Folha de S. Paulo

Documento poderá ser obtido gratuitamente

A Receita Federal informou ontem que o CPF (Cadastro da Pessoa Física) deverá ser emitido com a certidão de nascimento. Os detalhes serão divulgados na instrução normativa que trata do assunto e que deverá ser publicada até amanhã.
A medida também vai acabar com a declaração anual de isento do IR. A Receita não informou, no entanto, como fará a atualização do CPF com o fim da entrega da declaração.
Por meio de convênio entre a Receita e a Anoreg (Associação dos Notários e Registradores do Brasil), a emissão do CPF poderá ser gratuita (hoje custa R$ 5,50). "Apesar de o convênio sair em breve, essa questão da gratuidade ainda está sendo analisada", disse o presidente da Anoreg, Rogério Bacellar.
Essa mudança poderá ocorrer já que os cartórios terão de começar a incluir o número do documento nas certidões de nascimento emitidas.
Com o fim da declaração para isentos, a Receita poderá ter, com a certidão de nascimento, mais uma forma de fiscalização, segundo Luiz Monteiro, auditor do órgão em São Paulo.
No ano passado, a Receita recebeu 66,31 milhões de declarações de isentos. A maioria dos contribuintes (65%) fez a declaração pela internet.

31-07-2008 | 10:25

Folha de S. Paulo

O primeiro debate da campanha eleitoral de São Paulo deste ano será levado ao ar hoje, às 21h30m, pela TV Bandeirantes, com a participação de oito dos 11 candidatos a prefeito. Segundo a emissora, confirmaram presença Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Gilberto Kassab (DEM), Paulo Maluf (PP), Soninha Francine (PPS), Ivan Valente (PSOL), Renato Reichmann (PMN) e Ciro Moura (PTC). Mediado por Boris Casoy, o debate será dividido em cinco blocos. O confronto direto entre os candidatos acontecerá nos segundo e terceiro blocos. No mesmo horário haverá debates em outras capitais: Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e Manaus.

31-07-2008 | 10:23

NEY HAYASHI DA CRUZ
Folha de S. Paulo

Valor desembolsado aumentou 11,6% e chegou a R$ 88 bi no primeiro semestre

Crescimento se deve à alta da inflação e da Selic e aos prejuízos do BC em operações no mercado de câmbio; cai relação entre dívida e PIB

Os gastos do setor público (União, Estados , municípios e estatais) com juros de suas dívidas cresceram 11,6% no primeiro semestre do ano e chegaram a R$88,026 bilhões, maior valor registrado desde 1991, quando a estatística começou a ser calculada pelo Banco Central. Parte da alta se explica pelo impacto que a inflação tem sobre o endividamento, além do prejuízo do BC em operações com dólar. O aperto fiscal também bateu recorde no semestre, com resultado 20% maior que o registrado no mesmo período de 2007. O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) disse que o Brasil não poderia “ficar totalmente ‘refém’” da posição da Argentina na Rodada Doha de liberalização comercial. Anteontem, após nove dias de debates, os envolvidos reconheceram o fracasso das negociações. Segundo Amorim, a divergência com a Argentina foi “difícil”, mas necessária, e as resistências a um acordo seriam resolvidas no Mercosul. Em Buenos Aires a partir de domingo, o presidente Lula sondará os vizinhos sobre a retomada de negociações Mercosul-EUA.

