Luiz Carlos Azedo e Daniel Pereira
Correio Braziliense

Em conversa com representantes do partido, presidente confirma desejo de que Michel Temer esteja à frente da Câmara. PT ficaria com o Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou de sola na sucessão do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Na terça-feira à noite, chamou o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), e o líder da bancada peemedebista, Henrique Eduardo Alves (RN), para reiterar que apóia o acordo firmado com o PT para que o próximo presidente da Câmara seja indicado pelo PMDB, no caso o próprio Temer. Na mesma conversa, reivindicou a Presidência do Senado para o PT, de maneira a manter o equilíbrio na aliança entre as duas legendas. O senador Tião Viana (PT-AC) ainda é o nome preferido do presidente Lula para o Senado, apesar do veto do ex-presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL).

A iniciativa de Lula, em primeiro lugar, teve por objetivo fortalecer o nome de Temer dentro da própria bancada do PMDB, onde surgiram duas candidaturas dissidentes. Uma é pra valer, a do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que foi relator da CPI dos Correios, responsável por indiciar os envolvidos no escândalo do “mensalão”, e hoje ocupa a poderosa primeira-secretaria da Mesa, que sempre serviu para que seu ocupante alçasse vôo rumo à Presidência da Câmara. A outra, da deputada Rita Camata (ES), por enquanto é um factóide, pois nem as mulheres da bancada apóiam a candidatura dela, como sua conterrânea Rose de Freitas. Em segundo lugar, Lula buscou inibir candidaturas próprias na bancada do próprio PT, onde o líder do governo, Henrique Fontana (RS), é uma alternativa de candidatura “puro-sangue”.

Múcio
O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, não é candidato à Presidência da Câmara, apesar da pressão de colegas de PTB para que entre na disputa. Pelo contrário, Múcio trabalha nos bastidores pela eleição de Temer como sucessor de Arlindo Chinaglia (PT-SP). E, ao mesmo tempo, para que Viana substitua Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) no comando do Senado. O Palácio do Planalto descarta a possibilidade de os ministros das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), ou das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG), deixarem os respectivos cargos para assumir a Presidência do Senado. Nem os dois senadores querem isso.
Segundo o ministro, é preciso respeitar o acordo costurado entre os partidos há dois anos. Ele alega ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem condições de governar sem o PMDB. No Palácio do Planalto, há preocupação com os rumos da disputa na Câmara por causa da possibilidade de Ciro Nogueira (PP-PI) derrotar Temer num confronto em plenário. Como o correligionário Severino Cavalcanti (PP-PE), ex-presidente da Casa que renunciou ao mandato, Ciro é o nome preferido do “baixo clero”. Mas faz parte do grupo de aliados de Lula no Congresso. “Ele é forte. Não é um candidato contra o governo”, declara um ministro. Para tirar Ciro da sucessão, assessores do presidente cogitam oferecer a ele uma posto de destaque no primeiro escalão do Executivo.

21-08-2008 | 09:55

Agência Brasil

Apesar das dúvidas em relação à sanção do projeto de lei que estende a licença-maternidade de 120 para 180 dias, e cria assim, a empresa cidadã, que ao adotar a ampliação do benefício a suas funcionárias terão isenção de imposto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu sancionar a proposta, depois dos esclarecimentos pelo ministro da Fazenda na manhã desta quarta-feira (20).

 

Lula decidiu aprovar a extensão da licença-maternidade para seis meses, informou hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista a emissoras de rádio do estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), no programa Bom Dia, ministro.

 

“O presidente já decidiu que vai aprovar, não vai vetar esse projeto de modo que esse benefício seja estendido a todas as mulheres brasileiras”, informou o ministro que também falou sobre a sua função, de alertar o custo que o benefício trará ao governo “quanto custa o negócio”. Ele disse que é fácil aprovar uma lei que traz um benefício, mas a Fazenda tem de dizer quanto vai custar isso para a União.

