CONDENADOS, MAS EM LIBERDADE
Autor(es): Carolina Brígido
O Globo - 13/02/2009
 

STF manda soltar cinco presos que cumpriam pena em casos de estupro, estelionato e roubo

O Supremo Tribunal Federal mandou soltar cinco presos que, mesmo condenados por crimes graves, vão recorrer da sentença. De uma só vez, foram beneficiados um condenado por tentativa de estupro, um estelionatário, um ladrão e dois acusados por apropriação de bens e rendas públicas. É o desdobramento de decisão do STF da semana passada, segundo a qual têm direito à liberdade presos cuja condenação não transitou em julgado, ou seja, admite recurso. Como na primeira votação; o resultado foi 8 a 2. De novo, só os ministros Ellen Gracie e Joaquim Barbosa votaram contra, por entender que, em alguns crimes graves, o réu não merece recorrer em liberdade. Dos cinco beneficiados, quatro estavam soltos por liminar.

Julgamentos se arrastam no STF devido ao abuso de um recurso legal: o pedido de vista. Alguns ministros pedem vista e demoram até dois anos com um processo.

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou ontem a imediata libertação de cinco presos que, apesar de terem sido condenados por crimes graves, ainda têm o direito de recorrer da sentença. De uma só vez, foram postos na rua um homem condenado a quatro anos de prisão por tentativa de estupro no Rio de Janeiro; um estelionatário condenado a quatro anos e meio por ter praticado o crime de forma continuada; um ladrão que cumpria pena de sete anos e meio por roubo qualificado; e dois réus sentenciados por apropriação de bens e rendas públicas (um cumpria pena de quatro anos de prisão e o outro, de três).

Os julgamentos foram realizados de forma breve, com base em uma decisão da semana passada, na qual os ministros estabeleceram que o réu tem direito de liberdade até que o caso tramite em julgado - ou seja, até que não haja mais possibilidade de apresentar recurso judicial à pena. As decisões foram tomadas por oito votos a dois. Os ministros Ellen Gracie e Joaquim Barbosa foram os únicos que discordaram da tese e votaram contra a libertação dos presos, por entender que, em alguns casos de crimes graves, o réu não merece recorrer em liberdade.

Dois votos em nome da "coesão do tribunal"

Com exceção do condenado por roubo qualificado, os outros já tinham sido soltos por liminar dada pelo ministro Ricardo Lewandowski. A decisão foi confirmada ontem em plenário. O réu que ainda estava preso teve um pedido de liminar recusado pela relatora, ministra Cármen Lúcia. Ela é contrária à libertação de presos só porque eles podem recorrer da decisão. No entanto, como a maioria dos ministros defendeu a tese, mudou de posição, ontem, "em nome da coesão do tribunal" - embora tenha apresentado uma ressalva com sua opinião. O ministro Menezes Direito, que também tinha votado contra o benefício semana passada, fez a mesma ponderação de Carmem Lúcia ontem e votou a favor.

Segundo Lewandowski, relator de quatro habeas corpus, um preso que ainda está recorrendo judicialmente não pode ser beneficiado com a progressão do regime - como, por exemplo, trocar o regime fechado pelo semiaberto, ou pleitear o direito de estudar ou de trabalhar enquanto estiver cumprindo a pena. Ele citou o exemplo do preso condenado por estelionato. A sentença determinava o regime semiaberto, mas como ele ainda estava recorrendo, era obrigado a cumprir a pena em regime fechado, sem direito a nenhum benefício.

- É uma flagrante ilegalidade. Se ele ficasse preso processualmente, não teria direito a nenhum benefício prisional. Numa prisão processual, ele ficaria preso em regime fechado até o cumprimento de sua pena - disse Lewandowski.

- É uma pena exacerbada - concordou Ayres Britto.

O ministro Marco Aurélio Mello lembrou que o STF já reconhece o direito de presos nessa situação. Esse direito, entretanto, não é automático: o interessado teria de pedir a progressão do regime ao tribunal e esperar o julgamento.

No STJ, ministros mantiveram réu preso

Na sessão de ontem, os ministros não transformaram em súmula vinculante o entendimento sobre presos que ainda podem recorrer da sentença. Se tivessem aprovado a súmula, ações semelhantes que chegassem ao tribunal não precisariam ser examinadas caso a caso; o direito já seria garantido e aprovado automaticamente. Os ministros concordaram em julgar individualmente casos como esses, sempre a favor da libertação, sem a necessidade de levar ao plenário para o conhecimento dos demais ministros. Apenas Marco Aurélio discordou:

- Continuo acreditando que cada qual deve formar convicção. Nós não devemos colocar o julgador numa camisa-de-força, compelindo-o a decidir em determinado sentido. Continuarei decidindo conforme minha ciência e consciência.

