Fonte: Diap

A comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (14), o requerimento 175/08, do deputado Vicentinho (PT/SP), que convida o secretário nacional de Relações do Trabalho, Antônio Medeiros.

 

O parlamentar pede que o representante do Executivo, responsável pelos processos de reconhecimento de entidades sindicais, tire dúvidas sobre questões referentes à Portaria 186/08, do Ministério do Trabalho. A portaria modifica a forma do registro sindical junto ao MTE e, de acordo com parecer elaborado pelo advogado e membro do corpo técnico do DIAP, Hélio Gherardi, a portaria abre espaço para a pluralidade no movimento sindical.

 

Justiça do trabalho

O colegiado aprovou também o substitutivo da relatora, deputado Andréa Zito (PSDB/RJ) ao Projeto de Lei 1.432/03, do deputado Dr° Rosinha (PT/PR). A matéria altera a legislação sobre o rito sumaríssimo na Justiça do Trabalho.

 

Outra proposição aprovada no colegiado foi o PL 412-A/03. O projeto dispõe sobre a concessão de incentivo fiscal para as pessoas jurídicas que firmarem contratos de trabalho com pessoas portadoras de deficiência e com pessoas idosas com mais de 60 anos. O relator, deputado Roberto Santiago (PV/SP), emitiu parecer favorável a proposta, que foi referendada em unanimidade pela colegiado. (André Santos)

15-05-2008 | 10:39

Sergio Lamucci
Valor Econômico

Duas semanas após ser promovido a grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor"s (S&P), o Brasil recebeu ontem uma boa notícia sobre o nível de competitividade de sua economia: o país galgou seis posições no ranking de 2008 da escola de negócios suíça IMD. O Brasil pulou do 49º para o 43º lugar, numa lista com 55 países, depois de dois anos seguidos de queda no Anuário de Competitividade Mundial da IMD. O salto foi impulsionado principalmente pela maior eficiência de negócios e pelo bom desempenho da economia. 

Na comparação com os outros países do grupo dos Bric, o Brasil aparece atrás da China (17ª) e da Índia (29ª), mas à frente da Rússia (47ª). No entanto, a economia brasileira foi a única entre as quatro a ganhar postos neste ano - a chinesa e a indiana perderam duas posições cada uma e a russa, quatro. A liderança é dos EUA, seguidos de perto por Cingapura. 

"É importante notar que o Brasil teve um dos melhores desempenhos do ranking deste ano", disse a diretora do Centro de Competitividade Mundial do IMD, Suzanne Rosselet. Apenas dois países ganharam mais postos que o Brasil - Eslovênia (32º) e Polônia (44º), que galgaram oito posições. 

Suzanne destacou o avanço significativo do Brasil em dois dos quatro grandes pilares de competitividade do ranking: o de eficiência empresarial e o de desempenho econômico. O relatório analisa 331 critérios, dois terços dos quais baseados em informações quantitativas e um terço em qualitativas - estas baseadas em entrevistas conduzidas no Brasil pela Fundação Dom Cabral com cerca de 100 empresas. 

No pilar eficiência empresarial, o país subiu do 40º para o 29º lugar. Segundo o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, o Brasil mostra um setor privado eficiente, em que se destacaram, na pesquisa deste ano, a adaptação das empresas às mudanças de mercado, a abertura a novas idéias e a eficiência das grandes companhias em produzir de acordo com padrões internacionais de qualidade. "A comunidade empresarial está mais otimista", disse Arruda, comentando a pesquisa realizada entre janeiro e abril deste ano. 

Suzanne também ressaltou a melhora ocorrida no pilar desempenho econômico, em que o Brasil subiu do 47º para o 41 º lugar. "O crescimento mais forte da economia, o aumento do fluxo de investimentos estrangeiros diretos e a queda do déficit fiscal em 2007 foram fatores bastante positivos", disse ela, para quem o Brasil tem se beneficiado bastante da globalização. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,4% e os investimentos diretos ficaram próximos de US$ 35 bilhões. "Um aspecto importante é que o crescimento no Brasil não está relacionado apenas à alta dos preços das commodities. O consumo privado e o investimento também estão indo bem." A consolidação da estabilidade macroeconômica, segundo ela, também tem sido importante. 

