Representantes das entidades de defesa dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estavam irritados com o cancelamento da reunião de segunda-feira (3) com a categoria, marcada com antecedência pelo Governo, sob a alegação de que o ministro Luiz Dulci, chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, enfrentava "problemas de agenda".
Reunidos segunda-feira em Brasília, eles ameaçavam desistir de aguardar a reabertura das negociações com o Governo pelo reajuste dos benefícios.
Caso não haja nova sinalização de que serão recebidos nesta terça-feira pelo Executivo, vão passar a pressionar diretamente os deputados para pôr em votação os projetos que beneficiam a categoria.
"Já que o Governo não quis mais conversar com os aposentados, vamos hoje cedo para a Câmara emplacar o Projeto de Lei 1/07 (emenda ao PLC 42/07, aprovada no Senado), que estende o mesmo índice de reajuste do salário mínimo às aposentadorias e pensões", afirma Nelson Osório, diretor da Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (Cobap).
O projeto já foi aprovado no Senado e tem grande possibilidade de vitória na Câmara. Caso seja aprovado pelos deputados, traria desgaste político ao presidente Lula, que poderia ser obrigado a vetá-lo próximo às eleições.
"Vamos atrás de cada um dos deputados e senadores que compõem a bancada do aposentado no Congresso", diz.
No discurso de segunda-feira, o senador Mário Couto (PSDB/PA) avisou que, se as discussões a respeito dos projetos não forem retomadas nesta terça-feira (4), acerto feito com os deputados será colocado em prática e as matérias entrarão na pauta de votações da Câmara.
As matérias já foram aprovadas no Senado e estão em fase final de tramitação na Câmara. Além do PL 1/07, outras proposições tratam do assunto: o projeto de lei que prevê o fim do fator previdenciário (PL 3.299/08) e o PL 4.434/03, que trata de recuperação das perdas salariais em relação ao mínimo, retroativa aos últimos cinco anos.
Para a assessoria do deputado Henrique Fontana (PT/RS), líder do Governo na Câmara, a promessa de sentar com os representantes diretos dos aposentados e pensionistas está de pé.
A informação era de que o Governo já havia recebido a Cobap duas vezes em julho e mantém a proposta de fechar, em agosto, o acordo sobre o plano de reajuste dos aposentados.
"Não sei de reunião nenhuma com federação de aposentados. Na semana passada, estive com o Dulci, os ministros da Previdência (José Pimentel) e o do Trabalho (Carlos Lupi), que vieram ao Congresso da Força. Esta semana, é o Congresso da CUT. Nossa reunião com o Governo só vai acontecer na semana que vem", afirmava João Batista Inocentinni, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical.
Na semana passada, ele deu uma demonstração de sua força ao se reeleger presidente da entidade, na presença de 5 mil delegados.
Segundo Inocentinni, o Governo acena que só vai negociar o aumento real dos aposentados (de 1,5% a 2,5% acima da inflação) inserido dentro de um pacote fechado, que inclui a derrubada do fator previdenciário e o índice de reajuste do salário mínimo até 2023.
"Com as centrais sindicais, talvez seja mais fácil negociar porque o peleguismo anda solto. O problema é que eles só têm interesse no trabalhador da ativa. Quem defende o aposentado é a confederação", diz o diretor da Cobap.
Nelson Osório não reconhece a negociação conjunta, nem a hipótese de escalonamento dos índices de reajuste proposta pela própria Força Sindical.
"As centrais na realidade estão querendo negociar o fator previdenciário, que só interessa a quem vai se aposentar. Para nós, aposentados, não tem mais efeito". (Fonte: Estado de Minas)