Gutemberg Xavier Alves, condenado por tentativa de estupro, teve o habeas corpus negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em maio de 2007. No despacho, o relator, ministro Felix Fischer, escreveu que uma condenação confirmada por tribunal de segunda instância - no caso, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro - só é passível de recurso extraordinário, "razão pela qual se afigura legítima a execução de pena privativa de liberdade antes do trânsito em julgado da respectiva condenação".

A ministra Laurita Vaz, do STJ, é outra opositora da tese do STF. Ao negar habeas corpus a Orides Zanardi, condenado por apropriar-se de bens e rendas públicas, escreveu: "Este STJ firmou entendimento de que a execução provisória do julgado constitui mero efeito da condenação, não se cogitando de qualquer violação ao princípio do estado presumido de inocência".

13-02-2009 | 10:03

STF pressiona por reajuste de 13% para juízes federais
Autor(es): Ribamar Oliveira
O Estado de S. Paulo - 13/02/2009
 
 
  upremo Tribunal Federal pressiona o Congresso a reajustar os salários dos ministros da Corte dos atuais R$ 24.500 para R$ 27.716, o que representaria um reajuste de 13,12%. Os gastos extras com o aumento - que provocaria efeito cascata em toda a magistratura federal - já foram até incluídos no Orçamento da União deste ano. O subsídio de ministro do Supremo é o teto da remuneração de todo o setor público brasileiro, uma vez que nenhum servidor pode ganhar mais do que esse valor.

Se aprovado no Congresso, o reajuste da magistratura federal representará um gasto adicional de R$ 347 milhões. O Ministério Público da União também tem previsão de aumento no Orçamento de 2009, no valor de R$ 129 milhões. Juntos, STF, Justiça Federal e Ministério Público terão R$ 476 milhões para reajustes salariais neste ano.

A discussão sobre a revisão do salário da magistratura da União já começou na Câmara e algumas lideranças manifestaram preocupação, em conversas reservadas, com a despesa extra neste momento de crise econômica, quando se esperam mais demissões de trabalhadores e queda da receita tributária, o que dificultará o fechamento das contas públicas.

A votação do projeto vem sendo barrada há três anos, mas agora, com a posse do deputado Michel Temer (PMDB-SP) na presidência da Câmara, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, repôs o assunto nas conversas entre os dois Poderes. O constitucionalista Temer tem simpatia pelas demandas do Judiciário.

O subsídio de ministro do STF está sem correção desde 2006, quando foi fixado em R$ 24,5 mil. Naquele ano, a então presidente do STF, Ellen Gracie, encaminhou ao Congresso o Projeto de Lei 7.297, prevendo correção de 5%. O novo valor passaria a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2007.

O porcentual foi reduzido pelos deputados para 3,14%, que foi o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro a dezembro de 2006. Mas o projeto não foi votado até hoje.

No final do ano passado, a pedido de Mendes, o projeto foi colocado na pauta de votação da Câmara, mas terminou excluído em 17 de dezembro, por decisão dos líderes partidários.

RETROATIVO

O projeto 7.297 choca-se com um dispositivo da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2009, que proíbe o pagamento de diferenças salariais de forma retroativa. Assim, mesmo que o reajuste seja aprovado, ele não poderá ser pago a partir de janeiro de 2007, conforme determina o projeto.

Para contornar esse obstáculo, e diante da perspectiva de que o texto não fosse aprovado em 2008, o Departamento de Acompanhamento Orçamentário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) elaborou uma planilha prevendo a correção do subsídio de ministro também pelo IPCA de 2007 e 2008.

Essa planilha, à qual o Estado teve acesso, serviu de base para a definição, no Orçamento da União deste ano, do montante de recursos destinados ao pagamento de salários de toda a magistratura federal.

De acordo com a planilha, a correção do subsídio de ministro, dos atuais R$ 24,5 mil para R$ 26.396 (reajuste com base no IPCA de 2006 e 2007, que ficou em 7,74%), custaria R$ 204,2 milhões aos cofres públicos. A elevação do subsídio de R$ 26.396 para R$ 27.716 (reajuste feito com base na previsão de 5% para o IPCA em 2008) custaria R$ 142,8 milhões.

Os dois valores foram incluídos no Orçamento da União para este ano, ou seja, o Judiciário dispõe de R$ 347 milhões para reajustar os salários dos ministros do STF e de toda a magistratura federal (STF, Conselho Nacional de Justiça, Superior Tribunal de Justiça, Justiça Federal, Justiça do Trabalho, Justiça Militar da União, Justiça do Distrito Federal e Territórios e Justiça Eleitoral).

CARONA

Pegando uma "carona" na proposta do STF, o Ministério Público da União apresentou projeto que reajusta salário de procurador-geral da República.

A remuneração dos demais membros é vinculada à do procurador-geral. No final de dezembro, o projeto do Ministério Público também foi retirado da pauta de votação da Câmara, por decisão dos líderes.