O Brasil avançou três posições no pilar eficiência de governo, atingindo o 51º posto, ainda assim um resultado fraco. No item tempo necessário para abrir uma empresa, o Brasil ficou na última colocação, assim como no quesito que analisa se a legislação ajuda na criação de companhias. Para Arruda, o setor público é o principal obstáculo para o Brasil melhorar a sua competitividade. Com um governo ineficiente, o setor privado é prejudicado, diz ele, o que torna o país menos competitivo do que poderia ser. 

"Para enfrentar a questão da eficiência do governo, o Brasil deveria promover reformas como a da Previdência, a tributária e a trabalhista", disse Suzanne. Para ela, é importante dividir os benefícios do crescimento com a população e trabalhar para reduzir as desigualdades do país, como faz o Bolsa Família, mas também é necessário atacar questões estruturais. 

O Brasil teve o seu pior desempenho no pilar infra-estrutura, em que recuou do 49º para o 50º lugar. "Isso reforça a importância e a urgência do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC)", afirmou Arruda. "A direção do PAC está correta, mas a velocidade de implementação ainda é muito lenta." 

É nesse pilar que está incluído o item educação, em que o Brasil manteve a 48 ª posição. No item que trata da infra-estrutura científica, o país ficou no 49º posto, perdendo cinco lugares no ranking. Segundo a Fundação Dom Cabral, o Brasil gasta menos do que se espera com educação e pesquisa e desenvolvimento para um país do seu porte econômico. "Além disso, os gastos são pouco eficientes."

15-05-2008 | 10:32

Valor Econômico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem a medida provisória que concede reajuste salarial a 17 categorias de servidores públicos e aos militares das Forças Armadas. Essa medida provisória também reestrutura o Plano Geral de Cargos do Poder Executivo. Lula também assinou a medida provisória que abre crédito extraordinário de cerca de R$ 8 bilhões para cobrir o impacto do reajuste salarial dos servidores. O aumento beneficia 800 mil servidores civis e vai custar R$ 3,5 bilhões. Os percentuais de aumento dos civis variam de acordo com a categoria. O impacto do aumento dos militares, que varia entre 35,31% e 137,83%, é de R$ 4,2 bilhões.

15-05-2008 | 10:23

Luiza Damé e Chico de Gois
O Globo

Lula se diz feliz e triste com saída de Marina e, diante da recusa de Jorge Viana, chama Minc

Depois de convidar o ex-governador do Acre Jorge Viana para o lugar de Marina Silva e ouvir um "não" como resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ontem o nome do novo ministro do Meio Ambiente: será o secretário do Ambiente do Rio, Carlos Minc (PT). O convite foi feito por telefone, depois que Viana disse ao presidente que não poderia substituir a companheira de grupo político no Acre, principalmente depois que Marina anunciou sua saída dizendo-se com "dificuldades para dar prosseguimento à agenda ambiental federal".

Antes mesmo de falar com Minc, o presidente disse que os rumos não vão mudar com a saída de Marina. Segundo ele, a política ambiental não é da ministra, mas do governo.

- Obviamente que a política ambiental não muda, porque a política não é política de ministro, a política é de Estado. Vamos continuar tendo o mesmo cuidado que sempre tivemos - disse, acrescentando que o governo continuará tratando as questões ambientais "com o mesmo carinho".

Lula recebeu Viana de manhã.

- Jorge Viana tinha me dito que estava com projetos. Ele é presidente do conselho da Helibrás, e estamos discutindo a possibilidade de fabricar helicópteros no Brasil. Ele está cuidando disso. Não pode largar isso no meio do caminho - disse Lula.

Anteontem, o governo do Rio anunciou a indicação de Minc para o ministério, mas a nomeação não foi confirmada pelo Palácio do Planalto, que ainda aguardava a resposta de Viana.

Ontem, depois de um almoço com a chanceler alemã, Angela Merkel, no Itamaraty, o próprio presidente confirmou que Minc seria o ministro e lamentou a saída de Marina. A petista deixou o cargo depois de perder o comando do Programa Amazônia Sustentável (PAS), lançado semana passada, para o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger.