 

“O custo disso é de R$ 800 milhões por ano. E eu sou obrigado, como ministro da Fazenda, a dizer ao presidente: 'Olha vai custar isso e portanto, temos que ter verba no nosso orçamento para viabilizar”.

20-08-2008 | 11:36

Agência Câmara

A Câmara analisa o Projeto de Lei 1338/07, do deputado Uldurico Pinto (PMN-BA), que limita a 10% a alíquota do Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos brutos do trabalhador assalariado ou sem vínculo empregatício. Atualmente, a alíquota varia de 15% a 27,5%.

O autor da proposta critica o aumento constante da carga tributária. Em julho deste ano, a arrecadação do governo federal atingiu R$ 61,960 bilhões, batendo o sétimo recorde consecutivo. Com isso, os tributos recolhidos em 2008 já chegam a R$ 396,934 bilhões - R$ 40,004 bilhões a mais do que no mesmo período de 2007. Esse valor extra equivale à estimativa de perdas com o fim da CPMF feita pelo governo no início do ano.

Uldurico Pinto afirma que diversos estudos, inclusive da Receita Federal, demonstram que os salários e as demais rendas do trabalho no Brasil sofrem tributação proporcionalmente muito mais elevada que os rendimentos do capital. "Essa desproporção se agrava quanto menor é a faixa de rendimento considerada", sustenta.

No entender do autor, o projeto soluciona dois problemas. De um lado, atenua a distorção causada pela tributação mais acentuada dos rendimentos do trabalho. De outro, mantém no mercado uma parcela importante dos salários, o que pode repercutir positivamente sobre os índices de desenvolvimento do País.

Para o deputado, não há como fomentar o crescimento se a riqueza produzida pela sociedade fica retida sob a forma de tributos nas mãos do poder público. "O poder público nem sempre tem capacidade e competência para aplicar seus recursos com a eficiência necessária e recomendável", acredita.

Tramitação
O projeto tramita em
caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

20-08-2008 | 11:30

Maria Lima
O Globo

Procurador diz que criação de uma nova entidade por dia é preocupante e pede ao tribunal auditoria em 12 mil sindicatos

Diante das novas brechas para a proliferação de sindicatos de olho no bolo do imposto sindical obrigatório, o procurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Marinus Marsico, prepara uma representação pedindo que o tribunal faça uma fiscalização profunda para verificar se está havendo desvio desses recursos. E, principalmente, se há criação de sindicatos de fachada para abocanhar um pedaço do imposto, que arrecadou este ano R$1,3 bilhão. Segundo ele, o TCU já está investigando um caso específico de prováveis sindicatos de fachada na área de fast food criados por membros de uma mesma família, com assembléias realizadas na casa do cabeça do grupo, Ataíde Francisco de Morais.

Mesmo sem carteira assinada há mais de 19 anos como trabalhador na área, de acordo com a representação do Ministério Público, Ataíde Francisco de Morais "fundou diversos sindicatos e apresenta rápido acréscimo patrimonial".

Procurador diz que lei estimula criação de sindicatos

Marsico disse que o Ministério Público vê com grande preocupação a abertura de brechas, no Ministério do Trabalho, que possam eventualmente propiciar desvios do imposto. Sua proposta de fiscalizar cerca de 12 mil sindicatos, por amostragem, no período de janeiro a 31 de dezembro deste ano, foi motivada pela informação, publicada ontem no GLOBO, de que a pasta tem chancelado a criação de cerca de 22 novos sindicatos por mês, além de mudar as regras de arbitragem de conflitos.

- Em decorrência do veto do presidente Lula à fiscalização do TCU (na lei de legalização das centrais sindicais), apesar de o entendimento ser de que o tribunal deve, sim, fiscalizar recursos públicos, houve um grande estímulo à proliferação de novos sindicatos. Há uma grande preocupação sobre como esses recursos do imposto sindical estão sendo utilizados. Depois dessa auditoria profunda, poderemos avaliar também se está havendo gestão direcionada do ministério para beneficiar sindicatos e centrais sindicais com os quais a direção do ministério tem vínculos públicos e notórios - disse o procurador.