No Orçamento da União deste ano, porém, existe dotação suficiente para elevar o salário do procurador-geral da República com o mesmo reajuste a ser aplicado aos vencimentos do ministro do Supremo. O mesmo expediente orçamentário do CNJ foi utilizado pelo Ministério Público, pois constam dois valores para que se possa fazer a alteração do subsídio do procurador-geral.

13-02-2009 | 09:59

Suíça questiona versão de brasileira
Autor(es): Jamil Chade
O Estado de S. Paulo - 13/02/2009
 

O primeiro relatório da polícia de Zurique sobre o ataque contra a brasileira Paula Oliveira, divulgado ontem, diz que as "circunstâncias dos ferimentos não estão claras" e não confirma que Paula foi vítima de violência xenófoba. Indignada, a família criticou a polícia, qualificando o relatório de "hipócrita". Em Brasília, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim exigiu "rigor" das autoridades na apuração do caso.


Paula teria sofrido um ataque na noite de segunda-feira numa estação de trem na periferia de Zurique. Ela se apresentou à polícia com cortes em todo corpo, alguns formando a sigla SVP, iniciais do Partido do Povo Suíço, de extrema direita. Paula, uma advogada que trabalhava numa multinacional, diz ter sido atacada por três skinheads. Ela estava grávida de gêmeas e teria abortado por causa dos ataques. Para um dos principais nomes do SVP, Oskar Freysinger, "não se pode excluir a possibilidade de autoflagelação". "Se essas pessoas são de fato do partido, serão expulsas, mas primeiro precisamos saber se tudo isso de fato ocorreu", disse ao Estado.

A polícia de Zurique disse que "investiga em todas as direções". No comunicado, evitou classificar a agressão como ataque racista e não mencionou que alguns dos cortes no corpo da brasileira formavam a sigla do SVP. Mencionou apenas ferimentos em forma de "letras".

O relatório policial também afirma que os ferimentos foram "superficiais" e não confirma as "implicações médicas" do suposto ataque. "A brasileira explicou que sofreu o aborto no banheiro da estação", diz o texto. Sem suspeitos, a polícia apela para que testemunhas se apresentem. Segundo a agência de notícias Associated Press, um homem teria telefonado para a delegacia de Zurique na segunda-feira para dizer que uma mulher "precisava de ajuda" na estação de trem.

INDIGNAÇÃO

O pai da vítima, Paulo Oliveira, reagiu com indignação à desconfiança da polícia suíça. "Querem transformar a vítima em culpada. Isso é tática de milícia nazista", disse. "As circunstâncias não estão claras porque a polícia não está investigando."

Para a Comissão Federal contra o Racismo da Suíça, a polícia tem o costume de não dar a importância que merece a ataques de extremistas contra estrangeiros. Segundo a diretora da Comissão, Doris Ansgt, o problema é um "reflexo dos sentimentos da sociedade suíça". "O público não se importa com as vítimas dos extremistas."

Ontem, Paula foi interrogada mais uma vez. A família, porém, só aceitou receber os policiais na presença da cônsul do Brasil em Zurique, Vitória Clever. Vitória reuniu-se com várias autoridades, cobrando uma apuração detalhada do caso. "Recebi uma ligação do chanceler Amorim. Ele está preocupado", afirmou.

A chancelaria suíça também foi chamada a intervir. "O vice-embaixador da Suíça no Brasil esteve no Itamaraty ontem para dar informações sobre as investigações. Temos confiança de que a polícia esclarecerá os fatos", afirmou George Farago, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores suíço.

Paula foi autorizada pelo hospital a voltar para casa na noite de quarta-feira, mas ontem de tarde foi internada mais uma vez. O hospital decidiu fazer testes de doenças sexualmente transmissíveis ou outras que pudessem ter sido causadas pelos cortes.

Suíça questiona versão de brasileira

Relatório policial não confirma ataque xenófobo a Paula Oliveira e investigação continua ?em todas as direções?

Jamil Chade, GENEBRA

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O primeiro relatório da polícia de Zurique sobre o ataque contra a brasileira Paula Oliveira, divulgado ontem, diz que as "circunstâncias dos ferimentos não estão claras" e não confirma que Paula foi vítima de violência xenófoba. Indignada, a família criticou a polícia, qualificando o relatório de "hipócrita". Em Brasília, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim exigiu "rigor" das autoridades na apuração do caso.

Paula teria sofrido um ataque na noite de segunda-feira numa estação de trem na periferia de Zurique. Ela se apresentou à polícia com cortes em todo corpo, alguns formando a sigla SVP, iniciais do Partido do Povo Suíço, de extrema direita. Paula, uma advogada que trabalhava numa multinacional, diz ter sido atacada por três skinheads. Ela estava grávida de gêmeas e teria abortado por causa dos ataques. Para um dos principais nomes do SVP, Oskar Freysinger, "não se pode excluir a possibilidade de autoflagelação". "Se essas pessoas são de fato do partido, serão expulsas, mas primeiro precisamos saber se tudo isso de fato ocorreu", disse ao Estado.