Os gastos do setor público (governo federal, Estados, municípios e estatais) com os juros de suas dívidas cresceram 11,6% e chegaram a R$ 88,026 bilhões no primeiro semestre deste ano, maior valor já registrado desde 1991, quando essa estatística começou a ser calculada pelo Banco Central.
Boa parte desse crescimento se explica pelo impacto que a alta da inflação tem tido sobre o endividamento de Estados e municípios. Na renegociação dessas dívidas, feita nos anos 90, o indexador adotado foi o IGP-DI (Índice Geral de Preços -Disponibilidade Interna), que já subiu 7,14% neste ano.
Com isso, os gastos com juros dessas esferas de governo chegaram a R$ 35,127 bilhões no primeiro semestre, mais que o dobro dos R$ 15,169 bilhões do mesmo período de 2007.
Outro fator a impulsionar os gastos com juros é o prejuízo que o BC tem com o chamado "swap cambial reverso", operação feita no mercado financeiro que corresponde a uma compra futura de dólares. Com o dólar em constante queda, essas aquisições feitas pelo BC resultam em perdas que são contabilizadas como despesas com juros. No primeiro semestre, o prejuízo acumulado com as operações de "swap" somaram R$ 4,8 bilhões. Para Carlos Thadeu de Freitas, economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio) e ex-diretor do BC, esse tipo de transação deveria ser abandonada devido ao seu elevado custo fiscal. "Essa política deveria ser repensada, porque, do jeito que está, é prejuízo certo [para o governo]", afirma Freitas.
Na visão do economista, a alta da taxa Selic agrava essa situação, pois atrai mais investidores estrangeiros para o mercado de renda fixa nacional, derrubando ainda mais a cotação do dólar e aumentando as perdas do BC com o "swap".
De abril para cá, a Selic subiu de 11,25% ao ano para 13%, e a expectativa do mercado é que a alta continue até a taxa atingir 14,25% em dezembro. Esse movimento torna as aplicações em renda fixa mais rentáveis, atraindo mais investidores.
Para Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, a situação das contas públicas no atual cenário de alta da Selic só não é pior porque, atualmente, a parcela da dívida pública corrigida pela taxa básica da economia é menor do que já foi no passado.
Isso se deve ao maior peso que papéis prefixados têm na dívida. No mês passado, o endividamento do setor público chegou a R$ 1,180 trilhão, sendo que 37,6% desse valor corresponde a títulos prefixados. Em dezembro de 2003, essa parcela era de apenas 1,5%.
Significa que, no caso de uma alta da Selic, a dívida não sobe tanto, pois os juros pagos pelos papéis prefixados são determinados no momento da emissão. "Esse tipo de preocupação existe, mas não é tão grande quanto foi no passado", diz Rosa.
A própria dívida pública é, hoje, menor do que foi há alguns anos. No mês passado, equivalia a 40,4% do PIB (Produto Interno Bruto), nível mais baixo registrado pelas estatísticas do BC desde 1998. Em dezembro de 2002, essa proporção estava em 50,5%.

31-07-2008 | 10:20

Correio Braziliense

A comissão de sindicância da Casa Civil criada para apurar a responsabilidade pelo vazamento de informações sigilosas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugere que o ex-secretário de controle interno do órgão José Aparecido Nunes Pires deva ser punido com advertência ou suspensão. Aparecido é apontado como o único culpado do vazamento. O relatório isenta a ministra Dilma Rousseff, a quem foi entregue ontem o documento, e sua secretária-executiva, Erenice Guerra. Só quem pode punir o ex-secretário é o Tribunal de Contas da União (TCU), onde ele é funcionário de carreira. As conclusões da comissão devem ser enviadas hoje ao TCU. Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, os outros funcionários que manipulavam as informações do dossiê não foram investigados. Os dados vazados do Sistema de Suprimento de Fundos (Suprim) continham informações sobre os gastos de FHC e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso com cartões corporativos do governo federal. Eles serviriam, supostamente, para evitar a criação da CPI dos Cartões Corporativos.

31-07-2008 | 10:06

Mariana Flores
Correio Braziliense

Taxa de desemprego no DF cai para 16,9% em junho, devido às contratações que exigem menos qualificação. Salário médio diminui

Os moradores de cidades fora do Plano Piloto são os mais beneficiados pela melhoria do mercado de trabalho verificada nos últimos meses. Das vagas geradas no primeiro semestre do ano, todas foram ocupadas por pessoas das cidades de renda mais baixa do Distrito Federal. No período, houve redução do número de trabalhadores ocupados no Plano Piloto e nas cidades de rendimento intermediário, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Secretaria de Trabalho do Governo do DF. De janeiro a junho, aumentou em 19.282 o número de brasilienses que estão empregados e moram em Brazlândia, Ceilândia, Samambaia, Paranoá, São Sebastião, Santa Maria e Recanto das Emas. Somente entre maio e junho, houve um acréscimo de 12.174 contratações.

A população das outras regiões do DF foi prejudicada pelo desemprego. O número de moradores das asas Norte e Sul e dos lagos Sul e Norte ocupados reduziu em 7.451 desde o início do ano. No mês passado, a queda foi de 325. Nas outras cidades pesquisadas pelo Dieese, aumentou em 421 a quantidade de desempregados desde maio e em 1.413, desde 2007. Entram nesse grupo os moradores do Gama, de Taguatinga, de Sobradinho, de Planaltina, do Núcleo Bandeirante, do Guará, do Cruzeiro, da Candangolândia e do Riacho Fundo. No DF, o saldo de ocupados aumentou em 11.427 de maio a junho e em 10.418, desde janeiro.

