Sônia Filgueiras e Sérgio Gobetti
Correio Braziliense

Cabral, Cid e Campos, todos à frente de Aécio, se destacam na relação

Oito governadores aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão entre os 10 principais agraciados com verbas federais de convênios em 2008. Juntos, eles receberam R$ 1,2 bilhão de um total de R$ 2,6 bilhões repassados pelo governo federal aos Estados entre 1º de janeiro e 10 de julho, de acordo com os dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) fornecidos ao Estado pela assessoria do DEM.

Ao todo, 18 governadores considerados amigos do Palácio do Planalto concentraram 66,3% do dinheiro repassado nesse período.

São Paulo e Minas Gerais, governados pelo PSDB, de oposição, também aparecem na lista dos maiores recebedores, mas com muito menos recursos do que seria de esperar pelo tamanho de sua população. Entre os governistas, os destaques na lista de favorecidos pelas liberações do Palácio do Planalto são Sérgio Cabral (PMDB), do Rio, Cid Gomes (PSB), do Ceará, e Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco - todos à frente do tucano Aécio Neves, de Minas.

A dupla do PSB recebeu junta R$ 355 milhões, quase o mesmo que São Paulo, e bem mais do que outros Estados de maior porte, como Rio Grande do Sul (R$ 57 milhões), Paraná (R$ 24 milhões) e Santa Catarina (R$ 18 milhões).

No caso de Pernambuco, apenas duas parcelas de um dos convênios do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) liberadas renderam R$ 28,4 milhões. O Ceará também foi beneficiado por repasses expressivos: para as obras do açude do Castanhão, por exemplo, que integram o PAC, foram destinados R$ 47 milhões de uma só vez.

Os cinco governadores petistas abocanharam R$ 512 milhões dos recursos de convênio para os Estados, com destaque para Wellington Dias, do pequeno Piauí, com R$ 127 milhões, ao lado de Jaques Wagner, da Bahia, que recebeu R$ 126 milhões. O governador de Sergipe, Marcelo Déda, também ficou bem servido, considerando o tamanho do seu Estado, já que recebeu R$ 103 milhões, mais do que diversos outros Estados nordestinos governados pela oposição.

Entre os peemedebistas, além de Cabral (o PAC garantiu ao Rio uma liberação de R$ 91 milhões no dia 21 de maio) destacam-se os repasses para Marcelo Miranda, do Tocantins, com R$ 149 milhões, e André Puccinelli, de Mato Grosso do Sul, com R$ 112 milhões.

O Distrito Federal, Rondônia e Maranhão foram os que tiveram os menores valores transferidos pelo governo no primeiro semestre deste ano.

No caso do tucano José Serra, de São Paulo, a maior parte dos repasses se refere às obras do metrô, apoiadas por todas as cores partidárias do Estado. O governo paulista recebeu neste ano R$ 189 milhões, repassados pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), ligada ao Ministério das Cidades.

21-07-2008 | 09:25

A veiculação da atuação dos sindicatos filiados em pequenas cidades é de suma importancia,e reflete a troca de vivência e experiência; conhecimento de dificuldades em comum e metodologia utilizada para alcançar exito, não restringindo esta informação somente aos diretores e conselheiros dos sindicatos, mas tambem democraticamente aos filiados locais, que desta maneira, ou seja , pelo acesso ao site da federação podem tomar conhecimento e posteriormente apoiar ( e cobrar)a atuação do sindicato local,que muitas vezes esbarra em dificuldades, até mesmo financeira de divulgar seus exitos.

19-07-2008 | 19:02

Gerusa Marques
O Estado de S. Paulo

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) apresentou proposta ontem ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para encerrar a greve de seus funcionários, que completou 17 dias. A ECT pede que, caso a proposta não seja aceita integralmente, o TST conceda liminar determinando “a imediata suspensão da greve” ou a manutenção de pelo menos 70% dos funcionários trabalhando, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia.