A polícia de Zurique disse que "investiga em todas as direções". No comunicado, evitou classificar a agressão como ataque racista e não mencionou que alguns dos cortes no corpo da brasileira formavam a sigla do SVP. Mencionou apenas ferimentos em forma de "letras".

O relatório policial também afirma que os ferimentos foram "superficiais" e não confirma as "implicações médicas" do suposto ataque. "A brasileira explicou que sofreu o aborto no banheiro da estação", diz o texto. Sem suspeitos, a polícia apela para que testemunhas se apresentem. Segundo a agência de notícias Associated Press, um homem teria telefonado para a delegacia de Zurique na segunda-feira para dizer que uma mulher "precisava de ajuda" na estação de trem.

INDIGNAÇÃO

O pai da vítima, Paulo Oliveira, reagiu com indignação à desconfiança da polícia suíça. "Querem transformar a vítima em culpada. Isso é tática de milícia nazista", disse. "As circunstâncias não estão claras porque a polícia não está investigando."

Para a Comissão Federal contra o Racismo da Suíça, a polícia tem o costume de não dar a importância que merece a ataques de extremistas contra estrangeiros. Segundo a diretora da Comissão, Doris Ansgt, o problema é um "reflexo dos sentimentos da sociedade suíça". "O público não se importa com as vítimas dos extremistas."

Ontem, Paula foi interrogada mais uma vez. A família, porém, só aceitou receber os policiais na presença da cônsul do Brasil em Zurique, Vitória Clever. Vitória reuniu-se com várias autoridades, cobrando uma apuração detalhada do caso. "Recebi uma ligação do chanceler Amorim. Ele está preocupado", afirmou.

A chancelaria suíça também foi chamada a intervir. "O vice-embaixador da Suíça no Brasil esteve no Itamaraty ontem para dar informações sobre as investigações. Temos confiança de que a polícia esclarecerá os fatos", afirmou George Farago, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores suíço.

Paula foi autorizada pelo hospital a voltar para casa na noite de quarta-feira, mas ontem de tarde foi internada mais uma vez. O hospital decidiu fazer testes de doenças sexualmente transmissíveis ou outras que pudessem ter sido causadas pelos cortes.

13-02-2009 | 09:51

Chávez intensifica campanha pelo ''sim''
Autor(es): Lourival Sant'Anna
O Estado de S. Paulo - 13/02/2009
 
 
O presidente Hugo Chávez encerrou ontem a campanha em favor da emenda constitucional que introduz a reeleição ilimitada com um apelo em forma de prognóstico: "O ?sim? deve ganhar por nocaute", anunciou ele, referindo-se ao referendo de domingo. Chávez disse ter recebido pesquisas na noite de quarta-feira que indicam sua vitória, sem dar detalhes, porque a lei não permite sua divulgação nas vésperas da votação.

"A partir de 15 de fevereiro, só o povo colocará e tirará governos", celebrou o presidente, no cargo há dez anos. "A de domingo será a vitória perfeita", previu Chávez, derrotado por 50,71% a 49,29% noutro referendo com o mesmo intuito, em dezembro de 2007. "Domingo vocês vão decidir meu destino político, e se saberá se Hugo Chávez fica ou vai", dramatizou o presidente, que disse que falaria pouco e discursou por 1h40. "Minha vida é de vocês. Façam com ela o que quiserem."

Dezenas de milhares de pessoas tingiram de vermelho as avenidas do centro de Caracas para apoiar a emenda constitucional. A maioria trazia camisetas, bonés, coletes e bandeiras indicando que trabalham para algum órgão ou programa social do governo ou estudam em escolas públicas. Na Torre Ministerial, que abriga os Ministérios da Comunicação e Informação, da Educação Superior e da Ciência e Tecnologia, funcionários desciam os elevadores carregando fardos de camisetas vermelhas e panfletos defendendo o "sim" no referendo. Motociclistas circulavam entre os manifestantes com distintivos, ao estilo FBI, do Ministério da Participação e Proteção Social. A manifestação coincidiu com o Dia da Juventude na Venezuela, na qual o movimento estudantil tem tido um papel central na resistência ao regime. Hoje, os opositores de Chávez pretendem realizar uma grande manifestação na capital.

"Apoio Chávez porque sua política busca beneficiar os menos favorecidos", disse o advogado Henry Ardila, de 28 anos, funcionário da PDVAL, unidade da estatal petrolífera PDVSA que distribui alimentos subsidiados com recursos do petróleo. A falta de alternância no poder não incomoda Ardila: "A única forma de garantir a continuidade é manter o mesmo indivíduo no governo."

Como faz periodicamente, Chávez denunciou na noite de quarta-feira mais uma tentativa de golpe. Ele afirmou que foram detidos "alguns militares ativos", vinculados a um "militar foragido nos EUA", envolvidos numa chamada "Operação Independência". Segundo Chávez, "estão tentando infiltrar o palácio presidencial de Miraflores, mandando mensagens a unidades militares localizadas em alguns Estados onde governa a oposição". Não deu detalhes.