- Vou ligar para o companheiro Minc, porque pedi a uma pessoa minha que conversasse com ele. Ele estava em um avião, na hora em que tomei a decisão. Portanto, vou agora ao meu gabinete ligar para ele, na expectativa de que venha contribuir com o seu conhecimento para dar seqüência às políticas que estamos já implementando há algum tempo - disse Lula.

Sobre Marina: "Filha que sai de casa"

O presidente falou com Minc por volta das 15h45m, quando fez o convite, que foi prontamente aceito. Os dois vão se reunir na próxima segunda-feira, no Planalto, para acertar, entre outros pontos, a data da posse.

Lula disse não ter mágoa de Marina e negou que os dois tenham tido divergências, embora ele tenha cobrado agilidade do Ministério do Meio Ambiente na liberação das usinas hidrelétricas do Rio Madeira. Também negou o esvaziamento do ministério. Segundo ele, as propostas de Marina para foram implementadas, como a criação do Instituto Chico Mendes e a contratação de servidores para o Ibama.

- Não existe possibilidade de ter divergência entre o presidente e ministros - disse Lula. - Não teve embate. Acabamos de fazer uma mudança no ministério proposta pela Marina. Mas, obviamente sempre haverá divergências (entre ministérios). Por isso, não tem proposta de ministro. A proposta é do governo federal, e tem de ser assumida por todo o governo.

O presidente lamentou a saída de Marina, mas se disse "feliz e triste com o episódio". Lula comparou a demissão de sua auxiliar como um pai que ouve do filho a decisão de que ele irá se mudar de casa:

- Não sei se vocês já tiveram um filho que um dia comunica: tô saindo. E você fica num misto de sofrimento e alegria porque a pessoa, quando toma a decisão, pensa que vai fazer o melhor para sua vida. Me senti assim.

Lula disse ter carinho enorme por Marina, com quem tem uma relação política de mais de 30 anos, quase o tempo de casado com dona Marisa.

15-05-2008 | 10:17

Cristiane Jungblut
O Globo

CRISE DE AMBIENTE: Ex-ministra elogiou decisão de Jorge Viana de recusar convite de Lula para ocupar ministério

Presidente do Ibama, no entanto, já anunciou demissão; ministro interino e outros colaboradores sairão do governo

BRASÍLIA. A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva pediu a seus principais colaboradores que não saiam em debandada dos cargos para "não deixar o ministério parar". Ontem, em encontro com parlamentares do Acre, em seu apartamento de Brasília, Marina disse esperar que não haja mudanças na política ambiental com a nomeação de Carlos Minc. O presidente do Ibama, Bazileu Margarido, foi o único a afirmar que está demissionário, assim que Marina anunciou sua decisão. Mas o secretário-executivo do Meio Ambiente e ministro interino, João Paulo Capobianco, também sairá do governo, assim como outros assessores, entre os quais o secretário de Recursos Hídricos, Luciano Zica.

Apesar do constrangimento, os principais assessores de Marina mantiveram as agendas. Enquanto ela permaneceu em seu apartamento, Capobianco e Margarido foram ao Palácio do Planalto para encontro sobre o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um dos motivos dos embates de Marina com integrantes do governo.

Os dois se reuniram com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Numa situação desconfortável, Capobianco disse a Dilma que o ministério continua funcionando. Margarido ainda foi ao Ministério do Planejamento para encontro com Paulo Bernardo.

Ao longo do dia, a ex-ministra recebeu aliados, a começar pelo ex-governador do Acre Jorge Viana, que acabava de recusar o convite para ser ministro. Depois, foram deputados e Sibá Machado (PT-AC), que assumiu a vaga no Senado em seu lugar. Segundo parlamentares, Marina elogiou a decisão de Viana de recusar o convite de Lula.

- A ministra aposta que não tenha mudança na política ambiental, que ela seja mantida. Ela ficou feliz com a escolha de Carlos Minc, acha um menino bom. Marina é uma figura muito firme e não tinha a intenção de prejudicar o governo, ninguém. E Viana foi um grande companheiro - disse Sibá Machado.

Marina faz balanço positivo

Apesar de ter perdido várias batalhas no governo, Marina se vangloria de suas conquistas. No balanço, ela aponta a criação de quase 24 milhões de hectares de áreas de conservação federais; a definição de áreas prioritárias para conservação da biodiversidade em todos os biomas; a estruturação do Plano Nacional de Mudanças Climáticas; do novo Programa Nacional de Florestas, entre outros.