Os grevistas fazem hoje assembléias para discutir a proposta. Mas a direção da Federação Nacional dos Trabalhadores em Correios (Fentect) adiantou que não concorda com alguns pontos, principalmente no que se refere ao desconto nos salários do equivalente a 50% dos dias parados.

Segundo o diretor da Fentect, Francisco Nunes, se a proposta fosse aceita, os funcionários estariam pagando por todos os dias parados.

Em 17 dias de greve, 127 milhões de correspondências deixaram de ser entregues. O maior problema está nas entrega com hora marcada - Sedex 10, Sedex Hoje e Disque Coleta. Segundo a ECT, 18% dos 108 mil funcionários estão parados em 21 Estados e Distrito Federal.

Segundo a assessoria do Tribunal, a ECT propôs a retomada das negociações sobre o plano de cargos e salários de 2008, “mediante pauta previamente estabelecida” e com a mediação do TST. A empresa se compromete a pagar, em julho, agosto e setembro deste ano, um abono emergencial, “sem natureza jurídica salarial”, correspondente a 30% do salário-base.

Esse abono seria pago a todos os carteiros da distribuição externa. Nesses três meses, seriam negociados a forma e o valor da incorporação do adicional. “Já negociamos outras duas vezes esse abono e a empresa não cumpriu. É complicado pedir que os trabalhadores acreditem novamente.”

PETROLEIROS

Embora sem acordo com a Petrobrás, os petroleiros da Bacia de Campos decidiram manter o plano original e encerram hoje a greve de cinco dias. Segundo o coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), José Maria Rangel, a categoria passa agora a discutir as questões de forma unificada, com ameaça de nova greve a partir de 5 de agosto.

18-07-2008 | 11:01

Gazeta Mercantil

Os funcionários e a direção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) não chegaram a um acordo e a greve continua pelo 18º dia. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) havia fixado o dia de ontem como último prazo para um entendimento, o que não ocorreu. Ao invés disso, as duas partes apresentaram contrapropostas.
A direção dos Correios admitiu pagar 30% de adicional por periculosidade por três meses e descontar 50% dos dias parados. Alternativamente pediu que o Tribunal determine a imediata suspensão da greve ou que eleve a capacidade mínima de operação das unidades dos Correios de 50% para 70%.
Já a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares , que não protocolou a sua proposta no Tribunal, exige que a cláusula do adicional de 30% de periculosidade seja incorporada ao salário e paga integralmente. Hoje os grevistas prometem apresentar ao TST a sua proposta por escrito, mas a situação continua incerta. A proposição da direção não é bem vista pelos grevistas. O presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, deve tentar um novo acordo hoje. Mas caso as partes não cheguem a um entendimento, o ministro do TST Maurício Godinho Delgado deverá julgar se a greve é abusiva, como foi proposto pela empresa.
Durante a tarde de ontem, o presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, esteve reunido com representantes dos trabalhadores para negociar o fim da paralisação. A greve começou com os funcionários reclamando a participação nos lucros, a incorporação de 30% de adicional de periculosidade nos salários e um plano de carreira, que estariam previstos no acordo firmado em novembro do ano passado e ratificado em abril deste ano.
A questão da participação nos lucros e o plano de carreira estão contornados e o problema agora é o pagamento do adicional de periculosidade, dizem os grevistas.
A empresa afirma que o compromisso foi cumprido, com a adoção do plano de carreira e o pagamento de um adicional de R$ 260 já na folha de julho para todos os funcionários. Os funcionários argumentam que esse valor linear não corresponde aos 30% que deveriam ser incorporados como salários. O sindicato também quer que os dias parados não sejam descontados do pagamento.