Chávez aproveitou o comício para garantir que seu governo não teve nada a ver com o assalto e profanação à sinagoga de Maripérez, em Caracas, no dia 31. O chanceler Nicolás Maduro reuniu-se com líderes da comunidade judaica para assegurar o respaldo do governo às investigações. Onze pessoas foram detidas, incluindo oito policiais.

Pela manhã, Chávez condecorou com a Ordem Libertador Simón Bolívar os jogadores da seleção sub-20, por terem se classificado pela primeira vez na história para disputar o mundial, no Egito. "Vão com esse fervor pátrio, que os resultados serão sublimes", disse Chávez.

13-02-2009 | 09:50

Dois órgãos do Governo Federal vão contratar 400 novos servidores por meio de concursos públicos. As seleções estão, inclusive, entre as mais esperadas pelos concurseiros. São eles o Departamento de Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que vai selecionar 200 profissionais de nível superior, para atuar em regime temporário; e o Ministério do Meio Ambiente (MMA), que abriu 200 vagas para nível médio. No Dnit, órgão ligado ao Ministério dos Transportes, as oportunidades são para atividade técnica de suporte (Nível III), atividade técnica de complexidade intelectual (Nível IV) e atividade técnica de complexidade gerencial (Nível V). As remunerações variam entre R$ 3,8 mil e R$ 8,3 mil de acordo com a opção do candidato. O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/ UnB) será o responsável pela seleção do órgão. As inscrições poderão ser feitas entre os dias 16 de fevereiro e 8 de março, pelo site www.cespe.unb.br. As taxas de inscrição são R$ 710, para nível III; R$ 76, para nível IV; e R$ 86, para nível V. l Experiência Além do certificado de nível superior e registro no órgão de classe, se for o caso, para se candidatar aos cargos de nível V, os interessados precisam ter experiência profissional mínima de cinco anos na área em que concorre. Já para os cargos de nível  , a exigência é de experiência profissional mínima de três anos. Para as vagas destinadas ao nível III, é preciso apresentar apenas o diploma ou certificado, devidamente registrado, de conclusão de curso de nível superior e o registro no conselho de classeclasse, se for o caso. O processo seletivo do Dnit será composto por duas fases. A primeira terá realização de provas objetivas, com data prevista para o dia 29 de março. A segunda fase será composta por avaliação curricular de títulos e experiência profissional. Reforçando, as vagas do Dnit são temporárias.

Meio Ambiente

No Ministério do Meio Ambiente, a oferta é de 200 oportunidades para o cargo de agente administrativo, que exige formação de nível médio. Neste caso, a contratação é para o quadro efetivo. A seleção também será elaborada pelo Cespe/ UnB. Os candidatos inscritos deverão passar apenas por avaliações objetivas, com questões sobre conhecimentos básicos e específicos. Esta última etapa, de caráter eliminatório e classificatório, deve ser aplicada no dia 5 de abril, apenas no DF. A remuneração prevista é R$ 1.947, em regime de 40 horas de trabalho semanal. Quem tiver interesse em participar pode acessar no site do Cespe/UnB e efetuar a inscrição, que começa no próximo dia 20 e prossegue até o dia 8 de março. A taxa de participação é R$ 57. Aqueles que não tiverem acesso à internet podem se cadastrar nos computadores disponibilizados pelo Cespe, na UnB, Centro Universitário Darcy Ribeiro, ICC, ala norte, no mezanino. Os dois editais foram publicados na edição de ontem do Diário Oficial da União.

 

Versão Digital da Notícia:
São 400 vagas para vários cargos.jpg

13-02-2009 | 09:40

 

Na hipótese de ter sido determinado o pagamento das custas, ainda que ausente o valor da condenação, era ônus da parte opor embargos de declaração, para sanar omissão na decisão regional. Como não o fez, a Mitto Engenharia e Construções Ltda. teve seu recurso rejeitado pela Justiça do Trabalho. A Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho manteve entendimento no sentido da deserção do seu mandado de segurança.

O que ensejou a empresa a interpor mandado de segurança foi a decisão do juiz da 1ª Vara do Trabalho de São Paulo proferida em ação anulatória de carta de arrematação, com pedido de tutela antecipada, para que o mandado de entrega do bem fosse recolhido/suspenso até o julgamento do mérito. A Mitto se insurgiu porque, naquela ação, o único veículo de sua propriedade teria sido arrematado numa alienação “repleta de procedimentos defeituosos”, como a falta de intimação pessoal para que pudesse acompanhar os leilões e a arrematação por preço muito abaixo do seu valor, cerca de 30% de sua avaliação.