Em função de denúncia publicada pela revista "Época", em abril, Marsico recomendou e o TCU abriu um processo para apurar possíveis desvios na gestão de recursos provenientes de contribuições sindicais em relação a quatro entidades sindicais comandadas por uma mesma família: o Sinterc DF/GO (Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Refeições Coletivas, de Convênio e a Bordo de Aeronaves de Brasília e Goiás); Sindifast (Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Refeições Rápidas (Fast Food) de São Paulo); Sinterc/SC (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Refeições Coletivas e Refeições Convênio do Estado de Santa Catarina), e Fenterc (Federação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Refeições Coletivas e Afins).

Marsico diz que essas entidades têm suas atividades custeadas com recursos do imposto sindical. A Federação é presidida por Ataíde Francisco de Morais. Com apenas 24 anos, Ataíde Francisco de Morais Júnior, o filho de Ataíde, figura na representação como presidente do Sindifast.

Entidade tem contratos com filha de dirigente

Além disso, mostra a reportagem, o Sindifast tem contratos com a advogada Daniela Morais, filha de Ataíde, e com o advogado Paulo Rogério Bittencourt, noivo de outra filha dele. Um dos irmãos de Ataíde, João Moisés de Morais, é presidente do Sinterc DF/GO. E outro irmão, Roberto Morais, presidiu sindicato similar em Santa Catarina.

Ainda segundo a reportagem, incluída no processo do TCU, Ataíde é membro da direção da Força Sindical e tem estreitos laços de amizade com seu presidente, o deputado Paulo Pereira da Silva (PT-SP), um dos braços direitos do ministro Carlos Lupi e principal lobista para aprovação da obrigatoriedade do pagamento do imposto sindical.

"Os fatos aqui arrolados podem configurar indícios de gestão não apropriada de recursos da contribuição sindical. Veja-se, a propósito, que, no setor público, o enriquecimento rápido e acentuado de gestores é visto com atenção pelos órgãos de fiscalização da Administração, porque um rápido acréscimo patrimonial pode constituir indicativo de má gestão de recursos públicos", diz a representação do Ministério Público que deu origem ao processo no TCU.

 

20-08-2008 | 11:16

Eugênia Lopes e Ricardo Brandt
O Estado de S. Paulo

Onze prefeitos arrecadaram mais que todos os concorrentes juntos

Onze candidatos à reeleição na prefeitura de capitais arrecadaram mais do que todos os seus 47 adversários juntos. A constatação está na prestação de contas divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Dos 20 prefeitos que tentam se reeleger, Gilberto Kassab (DEM) é o campeão em arrecadação com R$ 2,6 milhões em doações. Em seguida vem o tucano Beto Richa, de Curitiba, que recebeu R$ 1.227.202,70 para sua campanha.

"Isso acontece porque o sistema eleitoral vigente quebra a fronteira entre o público e o privado. É quase uma retribuição às boas relações de vivência com o Executivo. É também como se fosse um adiantamento por um possível bom relacionamento no futuro", diz o deputado Chico Alencar (PSOL), candidato à Prefeitura do Rio.

Juntos os 11 candidatos campeões de arrecadação conseguiram R$ 5,9 milhões em doações contra R$ 3,4 milhões obtidos por 47 candidatos a prefeitura das 11 capitais. A petista Gleisi Hoffmann, mulher do ministro Paulo Bernardo (Planejamento), foi a candidata que não disputa a reeleição que declarou o maior volume de doações para sua campanha - mais de R$ 1 milhão, segundo o TSE.