18-07-2008 | 10:09

Gazeta Mercantil

A criação de empregos com carteira assinada bateu recorde histórico em junho e no primeiro semestre. No mês, foram criados 309,4 mil empregos. É o melhor resultado da história para um mês desde 1992, início da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), segundo informou ontem Ministério do Trabalho e Emprego. O número é 70,3% maior do que o apurado em igual mês de 2007, quando somaram 181,6 mil. O recorde anterior foi apurado em abril do ano passado, com criação de 301,9 mil vagas.
Puxado pelo aquecimento da economia, foram criados 1,361 milhão de postos de trabalho no primeiro semestre deste ano. O número é 24,3% maior do que o de igual etapa do ano anterior (1,095 milhão). Outro número inédito observado nos dados do Caged é o dos últimos 12 meses, encerrados em junho, ao atingir 1,883 milhão de novas vagas formais, 5,12% a mais quando se compara com a mesma etapa anterior.
Ao comemorar o resultado -inclusive dos últimos 12 meses -, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse acreditar que este ano o Brasil deva criar mais de 2 milhões de empregos, diante dos indicadores econômicos positivos divulgados até agora. Portanto, acima da previsão anterior, de 1,8 milhão.
"Estou muito otimista. O desempenho de junho me faz ir além; devemos alcançar o recorde histórico de 2 milhões de empregos formais no ano", disse Lupi, ao anunciar os dados.
Segundo o ministro, o mercado de trabalho mostrou no mês passado um comportamento "inédito". Pois, diz, tradicionalmente em junho ocorre desaceleração no número de novos postos em relação a maio.
De acordo com os dados, o estoque total de emprego formal no Brasil passou de 28,9 milhões, no fim de 2007, para 30,37 milhões de pessoas no mês passado.
O ministro afirmou que a criação de empregos em junho foi generalizada. Atingiu a quase todos os setores da economia. No semestre, os destaques foram os setores de serviços, com 438,8 mil novos empregos. A indústria de transformação, com 317,9 mil. Agricultura, com 227 vagas. E a construção civil, com 197,1 mil postos.
Para o ministro do Trabalho, a criação de emprego é homogênea e atinge todas as áreas, o que demonstra a "força da economia brasileira. "Não existe bolha de crescimento pontual em um único setor".
Disse ainda que mesmo diante da crise mundial pela qual passa o setor alimentos, o setor no Brasil permanece gerando empregos. "Somos os maiores exportadores de alimentos, temos muita terra para produzir e a característica continental favorece a isso".
Em junho, por exemplo, destacou o ministro, o setor agrícola apresentou o maior número de empregos novos. Foram 92,5 mil a mais (ou 5,67%), um resultado recordes para o mês, influenciados pelos fatores sazonais. Tais como as colheitas de café e de frutas cítricas.
Lupi informou que também em junho todos os setores econômicos elevaram o número de empregados. A exceção foi do segmento de ensino, em razão do período de férias. Houve redução de 1,718 mil vagas no setor, mas ainda menor do que as perdas de 3,3 mil observadas em igual mês do ano passado.