O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP) considerou improcedente o mandado de segurança e determinou o recolhimento de custas, sobre o valor da causa. Porém, a Mitto, ao interpor recurso ordinário, não efetuou o pagamento nem mencionou justificativa para não fazê-lo, o que caracterizou, para o Regional, a deserção. Inconformada, a empresa tentou, por meio de agravo de instrumento, que o TST examinasse o recurso.

O ministro Pedro Paulo Manus, relator do agravo no TST, observou que, de acordo com a Orientação Jurisprudencial nº 148 da SDI-2, “é responsabilidade da parte, para interpor recurso ordinário em mandado de segurança, a comprovação do recolhimento das custas processuais no prazo recursal, sob pena de deserção”.

(AIRO-11034/2004-000-02-01.3) (Lourdes Côrtes)

Fonte: TST

 

13-02-2009 | 08:55

 

O Tribunal Superior do Trabalho condenou a Telemar Norte Leste S.A. a restabelecer o plano de saúde oferecido pela empresa para um empregado aposentado por invalidez. No entendimento adotado pela Primeira Turma do TST, a aposentadoria por invalidez, seja por doença ou acidente de trabalho, não põe fim ao contrato de trabalho, apenas o suspende.

Depois de trabalhar por mais de 20 anos na Telemar, o empregado foi aposentado por invalidez causada por acidente de trabalho, em novembro de 2004. Como a empresa o excluiu do plano de saúde que mantém para os funcionários da ativa e suas famílias, ele entrou com a ação na Justiça do Trabalho.

Na 1ª Vara do Trabalho de Itabuna (BA), o empregado alegou que a aposentadoria por invalidez suspende o contrato de trabalho, mas não o rescinde. Disse ainda que, nas cláusulas de exclusão do plano de saúde, constava que o desligamento do funcionário ocorreria por rescisão do contrato de trabalho – o que não ocorreu no caso. A Telemar, por outro lado, sustentou que não havia lei que a obrigasse a manter assistência médica para empregados despedidos ou aposentados, e que o plano destinava-se aos trabalhadores em atividade e seus dependentes. Além disso, o empregado aposentado por invalidez já era assistido pela Previdência Social.

O juiz da Vara de Itabuna concluiu que o empregado tinha razão e deveria continuar como usuário do plano de saúde da Telemar. A empresa não aceitou a sentença e recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (BA). Já para o TRT/BA, a Telemar estava correta: com a aposentadoria por invalidez, houve a suspensão do contrato de trabalho do empregado. Portanto, se o empregador não tinha mais o dever de pagar o salário do funcionário, também não deveria arcar com o plano de saúde.

A partir dessa nova decisão, o empregado interpôs recurso de revista ao TST para restabelecer o entendimento da primeira instância. O relator do processo, ministro Vieira de Mello Filho, explicou que o plano de saúde, ainda que concedido por liberalidade da empresa, era um benefício que se incorporara ao salário do empregado. Para o ministro, de fato, a aposentadoria por invalidez não é causa de extinção do contrato, como prevê o artigo 475 da CLT.

O relator também reconheceu que a empresa alterou cláusulas contratuais de forma unilateral, ou seja, sem o consentimento do empregado, causando prejuízos a este – o que contraria o artigo 468 da CLT e a Súmula nº 51 do TST. Por fim, o ministro entendeu que a empresa deveria manter o plano de saúde para o empregado.

O advogado da Telemar argumentou que o empregado, nessas condições, receberia duplo benefício: da Previdência Social e do plano de saúde da empresa. Mas a Primeira Turma concordou com o relator. O ministro Lelio Bentes ressaltou que, como o empregado está aposentado por invalidez, é nessa hora que ele mais precisa do plano. O ministro Walmir Oliveira da Costa lembrou a carência da assistência à saúde no setor público. Segundo ele, “a manutenção do plano de saúde permitirá que o empregado readquira mais rapidamente a capacidade laborativa plena”. Por unanimidade, os ministros decidiram restabelecer o plano de saúde do empregado, como determinado, de início, pela Vara do Trabalho.

(RR – 166/2006-461-05-00.5) (Lilian Fonseca)

Fonte: TST

13-02-2009 | 08:48

Foi realizada , na sede da FETRACONSPAR – Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado do Paraná, Reunião Ordinária da Diretoria Executiva e Secretários Regionais da NCST/PARANÁ com a seguinte pauta:

 

  1. Informes da Diretoria;

 

  1. Avaliação sobre as deliberações das reuniões da NCST/Nacional realizadas nos dias 06 e 07 de Novembro de 2008, em Brasília-DF;

 

  1. Avaliar e deliberar sobre a proposta de repasse financeiro as Estaduais deliberadas na reunião da NCST/Nacional do dia 06 de novembro de 2008;

 

  1. Deliberar e operacionalizar a transferência da Sede Provisória da NCST/PR, que funciona da sede da FETROPAR, para outro local;

 

  1. Pedido de licenciamento do Presidente, até 04 de julho de 2009, e dar posse ao substituto legal a teor do Estatuto da Entidade;

 

  1. Outros assuntos de interesse da NCST/PARANÁ;

 

Nesta reunião foi deliberado o licenciamento do atual presidente – EPITÁCIO ANTONIO DOS SANTOS, até o final de mandato. Assumiu o cargo o companheiro ERNANE GARCIA FERREIRA (Primeiro Vice-Presidente).