Há destaque para a aprovação da Lei de Gestão de Florestas Públicas. Apesar do desmatamento na Amazônia, Marina comemorou o fato de o ministério ter contribuído para a aprovação da Lei da Mata Atlântica e conseguido a edição do decreto que cria instrumentos fortes para o combate ao desmatamento. Lembrou a Resolução do Conselho Monetário Nacional, que vincula o crédito agropecuário à comprovação da regularidade ambiental e fundiária.

Numa carta aos servidores do Ibama, Marina disse que estava "fechando um ciclo no qual enfrentamos muitas dificuldades, mas, colhemos resultados gratificantes nesses cinco anos e meio em que estamos juntos". Ela disse ainda que sua gestão foi marcada por "erros, acertos e muito aprendizado".

15-05-2008 | 10:13

KENNEDY ALENCAR
O Estado de S. Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda dar um reajuste de 5% aos benefícios do programa Bolsa Família devido à alta da inflação nos últimos doze meses, sobretudo por causa do aumento do preço dos alimentos de consumo popular, como o pão francês, o arroz e o feijão.
O principal obstáculo hoje ao reajuste, segundo apurou a Folha, é a proximidade das eleições municipais de 1º de outubro. O governo teme que um eventual reajuste seja tachado como eleitoral e possa ser questionado na Justiça.
O último e único reajuste dado ao Bolsa Família, o principal programa social do governo, ocorreu no ano passado. Foi de 18,25%. O programa foi criado em outubro de 2003, quando houve a união de diversos benefícios de transferência de renda aos mais pobres.
Auxiliares do presidente favoráveis ao reajuste defendem que valeria a pena dar uma nova correção porque que seria difícil a oposição sustentar um discurso político contrário à medida justamente num ano eleitoral. Uma correção de 5% equivaleria a pouco mais de R$ 500 milhões.
Hoje o mínimo que uma família recebe do programa é R$ 18 -valor equivalente a um filho. No entanto, se essa família é considerada miserável, recebe um piso de R$ 58. Uma família é considerada miserável se tem renda per capita mensal de até R$ 50.
Os benefícios de R$ 18 podem ser dados a três filhos no máximo, com idade de até 15 anos. Há também benefícios de R$ 30 para dois filhos adolescentes, com idade de até 17 anos. No máximo, uma família recebe hoje R$ 172.
Resumindo: a correção de 5% teria um impacto de R$ 0,90 no menor benefício e de R$ 8,60 no maior.
Lula avalia que conceder o reajuste seria gastar uma quantia pequena de dinheiro para beneficiar muita gente. O presidente tem dito reservadamente, por exemplo, que acabou de lançar um programa para beneficiar exportadores que prevê desembolso de R$ 21 bilhões em quatro anos. Ou seja, gasta mais e mais facilmente com os mais ricos.
O governo tem uma despesa anual de cerca de R$ 10,9 bilhões com o Bolsa Família. O programa atende cerca de 11 milhões de famílias. Ao lado do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que prevê investimentos na infra-estrutura do país, o Bolsa Família é uma ação prioritária do governo.
O eventual reajuste do Bolsa Família vem sendo discutido reservadamente. Nas últimas semanas, Lula tem manifestado maior preocupação com a alta da inflação. Ele já pediu que o Ministério da Agricultura prepare medidas para tentar combater a alta dos alimentos

15-05-2008 | 10:05

Gazeta Mercantil

O Supremo Tribunal Federal tomou ontem uma decisão que vai limitar a edição de medidas provisórias pelo governo. Por 6 votos a 5, ainda em caráter cautelar, o plenário decidiu que MPs destinadas a liberar créditos extraordinários só podem ser baixadas para o atendimento de despesas "imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública", conforme prevê a Constituição. A decisão só vale para as próximas MPs.
O julgamento foi de uma liminar em ação de inconstitucionalidade proposta pelo PSDB, em março, contra a MP 405, do ano passado, que liberou verbas no valor de R$ 5,45 bilhões para "acerto de contas" em 20 ministérios, órgãos vinculados à Presidência da República do PSDB e na Justiça Eleitoral. Os ministros Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Ayres Britto, Eros Grau e Marco Aurélio já haviam formado maioria em sessão interrompida no dia 17 de abril, vencidos Cezar Peluso, Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski.
Na sessão de ontem, Ellen Gracie e Carlos Alberto Direito empataram a votação, na linha de que não cabe ao STF, mas ao Executivo e ao Legislativo (na conversão de MPs em leis) examinar se essas medidas têm ou não urgência e relevância. O ministro Celso de Mello, último a se pronunciar, desempatou o placar a favor da ação do PSDB, num voto em que destacou ser papel do Supremo "estabelecer limites aos excessos legislativos dos demais poderes".