"O uso da máquina e a pressão do Executivo têm se mostrado um problema. As máquinas são capazes de produzir constrangimento, coações, mas a oposição não tem instrumentos para fiscalizar em todo lugar. Estamos atentos aos casos evidentes de abuso do poder econômico, mas isto acaba ficando a cargo da Justiça Eleitoral", diz o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), que aparece em segundo lugar nas pesquisas, arrecadou individualmente mais do que o ex-deputado Moroni Torgan (DEM), primeiro colocado na preferência do eleitorado da capital cearense. Mas a soma das arrecadações dos sete oponentes da petista é bem superior aos R$ 198 mil obtidos até agora por Luizianne.

O prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB), que amarga um terceiro lugar na capital baiana, foi o candidato que arrecadou mais recursos individualmente - R$ 503 mil. Mas a soma dos recursos arrecadados por seus quatro adversários chega a mais de R$ 800 mil.

A maioria dos campeões de arrecadação lidera as pesquisas de intenção de voto nas capitais. É o caso, por exemplo, dos prefeitos Cícero Almeida (PP), de Maceió; João Coser (PT), de Vitória; Iris Rezende (PMDB), de Goiânia; Nelson Trad Filho (PMDB), de Campo Grande; Ricardo Coutinho (PSB), de João Pessoa; Silvio Mendes (PSDB), de Teresina; Beto Richa (PSDB), de Curitiba; e Edvaldo Nogueira (PC do B), de Aracaju. Uma das exceções é Kassab, que amarga o terceiro lugar.

A presidente do Movimento Voto Consciente, Silvia Cosac, avaliou que os dados confirmam a tese de que a campanha eleitoral é "injusta", pois o uso da máquina beneficia o candidato que busca a reeleição.

20-08-2008 | 11:13

Viviane Monteiro
Jornal do Brasil

A arrecadação de impostos e con- tribuições federais mantém a trajetória de alta, alavancada pelo crescimento da economia brasileira e aumento das alíquotas de Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) e a do Imposto sobre Operações Financeiras.

No acumulado de janeiro e julho, o valor arrecadado atingiu um recorde de R$ 396,934 bilhões, já corrigido pela inflação medida pelo IPCA. A cifra cresceu 11,21% na comparação com o mesmo período do ano passado, de R$ 356,930 bilhões. Mesmo com o fim da CPMF, o governo já conseguiu arrecadar R$ 40,004 bilhões a mais no ano, valor que, até então, era estimado para ser arrecado em todo o ano com o imposto do cheque, exteinto em janeiro.

 Apenas em julho, o governo arrecadou de impostos e contribuições R$ 61,9 bilhões, 10,5% a mais que o mês anterior e 15,9% sobre julho do ano passado. É também uma receita tributária inédita para o mês. E trata-se do maior valor mensal arrecadado este ano desde janeiro quando a cifra foi de R$ 64,8 bilhões.

Grande parte da arrecadação tributária no ano saiu do caixa das instituições financeiras em virtude do aumento da alíquota da CSLL de 9% para 15%, em maio, que começou a vigorar em junho. O aumento do imposto já surtiu efeito sobre o movimento financeiro dos bancos no segundo trimestre. Apenas na Caixa Econômica, conforme o balanço divulgado na semana passada, o impacto foi de R$ 704 milhões no segundo trimestre nas despesas.

Segundo o secretário-adjunto da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, o aumento da arrecadação das receitas administradas pelo órgão em julho reflete, sobretudo, o desempenho da arrecadação da CSLL e do Imposto de Renda das pessoas jurídicas, que foram responsáveis por 81% da taxa de crescimento da receita no mês. Tal arrecadação ficou concentrada, sobretudo em 80 empresas que contribuíram com 72,81% do total. Segundo o técnico do Fisco, as empresas representam todos os setores da economia e o resultado está atrelado ao crescimento do lucro das empresas, em virtude do aquecimento econômico. ­

-O resultado é reflexo do bom momento pelo qual passa a economia brasileira. Todas as empresas divulgaram o balanço financeiro do semestre", reforçou. Mas há quem diga que o aumento da arrecadação no ano reflete grande parte o aumento da arrecadação da CSLL paga pelos bancos.

