Em entrevista à Terra Magazine, o senador José Agripino Maia (DEM/RN) disse que a "tese" de que a CPI da Petrobras seja um "palanque eleitoral" para a oposição agride a "imprensa" do país.
"Quem fez as denúncias não foi nem o DEM, nem o PSDB, nem o PPS. Elas surgiram em jornais e revistas de respeitabilidade reconhecida (...) Essa história de palanque da oposição é uma agressão aos veículos de comunicação", afirmou.
Ora, qualquer estudante primário honesto é capaz de identificar a relação carnal da mídia com a oposição. Eles são sangue do mesmo sangue. A diferença é que a oposição está no seu papel.
Mas como ela não tem forças para levar ao povo suas propostas - que, convenhamos, se forem abertamente expostas não elegem ninguém -, entra em cena a mídia e as suas imundícies. É um jogo orquestrado, antidemocrático e rasteiro.
Essa gente é formada por um grupo minoritário e não existe investigação ou documento capaz de convencê-lo do contrário. Mesmo que o resultado da CPI seja nenhum, eles vão continuar martelando a mesma tecla.
Desde a UDN embrionária, lá pelos idos dos anos 30, essa é a maneira de a direita fazer política no Brasil. Hoje, os udenistas-dem-tucanos recorre de novo ao combate à "corrupção" como arma eleitoral e golpista.
O governo está indo bem ao fazer com que os partidos que são da sua base de apoio componham a maioria dos membros titulares da CPI.
Conforme divisão feita pelos partidos e repassada à mesa diretora do Senado, entre 11 membros titulares e os sete suplentes, o governo poderá indicar oito titulares e, no caso dos suplentes, a base deverá indicar cinco vagas.
Desta forma, restará à oposição três vagas entre os titulares e duas vagas para suplentes. Entre os cargos do governo, o bloco de apoio (PT, PR, PSB, PRB e PCdoB), comandado pelo líder Aloízio Mercadante (PT/SP), deverá fazer três indicações.
O bloco da maioria (PMDB e PP), liderado por Renan Calheiros (PMDB/AL), também poderá indicar três vagas. O chamado bloco da minoria (PSDB e DEM), liderado por Raimundo Colombo (DEM/SC), também deverá fazer três indicações.
Há ainda uma vaga de titular para o PDT e uma para o PTB. Cada bloco deverá indicar ainda dois suplentes e a sétima vaga deverá ser destinada ao PTB.
Feita a divisão, cada partido deverá indicar em breve os nomes que deverão compor a CPI. Depois disso, deve ser realizada uma eleição na qual serão definidos quem serão o presidente e o relator da comissão.
A mídia certamente fará um carnaval com esse encaminhamento. Afinal, democracia não faz parte de suas práticas. Essa gente acha que está acima das leis, do Estado e do povo. O Estado é o governo de homens organizados em classes. E a política é a arte de organizar os homens.
A vida política, portanto, é o afrontamento dos interesses sociais - ou seja, de classe - pela direção do Estado. Eis o que se aprende sobre política com o ABC da democracia.
Evidentemente, a compreensão dessas categorias é difícil em um país domado pela mídia ocupada por caráteres melífluos.
Por isso, talvez, em meio a esse fogaréu que se instalou em Brasília, o que se vê são discursos rasos, que estabelecem o emocionalismo que opõe o indivíduo, magoado em sua pureza ingênua como uma moçoila oitocentista, e a realidade ingrata que devora sonhos.
A última contribuição dos udenistas-dem-tucanos e sua equipe de donos da verdade é na verdade uma grande confusão.
É fácil imaginar o redemoinho em que podem se transformar as notícias vazadas com segunda, terceira e quarta intenções no âmbito de uma CPI como essa.
É essa, unicamente, a leitura que se pode ter dessa CPI. O objetivo é apenas fazer marola para atrapalhar o governo, negociar alguma vantagem para a família e os amigos e nada mais.
Não é, nem de longe, estudar a fundo a questão, propor mudanças na legislação e criar os meios para melhorar o combate à corrupção. Há também os casos onde a ignorância trabalha contra a informação.
Seria muito melhor que o Congresso discutisse, a partir de episódios como esse, a natureza da corrupção no Brasil.
Seria útil também que, em vez de apostar em espertezas de resultados políticos duvidosos, os parlamentares envolvidos nessa manobra se empenhassem em dar agilidade aos trabalhos do Congresso.
Mas, já que o estrago político está feito, o governo não tem melhor alternativa do que obstruí-la por todos os meios parlamentares conhecidos e toleráveis.
O que está em jogo não é a "moralidade pública", mas projetos políticos para o país. (Fonte: blog O outro lado da notícia)