15-05-2008 | 09:47

Folha de S. Paulo

O consultor da Força Sindical de São Paulo João Pedro de Moura classificou como "o nosso chefe lá de Brasília" o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), em diálogo telefônico com o empreiteiro Manuel Fernandes de Bastos Filho interceptado pela Polícia Federal na Operação Santa Tereza.
Segundo o resumo da conversa mantida entre Moura e Bastos Filho, o consultor teria dito que Paulinho "tem chance de ser o vice do [ex-governador Geraldo] Alckmin, foi convidado". E que Paulinho teria chance de virar prefeito em 2010, no caso de Alckmin, do PSDB, deixar o cargo na prefeitura para concorrer ao governo.
Alckmin negou ontem, por meio de sua assessoria, o convite a Paulinho. "É uma maluquice total. Conversas partidárias existiram, sim, mas em nenhum momento foi cogitada a vice. Esse diálogo não faz o menor sentido", afirmou.
Em outro trecho das gravações, Moura segue falando de Paulinho com intimidade. No dia 11 de abril, ligou para o consultor Marcos Mantovani para dizer que estava "no gabinete do prefeito de Campinas [SP] para falar com o prefeito a pedido do Paulinho". Tratava de investimentos, segundo ele, para construção de um terminal rodoviário no município.
O clima mudou com as prisões do dia 24 de abril. Em outra gravação feita pela PF, no dia da prisão do coronel reformado da Polícia Militar Wilson de Barros Consani Júnior, sua mulher telefonou para dizer que havia conversado com Paulinho, que "estava desesperado e falou para Consani ficar despreocupado que ele [Paulinho] irá tirá-lo de lá". Segundo a mulher do PM, Paulinho "está muito preocupado".

Depoimento de Elza
A PF deverá intimar para depoimento, nos próximos dias, a mulher de Paulinho, a sindicalista Elza de Fátima Costa Pereira. O objetivo da PF é esclarecer pelo menos dois pontos: um depósito de R$ 37,5 mil feito pelo consultor João Pedro de Moura numa conta da organização não-governamental Meu Guri e a compra por R$ 220 mil à vista, revelada pela Folha na última terça-feira, de uma casa em Bertioga (SP). A aquisição foi feita por Elza

15-05-2008 | 09:43

Ricardo Galhardo
O Globo

Araponga da Força conta que mandou avisar a deputado ao obter informação de que gente dele estava sendo investigada

SÃO PAULO e BRASÍLIA. O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), foi avisado, na véspera da Operação Santa Teresa, de que na manhã seguinte "alguma coisa grave" poderia acontecer com seus aliados. A informação consta do depoimento do coronel da reserva da Polícia Militar Wilson Consani Júnior, espécie de araponga da Força Sindical e acusado de integrar a quadrilha que explorava prostituição e cobrava propinas para facilitar empréstimos junto ao BNDES.

Consani disse à PF que foi convocado, no dia 23 de abril, para uma reunião urgente com outros supostos integrantes da quadrilha na boate W.E., um prostíbulo na região da Avenida Paulista pertencente ao empresário Manuel Fernandes de Bastos Filho, o Maneco, também acusado de integrar o grupo.

No bordel, a quadrilha foi avisada por um homem com deficiência física, possivelmente policial federal, que a partir das 6h da manhã seguinte a PF desencadearia prisões e ações de busca e apreensão. Os objetivos seriam a exploração da prostituição e liberações de verbas no BNDES. Entre os alvos estaria o advogado Ricardo Tosto, até então integrante do conselho administrativo do BNDES, indicado pela Força Sindical.