18-07-2008 | 09:29

Gazeta Mercantil

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criaram ontem um grupo de trabalho para discutir o impacto da inflação sobre os preços dos produtos e, conseqüentemente, sobre as perdas no poder de compra dos trabalhadores. O ato foi oficializado em um encontro realizado na sede da Fiesp, em São Paulo, em que reuniram-se dirigentes das duas entidades.
"Quem mais sofre com a inflação são as famílias pobres, que vêem sua renda ser suprimida diante dos reajustes de preços dos produtos da cesta básica", observou o presidente da CUT de São Paulo, Edílson de Paula.
Para o líder sindical , representantes dos trabalhadores, do governo e da classe empresarial devem criar uma sistemática de debates para avaliar a real necessidade de reajuste dos preços dos produtos da cadeia alimentícia e de outros produtos. "Queremos questionar o por quê dos reajustes e onde estariam ocorrendo", disse.
No evento, a CUT encaminhou à Fiesp um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que eleva a projeção de inflação oficial deste ano para 6,5%, acima do centro da meta (4,5%). Além disso, a entidade levou aos empresários um documento enumerando ações para a redução do ritmo de aumento dos preços.
Entre as propostas da CUT está a possibilidade de desonerações fiscais sobre os itens alimentícios, como a que ocorreu no caso do trigo. Com a falta do fornecimento da Argentina, o Brasil teve de recorrer à importação do cereal produzido no Canadá e nos Estados Unidos, pagando um preço mais elevado.
Na avaliação do líder sindical, a desoneração de gêneros alimentícios seria uma forma até de se encontrar uma saída para evitar a corrosão dos ganhos salariais.
Outra questão defendida pela CUT é retomar a proposta, apresentada em 2005, de uma participação das empresas e dos trabalhadores no Conselho Monetário Nacional (CMN). Hoje, o conselho é composto pelos ministros da Fazenda e do Planejamento, e também pelo presidente do Banco Central. É o CMN que define as metas de inflação que servem de parâmetro para o Comitê de Política Monetário (Copom) na hora de estabelecer a taxa básica de juros, a Selic.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, destacou a importância da iniciativa das entidades representativas dos trabalhadores, afirmando que a sociedade precisa envolver-se nas questões monetárias do País. "A inflação é um tema importante e a sociedade tem que entrar neste debate. Nós (as entidades empresariais] também temos que estar juntos."
Segundo Skaf, daqui a 15 dias o grupo deve reunir-se novamente para debater o que foi proposto e decidir qual será o rumo das discussões.

18-07-2008 | 09:27

Gazeta Mercantil

Brasil convive há 18 dias com uma greve no serviço de correios. Não é possível, ainda, estabelecer valores exatos dos prejuízos impostos às empresas e às pessoas físicas que precisam desse serviço, que se mantém um monopólio estatal. Vale notar que os funcionários dos Correios não estão solitários em seu movimento grevista, uma vez que estão acompanhados por portuários, petroleiros e até pelos funcionários da Comissão de Valores Mobiliários. Sem contar outras greves que recebem atenção menor da imprensa, mas são igualmente prejudiciais à população brasileira, como a da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com o que a liberação de medicamentos e produtos médicos em portos e aeroportos está prejudicada.
É preciso observar que as reivindicações que impulsionam a maioria dessas greves não são salariais. Aliás, como notou o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), uma voz bastante autorizada nesse tema, "mudou o caráter" das reivindicações. Para o instituto, até 2004 predominavam exigências defensivas, como reposição salarial, por exemplo. Desde aquele ano, ganharam espaço as reivindicações "propositivas", as que pedem novas conquistas nas condições existentes, marcadas pela busca de novos direitos, como planos de carreira ou participações nos lucros, por exemplo.
Esse é exatamente o perfil de todos os atuais movimentos grevistas. No caso dos portuários, que interromperam atividades em 21 portos do País, a maior reivindicação é o cumprimento da Convenção 137 da organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante renda aos trabalhadores avulsos dos portos em função do desemprego estrutural que atingiu a categoria com obrigatório avanço da automatização nas operações de carga e descarga. O uso do trabalhador avulso é vantajoso em épocas determinadas, mas a contratação é muito difícil pela falta de especialização necessária para operar novas tecnologias, como a dos novos guindastes, que demandam capacitação muito específica do operador.
O caráter propositivo também está presente na greve dos Correios, que tem como ponto central de exigência o pagamento de um adicional de insalubridade. A Federação Nacional dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos exigiu a discussão de todos os pontos do plano de carreira, considerando insuficiente o pagamento definitivo de gratificação de 30% aos carteiros como pagamento proporcional às horas trabalhadas em serviços externos de coleta e entrega. O caso dos petroleiros é ainda mais exemplar dessas exigências paralelas à questão salarial. Enquanto os petroleiros de Campos reclamam o pagamento, em dias de folga, das horas gastas no período de desembarque nas plataformas, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) exige uma maior fatia na participação de lucros e resultados. Para efetivar a união da categoria, a FUP determinou greve de 48 horas em solidariedade às exigências dos trabalhadores da bacia de Campos.
Esses movimentos provocam fortes prejuízos às empresas e grandes transtornos para a população, que precisa desses serviços. Indústria e comércio reclamam da inação do Poder Executivo em relação à greve dos funcionários dos Correios. A Associação Comercial de São Paulo prevê problemas de caixa porque os boletos de cobrança simplesmente não chegaram para a quitação das prestações. A Associação Brasileira de Marketing Direto enviou mensagem à presidência da empresa e ao sindicato correspondente exigindo um plano de contingência para evitar o colapso do sistema. Das 330 milhões de correspondências postadas desde o início da greve, mais de um terço não foi entregue. Em São Paulo estão acumuladas 16 milhões de correspondências nos centros de distribuição. Será questão de tempo para que a greve nos portos atinja o esforço exportador.
É fato que algumas providências já foram tomadas no âmbito judicial pelos mais prejudicados por essas greves. A Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médicos Hospitalares (Abimed) obteve liminar na Justiça Federal de São Paulo para liberação de produtos de saúde presos por conta da greve da Anvisa, iniciada no final de junho, autorizando a liberação das mercadorias nos portos e aeroportos paulistas. No caso dos Correios, o fim do monopólio estatal do serviço postal aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal, desde 2003. Já para a liderança do movimento dos portuários, a greve da categoria "é o início de muitos outros movimentos". Se o Executivo permanecer na atual leniência frente a essas greves propositivas, apesar dos aumentos salariais já concedidos, não há dúvida que a previsão da liderança sindical será plenamente confirmada.

