| Luciano Pires |
| Correio Braziliense |
A paralisação dos petroleiros afeta a Petrobras que deixou de produzir 63 mil barris de óleo no primeiro dia do movimento. Trabalhadores se negam a voltar ao trabalho antes de fechar qualquer negociação
No primeiro dia de paralisação, os petroleiros que atuam no litoral norte do Rio de Janeiro realizaram assembléia e decidiram intensificar o movimento que tem previsão de durar até o fim desta semana. A greve afetou parte da produção de petróleo na Bacia de Campos e forçou a companhia a acionar o plano de contingência, remanejando funcionários de outras áreas para reforçar as equipes de plataforma.
Os trabalhadores reivindicam que o dia perdido no desembarque seja considerado de trabalho normal e não como folga. Os petroleiros atuam 14 dias embarcados e descansam outros 21. Os sindicatos que representam a categoria informaram que não admitem suspender a greve para analisar possíveis propostas de acordo.
Em nota, a Petrobras justificou que a atividade na Bacia de Campos está “praticamente normalizada”. “A produção da companhia atingiu às 18h mais de 96% de sua capacidade. A redução é de 63 mil barris. A direção ressalta mais uma vez que a mesa de negociação deve prevalecer como forma mais adequada para o bom relacionamento entre a empresa, sua força de trabalho e as entidades sindicais”, reforçou o comunicado oficial.
Na semana passada, tão logo a paralisação foi anunciada, o Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro concedeu liminar em favor da empresa proibindo que as instalações fossem ocupadas e que os trabalhadores que desejam cumprir suas rotinas em campo não poderão ser impedidos de ter acesso às instalações. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) chegou a divulgar que os grevistas conseguiram parar 12 plataformas ontem pela manhã. Ao longo do dia, no entanto, as atividades foram sendo retomadas. A Bacia de Campos produz cerca de 1,5 milhão de barris por dia de petróleo e 22 milhões de metros cúbicos de gás natural.
A greve dos petroleiros teve pouco impacto sobre o mercado financeiro. A ação preferencial da Petrobras registrou leve alta, fechando o dia com valorização de 0,37%. Já o preço do petróleo em Nova York iniciou a semana com um discreto aumento. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de light sweet para entrega em agosto ganhou US$ 0,10, fechando em US$ 145,18. Em Londres, onde se negocia o Brent, o barril perdeu US$ 0, 57, fechando a US$ 143,92.
Descoberta
A Petrobras anunciou ontem a descoberta de óleo de boa qualidade na Bacia do Espírito Santo. A área, localizada no campo de Golfinho, a 60 quilômetros de Vitória, tem potencial de 150 milhões de barris de óleo recuperável. A reserva está localizada em concessão pertencente à estatal.
Distantes do acordo
Embora as chances de um acordo sejam pequenas, funcionários dos Correios e a direção da empresa voltam hoje ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para discutir o futuro da greve iniciada no dia 1º. A audiência de conciliação tenta colocar fim ao movimento que se alastrou por 21 estados, além do Distrito Federal. Até agora, 108 milhões de correspondências deixaram de chegar ao destino.
O acordo proposto na semana passada pelo presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, acabou recusado pelas assembléias de trabalhadores. Se os grevistas e a estatal não chegarem a um consenso o tribunal deverá instaurado dissídio, marcar a data de julgamento e sortear um ministro-relator. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) já avisou aos sindicatos que representam a categoria que não tem como aceitar todas as reivindicações dos empregados.
Uniformizados, cerca de 100 carteiros fizeram ontem um protesto na Praça dos Três Poderes. O grupo chegou a montar barracas em frente ao Palácio do Planalto, ameaçando acampar por tempo indeterminado à espera de uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Polícia Militar e os seguranças do Planalto, no entanto, convenceram os manifestantes a desarmarem o acampamento. Hoje, no TST, sindicatos de pelo menos 10 estados prometem enviar caravanas.
Também nesta terça-feira, os servidores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) prometem realizar uma paralisação de hoje até amanhã. Na expectativa de serem contemplados com aumentos nas próximas medidas provisórias, os funcionários querem receber salários na forma de subsídio, assim como ocorrerá com quase todas as carreiras de Estado.
Igualmente insatisfeitos, os funcionários do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) recusaram a última oferta da empresa — aumento de 5,04% e 1,5% de ganho real — e, segundo a federação que negocia em nome dos trabalhadores, estão prontos para uma greve geral. A direção do Serpro terá uma mesa de negociação com os funcionários na próxima quinta-feira. (LP)