Entre janeiro e julho a CSLL rendeu ao governo R$ 27,739 bilhões, quando respondeu por 6,99% de todo o montante arrecadado no período. A cifra aumentou 29,15% sobre os R$ 21,478 bilhões, quando respondeu por 6,02% do bolo total arrecadado. Apenas o imposto incidente sobre a receita dos bancos rendeu ao governo R$ 4 bilhões até julho, 34,9% a mais que os R 2,969 bilhões apurados em igual etapa do ano passado e passou a representar a 1,01% da alíquota, ante 0,83% em igual período do ano passado. Somente em julho, a arrecadação do imposto rendeu R 4,63 bilhões aos cofres do governo, 6,5% a mais que o mês anterior, 27,19% sobre igual mês do ano passado.

A expectativa do governo é de que o aumento da alíquota de CSLL sobre a receita dos bancos gere adicional de R$ 2 bilhões este ano sobre o valor arrecadado da alíquota.


IOF sobre bebidas cai
Um outro imposto que já rendeu frutos ao governo este ano é o IOF, cujas alíquotas foram elevadas no inicio do ano. No ano, a arrecadação do imposto cresceu 148,7% sobre 2007, e atingiu R$ 11,0507 bilhões ­- 2,9% da receita total.

A arrecadação do IPI sobre bebidas caiu 1,33% para 1,507 bilhão no acumulado do ano. Barreto, entretanto, não quis atribuir a queda à vigência da Lei Seca.

20-08-2008 | 11:08

ANAY CURY e JULIANA COLOMBO
Folha de S. Paulo

O salário mínimo que entrará em vigor em fevereiro de 2009 poderá chegar a R$ 460. O valor de R$ 453,67, definido na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira, deve ser arredondado, segundo líderes do governo e da oposição na Câmara e no Senado. Hoje, o piso é R$ 415.
O vice-líder do governo no Congresso, deputado Gilmar Machado (PT-MG), disse que a liderança defenderá os R$ 460 durante a definição do Orçamento para 2009. A bancada do PSDB no Senado também confirmou que o valor pode subir. Para a vice-líder do partido no Senado Marisa Serrano (PSDB-MS), se sobrarem recursos no Orçamento de 2009, o valor do mínimo deve ser arredondado. "Normalmente, quando os valores aprovados antes são quebrados, o governo acaba arredondando", disse.
Segundo o relator do Orçamento Geral da União, senador Delcídio Amaral (PT-MS), a previsão é que o Orçamento, com o reajuste do mínimo, seja aprovado no Congresso até 20 de dezembro. Para que comece a valer em fevereiro, o novo mínimo ainda terá de ser aprovado pelos deputados e senadores. Caso o tempo não seja suficiente para a aprovação de um projeto, o presidente Lula poderá editar medida provisória instituindo o piso para 2009.

20-08-2008 | 11:06

Arnaldo Galvão
Folha de S. Paulo

O Ministério do Trabalho informou que foram criados 203,2 mil empregos com carteira assinada em julho, o que significa recorde para esse mês e crescimento de 60% sobre o saldo entre contratações e demissões em julho de 2007. No resultado acumulado de janeiro a julho, 1,564 milhão vagas foram abertas, o que mostra elevação de 28% em relação ao total de empregos criados nos primeiros sete meses do ano passado. O estoque desse da ocupação formal chegou a 30,5 milhões de postos em julho, aumento de 5,4 em relação aos dados de dezembro de 2007. 

Os números de janeiro a julho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), revelam que os melhores desempenhos setoriais foram dos setores de serviços - criação de 490, 1 mil empregos -, agricultura e construção civil, pelos aumentos de 18,14% e 15,18%, respectivamente. 