18-07-2008 | 09:25

RUBENS VALENTE
Folha de S. Paulo

Banqueiro e sua irmã, Verônica, entre outros, são acusados de gestão fraudulenta

Principais acusações são de administração irregular de fundo e de movimentação suspeita em banco; defesa do grupo Opportunity nega

O delegado Protógenes Queiroz deve indicar hoje o banqueiro Daniel Dantas e mais 12 pessoas, incluindo sua irmã, Verônica, e sua mulher, Maria Alice, por suposta gestão fraudulenta, investigada pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal. A PF tem suspeita sobre a gestão do Opportunity Fund. A defesa de Dantas nega irregularidade. 

O banqueiro Daniel Dantas e mais 12 pessoas, incluindo sua irmã, Verônica, e sua mulher, Maria Alice, deverão ser indiciados hoje pelo delegado Protógenes Queiroz por suposta gestão fraudulenta, investigada pela Operação Satiagraha.
As principais suspeitas contra o banqueiro giram em torno da manutenção e gestão do Opportunity Fund, nas Ilhas Cayman, e da falta de comunicação aos órgãos públicos e de controle interno de movimentações financeiras atípicas nas contas de correntistas do banco Opportunity.
Os advogados de Daniel Dantas e do grupo Opportunity têm negado irregularidades na gestão das empresas.
Segundo as investigações da Polícia Federal, Dantas estava legalmente proibido de organizar e gerir, a partir de meados da década de 90, o fundo das Ilhas Cayman, criado para participar da privatização de companhias estatais brasileiras.
Dantas e outros funcionários do banco foram intimados a comparecer hoje à sede da PF, em São Paulo, por volta das 10h. Caso Dantas não apareça, poderá ser indiciado à revelia. Queiroz deverá deixar hoje o comando da Operação Satiagraha. Outros dois inquéritos que surgiram dela passarão a ser presididos por outros delegados escolhidos pela direção geral da PF, em Brasília.
O crime de gestão fraudulenta de instituição financeira é previsto na lei federal 7.492/86, que trata dos crimes contra o sistema financeiro nacional. Prevê como pena reclusão de 3 a 12 anos, e multa.
O indiciamento é um ato policial pelo qual o presidente do inquérito conclui haver suficientes indícios de autoria e materialidade do suposto crime. O indiciamento não significa culpa ou condenação.
Após o indiciamento, que costuma ser o ato final do trabalho do policial, o inquérito é analisado pelo Ministério Público Federal, que decide se apresenta ou não denúncia à Justiça Federal.
Além do banqueiro, sua irmã e sua mulher, deverão ser indiciados hoje os funcionários ou sócios do grupo Opportunity Carlos Rodenburg, Arthur Joaquim de Carvalho, Danielle Ninnio, Dorio Ferman, Norberto Aguiar, Eduardo Penido, Maria Amália Coutrim, Rodrigo de Andrade, Itamar Benigno Filho e Paulo Moysés.

