar”, acrescentou.

As articulações dos governistas também sensibilizam setores da oposição. Versão similar está sendo disseminada pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). “A Previdência se sustenta com essas contribuições. O Sandro Mabel tem que colocar no relatório de onde virá a receita perdida”, disse o tucano.

A sugestão dos governistas é discutir a redução da contribuição previdenciária após a aprovação da reforma tributária. Uma das idéias de financiamento é destinar à Previdência parte da arrecadação do IVA Federal, tributo criado a partir da fusão do PIS, da Cofins, do Salário-Educação e da Cide. O presidente da Comissão, o deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP), havia sugerido deixar a Cide de fora do IVA por se tratar de um tributo regulatório. Mas Mabel rechaçou a proposta.

Outras propostas
No relatório, Sandro Mabel deverá introduzir também a manutenção dos benefícios fiscais concedidos pelos estados a empresas, como reduções e isenções do ICMS. Dessa forma, ele atende uma demanda dos estados menos desenvolvidos que temem sofrer um processo de desindustrialização. Apesar da idéia não ter sido incluída no texto original enviado pelo Palácio do Planalto ao Congresso, os governistas a aprovam. “Os benefícios já concedidos convalidam, só não podem haver novos. É uma idéia importante porque dá segurança jurídica às empresas instaladas nos estados”, disse Pepe Vargas.

Na briga em torno do ICMS, o relator vai sugerir a ampliação do prazo de transição para o novo modelo. Ao invés dos sete anos propostos pelo governo, ele vai sugerir nove anos após a aprovação da emenda constitucional. Se a reforma tributária for aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado ainda este ano, o novo imposto entraria em vigor apenas em 2018.

A bancada de São Paulo promete impor dificuldades a isso. O governo de José Serra (PSDB) sugeriu que o período de transição da atual legislação do imposto seja reduzido para cinco anos. A proposta paulista ainda prevê que a alíquota final do novo ICMS seja de 4% e não de 2%, como o proposto pelo Ministério da Fazenda.

Há um temor em perder receita sob argumentação de que a queda da alíquota do ICMS na origem beneficia estados consumidores e não os produtores, como é o caso de São Paulo. A PEC sugere a criação de um Fundo de Equalização de Receita (FER) para compensar possíveis perdas. O fundo seria formado por recursos federais e verba adicional definida por projeto de lei. Mas os governos estaduais receiam que essa regulamentação fique enroscada no Congresso e inviabilize a iniciativa. Para reverter as dificuldades, Mabel deve colocar no relatório que a redução da alíquota do ICMS só terá validade após a aprovação da lei sobre o FER.

A reforma tributária prevê também a criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional para compensar o fim da guerra fiscal entre os estados. Governos nordestinos, como a Bahia, reivindicam ainda recursos específicos para infra-estrutura, arma que os governadores vêem como a mais poderosa para atrair capitais.

A Previdência se sustenta com essas contribuições. O Sandro Mabel tem que colocar no relatório de onde virá a receita perdida 

Luiz Carlos Hauly, deputado federal

30-06-2008 | 09:28

A FUPESP com o intuito de promover a educação firma convênio com a FACCAMP. A partir de agora os servidores públicos municipais terão descontos nos cursos de graduação.

27-06-2008 | 17:07

Arnaldo Galvão
Valor Econômico

O aumento do emprego formal vem mantendo a trajetória de recuperação da taxa de trabalhadores sindicalizados no Brasil. Em 2006, ela foi de 19,1%, mas já esteve em 16,7% em 1998. Em 1992, 18% dos empregados ocupados estavam associados à entidade de classe. O maior crescimento econômico também vem permitindo que os reajustes salariais negociados com os empregadores tenham correções iguais ou superiores à inflação medida. Em 2003, eram 42% e essa participação foi a 96% em 2006. 

Esses são os principais números do cenário brasileiro que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) incluiu em seu terceiro Relatório Global sobre liberdade sindical e negociação coletiva. O documento foi divulgado ontem em evento realizado no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Brasil, Estados Unidos, China, Índia e Irã são os cinco países que ainda não ratificaram a Convenção 87 da OIT. A norma entrou em vigor em julho de 1950 e estabelece princípios da liberdade de associação de trabalhadores e empregadores e veda a intervenção estatal. 