A explicação para as contratações entre moradores de regiões mais pobres está no tipo de emprego criado, segundo os especialistas do Dieese. A maioria exige pouca qualificação e paga salários mais baixos. No mês passado, o comércio e o setor de serviços foram os que mais empregaram — geraram 11 mil e 8 mil vagas, respectivamente. O setor definido como outros, que inclui as contratações no setor de agricultura, em embaixadas e organismos internacionais e serviços domésticos, empregou mil pessoas. Já a administração pública desligou 4 mil funcionários, seguida pela indústria, que demitiu 3 mil pessoas, e pela construção civil, com outros 2 mil.

A criação de postos com salários mais baixos reduziu o rendimento médio do brasiliense. Na última pesquisa, a renda era de R$ 1.645, contra R$ 1.665 do período anterior. “Como não houve queda dos salários de quem já estava empregado, concluímos que as contratações do mês passado foram de pessoas com salários abaixo da média”, afirma o supervisor do Dieese, Clóvis Scherer. “Com a inflação elevada, os empresários não estão investindo tanto quanto se esperava e estancaram a contratação de pessoas especializadas, que demandam salários mais altos”, avalia o técnico do Dieese responsável pela PED, Antônio Ibarra.

Com o aumento das contratações em junho, a taxa de desemprego caiu de 17,4% em maio para 16,9% em junho. Foi no mês passado que a brasiliense Patrícia Lopes, de 24 anos, saiu da condição de desempregada e foi contratada para trabalhar como assistente de marketing de um shopping. Seu tempo de procura foi pequeno, de apenas um mês, mas angustiante, conta. “E ainda estou ganhando 20% mais do que ganhava antes”, comemora.
 

Concurso aberto

Letícia Nobre
A Marinha do Brasil recebe inscrições para o corpo de auxiliar de praças (CAP) até 12 de agosto. As 160 vagas estão distribuídas em 25 carreiras e podem concorrer candidatos de ambos os sexos de todo Brasil. A seleção terá duas etapas: fase eliminatória inicial e o curso de formação.

Os interessados devem ter entre 18 e 24 anos no início do curso, marcado para 30 de julho de 2009, e ter concluído o curso técnico em uma das seguintes áreas: administração (sete vagas), administração hospitalar (uma), arte gráficas (duas), contabilidade (33), desenho de arquitetura (uma), desenho mecânico (três), edificações (uma), eletrônica (cinco), eletrotécnica (duas), enfermagem (13), estatística (quatro), estruturas navais (uma), geodésia ou cartografia (uma), higiene dental(seis), mecânica (duas), meteorologia (10), nutrição (uma), patologia clínica (15), processamento de dados (30), prótese dentária (uma), química (duas), radiologia médica (nove), reabilitação (duas), secretariado(cinco), telecomunicações (três).

O formulário de adesão e o boleto de pagamento no valor de R$ 19 estão no site www.mar.mil.br e nas organizações militares da marinha listadas no edital. As primeiras provas (objetivas e redação) estão marcadas para 4 de novembro. Os aprovados seguem para verificação de dados bibliográficos, seleção psicofísica, teste físico e exame psicológico. Quem for considerado apto em todas as avaliações faz o curso de formação, que tem duração de 17 semanas. Os valores dos salários durante o curso não foram divulgados.

31-07-2008 | 09:59

Correio Braziliense

PF prende ex-coordenador do programa Rio Transplantes e outros quatro médicos, acusados de receber dinheiro de pacientes para burlar a fila das cirurgias. Custo da manobra alcançava até R$ 250 mil, diz MP

O médico Joaquim Ribeiro Filho, ex-coordenador do programa Rio Transplantes e ex-chefe da equipe do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi preso ontem pela Polícia Federal. Ele é acusado de, em troca de dinheiro, fraudar a ordem da lista única de pacientes à espera de cirurgias ao emitir laudos falsos e beneficiar pelo menos três pacientes que receberam novos fígados antes do que deveriam.