"Suborno"
O indiciamento de hoje deverá ser o segundo de Dantas no âmbito da Operação Satiagraha. O primeiro ocorreu sob a acusação do crime de corrupção. Anteontem, Dantas e assessores foram denunciados pelo Ministério Público Federal por supostamente terem promovido a tentativa de subornar o delegado da PF Victor Hugo Ferreira.
Após 16 dias de negociação, um assessor de Dantas, Humberto Braz, ex-diretor da Brasil Telecom Participações, e o professor universitário Hugo Chicaroni, ambos presos hoje, teriam oferecido até US$ 1 milhão para que o delegado tirasse da investigação os nomes do banqueiro, de Verônica e de sua mulher.

18-07-2008 | 09:18

Maria Lima e Cristiane Jungblut
O Globo

MP garante reajuste para 1,4 milhão de servidores; impacto no Orçamento, em 2011, será de R$31 bilhões

Antes de deixar Brasília para uma folga de 18 dias do recesso oficial de julho, que começa hoje, os deputados aprovaram ontem o texto-base da MP 431, que garante reajuste escalonado - de até 100% para algumas funções ao fim de quatro anos - a 800 mil servidores civis e 600 mil militares. Por pressão do governo, o relator da medida, deputado Geraldo Magela (PT-DF), manteve o texto já em vigor, que dá reajuste para 16 categorias e para as Forças Armadas. O impacto final do reajuste, em 2011, será de mais de R$31 bilhões: R$18,9 bilhões para os civis e R$12,3 bilhões para os militares.

Só no restante deste ano, o gasto extra na folha será de R$7,6 bilhões, sendo R$3,5 bilhões para os civis e mais R$4,19 bilhões para os militares, o que está previsto na MP aprovada ontem. Ainda faltam ser votadas emendas apresentadas à medida provisória, que só serão apreciadas em agosto.

Oposição queria incluir outras categorias

Na votação, a oposição obstruiu como pôde, para tentar incluir categorias do funcionalismo que ficaram de fora da MP, porque ainda estavam em processo de negociação com o governo. Mas a base conseguiu aprovar o texto.

O líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), foi um dos que mais brigaram no plenário para tentar alterar o projeto de conversão do relator Geraldo Magela. Ele alega que servidores da Funasa, da Polícia Rodoviária Federal e fiscais agropecuários não tiveram seus pleitos atendidos. Magela promete que o governo assinará outras MPs para essas categorias.

- Determinados contrabandos o governo aceita na MP, mas a inclusão de categorias que ficaram de fora, não. O texto aprovado é discriminatório e injusto - reclamou Neto.

Magela considerou a inclusão de novas categorias, mas justificou o recuo alegando que é inconstitucional criar despesas sem previsão orçamentária.

Luciana Genro critica fim da paridade salarial

A líder do PSOL, deputada Luciana Genro (RS), considerou o texto aprovado um retrocesso. Criticou especialmente o fim da paridade salarial para servidores que ingressarem no serviço público, a partir de agora.

Segundo dados do Ministério do Planejamento, o conjunto das propostas de reajuste alcança, ao todo, 800.512 servidores civis, sendo 350.189 ativos, 271.114 aposentados e 179.209 pensionistas. O custo total é de R$ 3,5 bilhões em 2008; de R$ 11 bilhões, em 2009; de R$15,3 bilhões, em 2010; de R$18,9 bilhões, em 2011; e de R$19,6 bilhões em 2012.