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, comentou que há um crescimento generalizado da economia, impulsionado por investimentos importantes nos setores público e privado. Ele fez questão de dizer que, apesar da demanda aquecida, não estão faltando produtos no mercado, o que afasta preocupações com o aumento da inflação. Lupi manteve sua previsão de 2008 encerrar-se com o recorde de criação de mais de 2 milhões de empregos com carteira assinada. Em 2007, foram criados 1,8 milhão. Nos últimos 12 meses, o saldo acumulado do Caged é de 1,959 milhão de vagas. 

Nos primeiros sete meses do ano, os mais de 490 mil postos criados no setor de serviços tiveram as maiores contribuições dos segmentos de comércio/administração de imóveis (176.083), alojamento/alimentação (129.150) e medicina/odontologia (48.863). 

A indústria de transformação criou 355,4 mil empregos com carteira assinada de janeiro a julho, com os melhores resultados sendo registrados nos ramos de alimentos (93.309), metalurgia (44.409), mecânica (37.253), materiais de transporte (37.760), calçados (26.320), minerais não-metálicos (13.622) e papel/papelão (10.282). 

Na construção civil, o Caged mostra que foram criados 232,2 mil postos de trabalho no período janeiro-julho. Lupi também detalhou que o primeiro programa de "saída" do Bolsa Família vai qualificar cerca de 200 mil pessoas em 13 regiões metropolitanas. Serão 200 horas/aula de qualificação para oito especializações da construção civil. A previsão é de as aulas começarem em outubro. O edital para a seleção das entidades educadoras já foi publicado. 

Segundo o ministro, a iniciativa foi estudada por oito meses pelos ministérios do Trabalho, do Desenvolvimento Social e pela Casa Civil da Presidência da República. A previsão é de serem absorvidos R$ 150 milhões oriundos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). 

A agricultura foi responsável por um saldo positivo de 271,9 mil empregos nos sete primeiros meses do ano. No comércio, foram criadas 157,4 mil vagas nesse período. A administração pública contribuiu com 39.263 postos e a extração mineral contratou 9.823 empregados com carteira assinada. 

O governo também informou que, em julho, o emprego formal nas nove maiores regiões metropolitanas teve mais 69.776 vagas. Nessas nove regiões, o melhor desempenho foi em São Paulo (31.392), seguida do Rio de Janeiro (13.938). Nas áreas do interior do país, a criação de postos de trabalho foi maior, com saldo de 90.710 no Caged, com destaque para São Paulo e Minas Gerais. 

Em julho, apenas dois Estados da federação apresentaram saldos negativos no Caged. Foram eles Roraima (192 empregos a menos) e Mato Grosso do Sul (948 vagas fechadas). Nesse mês, o maior saldo é o de São Paulo, com 64.065 vagas criadas. Em seguida, vêm Minas Gerais (31.843), Rio de Janeiro (19.014), Paraná (13.635), Ceará (10.629), Santa Catarina (7.585), Bahia (6.685) e Pernambuco (6.382), entre outros. A maior variação percentual, na comparação com julho de 2007, foi a do Maranhão (1,89%).

20-08-2008 | 11:04

DENYSE GODOY
Folha de S. Paulo

Segundo pesquisa da FGV e da Ernst & Young, o PIB do país crescerá 150% em 22 anos, atingindo US$ 2,4 trilhões

A universalização da educação, a estabilidade de preços e a mobilidade social, que fará crescer o consumo, impulsionarão o país