12-02-2009 | 15:16

 A Comissão Executiva Nacional do DEM, reunida nesta manhã, decidiu por unanimidade desfiliar o deputado Edmar Moreira (MG), que é acusado, entre outras coisas, de não declarar a posse de um castelo em Minas Gerais. O deputado nega a denúncia e argumenta que transferiu o imóvel para seus dois filhos.

Também hoje, o líder do Psol, deputado Ivan Valente (SP), protocolou na Mesa Diretorada Câmara um pedido de investigação sobre os gastos do deputado Edmar Moreira com serviços de segurança. O Psol quer saber se o parlamentar usou a verba indenizatória para contratar serviços da sua própria empresa de segurança ou de empresas de familiares.

O presidente da Câmara, Michel Temer, informou que encaminhou a representação do Psol à Secretaria-Geral da Mesa. Caso o pedido seja considerado procedente, ele dará prosseguimento à representação. Temer lembrou que já pediu ao 1º secretário, Rafael Guerra (PSDB-MG), um estudo para tornar mais transparentes as informações sobre as notas fiscais referentes ao uso da verba indenizatória. O presidente explicou que, assim que houver uma definição, a mudança de procedimento será imediata.

Desfiliação 
Ao divulgar nota oficial da Executiva, o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), afirmou que o partido apenas formalizou uma situação criada pelo deputado, que pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a declaração de justa causa para sua desfiliação. No pedido, Edmar Moreira argumenta que está sendo vítima de perseguição política dentro do seu próprio partido. Maia afirmou que esse pedido inviabiliza a permanência de Edmar Moreira no partido. 

Rodrigo Maia explicou também que a desfiliação é diferente da expulsão. Com a desfiliação, segundo ele, a Executiva apenas formalizou uma situação criada pelo deputado. A expulsão seria uma iniciativa do partido, que deveria abrir um processo, inclusive com direito de defesa.

Questionado se o DEM reivindicaria no TSE a vaga de Moreira, Rodrigo Maia afirmou que o partido vai aguardar a decisão do tribunal em relação à consulta do deputado. Segundo ele, se o tribunal negar o pedido de desfiliação por justa causa, o partido entende que tem direito ao mandato e o reivindicará.

Investigação 
O líder do Psol informou que a orientação de encaminhar o pedido de investigação à Mesa foi dada pelo corregedor da Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), com quem esteve reunido nesta manhã. O corregedor explicou ao líder do Psol que só pode iniciar uma investigação preliminar se for autorizado pela Mesa Diretora. "Essa é uma formalidade que deve ser cumprida. Nós vamos protocolar agora mesmo o pedido de investigação", disse Ivan Valente ao deixar a reunião.

Ivan Valente afirmou ainda que o corregedor garantiu aos deputados do partido que não vai atrasar nenhum pedido de investigação. Além de Valente, também participaram da reunião com Antonio Carlos Magalhães Neto os deputados Chico Alencar (Psol-RJ) e Luciana Genro (Psol-RS).

Valente citou informações divulgadas pela imprensa segundo as quais Edmar Moreira teria gasto, em 2007, R$ 90,6 mil da verba indenizatória com segurança privada e, em 2008, R$ 140 mil.

Procurado pela reportagem da Agência Câmara, o deputado Edmar Moreira não foi localizado.

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Da Reportagem
Edição - Wilson Silveira 

12-02-2009 | 14:35

 O novo líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (SP), diz que o tema prioritário para o seu partido é a discussão da crise econômica mundial. Para o parlamentar, a manutenção dos empregos é o principal aspecto a ser considerado.

Filiado ao PT desde 1981, Cândido Vaccarezza está em seu primeiro mandato como deputado federal. Ele também foi deputado estadual em São Paulo por dois mandatos, de 2001 até 2007.

Médico ginecologista e obstetra, Vaccarezza é fundador da Associação dos Servidores da Saúde no Estado de São Paulo (ASSES) e integrante do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de São Paulo.

Na Câmara, o deputado integrou as comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania; de Fiscalização Financeira e Controle; e várias comissões especiais, entre elas a CPI da Crise no Sistema de Tráfego Aéreo e o grupo de trabalho da Consolidação da Legislação Brasileira.

No ano passado, Cândido Vaccarezza presidiu a comissão especial que analisou as mudanças no rito de tramitação das medidas provisórias (PEC 511/06).

O parlamentar concedeu a seguinte entrevista à Agência Câmara:

Agência Câmara - Quais são os temas prioritários do PT para este ano? 