A MP ainda beneficia 611.935 militares da ativa, na inatividade e pensionistas, com acréscimo nas despesas de R$4,19 bilhões em 2008, R$7,43 bilhões em 2009, R$10,8 bilhões em 2010 e R$12,31 bilhões em 2011.

O presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP) fez mais uma tentativa de acordo para definir o calendário de votações em agosto e setembro, em plena campanha eleitoral, mas não houve entendimento. Chinaglia marcou sessão para 4 de agosto, quando se tentará definir um calendário.

17-07-2008 | 10:59

Isabel Sobral, Carolina Dall?olio e Carina Urbanin
O Estado de S. Paulo

Se até o meio-dia a greve não for encerrada, o TST vai marcar data para julgamento do caso

Termina hoje, ao meio-dia, o prazo dado pelo presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Rider Nogueira de Brito, para que a diretoria da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e a Federação Nacional dos Trabalhadores da ECT (Fentect) respondam se aceitam ou não a nova proposta de acordo, apresentada na terça-feira, para acabar com a greve dos Correios.

Se permanecer o impasse, Brito marcará a data do julgamento do processo, quando o relator escolhido, o ministro do TST, Maurício Godinho Delgado, submeterá seu voto aos demais ministros.

Enquanto a greve não termina - a paralisação completou 16 dias ontem -, quem não recebeu boletos de contas precisa pedir a segunda via do boleto bancário às empresas credoras. Há três formas de fazer a solicitação: pela internet, pelo telefone ou em postos indicados pelas companhias. Mas o caminho mais rápido é mesmo a internet.

O Estado testou os procedimentos que o consumidor pode seguir para obter o boleto de contas de luz, celular, cartão de crédito, TV por assinatura, telefone, gás e do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). E constatou que todas as empresas disponibilizam em seu site um link onde o cliente pode gerar uma segunda via do documento e imprimi-lo - ou, pelo menos, obter os números do código de barras do boleto, o que já basta para fazer o pagamento em qualquer agência bancária ou caixa eletrônico.

Na maioria dos casos, o link fica na página inicial do site, com explicações sobre como o consumidor deve agir. Para obter o documento, é preciso fornecer informações pessoais, como RG ou CPF. No caso das contas de luz, é preciso ter em mãos uma conta antiga para saber qual é o ?número de instalação? da residência (dado que fica no topo da página do boleto).

Quem não tem acesso à internet ou prefere resolver a questão pelo telefone deve se preparar para escutar muitas musiquinhas no atendimento eletrônico. A cada ligação o cliente perde, em média, 10 minutos. Primeiro, porque vai ser obrigado a escutar uma série de opções do menu de atendimento até chegar ao destino de seu telefonema. E, depois, terá de esperar até que um atendente responda. As operadoras de celular foram as que tiveram menor tempo de espera: em média, 4 minutos. Para ser atendido por um funcionário da Eletropaulo, o consumidor pode ter de aguardar até 16 minutos.

Há situações em que a segunda via não é necessária. Para pagar o cartão de crédito, por exemplo, basta apresentar o cartão a um caixa da agência bancária. Foi o que fez a dona de casa Margarida Araújo, de 54 anos. "Para outras contas, perdi muito tempo no telefone. No caso do cartão de crédito foi mais fácil: bastou ir ao banco."

E-MAIL FALSO

A ECT informou ontem que são falsos os e-mails enviados em nome da empresa solicitando aos clientes o comparecimento a uma agência dos Correios para retirada de Sedex. A companhia não envia e-mails aos clientes, a não ser em forma de resposta, mediante solicitação. A recomendação da empresa para quem receber esse tipo de mensagem é apagá-la imediatamente, não acessar os links, não abrir nenhum anexo e, em hipótese alguma, responder ao e-mail.

17-07-2008 | 10:55