Em um dos casos, segundo investigação da PF, o médico teria recebido cerca de R$ 250 mil. Ele e outros quatro médicos da equipe do hospital foram denunciados pelo procurador da República Marcello Miller por crime de peculato (desvio de recursos ou bens do Estado por servidor). Os órgãos teriam sido desviados entre 2003 e 2007.

O primeiro caso identificado foi o de Jaime Ariston, irmão do ex-secretário estadual de Transportes do Rio Augusto Ariston. Jaime ocupava a 32ª posição na lista quando foi operado, em julho de 2003, apenas dois dias depois de Ribeiro Filho assumir a coordenação do Rio Transplantes. De acordo com o procurador, o médico teria mentido sobre a qualidade do fígado e dito que o órgão era “marginal” (no limiar da inadequação) para que outros pacientes se negassem a recebê-lo.

Também teria sido irregular o transplante feito em Carlos Augusto Arraes de Alencar, filho do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, realizado em julho de 2007. Nesse caso, segundo a denúncia, ele monitorou um fígado que estaria disponível em Minas Gerais, onde havia uma greve do setor de saúde. Ainda de acordo com a denúncia, o médico ligou para a central e informou que tinha interesse no órgão, confirmou que operaria um paciente no hospital universitário e que tinha transporte para levá-lo até o Rio.

No entanto, o paciente da unidade foi preterido e quem recebeu o fígado foi Alencar, numa cirurgia feita na Clínica São Vicente — a única unidade privada do Rio credenciada para transplantes. “O terceiro paciente que consta da nossa denúncia só não recebeu o fígado porque a própria central de transplantes, que já estava desconfiada dos diagnósticos que ele fazia, decidiu não liberar o órgão e periciá-lo. Ao contrário do que ele havia dito, que o órgão estava imprestável, o fígado estava em perfeito estado”, disse o procurador.

De acordo com o despacho do juiz Lafredo Lisboa, da 3ª Vara Federal Criminal do Rio, a prisão foi determinada pela “imperiosa necessidade de evitar que volte tantas vezes mencionado réu a influenciar na prova dos delitos que lhe são imputados e a decidir quem deve morrer e quem não deve na referida lista nacional”. Além de Ribeiro Filho, também foram denunciados Eduardo de Souza Martins Fernandes, Giuliano Ancelmo Bento, João Ricardo Ribas e Samanta Teixeira Basto, todos médicos da equipe de transplantes e credenciados no Ministério da Saúde. A advogada de Ribeiro Filho, Simone Kamenetz, afirmou que o cliente nega qualquer irregularidade nos procedimentos de que tomou parte.

“Entendi por bem não denunciar nenhum paciente por uma questão jurídica, de que o direito não pode exigir outra conduta de uma pessoa que esteja à beira da morte. A conduta exigida é dos servidores”, afirmou Miller.

As denúncias e as prisões fizeram com que o Ministério da Saúde decidisse determinar que todos os transplantes de fígado do Rio passem a ser concentrados apenas no Hospital Geral de Bonsucesso. Até ontem, três unidades eram credenciadas para esse tipo de transplante no Rio: o HGB, o hospital de Itaperuna, o hospital da UFRJ e a clínica São Vicente, na Gávea (Zona Sul).


 Entendi por bem não denunciar nenhum paciente por uma questão jurídica, de que o direito não pode exigir outra conduta de uma pessoa que esteja à beira da morte. A conduta exigida é dos servidores 

Marcelo Miller, procurador da República e autor da denúncia

31-07-2008 | 09:38

Chico de Gois e Geralda Doca
O Globo

Greve da estatal pode atingir 12 aeroportos; categoria faz assembléia às 8h

Funcionários da Infraero fazem hoje uma paralisação que deve atingir 12 dos 67 aeroportos administrados pela empresa - 70% do tráfego aéreo do país. Os passageiros podem enfrentar transtornos, pelo menos nas primeiras horas da manhã, em Congonhas e Guarulhos, em São Paulo; no Galeão e no Santos Dumont, no Rio; em Belo Horizonte, Porto Alegre e outras capitais.

Sindicato diz que 30% ficarão em atividade

Até a noite de ontem, a diretoria executiva da Infraero e o Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) ainda tentavam chegar a um acordo. De qualquer forma, segundo o sindicato, a paralisação de hoje está mantida. Assembléias serão realizadas às 8h para debater as novas propostas da empresa. Se os trabalhadores aceitarem o acordo proposto, a greve não ocorrerá e todos voltam ao trabalho no mesmo instante.