Vaccarezza -
 O primeiro tema que é prioritário para a sociedade brasileira é a discussão da crise econômica. Essa é uma crise econômica mundial surgida no centro do capitalismo mundial que são os EUA, fruto da política descontrolada dos mercados, liderada pelo presidente Bush. Essa crise está se alastrando pelo mundo todo, nós não sabemos a dimensão dela. O presidente Michel Temer criou uma comissão para acompanhamento da crise e nós temos que dar sustentação às políticas do governo Lula, aprimorá-las no Parlamento e garantir que o Brasil continue no rumo do desenvolvimento econômico, da distribuição de renda e da criação de empregos. A preocupação maior para esse período é o emprego, que será provavelmente atingido, e nós temos que preparar a população para uma situação difícil.
Outro temas são os temas próprios que a Câmara tem que enfrentar. A reforma tributária, que o companheiro Palocci tem acompanhado em nome do PT; a reforma política, que os deputados João Paulo e Rubens Ottoni têm acompanhado pela bancada; a consolidação da leis, que até então eu estava acompanhando; a regulamentação dos itens da constituição que não foram regulamentados; e mais os temas gerais que aprimorem o desenvolvimento econômico brasileiro e o Estado brasileiro, como educação, saúde e segurança.

Agência Câmara - Qual é a sua posição sobre as principais reformas: a reforma tributária e a reforma política? 

Vaccarezza -
 Eu tenho escrito sobre o tema. Para falar, em três minutos, sobre a importância da reforma tributária e da reforma política é difícil. Eu acho que a reforma tributária tem que diminuir o custo da produção, fazendo justiça social com os impostos. Ou seja, a atividade especulativa deve ter maior cobrança de imposto e desonerar a atividade produtiva: a indústria, o comércio e o setor de serviços. Com isso, a gente obriga os grandes rentistas e os bancos a desviarem recursos que estão na especulação financeira para a produção. O governo brasileiro já tomou uma medida em relação à tabela do imposto de renda, criando novas faixas, mas tem outros itens que temos que tratar na reforma tributária.
A reforma política é uma coisa muito ampla, porque trata do aprofundamento da democracia brasileira. Como primeiro item da reforma política nós temos a reforma eleitoral e o item da fidelidade partidária. Eu acho que isso nós vamos poder enfrentar aqui na Câmara. Acho que a reforma política nós vamos fazer por partes.

Agência Câmara - Qual é a posição do PT em relação ao governo, especialmente depois da "vitória", como alguns estão considerando, do PMDB nas duas Casas?

Vaccarezza -
 Primeiro que não teve vitória do PMDB nas duas casas. Na Câmara, teve uma vitória do PT, junto com o PMDB. Isto está sendo 'mal-tratado'. E no Senado teve uma disputa do PMDB com o PT e o presidente Sarney ganhou a eleição, com uma margem de votos muito grande. Aqui na Câmara o PT reivindicou dois cargos na Mesa: o vice-presidente da Câmara, que é o vice-presidente do Congresso Nacional, que é o companheiro Marco Maia (RS), e a terceira secretaria, com o companheiro Odair Cunha (MG), e fomos largamente vitoriosos. E apoiamos o presidente Michel, então nós fazemos parte do grupo de partidos vitoriosos na Câmara. Então não tem derrota do PT na Câmara. Na Câmara, como eu já disse, não tem surpresa. Nem no andamento dos projetos, nem nos acordos feitos com os partidos que o PT participa, e nem na situação interna do PT.

Agência Câmara - E qual é a sua posição sobre a PEC das medidas provisórias?

Vaccarezza -
 Isso aí nós temos uma posição amplamente consensual aqui na Câmara. Eu fui presidente da Comissão e nesse processo nós aprovamos por unanimidade na comissão. Nós tínhamos três do PT, três do PMDB e mais, proporcionalmente dos partidos menores, e lá foi uma decisão consensual, combinada inclusive com o governo, a liderança do governo encaminhou favorável a votação. Então, a minha posição estava clara porque eu fui presidente da comissão, eu participei das articulações para fechar a posição que foi aprovada.

Agência Câmara - O senhor poderia resumir essa posição que foi aprovada?

Vaccarezza -
 Eu posso resumir no que ela tem de principal, porque está escrito o que foi aprovado. A pauta da Câmara deixa de ser trancada no correr dos 45 dias das medidas provisórias. Você mantém as medidas provisórias, mas retoma para o Parlamento a possibilidade de, com maioria absoluta, poder definir a pauta da Câmara. Então, nós podemos com essa alteração, definir qual é a agenda que teremos na Câmara e não como é hoje, quando, com várias medidas provisórias, a pauta fica trancada e você só pode discutir o tema da medida provisória. E, muitas vezes, não está pronto para votar e aí a Câmara fica parada, não se vota nada.

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Reportagem - Cristiane Bernardes

12-02-2009 | 14:33