Ao ouvir o nome do advogado, Consani telefonou para o presidente estadual do PDT, José Gaspar, que foi aconselhado a alertar Tosto para que ele dormisse fora de casa a fim de evitar a prisão. Na seqüência, o coronel ligou para um cunhado e assessor de Paulinho. O deputado, nas interceptações telefônicas, é chamado de "nosso amigo" e "nosso chefe maior".

Consani disse que decidiu avisar Paulinho, embora ele não fosse investigado, por ter direito a foro especial, porque ficou sabendo da presença de Tosto, "pessoa ligada ao Paulinho, que exerce cargo no partido", entre os investigados.

A PF desconfia que a Operação Santa Teresa começou a vazar em março, um mês antes de ser deflagrada. O Ministério Público Federal determinou abertura de inquérito para apurar o vazamento.

O deputado almoçou em Brasília com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e discutiu sua estratégia de defesa na Corregedoria da Câmara. Ele tentou antecipar a entrega de sua defesa ao corregedor Inocêncio de Oliveira (PR-PE), que, porém, só chega a Brasília hoje. Paulinho estava abatido e cabisbaixo.

Ainda sem saber do depoimento de Consani, o deputado disse que está preparado para responder a todas as denúncias. Hoje a executiva nacional do PDT volta a se reunir, e seu caso deverá ser reavaliado.

- Vou mostrar que tudo é armação política e sindical. Ou você acha que sou tão poderoso? - disse Paulinho.

Lupi disse que nem ele nem Paulinho têm o que temer.

- Vocês do GLOBO me amam, me investigam há mais de um ano e não encontraram nada de errado. Meu único instrumento de vida é a verdade. O Paulinho e a mulher dele já tinham colocado o sigilo pessoal e da ONG (Meu Guri) à disposição da Justiça. A informação que o Paulinho dá é de total tranqüilidade. Quem não deve não teme.

Mais tarde, o deputado foi procurado para comentar o depoimento de Consani, mas não se pronunciou.

14-05-2008 | 10:39

Flávio Freire
O Globo

Prefeitura acusa central sindical de provocar pane em computadores

SÃO PAULO. Semanas depois de a Polícia Federal interceptar um telefonema em que o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP) estaria tramando um escândalo contra o prefeito Gilberto Kassab, a Força Sindical - presidida pelo deputado - é acusada de ter derrubado ontem o sistema eletrônico de dois Centros de Atendimento ao Trabalhador (CATs) para impedir que a prefeitura substituísse os funcionários das unidades (ligadas à central). Segundo a Polícia Federal, Paulinho encomendou a um dos presos um dossiê contra Kassab.

A prefeitura registrou boletim de ocorrência na polícia alegando que a Força praticou atentado contra a segurança do serviço de utilidade pública. A ocorrência foi registrada pelo coordenador do projeto São Paulo Inclui, Fernando Cerqueira.

A substituição de funcionários é, segundo a prefeitura, para cumprir a cláusula de um acordo que impõe que 60% dos funcionários dos centros sejam pessoas com deficiência. A prefeitura teria resolvido colocar a cláusula em prática para acabar com o poder de Paulinho nos centros. A Força teria derrubado o sistema para evitar a troca de pessoal.

Até um mês atrás, a Secretaria Municipal do Trabalho, responsável pelo projeto, era comandada pelo deputado Geraldo Vinholi, do PDT, e a prefeitura não tinha planos de trocar os funcionários. No caso dos CATs, a prefeitura de São Paulo alega que a Força estaria impedindo o acesso da Secretaria Municipal do Trabalho ao cadastro de trabalhadores, o que inviabilizaria a atualização das informações.

O deputado Paulinho não foi encontrado. Já Kassab disse que iria pedir ajuda federal:

- Vou solicitar ao ministro do Trabalho (Carlos Lupi) que os terminais sejam religados.

Mulher de Paulinho comprou casa à vista

A ONG Meu Guri, dirigida pela mulher de Paulinho, Elza Costa Pereira, também está sendo investigada pela PF. Reportagem publicada ontem pela "Folha de S.Paulo" mostra que Elza comprou há um mês uma casa de R$220 mil em Bertioga, litoral paulista. Pagou R$160 mil em cheque e o resto em dinheiro vivo. O advogado de Paulinho, Antonio Rosella, disse que não existe irregularidade e que o imóvel será declarado à Receita.

14-05-2008 | 10:37