A um ritmo médio de 4% ao ano, a economia brasileira terá crescido 150% até 2030. O PIB (Produto Interno Bruto), então, chegará aos US$ 2,4 trilhões e o consumo das famílias passará do atual R$ 1,41 trilhão para R$ 3,3 trilhões. O Brasil saltará da décima maior economia para a oitava e terá o quinto maior mercado consumidor mundial. Esse é o futuro que a FGV (Fundação Getulio Vargas) e a empresa de auditoria e consultoria Ernst & Young vislumbram para o país, segundo o estudo "Brasil Sustentável -Crescimento Econômico e Potencial de Consumo", divulgado ontem.
Os propulsores do avanço serão a universalização da educação, a estabilidade de preços e a mobilidade social, causada pelo aumento da renda. "Tal processo faz crescer a classe média e gera uma oportunidade de expansão do mercado consumidor nunca vista antes", afirma o professor Fernando Garcia, da FGV Projetos. De acordo com as projeções que fazem parte da pesquisa, a classe mais baixa, a E (renda mensal até R$ 1.000), vai recuar à taxa média de 0,4% ao ano, encolhendo do tamanho de 31,7 milhões de famílias em 2007 para 29,1 milhões de famílias em 2030.
Nesse mesmo período, a C (renda entre R$ 2.000 e R$ 4.000) crescerá a 4,2% ao ano, chegando a 21,8 milhões de famílias, e a B (renda de R$ 4.000 a R$ 8.000) aumentará 5,4% ao ano, até atingir 11 milhões de famílias.
O mercado consumidor terá uma elevação média de 3,8% por ano nesse intervalo. "Essa evolução é superior à das economias maduras", diz Sergio Citeroni, sócio da Ernst & Young. Com esse contingente de consumidores, o Brasil vai superar a França, o Reino Unido e a Alemanha no ranking dos maiores mercados.
No entanto, entre as potências emergentes que fazem parte do grupo Bric, será apenas o terceiro, atrás da China e da Índia. Já a Rússia ocupará a 10ª posição mundial. "O seu mercado consumidor vai se enfraquecer por conta de dois problemas de saúde pública: a epidemia de Aids e o alcoolismo", comenta Garcia.

Produtos
Os números a respeito do mercado consumidor servem de base para o planejamento de longo prazo das empresas. Por exemplo, diante do envelhecimento da população brasileira, fruto da redução da taxa de natalidade e do crescimento da expectativa de vida, os fabricantes de produtos infantis terão que sofisticar as suas linhas para não perder participação.
Os ramos de produtos que mais crescerão até 2030 são os de higiene pessoal e limpeza (4,8% ao ano), saúde (4,4%) e serviços financeiros (4,4%). Os do segmento de educação e cultura subirão 4,3% por ano -como terão menos filhos, sobrará dinheiro nos orçamentos das famílias para esses itens.
O grupo dos alimentos "in natura" apresentará a menor alta média, de 2,5% ao ano. Já a alimentação fora de casa, ao lado da hospedagem em hotéis, subirá 3,6% por ano.
De acordo com Garcia e Citeroni, o cenário considera que problemas estruturais do Brasil, como a infra-estrutura precária (energia elétrica, rodovias, portos), serão razoavelmente superados, de maneira que não irão atravancar o desenvolvimento.
Para as indústrias, o principal desafio será o investimento em pesquisa e inovação tecnológica. "As empresas terão que se esforçar para diferenciar as suas marcas", frisa Citeroni.