Na avaliação do secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Luiz Antonio Medeiros, há no país, atualmente, plena autonomia e liberdade sindicais. Deu o exemplo da recente legislação que reconheceu as centrais sindicais e ainda citou o envio ao Congresso dos pedidos de ratificação das convenções 151 e 158 da OIT. A primeira trata do direito de negociação dos servidores públicos e a segunda limita a dispensa imotivada. 

Apesar desse cenário, Medeiros reconhece que há uma contradição. Ele disse que ninguém critica publicamente a Convenção 87, mas ela está há 60 ano no Congresso sem perspectiva de ser ratificada. Por trás dessa dificuldade está, na sua opinião, o imposto sindical que provoca a "voracidade" de algumas entidade que só se interessam por esse dinheiro fácil. O secretário garantiu que as centrais vão honrar o compromisso de chegar a um consenso que substitua o imposto sindical por uma taxa negocial "democrática e definida em assembléias das categorias". 

A unicidade sindical, prevista na Constituição (inciso II do artigo 8), gera muita polêmica e, segundo a representante da OIT no Brasil, Laís Abramo, significa restrição à ampla liberdade sindical.

27-06-2008 | 10:39

Fabiana Ribeiro
O Globo

Taxa de desocupação cai para 7,9% em maio. Salários, com inflação, recuam 1%

A taxa de desemprego recuou de 8,5% para 7,9% no mês passado, o menor índice para um mês de maio desde 2002, divulgou ontem o IBGE. Foi a terceira queda consecutiva registrada na pesquisa em seis regiões metropolitanas do país. Em maio de 2007, a taxa de desemprego era de 10,1%. A escalada da inflação, no entanto, já provoca estrago nos salários. O rendimento médio real recuou 1% no mês, passando a R$1.208,20 em maio. Os números de emprego do IBGE foram influenciados pelo desempenho da construção civil e por obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os analistas ressalvam também que muitas das novas vagas abertas têm salários menores, o que puxa para baixo o rendimento médio do país. Os metalúrgicos de São Paulo, filiados à Força Sindical, começam hoje a discutir a pauta de reivindicações da campanha deste ano.

Desemprego cai; rendimento do trabalhador, também. Em maio, a taxa de desocupação recuou, pela terceira vez consecutiva, para 7,9% nas seis regiões metropolitanas do país. Em abril, foi de 8,5%. Trata-se do melhor mês de maio desde 2002, quando o IBGE começou a fazer a pesquisa. E só perde para o desempenho de dezembro - típico período de contratações - de 2007. Os salários, no entanto, recuaram 1% de abril para maio, num claro efeito da alta da inflação dos últimos meses.

- Pode haver outras quedas no desemprego ao longo do ano, se as condições atuais se mantiverem, o que levaria 2008 a fechar com queda recorde na taxa. Por outro lado, parte do freio no rendimento se explica pela inflação, que corroeu a renda - disse Cimar Azeredo, gerente da pesquisa do IBGE.

O ganho médio do trabalhador passou de R$1.219,80, em abril, para R$1.208,20 em maio. Queda de 1% de um mês para o outro. Mas, em relação a maio de 2007, houve crescimento de 1,5%.

João Saboia, diretor do Instituto de Economia da UFRJ, confirma que a inflação já corrói os salários, mas também ressalta o fato de, em relação a 2007, o rendimento ainda apresentar ganho. Já para Marcelo de Ávila, economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), essa perda causada pela alta do custo de vida não preocupa:

- Não é um movimento preocupante: a inflação não deve se fortalecer tanto. Para se ter uma idéia, desde junho de 2004, pode-se dizer que o rendimento começou a deslanchar. Até os reajustes para mais de 80% das categorias foram acima da inflação em 2007. O que não deve se repetir este ano - afirma ele.

Construção civil contrata mais

Apesar do freio no rendimento mensal em maio, a massa de rendimento real (R$26,2 bilhões) cresceu 7,1% frente a igual período do ano passado. Em relação a abril, está estável, segundo o IBGE.