Apesar de manter a oferta de reajuste de 5,4%, enquanto o Sina pede 6%, a Infraero aceitou aumentar o vale-refeição de R$23,50 para R$24. E ofereceu duas promoções no ano, em setembro e janeiro, com aumento de 3,5% nos salários.

A Infraero informou que os aeroportos não vão parar porque pretende pôr em prática um plano de contingenciamento. O sindicato se comprometeu a manter pelo menos 30% dos trabalhadores em atividade. Os aeroportuários são responsáveis pelo setor de raio-x, sinalização de pista, despachos de cargas e até mesmo controle de vôos.

Em nota divulgada ontem pela assessoria da , o presidente da estatal, Sérgio Gaudenzi, procura tranquilizar os passageiros, afirmando que todas as providências foram tomadas para que os aeroportos funcionem normalmente.

"Acredito que as negociações levadas a cabo entre nós atingiram os seus objetivos" - afirma Gaudenzi, na nota. "Concluímos mais uma etapa e não restam mais pendências. Quero tranqüilizar os passageiros (...) e lembrar que a empresa está preparada para operacionalizar plenamente os aeroportos".

30-07-2008 | 10:25

Ana Luísa Westphalen
O Estado de S. Paulo

Aeroportuários dizem que check-in será lento e vôos partirão com atraso

Os aeroportuários de todo o País anunciaram greve a partir da zero hora de hoje e pretendem atingir 12 dos 67 aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) em todo o País, que respondem por 80% do transporte aéreo de passageiros. Entre eles estão Congonhas e Guarulhos, em São Paulo, Galeão e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, Salgado Filho, no Rio Grande do Sul, e Viracopos, em Campinas (principal em transporte de carga aérea no Brasil).

O presidente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), Francisco Lemos, informou que a greve não tem prazo para terminar. Por se tratar de um serviço essencial, 30% do efetivo atuará normalmente. “Não deixaremos que o quadro seja inferior a isso”, afirmou. Os aeroportuários atuam na fiscalização de bagagens eno controle do movimento de aeronaves nas pistas.

No entanto, Lemos adverte que o serviço ficará mais lento e poderá haver transtornos aos passageiros, como atraso nos embarques. “A prioridade será para o pouso das aeronaves que estão no ar, e não o embarque. Com o efetivo reduzido, os vôos partirão com atraso.”

A categoria apresentou em maio uma proposta oficial à Infraero, reivindicando reajuste salarial de 6%, em reposição das perdas com a inflação, além de um aumento de 5,2% correspondente ao crescimento do setor aéreo no País. Os trabalhadores também pedem revisão no valor do tíquete-alimentação, de R$ 22 para R$ 25, e a instalação de plano de carreiras. “Não há um único funcionário de carreira na diretoria”, reclamou Lemos. Em nota oficial, a Infraero informou que a diretoria executiva continuará a negociar com a categoria e tomará as providências necessárias para assegurar o funcionamento dos aeroportos.

GALEÃO

Ontem, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), fez críticas severas à gestão da Infraero no Aeroporto Internacional Tom Jobim e defendeu que a administração seja realizada em parceria com o setor privado. “Estou muito angustiado, porque o Galeão está muito ruim”, disse, ao participar de palestra na Câmara Americana de Comércio (Amcham). Segundo o governador, a administração do Galeão “é um desastre, pois não está no nível mínimo de boas condições de serviços disponíveis aos 8 milhões de passageiros”. SEgundo ele, há “corredores sujos e banheiros em situações inadequadas”.

Para o governador fluminense, a Infraero poderia fazer contratos com a iniciativa privada, nos moldes das concessões de estradas, metrô e telefonia. “A Infraero entraria junto, teria resultados, mas a gestão deveria ser privada, com regras de investimento e compromissos. Mas sei que o governo federal estuda alternativas para a questão aeroportuária e confio .”
COLABORARAM AMANDA VALERI e RICARDO LEOPOLDO