20-08-2008 | 11:03

Folha de S. Paulo

Os reajustes nos salários dos trabalhadores que devem ocorrer neste semestre para repor as perdas causadas pela alta de preços podem elevar a pressão inflacionária neste ano, segundo as analistas Marcela Prada e Cláudia Oshiro, da consultoria Tendências.
Neste semestre, bancários, comerciários, metalúrgicos, petroleiros e químicos, entre outras categorias profissionais com forte organização sindical, devem reivindicar aumento salarial. Até junho, segundo a Tendências, houve forte avanço dos salários na construção civil e na indústria calçadista.
De acordo com a consultoria, o rendimento médio nominal dos brasileiros cresce a cerca de 7% ao ano desde meados de 2005. Isso quer dizer que, com a economia aquecida e a inflação sob controle, os trabalhadores conseguiram ganhos reais de renda no período.
Porém, em razão do aumento dos preços verificado neste ano, os ganhos estão se reduzindo. O cenário se complica porque a alta de preços atingiu, principalmente, os alimentos -item que pesa muito no bolso das famílias mais pobres.
A economista Marcela Prada afirma que a perda do poder de compra pode intensificar a pressão dos trabalhadores.
Para a Tendências, por outro lado, a negociação salarial com os empresários está mais difícil. O aumento dos juros promovido pelo Banco Central para conter os preços e o avanço na cotação das commodities, que pressionaram os custos das matérias-primas, fizeram com que a confiança dos empresários na economia diminuísse.
Apesar da possibilidade de maior pressão inflacionária causada pela expansão da renda e do consumo, a economista afirma que, até agora, os aumentos salariais não pressionaram os custos para os empresários -ao menos na indústria.
"Os reajustes têm ocorrido no setor, mas não têm sido muito altos e, em paralelo, a produtividade vem crescendo, o que acaba compensando os aumentos de salários", diz Marcela Prada.

DECORAÇÃO
César Cini, presidente da Cinex, do setor moveleiro, vai abrir neste ano um estúdio de design que funcionará como centro de pesquisas em Treviso, na Itália. "O desafio é adequar o que é tendência na área de design de móveis na Europa à realidade brasileira." Com foco na venda de partes de móveis para a indústria-como portas de alumínio e de madeira-, a Cini quer oferecer um produto com design qualificado, que permita à empresa crescer 40% em quatro anos.
"Precisamos desenvolver estratégias para crescer sem produzir móveis inteiros e não concorrer com nossos clientes."

TRIÂNGULO
Eros Grau fará o relançamento do livro "Triângulo no Ponto" (Editora Nova Fronteira, 144 págs.) em São Paulo, com noite de autógrafos. O evento acontecerá na Faap, no dia 25. Na obra, o ministro do Supremo Tribunal Federal aborda histórias e experiências eróticas vividas por três personagens durante os anos da ditadura brasileira. "Triângulo no Ponto" foi o primeiro romance do ministro.

TIRO DE META
Orlando Silva (Esportes), em Florianópolis ontem, ouviu do governador Luiz Henrique da Silveira duas promessas para infra-estrutura: a construção de metrô de superfície na capital catarinense e a reforma do estádio do Figueirense. O estádio, orçado em R$ 160 milhões, dobraria a capacidade para 42 mil pessoas -e seria bancado por iniciativa privada.

CIRCULAÇÃO
No primeiro semestre, 45 feiras e congressos internacionais foram apoiados e captados pelo São Paulo Convention & Visitors Bureau. O número já supera o total registrado no ano passado. De janeiro a junho de 2008, 20% dos eventos estavam relacionados à área econômico-financeira, 17,7% ao urbanismo e ao ambiente e 7% à área médica.

ESTUDANTE
Uma das empresas que estão na disputa pela Ática/ Scipione, cuja venda deve ser fechada até setembro, é a Houghton Mifflin. Entre as maiores editoras americanas da área educacional, a Houghton Mifflin faturou US$ 2,5 bilhões em 2007.

NA HISTÓRIA
A BBC Magazines licenciou pela primeira vez o título britânico "BBC History", umas das revistas de história mais vendidas na Inglaterra, para a Editora Digerati, por meio do selo Tríada.

NA CESTA
O programa para coletar embalagens vazias de agrotóxicos promovido pelo Sindicato da Indústria do Fumo recebeu 1,4 milhão de embalagens de fevereiro de 2007 a maio deste ano. Em oito anos, o sindicato investiu R$ 4 milhões no programa.

HUMANIDADE
Robert Rosenfeld, professor fundador da Idea Connection Systems, nos EUA, fará palestra sobre os princípios humanos para a inovação sustentável, no L"Hotel, em São Paulo, na sexta.

20-08-2008 | 11:00