- Mais gente no mercado de trabalho significa massa salarial maior. Esse avanço é o que contribui para que a economia não sofra com uma desaceleração no comércio, por causa da inflação em alta - disse Júlio Gomes, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Saboia diz que o avanço da massa salarial não alimenta a inflação:

- A pressão de consumo não é suficiente para contribuir para a alta de preços. E a inflação está associada a efeitos externos.

Gomes acrescenta que o setor de construção civil apresentou avanços de 7,3% em relação ao maio de 2007. Ele conta que o segmento também influenciou os rendimentos menores em maio, já que o setor paga, em média, salário 21,1% abaixo da média da população ocupada.

- Com mais gente no mercado de trabalho, há mais iniciantes. E isso puxa o rendimento médio para baixo - acrescentou Azeredo, do IBGE.

Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estima que, até o fim do ano, sejam criados 2,3 milhões de empregos - 5% a 7% mais do que no ano passado.

Para Azeredo, também há avanços em qualidade no emprego, com mais da metade dos trabalhadores na formalidade. E as perspectivas são positivas para o segundo semestre.

- São Paulo, com 43% da força do trabalho, é um termômetro para o país. O que acontece na maior metrópole da América Latina tende a se refletir nas demais regiões, trazendo taxas menores - disse Azeredo, acrescentando que a taxa média de desocupação nos cinco primeiros meses de 2008 é de 8,3% - abaixo do que se viu em 2007 (9,9%) e 2006 (10,1%).

27-06-2008 | 10:38

Eduardo Kattah
O Estado de S. Paulo

Durante inauguração de restaurante popular em Belo Horizonte, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, fez ontem enfática defesa do reajuste do Bolsa-Família. Ele rebateu a possibilidade de o TSE contestar o aumento. "Como advogado, como professor de Direito, estou seguro de que, além da dimensão ética, de justiça social, o reajuste foi dado rigorosamente dentro da lei."

Patrus disse que está convicto de que não haverá problemas com a Justiça Eleitoral, pois o reajuste ocorreu antes da data-limite. Segundo ele, existe "uma compreensão" de que nas eleições municipais "não há nenhum impedimento para ações do governo federal".

Em discurso, ele reiterou a necessidade do aumento da bolsa, considerando que, com a medida, o presidente Lula deu um "sinal claro" de que irá trabalhar para o controle da inflação, "mas a conta não será mandada para os pobres".

27-06-2008 | 10:29

Folha de S. Paulo

Demitidos no mês passado, os ex-auditores fiscais Paulo Baltazar e Sandro Martins foram homenageados pelo ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel com a "Medalha do Mérito Auditor-Fiscal Noé Winkler", a mais importante condecoração do fisco.
Everardo concedeu as medalhas "considerando a dignidade, o zelo no cumprimento do dever e o exemplo de honradez profissional" dos dois. O ex-secretário prestou as homenagens em outubro e dezembro de 2002, pouco antes de deixar o fisco, no final daquele ano.
Conforme a Folha publicou em junho de 2005, Everardo sabia, desde 1996, da empresa registrada em nome dos dois auditores, a Martins Carneiro Consultoria. A empresa está no centro do suposto esquema de "venda de legislação", objeto de várias ações na Justiça movidas pelo Ministério Público Federal.
Em abril de 1996, ele assinou e enviou ofício ao procurador da República no Distrito Federal Franklin Rodrigues da Costa, no qual informou a existência da Martins Carneiro.
Segundo Everardo, ao assumir a Receita, ele questionou Martins e Baltazar sobre a possível existência de uma consultoria em nome dos dois. "Eles me afirmaram, por escrito, que a empresa estava fechada na ocasião. Fizeram a mesma afirmação, também por escrito, ao Ministério Público", disse.
Questionado se, caso pudesse voltar atrás, reveria a concessão da medalha aos dois, Everardo disse: "Eu nunca tive conhecimento disso [que os auditores trabalharam na Receita e na iniciativa privada ao mesmo tempo]. Essa é uma prática que deve ser coibida. Se eu soubesse de qualquer coisa dessa natureza, eles sequer começariam a trabalhar comigo". "Eu posso ter errado tecnicamente, mas nunca dolosamente", disse.