30-07-2008 | 10:20

Renata Victal
Jornal do Brasil

A partir da semana que vem o efetivo da Polícia Federal do Rio será reforçado com agentes de outros Estados para combater a ação de milícias e traficantes na campanha eleitoral. A medida foi anunciada após reunião entre a superintendência da PF e o presidente do TRE-RJ, desembargador Roberto Wider. Do encontro, que contou com representantes da Secretaria de Segurança, definiu-se a formação de um grupo de inteligência – “e não de confronto”, como disse Wider - para apurar crimes eleitorais. A primeira reunião será dia 15. (págs. 1 e Eleições A10)

A união mandará para o Rio, já na próxima semana, homens de outros estados para reforçar o efetivo da Polícia Federal no Estado. O pedido foi feito pelo superintendente do órgão no Rio, Valdinho Jacinto Caetano, que já dá proteção a uma juíza em Magé, conforme revelou edição de ontem do JB, e investiga candidatos e cabos eleitorais que estariam cometendo crimes como o cerceamento do direito de ir e vir em algumas regiões dominadas pelo tráfico ou milícia. Caetano se reuniu ontem com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Roberto Wider, o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, o comandante geral da PM, Gilson Pitta Lopes, o chefe de Estado Maior da PM, Coronel Antonio Carlos Suarez David, e o chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro. Juntos, decidiram formar um grupo de trabalho de inteligência para apurar crimes eleitorais.

– Será um trabalho de inteligência e não de confronto, pois continuamos dentro de um estado de direito e não de exceção – afirmou o desembargador Wider.

O grupo de trabalho será formado por funcionários de cada órgão. Caberá a eles decidir os rumos das investigações. De acordo com Wider, o candidato que se sentir intimidado pode pedir proteção policial ao grupo, que já têm uma próxima reunião marcada para o 15 de agosto.

– O candidato que precisar deve solicitar apoio e este grupo de trabalho vai analisar se há necessidade de segurança ou se o candidato quer apenas fazer propaganda e aparecer dizendo que vai subir em morro – alegou Wider. – Estamos trabalhando para que o Estado tenha normalidade dentro de uma situação de anormalidade. Vivemos um estado de direito onde há algumas irregularidades.

Hoje Wider se encontrará, às 16h, com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, e o Ministro da Justiça, Tarso Genro, para discutir a questão em Brasília. Ele levará na mala os dados repassados pela inteligência da cúpula da segurança sobre a atuação do tráfico e da milícia em sete regiões da cidade: Rio das Pedras, Carobinha, Santa Cruz, Jacarepaguá, Rocinha, Vidigal e Complexo do Alemão.

– Vou para saber o que eles pensam em nos oferecer e, com isso, verificar nossas necessidades – avaliou o desembargador, que não descarta nenhum reforço, mas acha desnecessária a presença do Exército nas ruas.

– Não é o caso de encher o Rio de Janeiro com o Exército. Não se descarta nenhum reforço, mas, neste momento, não é necessário – reafirmou Wider. – Não precisamos do Exército, precisamos de inteligência e a Polícia Federal está atuando e já pediu o reforço necessário.

Importância máxima

Segundo o delegado da PF, a Operação Eleição é hoje a mais importante do órgão. Sem citar o número de homens encarregados das investigações ou mesmo a quantidade de pessoas sob a mira de seus agentes, Caetano foi claro ao enfatizar que "todas as denúncias serão apuradas e encaminhadas ao Ministério Público".

– Nossa expectativa é a melhor possível e estamos à disposição da Justiça Eleitoral de forma permanente – disse Caetano. – A eleição é hoje a maior operação que a Polícia Federal faz e o Rio vai ter o tratamento que merece.

Nenhuma das autoridades estaduais que participaram da reunião no TRE fez qualquer pronunciamento sobre o encontro. Pela manhã, em São Paulo, o governador Sérgio Cabral disse ser favorável à presença "imediata" da força-tarefa no Estado como forma de reforçar a segurança do processo eleitoral.

– A força poderia vir imediatamente e ficar inclusive depois das eleições nos ajudando. Em última análise, nós estamos brigando pela garantia do regime democrático – disse Cabral, reafirmando não ter o "complexo" de achar que pedir auxílio significa que o Estado está deficiente. – Não tenho esse complexo, ah, não vou pedir ajuda porque é sinal de que estamos deficientes. Nós precisamos de ajuda sim, de tudo o que vier na direção de colaborar com a segurança pública. Foram anos e anos de crescimento de uma estrutura paralela do crime. E a gente não faz isso de uma hora para outra sem somar forças.

30-07-2008 | 10:10