27-06-2008 | 10:10

Folha de S. Paulo

Com mais vagas em SP, total de pessoas sem ocupação recua para 7,9% no mês passado

Emprego com carteira assinada alcança patamar recorde de 54,8% da força de trabalho, aponta a pesquisa mensal do IBGE

A taxa de desemprego caiu de 8,5% em abril para 7,9% em maio na esteira principalmente da maior oferta de vagas na região metropolitana de São Paulo, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na região, o número de pessoas ocupadas cresceu 1,2%.
A taxa de 7,9% é a segunda menor desde o início da séria histórica do IBGE, em 2002.
Foram gerados 113 mil postos de trabalho de abril para maio em São Paulo, a maior parte na indústria. A cifra superou o total de empregos criados nas seis regiões metropolitanas pesquisadas -89 mil pessoas. O emprego cresceu impulsionado pela maior metrópole do país, que representa 40% da amostra da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.
O número de pessoas ocupadas aumentou 0,4% na comparação com abril e 4,6% ante maio de 2007 nas seis áreas. "O que surpreendeu em maio foi o aumento da ocupação. Esse é um movimento localizado nas grandes regiões metropolitanas e alavancado pelo setor de serviços e por alguns ramos da indústria com maior peso nos grandes centros, como o de veículos", disse Fábio Romão, especialista da LCA.
Em São Paulo, o emprego na indústria subiu 3,3% de abril para maio. Na média das três regiões, avançou 2,6% (ou 93 mil pessoas), a melhor marca entre todos os setores.
Romão diz que "não é de supor que em nível nacional a taxa de desemprego não esteja caindo no mesmo ritmo" das grandes metrópoles.
Para Cimar Azeredo Pereira, gerente da pesquisa do IBGE, os indicadores de maio apontam "um quadro bastante favorável para o mercado de trabalho", exceto pelo comportamento negativo da renda.
Entre os dados positivos, ele cita o aumento do emprego com carteira assinada -9,5% ante maio de 2007-, em sintonia com a queda da ocupação sem registro formal (-0,9% na comparação com maio de 2007). Com isso, o emprego formal atingiu o nível recorde de 54,8% da força de trabalho.
Segundo Cimar, a taxa de desemprego recuou neste ano antes do período habitual -entre junho ou julho. Tal cenário, diz, indica, a julgar pelo histórico da pesquisa, que a taxa tende a fechar o ano num patamar mais baixo do que em 2007, quando bateu em 7,4% em dezembro.
De acordo com o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), "o Brasil vive um boom na área do emprego". A entidade cita a expansão da ocupação e a redução do número de pessoas desempregadas na comparação com maio do ano passado.

Dieese
Na pesquisa da Fundação Seade e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) divulgada anteontem, o desemprego na região metropolitana de São Paulo também recuou. Ficou em 14,1% em maio, ante 14,2% em abril. É a menor taxa para maio desde 1996, quando foi de 16,1%.
A taxa de desemprego conjunta de seis regiões metropolitanas do país caiu para 14,8% em maio. Em abril, era de 15%.

27-06-2008 | 09:59

SIMONE IGLESIAS
Folha de S. Paulo

No documento em que apresentou sua defesa ao Conselho de Ética da Câmara ontem, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, solicita como sua testemunha o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho.
Além dele, o deputado incluiu mais três pessoas para defendê-lo do processo de cassação do mandato, entre eles João Pedro de Moura, que foi seu assessor, e o coronel reformado da Polícia Militar Wilson Consani Júnior.
O pedetista está sendo julgado pelo Conselho de Ética por quebra de decoro. O STF (Supremo Tribunal Federal) também abriu investigação contra ele. As denúncias contra Paulinho surgiram na Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, que desarticulou em abril grupo suspeito de fraudes em concessão de empréstimos do BNDES.
O presidente do Conselho de Ética, Sérgio Moraes (PTB-RS), disse que oferecerá a Paulinho duas datas para que ele preste esclarecimentos: dia 2 ou 8 de julho. "Ele não é obrigado a comparecer, mas acredito que vai ter o maior interesse em se explicar", disse. O advogado do parlamentar, Leônidas Scholz, afirmou à Folha que a linha da defesa entregue ao Conselho de Ética é a de que não existem provas concretas contra seu cliente.

27-06-2008 | 09:58